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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

26
Mai20

Um apanhado...

alex

Chegou o calor e eu, já pouco habituada a temperaturas tão altas, dou-me por satisfeita por poder continuar a trabalhar por casa (por um lado). A minha mãe tem chegado todos os dias a casa a queixar-se do calor infernal que se vive nos transportes públicos, sem ar condicionado, com máscara e as temperaturas elevadas.

Mas tem de ser.

Sinto que ultimamente não tenho partilhado muito, com ninguém na verdade. Por um lado, prefiro assim. Por outro, sinto que devo falar, dizer, exprimir.

Acho que não cheguei a mencionar aqui, pelo menos não de forma explícita, mas a verdade é que consegui um estágio na minha área. Por isso, a semana é passada agarrada ao computador, a escrever para o jornal, e os fins de semana são passados ora a conviver com a família, ou a fazer pulseiras (uma actividade que fazia há uns tempos que retomei durante esta altura de isolamento) ou simplesmente a ler, ver séries ou a ouvir música.

Coisas simples, mundanas, mas que me têm ajudado a manter a cabeça no lugar certo. 

Recentemente deixei também de me agarrar a falsas esperanças. A falsas relações. A falsos futuros e falsas promessas. 

Pintei finalmente o meu quarto e já não me sinto presa no espaço da menina de 13 anos que outrora fui. Três paredes pintadas de branco e uma de Azul Maldivas.

Não sei se escolhi a cor consciente do nome da mesma, ou não, mas a verdade é que agora as Maldivas nunca mais vão ter a mesma banalidade que tinham dantes. Mas isso é uma outra história.

No domingo completei 24 anos e fui ao parque. Deitei-me na relva, comi pizza e fui mordida por melgas, mas já não me sentia tão... plena há imenso tempo. A minha mãe fez um bolo brigadeiro vegan, com morangos e cobertura de chocolate, e eu adorei. Eu, que sou uma pessoa que até nem gosta de coisas com muito chocolate, este ano o meu bolo de aniversário foi esse e eu deliciei-me.

Tenho pensado sobre onde estava à um ano atrás. Completamente exausta, constantemente infeliz, incompleta. Todos os dias acordava e só conseguia pensar no quanto não queria acordar. A começar o mesmo trabalho mas numa loja diferente, porque me lixaram bem lixada na empresa onde estive quatro anos.

Revoltada, a sentir-me traída, amarga, rancorosa de tal forma que me tornei numa pessoa que não reconhecia quando me olhava ao espelho. A querer regressar mas com medo, receio, sentimento de culpa...

Um ano depois, e estive no parque que fica na rua abaixo da minha escola básica, com os meus dois amigos mais antigos, que andaram comigo na mesma escola básica. A comer, a falar, simplesmente... a viver. A aproveitar o fim de semana, que agora que trabalho na minha área, num horário de "pessoa normal", me parece sempre muito curto.

Ainda tenho dias maus. Claro que sim. Mas já não respiro só para dizer que o faço. Já não abro os olhos só por abrir. Já não rio só porque tenho de esconder as lágrimas. Já não choro com saudades de uma vida que nunca tive. Tenho saudades ainda, mas é uma saudade diferente. É uma saudade boa, da vida que tive nos últimos cinco anos, que teve muitas aventuras, muitas lombas, muitas pessoas boas e más... É uma saudade que não deixa um sentimento de amargura.

Voltei a fazer exercício de forma regular e agora que as lojas estão lentamente a retomar a actividade, vou ver se consigo ir comprar um par de ténis para começar a correr ao ar livre, visto que o tempo está bom para isso.

Se tiver férias, talvez vá uns dias para a terra dos meus avós. Quero muito passar algum tempo na natureza, sem computadores, sem muita rede ou internet, na piscina a ler um bom livro, a colher frutas, a regar as flores e a fazer os bolos que a minha avó infelizmente já não consegue fazer. 

Ao contrário de muitos, que já foram molhar os pés à praia, eu não faço questão de ir tão cedo. Apesar de querer muito, não acho prudente e como, neste caso, cada um sabe de si, prefiro arranjar outras formas de aproveitar o regresso à nova normalidade.

Antes da pandemia, andava entre consultas com a médica de família e marcação de exames médicos para tentar perceber se tenho de facto algum problema a nível hormonal, ou nos ovários. Quatro meses depois da última consulta, os exames foram remarcados e a consulta com um especialista está também ela marcada. Não há-de ser nada grave.

Estou a pensar se deva cortar o cabelo outra vez ou não. O objectivo era deixá-lo crescer este ano, mas com este calor não sei se vou conseguir...

E é isto... de forma muito resumida, se calhar até pouco íntima, fica aqui um apanhado das coisas que têm acontecido ultimamente na minha vida, dos meus pensamentos, dos meus sentimentos. 

E com tudo isto, já estamos quase em junho. 

 

05
Jan20

Vamos lá...

alex

Novo ano. É o quinto dia de 2020. Amanhã começo um novo desafio. Quase seis meses depois de me ter demitido, cinco meses depois de ter regressado a Portugal...avanço para um novo projecto, na mesma área onde trabalhei durante quatro anos. Não na área para a qual estudei.

