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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

15
Mai15

Eu não ia comentar...

alex

Mas ontem quando fui almoçar fora com a minha irmã (ontem foi feriado aqui), as pessoas que estavam na mesa ao lado da nossa discutiam sobre o assunto e eu ando aqui a remoer desde aí.

Eu não ia comentar em relação ao recente vídeo que anda por aí em facebooks e notícias, em que um rapaz é violentamente agredido por duas jovens e filmado por outras. Porque já falei muito sobre o bullying aqui no blog, porque é uma coisa que me é muito pessoal e que ainda carrega dor hoje em dia à minha pessoa.

Mas tenho de dizer umas quantas coisas, especialmente depois de ter ouvido ontem aquelas três senhoras a falarem sobre o caso.

Todas elas achavam que não foi nada de especial. Eu juro que até parei de comer e fiquei a olhar para elas com ar de parva. Elas diziam que isto é normal, que é brincadeira de miúdos e que o que não falta aí hoje em dia são jovens "à briga". Que no tempo delas também havia disto mas ninguém se fazia de vítima a dizer que sofria de bullying. Que comiam e calavam, à falta de melhores palavras.

E eu ali a querer dizer-lhes das poucas e boas e sem poder.

Como é que é possível haverem pessoas que menosprezem o que o Bullying é? Como é que há pessoas que são capazes de olhar para uma situação destas, do rapaz cujo vídeo já é tópico de conversa em todo o lado, ou para uma outra qualquer semelhante e dizer que isto é normal?

É TUDO MENOS NORMAL GENTE! Então, mas onde pára a humanidade de cada um de nós? Estamos todos loucos? Uns batem, outros esfolam e outros matam? Mas o que é isto? 

Aquele rapaz muito provavelmente vai ter cicatrizes para o resto da vida por causa do que lhe fizeram, assim como milhares de muitos outros, rapazes e raparigas, que sofrem diariamente às mãos dos seus pares!

Eu vi o vídeo. Todo. Não o devia ter feito. Vomitei o pequeno-almoço. Chorei pelo rapaz. Chorei por mim. Chorei pelas mentalidades perdidas deste tipo de pessoas que dizem que isto é normal entre jovens.

Não é normal. Nada disto é normal. 

Como é que se menospreza uma coisa destas, em que a violência é explicitamente usada apenas em prol de caprichos de miúdos que claramente, têm problemas graves visto que tiram prazer em abusar de uma pessoa como abusaram do rapaz no vídeo.

Temos de encarar a realidade e parar de virar a cara ou vídeos como este vão tornar-se o pão nosso de cada dia que todos nós vamos acabar por comer sem dizer nada.

Ás vezes tenho vergonha. Não de ser eu, mas de ser da mesma espécie humana que estes tipos e tipas - tanto os que fazem como os que olham para os que fazem e acham normal.

Metem-me um nojo de morte. Todos eles.

18
Fev13

We never know what's behind a person's smile

alex

Hoje a minha aula de português parecia um diluvio. Foi horrível. Uma cambada de adolescentes com demasiadas cicatrizes do passado, a chorarem baba e ranho depois de uma apresentação oral sobre bullying. 

Já falei sobre o assunto aqui. Quem viu esse texto, sabe que eu mesma passei por uma fase menos boa da minha vida, em que sofri de bullying. Daí ter feito parte da cambada de adolescentes chorosos e ranhosos.

Fiquei a saber coisas sobre colegas de turma, pessoas a quem chamo até amigas, que nunca julguei que lhes tivesse acontecido. É aí que entra o título deste post.

Por vezes, não conhecemos tão bem as pessoas como julgamos. Por vezes, há segredos que nunca são revelados. Há muita coisa que as pessoas guardam para si, porque são dolorosas demais para serem partilhadas, independentemente do tempo que tenha passado, desde que aconteceram.

Houve um rapaz em particular na minha turma, que a certa altura, começa a chorar ao contar a sua história. Um rapaz que eu já vi gozar com outras pessoas, quando reunido com os amiguinhos dele. Um rapaz que, apesar de ser sempre simpático e divertido para comigo, sempre me deixou de pé atrás, devido ao referido acima. No entanto, e ao partilhar a sua opinião (que a professora pede sempre a dois ou três alunos no final das apresentações), ele deixa escapar que no 9º ano sofreu bullying. Começa a contar a sua história, com a voz a começar a falhar. A certa altura, dei por mim a partilhar as lágrimas dele, em conjunto com metade da turma. Durante toda a apresentação fiz um esforço enorme para não derramar as destáveis lágrimas. Mesmo depois do visionamento do video da Amanda Todd (alguns talvez conheçam, ou não, mas se quiserem ver, basta procurarem o nome no youtube) eu não derramei uma única lágrima, com muito orgulho meu. E foi durante a sua partilha que eu desatei a chorar que nem uma madalena arrependida. Chorei porque me relacionei com tudo o que ele contou. Falou-nos do porquê de ter sido gozado, espancado, ofendido. Disse-nos que mudou, que já não confia nas pessoas como confiava, que se fechou mais às pessoas e que hoje, se alguém o tentasse calcar como no passado, ele calcaria primeiro.

Chorei porque as palavras dele, eram as mesmas que eu não consegui proferir durante todo este tempo, a alto e bom som. As palavras dele são as minhas, aquelas que eu tantas vezes digo a mim mesma. O porquê de ter mudado, o porquê de não confiar, o não deixar que me derrubem...as suas palavras eram as minhas, tal e qual como as suas lágrimas eram também um espelho das minhas.

Depois, outra pessoa falou. Uma rapariga. Uma colega. Uma pessoa com quem falo todos os dias, com quem partilho piadas e com quem falo sobre coisas da vida...mas acima de tudo, uma pessoa que me era completamente estranha, até hoje. Contou a sua história, por entre lágrimas, e partilhou a sua opinião sobre o assunto.

