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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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13
Jun19

When They See Us


alex

Por norma não faço posts a recomendar séries, livros ou músicas... pela simples razão de que não tenho tempo (ou vontade) de ver séries novas ou de ler (apesar de continuar a comprar livros e a deixa-los na mesa de cabeceira). Este ano já vai a meio e eu lembro-me de ter começado o ano com a intenção de ver mais filmes, mais séries e ler mais, basicamente tentar voltar às minhas raízes, tentar voltar a encontrar a paixão pelas artes e a razão pela qual eu decidi estuda-las. Mas 6 meses passados e tal não aconteceu. Porque muita outra coisa aconteceu nestes 6 meses e essa vontade (não gosto de lhes chamar resoluções) ficou pelo caminho. 

Contudo, agora que as coisas estão um pouco mais calmas e antes de começar o rebuliço das mudanças, tenho andado a tentar ver séries e ler um bocadinho mais. Recentemente vi esta mini série na Netflix chamada "When They See Us" e a série tocou-me a um nível que eu não estava à espera. Para quem não saiba sobre o que é a série, resumidamente, é uma mini série de 4 episódios que acompanha a história de 5 rapazes que foram injustamente condenados de um crime que não cometeram. Acompanha-os desde o momento em que eles foram acusados, julgados e condenados quando eram apenas crianças, até ao momento em que eles são libertos e ilibados já nas suas vidas adultas. 

É uma história muito forte e emotiva e é uma história verídica. É triste saber que este tipo de coisas aconteciam e ainda acontecem hoje em dia, mas é deste tipo de histórias que as pessoas precisam de ouvir. É este tipo de conteúdo que precisamos, principalmente nos dias de hoje que, às vezes, parece que estamos a andar para trás em vez de para a frente, no que toca ao racismo e à descriminação.

Recomendo vivamente e sem dar spoilers, deixo o trailer da série e uma frase que gostei bastante, dita por uma das personagens secundárias da série.

"Happiness is something to look forward to."

 

 

29
Nov17

E se fosse contigo?


alex

Há uma semana atrás estava na paragem de autocarro, como se de outro dia qualquer se tratasse, quando um grupo de homens, visivelmente bem mais velhos do que eu, sai do centro de emprego ao pé da paragem e se vem sentar ao meu lado.

Estava 1 grau naquele momento. Eu estava coberta da cabeça aos pés, apenas com os olhos e o nariz de fora. Como sempre, de phones nos ouvidos a ouvir música, andava pelo Instagram a gastar dados móveis, quando sinto o senhor a tocar-me no ombro. Perguntou-me o meu nome. Não lhe o disse. Perguntou-me se eu estava com frio. Eu disse que não e virei-lhe a cara. Voltou a tocar-me, desta vez no braço. Cheguei-me para mais longe dele. Ele desliza para perto de mim. Eu pergunto-lhe qual é o problema dele. Ele, com cara de gozo responde-me:

"Para que é usas essa maquilhagem toda se depois não queres ser abordada por homens? Não queres falar comigo porquê? Achas-te boa demais para mim, é?"

E nesse instante, a mão dele tenta tocar na minha perna mas os meus reflexos permitem-me ser mais rápida. Levanto-me de um ápice e respondo-lhe da forma mais contida que consigo:

"Eu maquilho-me porque gosto. Eu estou a usar maquilhagem, não estou a usar uma fita na testa que diz "por favor estranhos, venham ter comigo e assediem-me."

"Deixe-me em paz."

Ele ri-se e os amigos acompanham. Eu afasto-me o máximo que posso deles, porque preciso de ficar na paragem para apanhar o autocarro para ir trabalhar. Há quem tenha vida e mais que fazer do que assediar pessoas na rua. Mas mesmo assim, não desistiram. Vieram ter comigo e continuaram a dizer coisas, que sinceramente, não valem a pena serem repetidas. O autocarro chegou, entrei e rezei para que eles não entrassem atrás de mim. Não vieram.

