Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

21
Jun14

Vão-se embora

alex

Ultimamente tenho-me sentido presa. Pior...sinto-me a regredir. A voltar à pessoa que era há um ano atrás, mais ou menos por esta altura. Acho que isto tem a haver com o facto de passar a maior parte dos meus dias em casa, a mudar da cama para a secretária e a levar os livros comigo para estudar. Sinto que não sou eu, esta pessoa morta que se resigna a passear pela casa para não ter de explodir a qualquer momento.

Essa pessoa é o meu pai; não eu. Não... eu sou a rapariga que se deita cedo para na manhã seguinte levantar cedo também e ir correr. Sou a rapariga que canta pela casa fora, que dança sem medo de que alguém a esteja a ver. Sou a rapariga que não pensa no que não tem para fazer amanhã porque não se importa. Sou a rapariga que não acorda com um aperto no coração todas as manhãs e se deita com um ainda maior.

Eu sou essa rapariga. Ou era...ultimamente não tenho sido essa rapariga. Tenho sido uma versão mais apagada dela.

Deito-me tarde porque o sono não quer nada comigo; levanto-me tarde de mais para ir correr e depois perco a vontade, por isso, a única corrida que faço é a do meu quarto para a casa de banho. Já não canto pela casa fora e dançar muito menos. Passo os dias em casa, fechada, a desejar não estragar a minha vida. A desejar que o dia 11 de Julho me diga: acabou. Agora podes fazer o que quiseres.

A desejar não sucumbir aos erros do passado.

Agora, ultimamente, tenho sido essa rapariga. E dou por mim com pena de mim própria. Se há coisa que me chateia é quando vejo as pessoas a olhar para mim com pena. E agora, eu própria me olho assim quando contemplo o espelho.

E eu continuo a dizer, para mim e para as paredes lavanda desta minha torre, que isto tudo vai acabar no dia 26 de Junho às cinco da tarde. 

E depois, o meu pior fantasma; o maior de todos surge, a sua voz não mais um sussurro, gritando ao meu ouvido:

"E se não acabar? E se esta é mesmo a pessoa que tu és na realidade? Talvez devesses desistir mesmo antes de tentar."

Vai-te embora voz de merda. Vai-te embora sensação de sufoco. Vai-te embora medo.

Vocês são veneno e aos poucos estão a matar a rapariga que sou.

Vão-se embora para que eu não tenha de ir.

3 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D