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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

16
Mai16

Eu sou a vela, o candelabro e o esqueiro


alex

Ser solteira no meio de casais não é fácil. 

Já estou solteira vai fazer dois anos e nunca foi coisa que me afectasse muito. Sou uma pessoa muito complexa, que poucos conseguem suportar, entender e respeitar. Conheço-me bem, sei quem sou, o que quero na vida e sou de ideias fixas, o que por vezes assusta um pouco as pessoas. E admito que sou um pouco fria com as pessoas ao início, quando ainda não as conheço. Foi assim que consegui (e que consigo) manter-me solteira até hoje. E nunca me fez espécie. Gostava de estar sozinha. Gostava de ser independente, de estar na minha, de não ter de partilhar a minha vida com ninguém. Mas ultimamente tenho mudado um pouco.

Viver com dois casais e sair com esses dois casais para o todo lado, fazer tudo com eles, sempre, sendo aquela que naturalmente se destaca na multidão como a bem dita da vela, começou a fazer-me espécie. E começou a deixar-me não triste mas, um pouco em baixo. Comecei a sentir aquela necessidade de ter alguém com quem partilhar a minha vida. O meu dia-a-dia. Alguém a quem possa chamar de amigo, alguém a quem possa ligar quando preciso de falar ou desabafar, alguém com quem possa ir passear nos meus dias de folga. Alguém a quem abraçar e trocar carinhos, alguém que me diga que gosta de mim pela mulher que sou. Comecei a sentir aquela necessidade de voltar a ter alguém do meu lado com quem partilhar um bocado de mim.

Ser a emplastra para todo o sítio onde vou não é fácil. Às vezes estamos todos a comer em algum sítio e a conta chega, é dividida pelos cinco e eu sou a única que não tem ninguém com quem dividir a minha parte da conta. Sou a única que, depois de já passar da 1h da manhã e de já termos visto o Love on Top (não julguem que isso é como se fosse um pedaço de casa em Londres para nós) volto para o meu quarto sozinha.

Ser a única solteira no meio de amigos casais é complicado e, naturalmente que com o tempo, começa a criar cada vez mais espécie na minha pessoa. Porque apesar de me dizer muito forte e independente, a verdade é que, no fundo, eu só quero o que toda a gente quer neste mundo: Amor.

05
Fev15

De olhos fechados, vejo


alex

Dou por mim de olhos fechados a ver tudo com clareza.

Vejo, a cada dia que corre, perder-me das pessoas que julguei nunca abandonar.

Vejo, a cada hora que passa, o passado a correr atrás de mim, a tentar apanhar-me e mandar-me mais uma vez abaixo ou até mesmo, deixar-me sem chão por onde possa correr; fugir.

Vejo, a cada minuto contado, como eu mudei e em como continuo em permanente mudança.

Vejo, a cada segundo perdido, que vivi a minha Vida para os outros.

Já chega desta cegueira. De olhos abertos vejo menos do que se os fechar - então que os feche, para que possa ver de uma vez por todas os males que me rodeiam.

Para que veja que não preciso de nenhum deles para chegar onde quero. 

Sempre caminhei melhor sozinha - de olhos abertos ou fechados, a realidade é que nunca caminhei com uma mão a segurar a minha.

Dou por mim de olhos fechados e vejo agora tudo o que não via, quando devia - mas mais vale tarde que nunca.

31
Jan15

Conversas interessantes....


alex

Com o ex:

"Então o trabalho, está a correr bem?" - Ambos sentados, eu numa ponta e ele noutra.

"Sim, e o teu?" - Fiz contacto visual, sabendo bem que é esse o meu forte - a capacidade de falar com as pessoas encarando-as directamente.

"Também. Amanhã tenho folga, fim-de-semana de dois dias." 

"Ah, que sorte. Eu vou trabalhar." - Ele sorriu, mas não era um sorriso cheio. Era um sorriso pequeno, de simpatia.

"Então e é verdade que sempre vais para Londres este ano?" - Podia jurar que a pergunta foi feita com um pouco de tristeza a acompanhar.

"É esse o plano. Sempre foi e eu sou de ideais fixas. Mas tu sabes isso." - Deixei a última parte escapar sem pensar muito bem antes de o dizer.

Durante uns momentos, fez-se silêncio (entre nós, porque à nossa volta as vozes eram mais que muitas).

Ás tantas não resisti em ser má. E fiz a pergunta que me andava a fazer comichão na orelha.

"Então e a _______ (inseri nome da actual namorada), não veio?" - Era obvio que não, visto que ela não estava lá. Mas a verdadeira pergunta estava implícita na pergunta que fiz (porquê).

