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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

27
Out18

Dizia-lhe...


alex

"E é por isso que eu já fiz as pazes com o facto de não ter podido ir para Londres. Porque eu sei, eu acredito com todo o meu coração que daqui a um ou dois anos, eu vou lá estar. Eu vou conseguir lá chegar. Pode não ser hoje ou amanhã ou daqui a 3 meses, mas se há coisa em que acredito é que vou conseguir cumprir este meu sonho de ir a Londres, de estudar lá, de viver lá durante uns tempos."

 

Este excerto é de um post meu de há quatro anos atrás. Por norma, não leio os meus textos antigos, pelo simples facto de que este blog já existe desde 2012 e é-me penoso ler o que a Alexandra de 16, 17 anos escrevia por aqui nessa altura. Contudo, alguém comentou recentemente neste meu post, que é sobre as viagens de finalista, e eu já não me lembrando do conteúdo do texto, fui lê-lo para poder responder ao comentário.

Deparei-me com a menina que sonhava vir viver e estudar para Londres. Não sei se tenho a capacidade de conseguir descrever o tipo de gargalhada que soltei ao ler o excerto acima. Uma gargalhada de descrença, acima de tudo, porque já não me lembrava desta vontade enorme que outrora tive de vir para cá. Uma gargalhada de desilusão, porque não acredito que alguma vez fui assim tão ingénua. Uma gargalhada de tristeza, pela menina que viu o seu sonho realizado e quatro anos depois se apercebeu que os sonhos não passam disso e que a realidade é muito mais cruel.

Não voltaria atrás para dizer a esta criança para mudar de sonho e objectivo. Não lhe dizia que ela iria chorar mais do que rir se fosse para Londres. Não lhe dizia que ela ia passar muitas noites a não conseguir adormecer por causa do roncar do seu próprio estômago vazio. Não lhe ia dizer que ia ser usada pelas pessoas, abusada, rebaixada, mal tratada. Não lhe dizia que a iam mandar calar quando falasse na sua língua e que lhe iriam chamar todos os nomes xenófobos que ela poderia imaginar. Não lhe dizia que ia ter de dormir durante dois meses no chão de um quarto do tamanho de um armário com mais outras duas pessoas, ou que iria ter de morar 1 ano e meio numa casa cheia de bolor que lhe iria trazer complicações de saúde no futuro. Não lhe dizia que ia sentir tanta saudade do seu país, aquele que ela tanto esperava deixar para trás, que ao fim de quatro anos iria decidir voltar para ele.

Não lhe diria nada disto. Dizia-lhe que ia crescer, muito. Que iria conhecer pessoas maravilhosas que a iam ensinar muito ao longo do tempo. Dizia-lhe que nos primeiros dois Invernos ela ia odiar o frio, a chuva e o frio outra vez, mas que pelo terceiro já seria amiga do Inverno e até ansiaria pela sua chegada. Ia dizer-lhe que ia ter experiências que mais ninguém ia ter. Que ia rir muito com os amigos, poucos, mas amigos que iria fazer e com quem ia viver. Em como iriam passar muitos momentos difíceis mas que todos eles suportáveis porque se tinham uns aos outros. Que ia poder viajar de carro, de janelas baixas, música aos altos berros e sorriso nos lábios. Que iria ver muitos dos seus artistas favoritos ao vivo. Que iria viver muitos desgostos mas também muitas paixões. Dizia-lhe que iria conseguir ir de férias para um país muito longe e do qual gosta muito, não uma mas duas vezes! Dizia-lhe que apesar de hoje o sonho estar mais do que morto e enterrado, ficou algo muito mais valioso e melhor. Dizia-lhe que ela iria chegar a Londres apenas com um sonho e uns quantos euros no bolso e iria sair com muita experiência de vida, coração cheio e sentimento de missão cumprida. Dizia-lhe para vir.

Porque estes quatro anos deram-me de tudo. E quem ler isto pode até pensar que me vou já embora amanhã. Não vou. Mas escrever sobre o assunto ajuda-me a interiorizar a ideia e o sentimento de que, vai acontecer. A separação vai ser inevitável e quem sabe, se daqui a mais quatro anos não voltarei a escrever à Alexandra do passado, num contexto e num sítio completamente diferentes.

