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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

06
Fev18

This too shall pass


alex

Estou a atravessar uma fase complicada da minha vida. Bom, ao olhar para trás, parece que estou a passar por esta fase já lá vão quase três anos, contudo, esta fase é a mais complicada.

Complicada porque não ando triste, mas também não ando contente. Não ando a fazer nada, basicamente. Levanto-me cedo, vou trabalhar, venho para casa e não saio da cama sem ser para fazer comida ou ir à casa-de-banho. Podia chamar-lhe preguicite aguda mas acho que já passou disso. Não tenho motivação para me levantar e ir às aulas. Já só faltam 4 meses, não devia ser assim agora já quase no final. Mas se calhar é por já estar no fim que estou a sentir-me assim e a agir assim.

Parece que estou...apática. Não me importo com muito. Não me importo se como muito ou pouco, se durmo muito ou pouco, se convivo com as pessoas ou não, se vou às aulas ou não. A única coisa à qual ainda me obrigo é a ir trabalhar 5 dias por semana, mas só porque sou paga para tal e preciso do dinheiro para sobreviver. Acho que estou a entrar na fase da negação. Aquela fase em que não quero que o curso acabe mas também não quero admitir isso. Porque por um lado eu sei que não vou sentir falta nenhuma de ser estudante, se é que me posso chamar de tal. Amigos não fiz nenhuns, nunca participei muito em nada de especial que a universidade fizesse, não participei em grupos ou sociedades ou coisas que tal. Não fui nem vou chegar a ser aluna de ir para a biblioteca fazer trabalhos. Acho que devo ter entrado uma dúzia de vezes na biblioteca da universidade, e se entrei mais foi porque ia ter com a A. para virmos para casa juntas.

Não vou ter saudades de ser estudante porque sinto que já não o sou desde 2014, quando terminei o secundário. Mas enquanto tenho o titulo de tal, ainda tenho uma desculpa para ficar aqui. Para continuar num trabalho que não gosto mas que até me paga bem. Depois de terminar o curso já não vou ter razões para continuar nesta vida. E isso talvez me esteja a afectar mais do que o que estava à espera.  Não sei. Para ser sincera, escrever este texto é a primeira coisa que me apeteceu fazer desde que este ano começou. Como já disse, não tenho vontade de nada. E isso preocupa-me, porque sempre trabalhei e me movi por objectivos. Antes de vir para aqui, o objectivo era vir para aqui. Quando aqui cheguei o objectivo era ser boa aluna e terminar o curso. Não correu como eu queria e agora o objectivo é...nenhum. Não sei.

E não saber dá-me medo. Mas eu tenho medo de lidar com os meus medos então empurro tudo para bem fundo, para o mais fundo de mim possível, e espero que passe. Mas enquanto espero que passe, também a Vida me pode passar ao lado. Enfim... já não sei o que estou a escrever ou em que direcção é que este texto está a ir. Este meu conflito interno é complicado. Mas eu continuo com uma leve esperança de que também isto passará e em breve, vou encontrar um novo objectivo e deixar de ser este monstro apático que tenho sido ultimamente.

 

31
Jul17

Julho valeu a pena


alex

Tenho tentado pensar de forma mais positiva desde a última vez que vos escrevi. Neste mês de Julho, que acaba hoje, andámos todos bastante atarefados....

Uma de nós cá em casa casou-se! Os preparativos foram feitos mais ou menos a correr, mas no fim, a cerimónia foi muito bonita e o chamada copo de água também! Pela primeira vez na minha vida fui escolhida para algo! O casal casou-se apenas pelo registo, e a H. pediu-me para eu ser a testemunha legal dela. Pode-se dizer que fui a madrinha de casamento! Foi uma experiência inexplicável, para ser sincera. Não me imaginava a casar uma amiga minha antes de eu própria ter completado, no mínimo, os 25 anos de idade. Mas assim aconteceu, no passado dia 23 de Julho, a H. casou-se e todas nós derrama-mos uma lágrima quando ambos disseram os votos. A C. terminou o curso e no início do mês foi a cerimónia de graduação dela. Os pais, o padrinho e a avó dela vieram de Portugal de propósito para a ver subir ao palco e receber o seu diploma, de capa vestida e chapéu na cabeça. Fez-me pensar que para o ano, vou ser eu. E lançou-me numa espiral de ansiedades e medos que nem vos conto.  Na sexta-feira passada, celebrámos os anos da A. com um jogo de bowling. Já não jogava desde os meus oito anos de idade! Quando era miúda e existia um espaço de bowling na Expo, lembro-me de fazer as minhas festas de aniversário todas lá. Foi mais uma celebração que me deixou nostálgica.