Mas eu acredito que a vida dá-nos aquilo que nós precisamos. E eu precisava de um emprego. Preciso. Estar parada não é para mim. Vivi um ritmo de doidos nos últimos quatro anos e já não sei viver de outra maneira. A minha avó diz que eu assim não hei-de viver muito. Mas não faz mal. Para 2020 não há planos. Quero viver um dia de cada vez e lidar com o que quer se seja que me apareça à frente (e pelas costas) de cabeça erguida, sem pensamentos negativos a pesar-me nos ombros. Este ano completarei 24 anos no dia 24. Lembro-me de quando fiz os 18 pensar que ainda faltava tanto para casar os anos. Não faço a mínima ideia de onde veio esta coisa de casar os anos, ou porque é que sequer mencionamos tal coisa como se fosse um feito. Mas a verdade é que 2020 é o ano em que farei 24 anos, e para o ano faço os 25. Dizem que a partir dos 25 é sempre a subir sem parar. E eu acredito.

Enfim, estou a divagar. 2020. Para 2020, só quero uma coisa. O meu bronzeado. Simples não é? Para 2020 só quero um pouco de cor na minha pele. E na minha vida.

Vamos lá a isto.

01
Dez18

Este Dezembro...

alex

Vai passar a correr. Porque eu não quero que ele passe rápido e é quando nós queremos que o tempo pare, ou pelo menos abrande um bocadinho, que o mesmo não nos dá ouvidos e prega a fundo.

No mundo do retail, o mês de Dezembro é o maior mês do ano. A Black Friday é importante, sim, mas é o mês de Dezembro que dá frutos. No caso da minha loja, fizemos mais dinheiro no mês de Dezembro, do ano passado, do que em metade do ano inteiro. Como Manager, há muito para fazer por detrás da cortina e como tal, o cansaço vai pesar em mim. Mas se houve alturas em que ir trabalhar era um suplicio, este ano, com todas as (boas) mudanças que 2018 me trouxe, já não detesto ir trabalhar. Talvez porque agora recebo muito bem, para aquilo que faço. Nunca pensei chegar a ganhar o dinheiro que ganho aos 22 anos de idade. 

E no entanto, é neste mês de Dezembro que me apercebo de uma coisa muita simples: até o dinheiro que agora ganho vem com um preço. Nunca ganhei tanto dinheiro (quem ler isto assim ainda pensa que eu faço uma fortuna, não é esse o caso) como ganho presentemente, no entanto, nunca passei um Natal completamente sozinha. E no entanto, é neste mês de Dezembro que tal vai acontecer.

Em 2015 os meus pais e a minha irmã conseguiram voar até cá para passarem o Natal comigo. Em 2016, a contracto de part-time, consegui ir a casa uns dias. Em 2017, com um contracto de mais horas mas ainda a part-time, não fui passar o Natal mas fui passar uns dias de 26 a 31 e ainda passei o Natal cá, acompanhada pela família de uma das minhas colegas de casa. Este ano, com uma nova posição de trabalho, a contracto fixo de 40h, sem possibilidade de tirar férias porque Dezembro é o chamado período "blackout" em retail, onde ninguém pode tirar férias, ficarei aqui. Sozinha. 

Não tenho problemas em estar só comigo. Na maior parte das vezes, até prefiro porque os seres humanos conseguem ser cansativos. Não sou a pessoa mais natalícia que existe, verdade. Contudo...entristece-me, não posso mentir. Ver as minhas colegas de casa, umas a poderem ir a Portugal, outras a viajarem para o Sul de Inglaterra onde moram os pais, outras a voarem com o marido para a Madeira...e eu cá fico. Não é o fim do mundo...não. Mas é triste. 

Nunca pensei ganhar o que ganho aos 22 anos de idade...mas também nunca pensei ter de passar o Natal sozinha aos 22 anos de idade. Mas é com isto que quero voltar a afirmar que não se pode ter tudo. E é de consciência tranquila que, daqui a um ano se tudo correr bem, vou tomar a decisão de ganhar muito menos (provavelmente até mesmo nada) para ao menos poder passar um Natal de jeito com os meus, pela primeira vez em quatro anos. Sem preocupações, sem datas de partida, sem mensagens do outro lado da Europa a chatearem-me a cabeça e a estragarem-me o serão...

Tudo na vida tem um preço. Este ano, o meu Dezembro vai-me custar muito. Para o ano, vai-me custar de forma diferente. Mas vou poder sentar-me no sofá, de sorriso nos lábios, pobre em dinheiro mas rica noutras coisas. Porque este dinheiro todo que eu ganho hoje...amanhã já não existe. Mas por agora, vai-se ganhando e vai-se juntando. 

Este Dezembro vai passar a correr. E 2018 vai terminar. Vou ter de dizer adeus ao melhor ano que vivi neste país. 

Este Dezembro vai ser triste.

Este Dezembro é o último. 

Aqui.