Espero que sim.

25
Jul18

As pessoas não são espelhos


alex

Aquilo que os outros são, só se reflecte em ti se tu quiseres. Se tu deixares. 

Eu acredito que todos nós somos tão bons como maus. Todos nós, como seres humanos, já fizemos coisas das quais não nos orgulhamos, coisas que magoaram alguém, coisas menos correctas. Todos nós já pisámos a linha umas quantas vezes. Mas claro que depois há sempre as pessoas que em vez de pisarem só a linha, ultrapassam-na completamente. E é ai que está a diferença entre uns e outros. Entre as pessoas boas que fazem coisas menos boas; que cometem erros e as pessoas que optam por ser simplesmente maldosas; que já não cometem erros porque um erro é algo que fazemos do qual nos arrependemos. Estamos conscientes deles e tentamos não repetir. Há pessoas que já não cometem erros porque são pessoas que não os cometem. Elas são o erro em si.

Pode ser um cliché, mas é verdade. Não sou santa, nunca fui, nunca vou ser. Mas sei reconhecer os meus erros, pedir desculpa e tentar fazer melhor no futuro. Nunca precisei de pisar em ninguém para chegar aonde estou. Nunca me aproveitei da boa vontade dos outros. Sempre fiz questão de fazer as coisas sozinha, por mim mesma.

Há pessoas que infelizmente não são assim. São manipuladoras, aproveitam-se da boa vontade dos outros e conseguem um lugar confortável na vida subindo os degraus da mesma espezinhando quem não consegue subir tão depressa ou de forma tão suja. Há quem desculpe este tipo de pessoas com "Mas eles não sabem melhor, tiveram uma vida tão difícil. Os pais não querem saber deles, ou foram maltratados, ou, ou, ou..."

Há tanta boa gente com histórias de vida tão tristes. Todos nós temos problemas, todos nós já sofremos ao longo das nossas vidas. Todos nós já fomos magoados ou desiludidos por alguém. Isso não é desculpa, desculpem-me. Cabe-nos a nós a escolha de sermos como aqueles que nos fizeram mal ou de sermos a pessoa que ajuda a prevenir que mais mal aconteça aos outros. Eu fui muito mal tratada, muito enxovalhada, muito usada no meu antigo local de trabalho, por pessoas em posições acima da minha. Hoje, passados três anos, eu estou na mesma posição de poder dessas pessoas e nunca, jamais, serei um espelho delas. Nunca tratei nem nunca vou tratar um ser humano da forma como eu fui tratada. Podia escolher fazê-lo. Pagar na mesma moeda, combater fogo com fogo. Mas as pessoas esquecem-se que, por muito alto e alastrado que seja e que esteja o fogo, a água vai ser sempre o seu grande inimigo, o único capaz de o eliminar. Ser uma pessoa má, manipuladora, mesquinha, detestável É SIM uma escolha. Não me venham com desculpas, a dizer que é das circunstâncias da vida, porque não é. Se és uma pessoa de merda és uma pessoa de merda porque as tuas escolhas levaram-te a isso.

Para mim não há desculpa para a crueldade das pessoas, para o seu poder de manipulação, para o carácter mau delas. És aquilo que escolheste ser.

As pessoas não são espelhos. Eu não vou ser a pessoa que me fez chorar dias e dias a fim, a caminho de casa depois de mais um dia infernal no trabalho. Eu não vou ser a pessoa que se aproveita dos outros só porque eu fui a pessoa de quem os outros se aproveitaram. Eu recuso-me a ser o reflexo da maldade daqueles que me fizeram mal.

Eu escolho ser melhor do que eles. E tu?