E assim se passou o mês de Julho aqui no Flat 2 em Londres. Muitas celebrações, muitas metas atingidas, muitas mudanças e no entanto, tudo permanece igual. Foi um mês bastante atribulado e atarefado e fez-me perceber muitas coisas. Mas mais sobre isso noutro post. O mês de Agosto para mim vai resumir-se a acabar o meu trabalho da uni que tenho de re-submeter no dia 25 e contar as horas para o dia 27, que é quando vou voar para Portugal para passar duas merecidas semanas de férias com a minha família e amigos. Como sempre, por um lado, mal posso esperar e por outro, estou um pouco de pé atrás. As razões para isso já eu aqui as enumerei num outro post. Sempre que vou a casa é uma luta, tanto interna como externa, por assim dizer!

Mas fecho este mês de Julho (e este post) com um sorriso na cara, ao contrário do mês anterior. 2017 continua a ser um dos meus piores anos, no entanto, o mês de Julho no ano de 2017 foi um dos melhores da minha vida, sem dúvida. Porque vi as pessoas que eu mais amo serem felizes. Pude testemunhar a alegria dos meus e fazer parte dela e contribuir para a mesma.

Só por isso, Julho valeu a pena.

01
Jun17

Os 21 vieram com muitos sentimentos...


alex

Já lá vai algum tempo desde a última vez que vos escrevi... A verdade é que não tenho andado com cabeça. Fui de férias para Portugal durante 10 dias mas, para ser sincera, nem souberam a férias. Enquanto lá estive, recebi notícias que me deixaram ansiosa e não me permitiram aproveitar como eu gostaria de ter aproveitado. Coisas da universidade, que ainda não estão resolvidas e que me têm tirado o sono. O que me incomoda mais é o facto de não poder fazer nada mais para além daquilo que já fiz, que foi mandar emails para todas as pessoas que me poderiam ajudar. Ninguém me responde e ninguém me parece disposto a ajudar, portanto a única coisa a fazer é esperar.

Enquanto estive em Portugal fiz os 21. Este ano celebrei com a família e deu para perceber muita coisa. Estes dias que passei lá, aliás, deram para perceber muita coisa. É uma luta constante, esta de se ser emigrante. Estou aqui e só quero estar lá. Estou lá e não consigo deixar de pensar na vida que tenho aqui. É extenuante. A grande verdade é que, completei 21 anos e a vida ainda há-de dar muitas voltas. Não pretendo ficar aqui para sempre, neste país que quer ver os emigrantes pelas costas, contudo...a minha vida está aqui agora. E vai deixar de estar, tenho a certeza, daqui a uns anos. Mas não sei se tão cedo ela vai passar a estar, de novo, em Portugal. 

É o meu país, é a minha casa, é onde vivi toda a minha vida. Nada muda. Mas tudo muda. Porque eu mudei. Porque eu ganhei outras experiências que não tinha ganho se lá tivesse ficado. Porque as minhas relações com certas pessoas mudaram. Porque as pessoas crescem e por vezes, mudam. Porque eu já não vejo o mundo e a vida como via há dois anos atrás. Como disse, a vida ainda vai dar muitas voltas, disso não tenho dúvidas. Mas não sei se é porque estou a menos de um ano de acabar o meu curso, se é porque tenho andado stressada com os problemas que me apareceram na uni ou se é por uma outra razão qualquer, a verdade é que me sinto um pouco perdida.