Esta é só uma das muitas situações às quais, enquanto ser humano e mulher, já fui sujeita ao longo da minha vida. Já falei de assédio sexual aqui muitas vezes. Mas nunca é demais falar sobre este assunto, porque acontece a toda a hora, todos os dias, enquanto eu escrevo este texto e enquanto vocês o lêem. Está sempre a acontecer e não há muito que nós possamos fazer, enquanto vítimas. É nojento, degradante e tem, de alguma forma, de ser parado. Ontem vi o episódio mais recente do "E Se Fosse Consigo" da Sic, um programa apresentado pela Conceição Lino, que pega em temas da actualidade e os apresenta à sociedade de uma forma que ainda não tinha visto nenhum programa em Portugal fazer.

O que eu tirei deste episódio foi que, a maioria das pessoas que vieram em defesa da rapariga foram, de facto, outros homens. Porquê? Porque as mulheres têm medo. Nós vivemos em constante medo e em constante impotência. Algumas até acharam piada e disseram que a rapariga devia ter entrada na brincadeira. Nenhuma das testemunhas sabia de ante mão que aquilo era falso, uma cena representada por actores para o programa. É muito triste ver que a realidade é esta, não só no meu país, mas aqui em Inglaterra também e em tantos outros espalhados pelo mundo. Não podendo fazer muito, fico contente por haver algo a passar na televisão que expõe este problema na nossa sociedade, e que divulga este mal que tem de ser cortado pela raiz.

Se ainda não viram e tiverem um tempinho, dêem uma olhada no episódio completo e divulguem. O assédio é crime, ao contrário do que a lei diz. Não há como negar. É crime e tem de ser parado. Apelo que, se alguma vez forem testemunhas de assédio, não fiquem parados a assistir, não virem a cara, não ignorem. Chamem a polícia, vão lá vocês, não sei, façam algo. Tudo menos ignorar. Podia ser a vossa filha, a vossa prima, a vossa irmã, a vossa tia, a vossa melhor amiga. Se ainda há pessoas que se perguntam se isto é realmente um problema ou não, façam antes esta pergunta a vocês próprios e aos outros:

E se fosse contigo?

 

 (Eu vejo os episódios no website oficial da sic mas não estava a conseguir adicionar o video do site deles mas, pelos vistos, também dá para ver no Youtube)

05
Jun17

Juntos somos melhores


alex

Os acontecimentos dos últimos tempos têm deixado muita gente em alerta. Eu incluída. Tendo nascido e crescido em Portugal, sempre vivi muito estas coisas apenas através de uma televisão. É óbvio que uma pessoa fica afectada ao ver as notícias e pensa sempre que, qualquer dia pode vir a ser no nosso país. Mas por outro lado, acho que a mentalidade dos portugueses é muito aquela de "a nós não nos toca". Por sermos um país pequeno, isolado, na outra ponta da Europa, etc. Contudo, acho que com os tempos que correm, essa mentalidade tem vindo a alterar-se bastante. Mas agora que já vivo em Londres há quase dois anos, e com os acontecimentos dos últimos tempos, a minha forma de pensar tem vindo, também, a mudar.

Já não penso "não me tocará a mim". Porque agora já não vejo só os acontecimentos através da televisão. Passo pelos sítios onde estas coisas estão a acontecer. Não com frequência, porque a minha vida é muito limitada aqui ao sítio onde vivo, estudo e trabalho. Ainda estou relativamente longe do centro. Mas não muito. Uma simples viagem de underground de 20, 30 minutos e estou no centro. Na ponte onde morreram pessoas. No Market onde o caos se instalou. Estou aqui, tão perto, que as notícias já não parecem ser só notícias. Histórias. 

Tenho medo de ir para o trabalho hoje em dia. Porque faço parte da gerência de uma loja num dos maiores centros comerciais do Norte de Londres. Não estamos isentos de alguma coisa vir a acontecer. Aos fins-de-semana, milhares de pessoas deslocam-se até aquele centro comercial para fazerem as suas compras. E quando eu digo milhares, são milhares mesmo. Eu nem saio da loja na minha hora de almoço se estiver a trabalhar sábados e domingos, porque não se consegue andar naquele centro comercial.