Depois, como num acesso repentino de coragem, abir a boca, molhada pelas lágrimas salgadas que brotavam dos meus olhos e que não tinham fim. Falei e dei a minha opinião. Com a voz rouca mas audível; toda a tremer, mas confiante de que tinha de falar. E falei.

Ficaram todos a saber. Até ele, o meu melhor amigo, não fazia ideia. Naquele momento soube. Bem como as outras 20 pessoas presentes naquela sala, incluindo a professora. 

Chorei baba e ranho, porque quer queiramos ou não, estas cicatrizes nunca ficarão completamente saradas. É algo com o qual teremos de lidar toda a nossa vida, algo que está e estará para sempre marcado em nós; algo do qual não podemos fugir, do qual não nos podemos esconder. Faz parte da nossa história, faz parte do que fomos. No entanto, não é algo que nos deve impedir de ser o que somos hoje. Se mudámos, foi porque assim tinha de ser. E se somos mais fortes hoje por causa disso? Somos, com toda a certeza.

E só quem passou por tal coisa, sabe e compreende aquilo de que estou a falar. Há coisas que nunca se esquecem e, infelizmente, esta é uma delas.

O passado nem sempre está enterrado...pelo menos não tão fundo quanto nós pensávamos que estava.

Só espero que mais ninguém se lembre de abordar um assunto como este (ou mesmo este) em mais nenhuma aula. Senão, não sei o que vai ser daquela escola...não haveria barcos suficientes para pôr toda aquela gente a navegar no mar de lágrimas que se formaria!

15
Jan13

Prevalecer

alex

Há coisas que me revoltam. Não consigo evitar levantar a voz quando respondo a um comentário que, pura e simplesmente, só serve para deitar abaixo a pessoa em questão. 

Nós raparigas somos seres muito frágeis. Na adolescência então, muito mais. Não temos amor-próprio, pomos defeitos em tudo o que somos, em tudo o fazemos. Chegamos até a odiar-nos. Dizem que ninguém terá a capacidade de nos amar, se nós não nos amarmos a nós mesmos primeiro. 

Pois eu pergunto, como é que tal é possível, quando estamos rodeadas por pessoas maldosas, críticas e de lingua e garras afiadas, prontas a fazerem de tudo para nos verem virar as costas e correr o mais depressa possível para a casa de banho, sem que ninguém veja as lágrimas que nos brotam dos olhos a máxima velocidade? E mais! Como é que é há pessoas capazes de tudo para fazerem com que alguém se odeie, ao ponto de se querer magoar a si próprio, ou pior ainda, matar-se? Como?

São comentários como os de hoje que me deixam fora de mim. Eu sei o que é sofrer na pele as consequências dos comentários maldosos, das críticas nada construtivas, apenas destrutivas. Sei o que é desejar desaparecer, sei o que é passar noites em branco, com uma única pergunta a assolar-nos o pensamento: Porquê?

Não chega já todo o protótipo de perfeição criado pelos media, pela televisão, pelo cinema, pela sociedade em geral? Temos de nos começar a atacar uns aos outros também? Não consigo compreender qual a necessidade de maltratar alguém que nunca nos fez mal algum, que provavelmente, nem conhecemos. Qual a finalidade de tal acto, alguém me consegue explicar?

Não vou repetir aqui as palavras proferidas pelo monstro em questão, pois não creio que algo tão maldoso e nojento deva ser aqui registado. Mas bolas, que me saltou a tampa como há muito não saltava, isso saltou! Algo que para mim, é tão pessoal, algo pelo qual já passei e ainda hoje, por vezes, passo, não me podia passar ao lado. 

Mas a grande pergunta é o que podemos nós fazer para alterar a maneira de as pessoas pensarem? O que podemos nós fazer para evitar que pessoas como estas levem a melhor de nós? Que, indirectamente, continuem a derramar sangue por todo o lado? Como é que impedimos que mais pessoas sofram de depressão, ansiedade, bulimia, anorexia, ideias suicidas e outras tantas coisas, que inevitavelmente, conduzem à derradeira morte?

Falem. Deram-vos uma voz por alguma razão foi. Falem, mas falem alto. Batam com a mão na mesa, vinquem o pé e façam-se ouvir. Não deixem o medo toldar-vos os sentidos que têm à vossa disposição. Se outros são demasiado frágeis para se defenderem, defendam-nos. Porque vale a pena, garanto-vos. Não permitam que isto aconteça mesmo debaixo do vosso nariz. Falem, manifestem-se. Não tenham medo.

Porque ao final do dia, os que praticam o chamado "bullying" não passam de pessoas também elas assustadas. Não se tornem bully's vocês; não, isso nunca. Ajudem os que tanto necessitam. Dêm importância a quem merece. No fim, somos nós que prevalecemos. Somos nós que chegamos mais longe, somos nós os mais valentes, os mais ambiciosos, os mais fortes. No fim, somos nós, não que rimos por último, mas que sorrimos. Porquê? Porque apesar de hoje nos chamarem isto ou aquilo, de criticarem a nossa maquilhagem, a nossa roupa, a nossa maneira de falar, de pensar, amanhã somos nós que utilizaremos aquilo a que eles chamam defeitos e os tornaremos em qualidades, que nos ajudarão a vencer na vida. 

No fim,fizemos algo bom, de algo extremamente mau. E eles, o que fizeram? Nada de que se possam orgulhar.

 

Não te dês por vencida; acredita em ti.

Luta; não desistas.

Mais tarde olharás para trás e sorrirás.

"Sofri, mas fui forte e hoje estou aqui, com uma vida inteira e repleta de sonhos para concretizar pela frente.

Eu venci"
 

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