11
Jan18

Façam figas comigo...

alex

As primeiras duas semanas do ano já passaram (quase, hoje é quinta mas estamos lá perto). Em 2018 já ri e chorei para o ano inteiro, ou pelo menos é o que sinto. O facto de este ser o meu último ano da universidade está a pôr-me um pouco doente, em todos os sentidos.

As companheiras de casa dizem que eu já nem para abraçar sirvo que os meus ossos das costas estão tão sobressaídos que é desconfortável abraçar-me. Contudo eu digo-lhes que sempre fui assim. Mentira, que os meus jeans já não estão a servir outra vez. O tempo para comer ou para descansar é pouco e o stress é constante. Mas eu preciso de continuar, puxar, esforçar-me mais e dar as últimas porque já só faltam mais quatro meses.

Quatro meses para deixar a escola para sempre. Ou pelo menos as instituições escolares, visto que a Vida em si é a maior das escolas. Só vou poder dizer que sou estudante-trabalhadora durante mais quatro meses. Depois vou ser só mais uma empregada/desempregada como todos os outros licenciados. Empregada num trabalho que não quero para o meu futuro e desempregada porque ser escritora não paga contas. E mesmo assim ando há três anos a estudar para tal. Eu sempre fui maluca, as provas disso são mais do que muitas. Noites mal dormidas, já nem sei o que isso é. Quem me dera noites mal dormidas, pois significava que ainda dormia alguma coisa, mesmo que mal. Já não há maquilhagem suficiente para disfarçar o tamanho das minhas olheiras e as marcas das borbulhas que o stress traz consigo.

Contudo, se conseguir acabar isto de uma vez por todas, consigo tudo na vida. Disso não duvidem. Nunca cheguei a entrar em detalhes dos problemas académicos que tive mas foram muitos e completamente desnecessários. Não fiz amizades para a vida, não me envolvi muito na vida académica por falta de tempo e sinceramente também por falta de vontade, não aprendi nada de especial, honestamente. Ainda é cedo para escrever um post de reflexão sobre os últimos 3 anos e o curso mas, não vejo como é que em quatro meses a minha opinião e experiência possam mudar.

Escola simplesmente não é para todos. Cada vez mais tenho a certeza de que sou uma pessoa muito mais prática do que teórica. Aprendo muito melhor a fazer algo do que sentada numa sala de aula. Não me dou bem com regras e políticas de escola e tudo o que envolva avaliações deixa-me à beira de um colapso mental. Sou uma pessoa muito mais feliz quando estou simplesmente a carregar com caixas na loja, para ser sincera (eu sei, sempre me queixei imenso do meu trabalho aqui mas ao pesar na balança, consegue ganhar ahah).

Sinto que não sou nem vou ser mais realizada por ter uma licenciatura. Talvez me abra mais portas e oportunidades, mas no meu meio tudo é subjectivo e muito à base do próprio do talento da pessoa e das pessoas que se conhecem. Contudo, a quatro meses do fim não posso desistir, venham os obstáculos que ainda tenham de vir, vou prevalecer e acabar aquilo que comecei, de uma maneira ou de outra.

Espero que 2018 seja um ano bem melhor que 2017, visto que esse foi um autêntico desastre sem tirar nem pôr. Mas ainda só estamos no inicio e coisas boas já começaram a acontecer, não propriamente a mim mas aos poucos que me rodeiam e de quem gosto. Vamos todos fazer figas e desejar que 2018 seja um bom ano!

28
Jun17

Acaba 2017

alex

2017 não está a ser o meu ano. Acho que para o mundo em geral, 2017 está a ser uma bela merda. No entanto, a nível pessoal, este ano também não me está a dar muito. Dores de cabeça e lágrimas tem dado em demasia, aliás...

Arranjo sempre desculpas para não publicar aqui. Mas a verdade é que nos últimos tempos tenho andado a lidar com uns problemas na universidade que me têm basicamente consumido toda a força e todo o tempo que eu possa possuir. Cometi um erro num dos meus trabalhos que me vai custar caro. Acho que é seguro dizer que o meu percurso académico está manchado. E tenho andado a refazer o trabalho, o que me tem ocupado muito tempo. Na loja as coisas também não andam bem. Depois de ter transferido para uma loja mais pequena há sete meses atrás, e de pensar que as coisas iam melhorar, o contrário parece estar a acontecer. Vai piorando, e piorando e a vontade de ir trabalhar todos os dias é cada vez menor.

Tenho dado por mim a pensar, quase todos os dias, o que é que ando a fazer com a minha vida. Longe de tudo e de todos, presa a um emprego do qual não gosto e do qual não quero fazer carreira, a cometer erros estúpidos na universidade que me vão custar caro, a um ano de acabar o meu curso sem saber o que quero fazer da vida...questiono-me: o que raios ando eu a fazer aqui?

A brincar aos adultos. Foi a resposta a que cheguei ontem. Ando aqui a brincar aos adultos. Já não estou a gostar da brincadeira. Não vejo melhoras, não vejo a luz ao fundo do túnel, não consigo olhar para o futuro e imaginar algo de bom. Sinto que me estou a enterrar neste buraco de negativismo, a ter a grande crise dos vinte e sem saber o que fazer.

2017 para mim, podia acabar já que eu nem piscava os olhos.

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