Seria o sítio perfeito para se tentar algo. E com os acontecimentos dos últimos tempos, este pensamento vai assombrando-me cada vez mais. Contudo, a parte de mim que quer pensar positivo faz-me levantar da cama todos os dias e ir trabalhar. Porque, como eu já aqui disse, a vida não pode parar antes de parar mesmo. Não nos podemos deixar erradicar pelo medo. Porque é isso que esta gente tenta fazer. Eles não querem erradicar pela religião, por um Deus todo poderoso. Eles erradicam pelo medo que incutem às pessoas. E claro que é assustador. Mas como uma pessoa sábia me disse ontem, nós vivemos numa sociedade de risco e temos de aprender a lidar com o medo e esperar que nenhum de nós esteja no momento errado, no local errado, há hora errada. Isto não vai desaparecer. Não vai melhorar, pelo menos nos tempos que se avizinham. Mas temos de mostrar que somos o oposto deles.

Enquanto que eles mostram-se dispostos a morrer sozinhos por uma causa em que acreditam, nós temos de mostrar que juntos, conseguimos sobreviver pela nossa. Infelizmente não pude acompanhar o directo do concerto de Manchester ontem, visto que estive a trabalhar até tarde. Mas já vi videos, imagens, tweets. E eu acredito mesmo que juntos somos melhores.

Somos mais.

12
Abr17

Sou mulher


alex

Eu acho que já toquei neste assunto aqui no blog. Contudo, já lá vão quase 5 anos desde que o criei, portanto é mais do que certo que os assuntos se vão repetindo de vez em quando. No entanto, este é um daqueles assuntos sobre o qual nunca é demais escrever, sobre o qual nunca é demais falar ou discutir.

Assédio sexual.

Um tema que gera muita polémica, sempre gerou e que vai continuar a gerar. Este domingo passado, estava a vir para casa depois de um turno bastante cansativo na loja. O dia tinha corrido mal, e a única coisa que me alegrou foi sair do trabalho às 18h30 e ver o tempo espectacular que estava. Ultimamente tem sido assim por aqui, temos tido um tempo espectacular. Vinha eu para casa com a A., visto que tínhamos estado a fechar a loja juntas, e quando saímos do autocarro damos por nós a ser seguidas por um individuo alto, que estava a tentar abordar-nos. Eu só reparei quando já estávamos para atravessar a estrada, porque vinha na conversa com a A. e simplesmente pensei que o individuo vinha a falar ao telemóvel ou algo do género. Mas não. Ele tentou abordar-nos à força toda e eu disse para a A.: Ignora, continua a falar para mim e nem olhes para ele.

Ele não desistia. Às tantas, deve ter ficado envergonhado o suficiente para se virar para nós, nos ofender e virar costas. Sim, ofendeu-nos. Porque não lhe demos conversa. Porque não pactuamos com o assédio dele. Porque sim, o que ele estava a fazer era assédio. E já não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que algo deste género ou pior nos acontece neste país. Não quero ser injusta e dizer que os homens aqui são mais assim ou mais assado, porque assédio sexual existe em todos os país e recantos do mundo. Contudo, desde que me mudei para cá que já foram mais as vezes em que fui assediada do que as não fui. No meu país também o era, mas não da forma que sou aqui e não tão gravemente. Em Portugal o máximo a que chegou foi ser assobiada por um velho coitado sentado à porta de um café. Aqui já tive homens a agarrem-me e a não me quererem largar.

Mas tenho mais histórias. No outro dia estava a falar com uma outra amiga e ela estava-me a contar que, nesse dia, às 8h e tal da manhã quando saiu de casa para ir para a uni, um carro com dois homens seguiu-a até à paragem de autocarro dela, sempre a fazerem-lhe perguntas inoportunas e a tentarem com que ela fosse com eles sabe-se lá para onde. Outra - a mesma amiga que vinha comigo para casa no domingo passado já foi abordada mais do que uma vez na rua pelo mesmo individuo. Quando ainda vivíamos na outra casa e tínhamos de caminhar uns 10 minutos a pé da paragem até casa, ele aparecia-lhe sempre à frente e tentava "engata-la".Tentou muitas vezes segui-la até casa, mas ela conseguia sempre esquivar-se ao ligar para uma de nós ou a ir para a uni. 

Uma rapariga que estudava comigo o ano passado foi às compras e o segurança do supermercado passou o tempo todo atrás dela a mandar-lhe bocas e a dizer-lhe o quão "gostoso" era o rabo dela.

