Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

11
Nov19

Uma descoberta infantil

alex

Penso que todos nós temos aquele momento nas nossas vidas em que descobrimos que a magia do Natal é construída pelos adultos, pelo capitalismo e pela mentira. 

Lamento começar logo assim, de forma tão brusca, mas a verdade é esta. O Natal é, desde sempre, um feriado religioso, com história e significado para muitos. Contudo, não sei bem como, quando nem porquê, o Natal desenvolveu-se e tornou-se numa época em que nada parece importar mais do que os presentes que vamos dar - e mais ainda, os que vamos receber. É o pico do capitalismo e, admito que, nunca tinha pensado bem a fundo nisto - até trabalhar na área do retalho. 

Meu Deus. É tudo o que posso dizer, primeiramente, em relação à época do Natal no mundo do retalho, do capitalismo. Quando digo que já vi pessoas a lutarem por um bocado de tecido que custava 2 libras, não minto. Nunca ninguém acredita em mim, mas isso não faz com que não seja verdade. Claro que, para todos nós acredito eu, o Natal é muito mais do que isso. É o tempo passado em família, é os doces na mesa, os jogos de cartas e monopólio que perdemos para os nossos primos mais velhos e mais espertos ao jogo, é o calor da fogueira (se a tivermos) e o vapor das castanhas acabadas de descascar, no ar. Contudo, e não esquecendo, o Natal é muito o pico anual do capitalismo.

E acho que a maior descoberta infantil, que talvez alguns (talvez muitos) de vós partilhem comigo, é quando descobrimos que o Pai Natal não é real. MAS, e agora se calhar vou ser um pouco controversa, muitos dizem também não o ser o menino Jesus ou Deus (eu sendo uma delas). Portanto, a minha descoberta infantil não passa só por descobrir que, todos os anos, a minha avó levava os seus dois netos para um dos quartos, enquanto os nossos pais colocavam os presentes à volta da árvore, enquanto o meu pai fazia o seu "ho ho ho", o mesmo pelo qual hoje ainda é gozado (por mim) e que a mãe do meu primo tocava o sino enquanto a minha avó segurava em ambas as nossas pequenas e irrequietas mãos e dizia: Oiçam, oiçam! Chegou!!

A minha descoberta infantil passa também por descobrir que não existe um Deus. Pelo menos para mim. E cada um acredita naquilo que o valha. Religião não é algo sobre a qual eu escreva (ou fale) com frequência. Porque é um assunto muito delicado para muitos e as pessoas ofendem-se com facilidade. Eu sou da opinião que todos nós somos livres de acreditar naquilo que quisermos, em quem quisermos, incluindo sermos livres de não acreditar, ponto. Contudo, tendo crescido numa família semi-religiosa, nunca pus em causa a existência de um Deus ou de um Jesus. Até ao dia em que assim foi. Poucos dias depois do Natal em que descobri que o Pai Natal não existe. Aconteceu. E desde aí que não acredito. Não porque não quero, mas porque posso. Posso não acreditar. E posso escolher acreditar noutras coisas.

Que descoberta infantil mais adulta...

P.S. : Perdoem-me a irregularidade com que cumpro com este desafio. Mas, se há coisa na qual acredito ,é na dificuldade que eu tenho em me comprometer a sério e totalmente com algo que não os meus demónios. Os quais batalho ainda. Mas enfim, isto já são outros divagares...

13
Fev15

Te(nho)r Fé

alex

Eu não acredito em Deus.

Não acredito que haja alguém ou algo lá em cima a olhar por todos nós, a puxar os cordelinhos nas mais diversas direcções. Não acredito em nenhum tipo de Deus e não sou católica, embora tenha sido baptizada pela igreja.

Os meus pais estão casados pela igreja. As minhas avós são ambas católicas praticantes - ainda me lembro de quando íamos de férias e a minha avó paterna dizia a sua reza todas as noites antes de ir dormir. Até hoje ela reza, eu sei disso porque ainda no Natal tive de dormir com ela e ouvi. Ela reza por todos, até pelo seu marido que já não está connosco, menos por ela.

Ela acredita. A minha outra avó não pode ouvir dizer que eu não sou católica. Para ela eu sou católica, independentemente do facto de as únicas vezes que tenha entrado numa igreja não tenha sido por vontade própria.

Não fui educada para acreditar num Deus poderoso que escreve direito por linhas tortas. Fui ensinada a não acreditar - em Deus, em mim, nos outros, no mundo...

Até à uns anos atrás, eu acreditava que não existia nada de bom neste mundo. Que o mesmo era só mau e que eu, só iria ter direito a isso na minha Vida. É uma crença estúpida de se ter, agora passados os anos, vejo isso.

Mas na altura eu justificava a minha falta de fé (em tudo) com um simples argumento (que agora sei ser mais do que inválido): nunca tive razões para isso.

Nunca me foram dadas razões para ter fé. Para acreditar, fosse no que fosse - num Deus, num bem maior, em mim, nas pessoas à minha volta...

Com o tempo e com as pessoas certas, fui aprendendo que a fé verdadeira só o é quando não nos são dadas razões para acreditar.

A fé verdadeira só é fé quando tudo à nossa volta se desmorona; quando tudo parece um buraco escuro sem fim nem começo e mesmo assim, nós continuamos a acreditar. No quê? Não sei. Mas temos fé; esperança.

Fui descobrindo também, ao longo dos anos, que existem muita teorias acerca deste nosso mundo que habitamos - uma delas é aquela pela qual hoje me tento reger.

Continuo a não acreditar em Deus, continuo a não ser católica e continuo até a desprezar a religião (ou pelo menos aquilo que o ser humano fez dela ao longo destes anos). 

Mas não posso dizer que continuo a não acreditar; a não ter fé. Porque se hoje vos escrevo, é porque a fé que tenho dentro de mim é muita. É porque hoje acredito em algo - que o Mundo é uma balança. De um lado o bom, do outro o mau. Por vezes um dos pratos da balança oscila com o peso - é muito. Por vezes pode até chegar a tombar. Mas depressa o outro prato tenta equilibrar a balança, equilibrando assim as nossas Vidas.

Acredito, hoje, que tudo o que damos de mau ao Universo, ele retribui. Sejam pensamentos negativos, raiva para com os outros, mentiras, desonestidade, má língua, más acções. Acredito também que mesmo quando só damos pensamentos positivos, esperança, palavras amigas, fidelidade, amor...que por vezes não chega para equilibrar a balança e por isso, o mal continua a pesar mais.

Mas também aprendi que a balança nunca fica a pesar mais para um lado. Pode parecer assim - e eu que o diga que passei quase três anos com a balança a pesar para o lado do mal - mas a realidade é que o equilíbrio acaba por ser restaurado.

Não podemos esperar de ninguém, seja esse alguém Deus ou outro qualquer, do Universo ou da Vida que estes tenham peso sempre só num dos pratos da balança. Uma balança tem dois pratos por alguma razão é.

E eu aprendi isto, a custo e depois de bater muitas vezes com a cabeça na parede. E continuo a aprender porque não vou mentir - por vezes, a minha balança parece estar mais torta que a Torre de Pisa. Mas a verdade é que se há uma lição que carrego comigo todos os dias, desde há uns anos para cá, é que ter fé não tem de ser necessariamente sinónimo de ter uma religião.

Ter fé é acreditar naquilo que nos dá força para continuar em frente, quando tudo à nossa volta nos puxa para trás.

Quando nada na nossa Vida nos dá razões para acreditar seja no que for.

Porque para mim, hoje, a verdadeira fé é quando não temos razão alguma para a ter e mesmo assim... a temos.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D