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03
Nov19

Um mundo de Jokers (?)

alex

Esta semana que passou, fui ao cinema ver o Joker. Um filme que foi muito falado ainda antes de chegar às salas de cinema, nem sempre pelas melhores razões. Muitos críticos saíram do filme a dizer que o mesmo poderia incentivar a violência e as revoltas. Foi um filme cujas críticas feitas podem ser comparadas às críticas que são, muitas vezes, feitas a vídeo jogos de natureza um pouco mais violenta. 

Não estava a planear escrever sobre o assunto, pois pode levar a muita discussão e é um tema de facto complicado sobre o qual escrever, pelo menos para mim. Mas após uma conversa longa com uma amiga sobre o assunto, senti que tinha de o fazer. No meu entender, este filme não tem cariz político, como muitos dizem, não incentiva à violência e não incentiva à revolta. Eu acho que o filme retrata, e muito bem, o que é viver com um distúrbio mental e como as pessoas que sofrem do mesmo são, por norma, tratadas pela sociedade em si. Eu acho que o foco é esse e se não é, deveria ser. O resto vem por acrescento.

A verdade é que os distúrbios mentais, ainda hoje, não são tratados como deviam ser. São muitas vezes descorados e arrebatados para o fim da lista de doenças com as quais nos preocupar ou às quais dar a devida atenção. Não é por falta de dados, números, estudos ou percentagens. É por falta de humanidade. Do mais básico dos básicos.

Humanidade.

Politiquices de lado, "mob mentality" de lado também, eu penso que este filme apela à humanidade das pessoas. Aqui temos, uma personagem, que no papel não passa disso, que sofre de problemas mentais graves e que é tratado abaixo de humano. Abaixo de tudo, muito sinceramente. E o Joker é apenas uma personagem, mas existem muitos Jokers reais, de carne osso, pelo mundo fora. Claro que nada desculpa o tirar de outras vidas. A violência. Mas é um facto que ninguém pode negar, o de que estas doenças são descuradas, muitas vezes mal diagnosticadas porque tudo é catalogado como uma ligeira ansiedade que passa se lhe passarmos uns anti-depressivos dose de cavalo; estas pessoas tratadas como o lixo da sociedade. 

Não acho que a intenção seja revoltar ninguém com este filme, com esta história. Não penso que a intenção seja a de incentivar a violência ou a de começar uma revolta política. A arte é subjectiva, pode ser interpretada de várias formas. Esta é só mais uma dessas instâncias. A minha interpretação, é esta. Temos de nos importar mais. Temos de ser mais humanos. Agora mais do que nunca, num momento da história do mundo em que tudo é razão para julgarmos, para atirarmos pedras. Nos dias de hoje, já não há debate, não há discussão. Há uma imensa agressividade que vem de todos os lados, cuspida em conversas que ao fim do dia têm apenas como objectivo ajudar aqueles que não precisam de ser ajudados. Num mundo onde queremos que seja o nosso ideal, o nosso partido político, a nossa vida o melhor, o maior, o mais importante.

E ao fim do dia, esquecemos-nos do que é realmente importante. As pessoas. Serem tratadas como tal. Como seres humanos. Somos tratados como peões de um imenso jogo de xadrez que só terá um fim, esse inevitável - a morte. 

Uma reflexão de quem viu o Joker com os olhos de um ser humano que sofre, também ela, de problemas mentais. Que pôs de parte os seus ideais, políticos, éticos, o que seja...e que viu representado no grande ecrã aquilo que a maioria teima em não querer ver.

Só precisamos todos de ser um bocadinho mais humanos. É só.

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