Uma pessoa está na paragem de autocarro e o homem do centro de emprego está à porta a fumar e começa a fazer olhinhos e a lamber os lábios de forma "sedutora" para nós. 

Isto é RIDÍCULO. E quem quer que ache o contrário é igualmente ridículo/a. Não quero ser aquela pessoa que diz que só as mulheres é que sofrem assédio sexual, porque tenho plena noção de que também há homens que passam por isso. Contudo, sou mulher e a maioria dos meus amigos são mulheres que, como eu, já foram assediadas de todas as formas e feitios que existem. Eu tenho o direito de andar na rua sem querer que um estranho venha pôr conversa comigo e me pressione a dar-lhe o meu número e outras informações pessoais. Tenho direito a andar na rua sem ter que olhar constantemente por cima do ombro, com receio de estar a ser seguida. Tenho o direito a não ser agarrada no meio da rua por pessoas que não conheço, tenho o direito a não ser ofendida por um individuo com o ego magoado porque eu nem me dignei a responder à sua tentativa de engate. Tenho o direito a ser mulher sem ter medo de o ser.

E os homens não entendem isto. Os homens andam na rua sem medo. Nunca, mas nunca, eu vi uma mulher chegar-se ao pé de um homem no meio da rua e fazer uma das coisas que eu mencionei neste texto ou outra qualquer que possa ser classificada como assédio. Nunca. Pode já ter acontecido, mas não é comum. Enquanto que, no que toca a nós, é o pão nosso de cada dia. Devíamos ficar felizes, dizem eles. Devíamos considerar-nos sortudas e ficar lisonjeadas! Um homem quer o nosso nome, número e código postal , devíamos lançar foguetes e fazer uma festa meninas! Então? Que tontas que nós somos por nos sentirmos ameaçadas ou incomodadas com tal coisa! Desde que eles não nos toquem não é assédio!

Errado. Completamente errado. É assédio a partir do momento em que eu claramente recuso os avanços de alguém e essa pessoa se continua a insinuar. É assédio se fazes a outra parte sentir-se desconfortável ou ameaçada ou amedrontada ou enojada. É assédio e ponto final. E sinceramente, eu gostava que todos os homens sentissem na pele, por uma só vez que fosse, aquilo que nós mulheres sentimos quando somos tratadas como se fossemos objectos; troféus.

Porque sim, eu sou capaz de andar no meio da rua, seja sozinha ou acompanhada, ver uma pessoa que me desperta interesse, que eu acho atraente, mas não me dirijo a ela e começo a fazer perguntas inoportunas, ou não a agarro, nem a tento seguir até casa. E é isto que eu não entendo. Será que há mesmo mulheres que gostam deste tipo de situações, que se dão assim a estes homens e é por isso que eles continuam a agir como agem? Será que eles são bem sucedidos ou será que, são apenas estúpidos? A minha dúvida é esta. Será que, pelo amor de Deus e eu nem sou católica, a única cabeça com que os homens pensam é com a que têm no meio das pernas?

E será que, pelo amor de Deus, outra vez, posso alguma vez andar na rua sem ter de ser assediada? O que é que uma mulher tem de fazer para andar na rua sem ser alvo de assédio? Andar com saco do lixo vestido? Uma caixa de cartão na cabeça? Tenho direito a andar na rua como bem quiser e me apetecer, seja de calças de ganga, t-shirt, vestido, tapada da cabeça aos pés, sem ter de me sujeitar às merdas a que estes tristes nos sujeitam!

Sou mulher. E tenho direito a sê-lo sem ter medo de o ser. Percebam isso gente! 

23
Mar17

Não escondam o medo


alex

"We are not afraid".

Circula pelas redes sociais em conjunto com a hashtag #PrayForLondon. Estava em casa ontem, perdida no meu próprio mundo, quando o meu telemóvel dá sinal de mensagem no chat do Facebook. Era a senhora dona minha mãe a perguntar se eu estava em casa e se estava bem. Achei estranho. Apesar de falarmos todos os dias pelo chat do Facebook e apesar de ela, todos os dias, me perguntar se eu estou bem, achei aquele "Estás bem?" diferente dos outros. Respondi imediatamente, pondo de lado o que estava a fazer no momento, porque senti a urgência da pergunta. Não me perguntem como. Respondi que sim, estava em casa e estava prestes a ir lavar a loiça do almoço. Perguntei porquê a pergunta feita daquela forma? E ela respondeu: "Ainda não viste as noticias? Houve um atentado no Parlamento aí."

