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19
Nov19

Uma pergunta intrigante

alex

Não sei se é a pergunta que é intrigante ou a resposta à mesma. Mas, e a razão pela qual saltei uns temas para poder escrever este, é que tenho muito sobre o que escrever em relação a perguntas intrigantes e pouco sobre os temas que saltei.

A minha vida é feita de perguntas. Muitas vezes, dos outros feitas a mim, outras de mim feitas a mim mesma. Essas são as piores. Mas a mais intrigante de todas, que me fazem de vez em quando é: és feliz?

Porque me deixa sem resposta. Sem ar. Sem chão. O mundo parece que se fecha, como se eu tivesse numa sala com quatro paredes e estas se movessem lentamente à minha volta, com um só objectivo e desfecho. O de me esmagar. Porque é uma pergunta que é feita de ânimo leve, pelos outros, que esperam uma resposta dada de ânimo leve em troca.

Mas como é se responde a uma pergunta dessas? Sem parecer deprimida ou ingrata ou mimada ou despreocupada? Como é que se faz uma pergunta dessas em primeiro lugar? Eu nunca perguntei a ninguém se eles eram felizes. Eu não acho que seja uma pergunta intrigante. Para mim, é uma pergunta dolorosa. Lanço-me numa filosofia total quando me fazem esta pergunta. O que é ser feliz, afinal de contas? É não chorar? Não sentirmos raiva? Frustração, dor? É sermos uns seres sorridentes e optimistas a toda a hora, de todo o dia? É rirmos até das coisas que nos fazem chorar? É um estado de êxtase momentâneo, que passa, vai e vem ou é algo que devemos sentir sempre, a toda a hora? É sentirmos-nos amados, realizados a nível profissional, é termos amigos e sermos amigos? O que é isto de ser feliz?

Não percebo como é que uma pergunta destas é, às vezes, feita com tanta naturalidade e frequência. E é suposto eu responder que sim, que sou feliz. Porque sou (razoavelmente) saudável, porque sou amada q.b, porque tenho amigos q.b, porque isto e porque aquilo...Mas porquê? Porque é que eu sou obrigada a descer por este abismo sem fim quando me é feita esta pergunta?

Aliás! Porque é que andamos todos à procura deste mito? Desta vida feliz que muitos pintam? As pinturas não passam disso. As histórias também não. Quando me perguntam se sou feliz, normalmente respondo que não sou infeliz. E isso devia bastar, porque tudo o resto são complicações e divagações que as pessoas não querem, nem estão dispostas a ouvir. Então para que é que perguntam?

Porque talvez queiram saber se mais alguém não é feliz como elas. Assim, talvez, não se sintam tão sozinhas.

Nada temam, a elas digo. A felicidade é relativa. Um mito. Não é algo que se consiga atingir, ou capturar como um Pokémon (que comparação mais nerd minha, enfim). Acredito que a felicidade está nos pequenos momentos. Naqueles que nos fazem sorrir, mas também naqueles que nos fazem chorar. Nas pessoas que amamos e até naquelas de quem menos gostamos. A felicidade podemos encontrá-la ao ler um bom livro ou depois de escrever-mos um texto do qual nos sentimentos orgulhosos. A felicidade vem dos que nos amam em silêncio. Vem também de um dia de céu limpo e sem chuva ou, para alguns outros até, de um dia frio com neve. Encontra-se na vida real e na vida digital. A felicidade pode até ser encontrada na infelicidade.

Porque tudo são momentos, que passam, e que postos juntos, colados com aquela super cola que comprávamos para as aulas de educação visual, dão origem à nossa Vida. 

A pressão que existe, vinda de outros, vinda de nós próprios, para sermos felizes é...inacreditável. Se estivesse numa relação era mais feliz. Se fosse mais alta era mais feliz. Se tivesse mais amigos era mais feliz. Se tivesse aquele emprego era mais feliz. Se tivesse mais dinheiro era mais feliz (com esta não discordo totalmente, pois o dinheiro não compra felicidade mas providencia um certo conforto, mas outro tema, outro texto). Se isto, se aquilo... Canso-me só de escrever tantos se's.

Sejam felizes, ou não, who cares? Porque ser feliz é sê-lo sem nos questionarmos se o somos. Porque ser feliz é dar permissão a nós próprios para também não o ser, por vezes. Ser feliz é simplesmente ser, com tudo aquilo que vem disso...incluindo a pergunta, que eu simplesmente abomino.

"És feliz?"

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