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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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17
Jan18

Também tenho algo a dizer...


alex

Como boa emigrante que sou, mantenho-me a par das notícias através do Facebook, do Twitter e da minha mãe, que às vezes sabe de coisas que acontecem aqui no UK muito antes de me chegar aos ouvidos. Andava pelo Facebook quando vi uma notícia sobre o comentário do Bruno Nogueira ao novo programa da SIC, "Supernanny". Ora, fiquei curiosa. O que é este programa? Porque é que tanta gente anda a falar e a comentar sobre o mesmo? Será que é assim tão mau como andam a dizer?

Antes de mais tenho de dizer que eu não sou a maior fã dos psicólogos. Durante a minha vida visitei uns quantos e o meu desagrado para com eles (e para com a profissão) foi crescendo. Por isso, quando há programas que metem psicólogos eu fico logo de pé atrás. Mas decidi ver o primeiro episódio no site da SIC para poder ter uma opinião própria sobre o programa e ver se, realmente, existe fundamento para este alarido todo.

Bom, obviamente eu não sou mãe, muito menos mãe solteira, portanto só posso falar como filha. Todo o ser humano é diferente, todos nós temos histórias e experiências de vida diferentes. Eu tive uma experiência completamente diferente daquela que a minha irmã teve e está a ter enquanto criança, enquanto adolescente, portanto ainda mais diferente será a experiência de uma família para a outra. Também acho que a personalidade das crianças difere, apesar de haver quem me possa vir contrariar e dizer que as crianças não têm uma personalidade formada até muito mais tarde nas suas vidas. Bom, até pode ser verdade para alguns, mas no meu caso e da minha irmã as diferenças sempre foram evidentes.

Como criança sempre fui muito calma. Nunca fui de birras, nunca fui de teimosias, sempre fui uma criança muito calada e bem mandada. Hoje em dia continuo a ser bem mandada, é por isso que a minha manager me adora, pois claro, ela "pede" a Alex faz sem questionar. A minha irmã, pelo contrário, sempre foi... marota. Desde pequena que era uma irrequieta, refilona, de ideias fortes e teimosa. Birras, fez as dela, algumas das quais ainda hoje me lembro. Houve uma vez que ela adormeceu na cadeira alta dela porque a minha mãe disse que se ela não comesse tudo o que tinha no prato, ia dormir na cozinha. E ela ali dormiu. Comeu? Não. Lembro-me de uma vez termos ido ao Espaço Casa os quatro, e o meu pai foi pagar enquanto eu andava a ver umas coisas para o meu quarto. De repente, oiço uns gritos estridentes pela loja inteira, pensei: mas está alguém a morrer? Olhei à minha volta e vi a minha querida irmã, a chorar aos berros, no chão, a espernear e se havia alguém que queria morrer era eu, da vergonha que senti naquele momento. A minha mãe pagou, foi-se embora e deixou a minha irmã ali no chão a chorar. Eu fui lá para a fazer levantar e levei com uns quantos pontapés. A minha mãe voltou a entrar para ralhar comigo e dizer-me para deixar a minha irmã ali sozinha. Vim-me embora e passado dois segundos a criança de quatro anos, na altura, sai da loja a correr atrás de nós, como se nada tivesse acontecido. 

Estes são dois dos muitos episódios que aconteceram com a minha irmã. Hoje, com 13 anos de idade, continua fresca e refilona, mas sabe diferenciar o certo do errado. É muito ingénua no que toca à maioria das coisas ainda, mas no que toca a outras coisas é bastante crescidinha. Não é tão preguiçosa como eu, ajuda muito mais a minha mãe do que eu ajudava. Mas também portou-se muito pior do que eu alguma vez portei, verdade seja dita. Fomos crianças completamente diferentes, criadas da mesma maneira pelos mesmos pais.

