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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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02
Out18

Vou voltar


alex

Por onde começar... 

Estou de volta. Bom, na verdade, já voltei há duas semanas mas a vida tem sido uma correria desde então. As férias passaram-se, com muitos precalços e histórias que vão ficar por contar, pelo menos por agora. Não foi uma viagem que me tenha enchido as medidas, como foi há dois anos atrás. Talvez por ter ido com mais pessoas desta vez, talvez por estar numa fase diferente da minha vida, talvez...regressei com muitos "talvez". Não posso dizer que foi um desastre de viagem e umas más férias, mas também não posso dizer que foi espectacular e que vim revigorada. Precisei de férias das férias assim que aterramos em Gatwick. Mas como já disse, talvez fale sobre isso num outro post. Ou não, porque nunca se sabe quem pode acabar por ler o post...

Entretanto, de volta à rotina, tenho andado a pensar muito no meu futuro desde que regressámos. Pode-se dizer que se houve algo que esta viagem fez, foi fazer-me reflectir bastante na pessoa que eu sou, nas pessoas que tenho à minha volta, na minha vida presente e no meu futuro próximo. Como mencionei brevemente no post anterior, o ano que vem vai trazer consigo muita mudança. Não logo ao principio, mas acho que estou numa altura da minha vida em que não posso ter medo de nada, nem mesmo de dizer aquilo que ainda não tenho a certeza se vai acontecer ou não. Os primeiros seis meses do próximo ano podem muito bem vir a ser os últimos meses que passo aqui. 

Pelo menos o plano é esse.

Acho que ainda não disse isto a quase ninguém. Escrevê-lo é estranho. Mas a intenção é essa. Nunca pensei que fosse quando me mudei para Londres há quase quatro anos atrás. A intenção era a de ficar aqui ou, possivelmente, ir daqui para outro país qualquer. Mas muita coisa aconteceu nos últimos anos, muito mudou e eu fui quem mudou mais. Os meus sonhos, os meus objectivos, as minhas certezas em relação à profissão que queria ter...tudo isso se dissipou. Não posso dizer que mudou, simplesmente. Não mudou. Apenas...estalou. Não sei se alguém que está a ler este texto já alguma vez viu a série de televisão "How I Met Your Mother", mas há um episódio em particular que eu uso muito para tentar explicar isto às pessoas. Há um episódio em que o som de um espelho a partir-se quando eles apontam os defeitos irritantes uns dos outros, passa muitas vezes porque as ilusões deles são estilhaçadas. Aquilo que eles nunca se tinham apercebido que o outro personagem fazia, como por exemplo mastigar muito alto ou estar sempre a corrigir a gramática das pessoas, é-lhes apontado e as ilusões deles estilhaçam.

A minha passagem por Inglaterra e esta minha fase é mais ou menos assim. Eu vim com sonhos, objectivos, expectativas...ilusões. E ao fim de quatro anos, o meu espelho também se estilhaçou e os vidros estão a ser varridos neste preciso momento. Acho que é completamente normal eu sentir-me assim, daí não estar muito preocupada de momento. Não sei o que quero fazer daqui para a frente, o que quero ser, onde quero estar mas sei o que não quero fazer, o que não quero ser e onde não quero estar. Não quero continuar a viver aqui. Não quero mais viver em Inglaterra.

E é assim que se começa. É assim que se começa um novo capitulo. Tenho muitos sítios para onde posso ir, mas a verdade é que só há um para onde quero ir. Quero ir para casa. Quero voltar para Portugal. Não sei se definitivamente ou só até voltar a encontrar o meu rumo. Mas não consigo mais viver aqui. Não consigo mais partilhar casa com as pessoas com quem partilho. Foram a minha família durante quatro anos, mas também elas mudaram. Não quero continuar a sentir que estou alienada de tudo e de todos. Que sou uma má filha, uma má neta, uma má amiga. Nunca pensei que a culpa me fosse pesar tanto ao fim deste tempo todo, mas pesa. E no domingo, quando uma de nós cá em casa recebeu a notícia que um dos familiares dela tinha falecido nessa manhã, eu soube que não há volta a dar nesta minha decisão de partir.

Como disse, nunca pensei que a culpa me viesse a pesar tanto. Mas pesa. Tudo o que perdi nestes anos, preciso de compensar. Preciso de voltar, por seis meses, um ano, dois anos, o tempo que for preciso para poder dar aquilo que não dei por estar a fazer algo por mim e para mim. Vim para Londres porque era um sonho estudar fora. Formei-me, com boas notas, apesar de todos os contratempos, todas as dificuldades, todas as lágrimas e desgostos. Sinto que já não há nada para mim aqui. E toda a gente me diz que em Portugal, nada há para mim. Porque é que havia de me ir embora? Tenho um emprego estável, recebo mais do que os meus dois pais juntos recebem em Portugal, tenho uma boa casa e pago uma ninharia de renda por ela. Tenho bons amigos. Mas falta-me algo. Não estou infeliz, mas também não estou feliz. E para mim isso é assustador. Pode não haver um emprego para mim em Portugal, mas tenho outras coisas que se calhar neste momento me estão a fazer mais falta. Estou cansada de só ver a minha família duas vezes por ano. Cansada de ver a minha irmã crescer através de um ecrã de computador ou telemóvel. Cansada de adormecer a pensar que se acontece alguma coisa e eu não estou lá... Estou cansada. Preciso de descansar, essencialmente. Em quatro anos não parei. Férias não me sabem a férias. Os dias de folga não sabem a dias de folga. Nas festas não me apetece festejar. 

A decisão está tomada. O regresso a Portugal é certo. Precisamos apenas de todas conversar sobre os nossos futuros e de, no inicio do ano, fazer a renovação do contracto da casa apenas por seis meses. Vai-me custar muito...tanto. Voltar a viver com os meus pais, voltar a depender deles. Vai caraças. Vai-me cortar o orgulho aos pedaços. Mas eu preciso de voltar. Não sei para fazer o quê, nem durante quanto tempo. Posso lá ficar só um mês e depois decidir ir para outro sítio qualquer. Posso ficar cinco anos e depois decidir voltar para Inglaterra (improvável). Mas primeiro e antes de mais nada, preciso de ir. Preciso de voltar ao meu país, preciso de voltar a conectar com a minha família. Preciso de ser a filha e a irmã que eles merecem. E preciso de voltar a ser a Alexandra que eu mereço.

Vou voltar.

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