"Não... ela está doente, com febre e dores de cabeça." - Vi no olhar dele preocupação e fui atingida por um ligeiro e momentâneo picar de algo.

"Ah que pena." - Disse-lhe no meu tom sarcástico, tentando conter um sorriso maldoso.

Ele olhou para mim e eu sei que ele percebeu exactamente isso - que penas têm as galinhas e que é algo que eu não nutri nem nutro pela dita cuja, doente.

Há coisas que nunca mudam, e o facto de ele me conhecer melhor que ninguém, é uma delas.

29
Jan15

Tu és tu e eu...


alex

Há coisas que, por mais que tente, não consigo compreender. Consigo simpatizar com a pessoa e com o assunto em questão, mas é daquelas coisas que só passando por elas é que eu poderia compreender totalmente e falar de boca cheia.

Eu sou daquele tipo de pessoa que senão fizer as coisas, não descanso só porque os outro as fazem e me contam as experiências deles.

Eu tinha uma professora no 11º ano que chegou a discutir isto comigo em plena aula de História A. Porque estávamos a dar já não sei bem que matéria e a mesma podia ser relacionada com a situação actual do nosso país.

E eu disse algo do género:

"A História pelos vistos, repete-se. As pessoas não aprendem com os erros dos outros, não verdadeiramente. Têm de errar elas próprias, bater elas com a cabeça para saber o quanto dói."

A mulher quase que me comeu viva e eu, não querendo discutir com uma Alexandra (o nome da professora) porque só eu sei o quão teimosas e obstinadas elas são (não estou a falar de mim, não....ahah) dei a conversa por terminada ali.

Para ela, as pessoas conseguem saber exactamente o que fazer e como agir consoante as experiências dos outros; para ela, os erros dos outros são lições para nós.

Até podem ser - mas para mim serão sempre lições vazias. Porque eu não consigo saber exactamente o que a pessoa em questão sentiu ao fazer determinado erro.

Ou neste caso, eu não consigo sentir a aflição que a pessoa minha amiga sente ao pensar em ir também ela para o Reino Unido (ela vai para outra universidade, noutra cidade) e deixar cá a família, mais precisamente um dos membros dessa.

Consigo perceber o sentimento de tristeza em ter de deixar cá pessoas que ela ama acima de tudo - eu vou deixar pais, irmã e avós. Só de pensar vêm-me as lágrimas aos olhos. Mas consigo viver com isso. Consigo viver com o facto de me ir embora, enquanto eles cá ficam. Consigo viver com isso, se calhar, porque tenho um pouco de egoísta em mim.

Por muito que goste de pensar e dizer que não, a verdade é que só alguém um bocadinho egoísta é que é capaz de deixar a família num país e ir para outro, para ir em busca de uma educação melhor para si mesma.

Para ela, segundo me parece, é diferente. Mas ela tem razão - eu não consigo perceber o quão diferente é, porque não sou eu. E acho que por muito que nós queiramos, e por muito que simpatizemos com a situação de outrem, nunca vamos conseguir dar aquela palavra de conforto certa, aquele conselho que vai fazer com que a aflição alivie um pouco dentre deles.

Eu acho que há uma razão para o facto de, de tempo em tempo, nos sentirmos sós. Porque a verdade é que, ás vezes, o estamos - sós. Podem haver pessoas em situações semelhantes às nossas; pessoas em situações bem piores. Mas elas não são nós, não sentem o que nós sentimos, não pensam da mesma maneira que nós pensamos.

Voltamos aquela conversa que eu já tive aqui de sermos todos diferentes. Ultimamente tenho-me apercebido imenso disso. O quão diferente somos e o quanto, por vezes, essas diferenças podem tanto servir de barreiras como de elos de ligação entre nós.

Neste caso, é uma barreira. O facto de eu ser, talvez, mais de casca rija e racional (e lá está, egoísta ao ponto de ir para outro país em busca de algo melhor para mim, deixando cá família) e o facto de ela ser mais de casca mole, muito sentimental e demasiado apegada à família, faz com que eu não a consiga ajudar da maneira que gostaria.

É claro que eu vou sentir imensas saudades. É claro que vou perder uma parte do meu coração quando me for embora e vir a minha família parada, sem me seguir.

Mas não deixo que isso, por um segundo, seja a origem das minhas dúvidas, inseguranças e ansiedades. A origem dessas para mim são outras, muito mais difícil de controlar porque não depende bem de mim (mas sim do facto de eu conseguir manter este emprego para poder pagar tudo até ao fim).

Gostava de conseguir fazer mais - mas lá está. Só se eu fosse ela.

E eu...sou eu.

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