O que quero dizer com isto é no que toca a educação dos nossos filhos, há imensos factores que estão em jogo e não há culpas certas a serem atribuídas. Eu nunca precisei de levar palmadas. A minha irmã levou. Eu nunca ousei desafiar a autoridade dos meus pais. A minha irmã sim. A culpa é de quem? Dela, dos meus pais, da educação que eles lhe dão?

Não. Todos nós somos diferentes. O que funciona para mim não funciona para ti e vice-versa. É por isso que esta coisa dos psicólogos para mim não dá. Eles têm um sistema e aplicam o mesmo sistema a crianças diferentes e não me podem dizer que resulta. Em relação ao programa, gostava de ver o depois. Não sei quanto tempo a psicóloga passa com estas famílias, mas com certeza que não deve ser mais do que uma semana. Gostava que fizessem um "follow-up" e se calhar ainda vai ser feito, mais à frente no programa. Não sou ninguém para dizer que os psicólogos estão todos errados e basicamente mandar abaixo toda uma profissão. Mas no que toca a lidar com crianças, e com seres humanos no geral, há muita coisa subjectiva. 

Em relação às avós... bom, não digo que seja regra geral mas como neta, prima, amiga, etc, sei das minhas avós e dos avós dos outros. Não me venham com coisas. A avó do meu pai costumava comer-lhe as bananas quando a minha avó não via, porque o meu pai não gostava de bananas e então pedia à avó dele para comer por ele. A minha avó dava todos os chocolates ao meu primo mais novo e à minha irmã antes da refeição, mesmo quando a minha mãe lhe dizia para ela não fazer tal coisa. A minha tia dizia à minha avó para ela não comprar aquele brinquedo que o meu primo queria imenso, e ela não comprava naquela altura, mas no dia a seguir aparecia em casa com ele. São coisas de avó, não há ninguém neste planeta com uma que possa negar que as avós são assim. E vejam bem! Todos nós crescemos bem! O meu primo e a minha irmã comeram chocolates antes do almoço mas agora já não comem. Sabem que vão ficar sem apetite. O meu primo quer um jogo para a consola dele? Ele vai e compra com o dinheiro dele. Crescemos e não fazemos birras e continuamos a respeitar as nossas mães e as nossas avós. Não é por a minha avó me ter tirado as espinhas do peixe quando a minha mãe lhe disse que "ela já é crescida, pode fazê-lo sozinha!" que eu não estou agora, aos 21 anos, a viver completamente sozinha e a ser 100% independente. Percebem? Espero estar a conseguir expressar a minha opinião da devida forma.

Bom, em relação ao programa em si, consigo perceber o porquê do descontentamento de tantas pessoas. A imagem de um adulto já por si deve ser protegida, quanto mais a de uma criança. Okay, os pais concordaram em que as crianças fossem filmadas e em que toda a sua vida pessoal aparecesse na televisão. Mas então e a criança, daqui a uns anos quando já tiver idade suficiente para formar as suas ideias e opiniões em relação a certos assuntos, o que é que a criança vai dizer ou pensar ou sentir? Não se trata de uma foto embaraçosa que os pais colocaram no facebook e partilharam com os amigos uma vez porque acharam que a criança deles era a mais fofinha e querida do mundo. Isto é um programa de televisão, emitido num canal visto por milhares de espectadores diariamente. Todos nós sabemos o escrutínio publico a que o ser humano está sujeito a partir do momento em que decide participar em reality shows. Mas as crianças não sabem. E não escolheram ser expostas a tal. Só por isso acho que este programa não foi a melhor aposta que a SIC pudesse ter feito. 

Um adulto que de livre e espontânea vontade se inscreve para o Secret Story e vai para lá fazer as coisas que todos nós já vimos eles fazerem, é uma coisa. Uma criança que é exposta publicamente sem escolha e que pode vir a sofrer consequências por isso, das quais nunca teve noção porque nem sequer teve poder de escolha em primeiro lugar, é outra.

 

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