Bom, fiquei alarmada. Pensei que alguém tinha tentado bombardear Westminster. Acedi logo ao site da BBC News, e assisti ao live que eles estavam a transmitir, em directo no local. Rapidamente me apercebi que não se tratava de uma bomba, mas sim de algo diferente, igualmente preocupante. Um individuo esfaqueou um polícia, atropelou quatro pedestres (um deles português pelo que consegui descobrir) e causou mais uns quantos feridos. Para além disto, causou o pânico, não só na zona de Westminster, mas por todo o país. Em questão de segundos, as redes sociais encheram-se de mensagens de boa fé, de revolta e de medo.

Medo. Medo esse que, por uma razão que eu entendo perfeitamente, toda a gente está a tentar esconder. Hoje, um dia depois do acontecimento, todos nós andamos pelas redes sociais a partilhar fotos e tweets a dizer "We are not afraid". Nos conhecidos "boards" do metro, onde todos os dias é escrita uma mensagem inspiradora, mensagens sobre o que aconteceu são escritas, acompanhadas pela referida frase. Mas eu acho que é tudo uma grande treta.

Eu estou com medo. Eu escolhi esta cidade para viver. Aqui vivo há já quase dois anos. Não faço tensões de me ir embora assim tão cedo quanto isso, apesar de todas as complicações que o Brexit possa vir a causar. Contudo, eu sei perfeitamente que isto é só o começo. O começo de uma jornada que, infelizmente, vai conter muitos mais destes acontecimentos e actos de terrorismo. Porque foi isso que aconteceu. Infelizmente, este país está a ficar mais fraco. O Reino Unido já não é Unido coisíssima nenhuma. Claro que o Brexit é um dos grandes culpados. Mas o pior são as pessoas. As pessoas estão, dia após dia, a esquecer-se que ao final do dia, nós somos todos seres humanos. 

Há seres humanos bons e seres humanos maus. Mas isso é em todo o lado. Só que as pessoas esquecem-se disso quando coisas destas acontecem, que geram o pânico e o medo e a aversão às pessoas que, para eles, são e serem sempre "outsiders". Emigrantes. Mesmo que esse não seja o caso, a verdade é que, isto assusta qualquer pessoa. Eu, que não estou no meu país, estou assustada. Sei lá se amanhã não se lembram de ir ali ao centro comercial onde eu trabalho, que é só o maior centro comercial de North West London, fazer algo do género ou pior?

Estas coisas fazem-nos pensar. E duvidar. E reconsiderar as nossas escolhas e o nosso futuro e o futuro do país e do mundo que habitamos. Faz-nos ter medo. Não escondam o medo que estes acontecimentos nos fazem sentir. Porque é natural termos medo. Somos apenas seres humanos. Dizer que não temos medo não vai fazer com que coisas destas não aconteçam de novo. Ter medo não é vergonha. Vergonha é não fazer nada quanto ao medo que sentimos. 

O telefone lá de casa, ontem, tocou mais vezes do que durante o ano todo quando as notícias chegaram às televisões portuguesas. Pessoas que nem sequer vejo quando vou a casa, a telefonar aos meus pais a perguntar se eu e os meus amigos estávamos bem. Felizmente, nós raramente andamos pelo centro de Londres. Mas podia ter-nos dado na cabeça lá ter ido. É só meia hora de viagem no metro. E nunca se sabe quando ou onde será o próximo.

Porque vai haver próximo, infelizmente. Não podemos mostrar medo, eles pensam. É a única forma de os vencermos. Eu cá também sou assim. Nunca mostro medo. Nunca mostro as minhas fraquezas. Porque se o inimigo sabe as nossas fraquezas, fica um passo mais perto de nos derrotar. Contudo, no que toca a estas coisas, acho impossível pedir às pessoas para se fazerem de fortes. O medo está instalado.

Agora é tentar fazer algo com ele. Não deixar que nos consuma ou impeça de continuar com as nossas vidas. Porque aí sim, caminharemos para a derrota.

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