Perdida, ansiosa e insatisfeita. Não sei bem o que quero, não sei bem do que preciso e sinceramente...já não sei bem quem sou.

Sinto que estou prestes a entrar na segunda crise da adolescência. Apesar de já não ser adolescente coisíssima nenhuma. Uma amiga minha disse que ela ia agora entrar na "quarter-life crisis".

Eu bem que ri e disse para ela não ser tonta. Mas aquilo assentou dentro de mim e fez sentido. Já somos duas, pensei eu para mim enquanto tentava esconder este pensamento com um sorriso nos lábios.

07
Mai17

Mais um...


alex

Terminei o segundo ano da universidade. Notas ainda não as há e com certeza que só as saberei no final do mês, no entanto, os trabalhos já estão todos feitos e entregues.

Não consigo bem acreditar que já vou começar o meu último ano do curso daqui a uns meses...a incerteza e o medo são muitos mas por agora, não pretendo passar muito do meu tempo a pensar nisso!

Daqui a menos de duas semanas vou a casa. Se vocês soubessem o quão feliz eu estou por ter uns míseros 10 dias de férias para poder ir a casa... estes últimos meses têm sido bastante difíceis para mim, tanto a nível da uni como a nível do trabalho. 

O blog vai continuando ao abandono, eu sei... mas talvez agora que já vou ter mais tempo livre e o bom tempo aqui por Londres parece estar a vir para ficar, pode ser que a inspiração para escrever venha com mais frequência!

Queria partilhar aqui algo que fiz como um dos projectos finais para um dos meus módulos este ano. Tínhamos de criar uma revista digital ou um website e eu acabei por criar um website do qual até estou bastante orgulhosa, assim como dos artigos que escrevi. Um deles em especial, foi uma entrevista que fiz a um casal que largou tudo e foi viajar com o filho de dois anos pelo continente asiático. A minha mãe trabalhou com esta pessoa há alguns anos atrás e há uns meses falou-me do blog deles (Viagem ao Colo). Lembrei-me que seria um artigo interessante para a minha "revista" digital entrevistar o casal, visto que é uma travel magazine.

Deixo aqui o link para quem estiver interessado, e recomendo também que visitem o blog do Carlos e da sua família, se gostam de aprender mais sobre outros países e saber das aventuras de outrem!

P.S: O meu website está todo em inglês, como devem ter deduzido!

14
Mar17

Sou má


alex

Sou má. Má, má, má má! Má escritora, má filha, má amiga, má estudante... só me safo no trabalho. Contudo sou má. Passo dias e dias sem vir aqui escrever-vos. Passo meses e meses sem escrever para mim. Falto às aulas porque ando cansada do trabalho. Vou às aulas, não me consigo concentrar porque, na verdade, eles nem ensinam assim nada por aí além. A minha vida é a coisa mais rotinosa que existe à face da terra. Não ligo com frequência à minha avó. Não faço skype com frequência com os meus pais. Não falo com a frequência que devia com os meus amigos.

Sou má. Tão má que começo a odiar-me. Mas pior ainda, sou perdida. Sou uma jovem de 20 anos, a dois meses de completar 21, completamente e totalmente perdida na vida. Os meses passam-se comigo a contar os dias para o dia em que recebo. Penso: ah! é este mês que vou ter dinheiro para ser uma jovem normal e ir ao cinema, ir às compras, ir passear com a família do flat 2, comprar mais livros, isto e aquilo. Depois, todos os meses acontece o mesmo: paga-se a renda, paga-se as contas, paga-se o passe, compra-se comida e o dinheiro que sobra dá para quê? Para limpar o rabo.

Não tenho inspiração. Não tenho vontade. Não tenho dinheiro. Não tenho colos onde chorar por isso choro sozinha. Não tenho mais mentiras para contar à família e aos amigos que não estão aqui. Não tenho mais sorrisos para dar ou mais piadas para contar.

Sou má, principalmente, porque não faço nada para ser boa.

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