21
Jun18

Nunca partirás de mim


alex

Este vai ser um daqueles textos que há muito tempo que ando para escrever. Digo muito tempo porque, refere-se a um acontecimento que já se passou à nove meses. Nove meses é o tempo que demora para os bebés se formarem por completo na barriga das mães. Pode ser uma analogia estranha, mas este texto é um bocado como um bebé a nascer, passados nove meses. Debati bastante se deveria publicá-lo, sou sincera, pela simples razão de que a pessoa em questão tem acesso ao meu blog e pode a qualquer altura ler o que vou aqui escrever. Mas cheguei à conclusão de que já não interessa. Já passou tanto tempo que acho que já não há mais nada a perder ao fazer este texto público, que é no fundo um longo desabafo e uma grande reflexão sobre uma amizade que durou muitos anos e que sempre foi, no mínimo, conturbada e diferente de todas as outras que já tive ao longo da minha vida. Porquê agora? Não sei, não tenho uma razão em especial. Simplesmente cheguei do trabalho, sentei-me na cama, abri o computador na página do blog e... aqui estou.

Eu acredito que todas as pessoas que entram na nossa vida servem um propósito e que nenhuma relação é em vão. Seja qual for o propósito dessas pessoas, a diferença entre elas é se elas causaram impacto suficiente nas nossas vidas para, anos depois, ainda nos lembrar-mos delas ou se o que resta delas no fim é apenas a lição que aprendemos quando a pessoa seguiu o seu caminho e nós o nosso. Desde pequena que sou uma pessoa introvertida no que toca a fazer amizades ou a conhecer pessoas novas. Nunca dou o primeiro passo e nunca, jamais, abordei fosse quem fosse primeiro. Com os anos, acho que piorou, também porque tive experiências que não me ajudaram a confiar nas pessoas com facilidade. Quem acompanha o blog desde o seu inicio pode saber isto (ou não) mas foram poucas as pessoas que mantive na minha vida depois de ter vindo para Londres. Não vou arranjar desculpas, vou apenas dizer que as coisas são como são. As pessoas crescem e mudam e a vida continua, com ou sem elas. E novas pessoas entram, no meu caso tal não é verdade porque, como disse, sou péssima a fazer novas amizades. Mas acredito que sou boa a manter aquelas que importam. Excepto esta sobre a qual vos escrevo hoje. 

Ás vezes não é fácil conhecer alguém por muito tempo e ser-se amigo dessa pessoa durante uma década, duas ou três... não é qualquer pessoa que pode dizer que viu o seu amigo crescer, que fez as primeiras asneiras de pré-adolescente com essa pessoa, que viveram os anos de adolescente ao lado um do outro e que se apoiaram quando a vida deu uma volta de 360 graus e foram "cuspidos" para o mundo dos adultos; o mundo real. Não é qualquer um. Eu tive essa pessoa. E perdia-a, várias vezes, ao longo dos anos. Mas de alguma forma, fui sempre capaz de encontrar o meu caminho de retorno até ela. Até não haver mais caminhos de retorno. Ainda hoje, passado este tempo todo, sinto-me injustiçada. É algo que ainda me custa a engolir de cada vez que penso nisto; nessa pessoa. Porque ainda penso nela, sim. Ainda penso em ti, se estiveres a ler isto. Constantemente, até porque hoje em dia com as redes sociais, não há forma de evitar o nosso passado e as pessoas que ficaram nele. Custa-me até hoje ainda porque foi tudo tão...abrupto. Tão parvo. Tão...estúpido. Num dia estava tudo bem, no dia seguinte, tudo mudou. Foi como se tivessem ligado e desligado um interruptor qualquer, deixando-me no escuro por momentos de um dia para o outro,e quando voltaram a ligá-lo, aquela pessoa que me acompanhou durante uma década já não estava lá. Estalou-se os dedos e puff...acabou. 

Eu sou o tipo de pessoa que não admite os seus sentimentos com facilidade. Aliás, eu sou aquela pessoa que podia ter uma faca apontada ao pescoço e mesmo assim, a muito custo diria à pessoa como me sinto verdadeiramente. Uso o humor, as piadas e o sarcasmo para esconder muito daquilo que sinto na realidade e tudo aquilo que queria dizer. É o meu maior defeito, não há dúvidas disso. Mas por esta pessoa eu tentei. Tentei ser mais expressiva, mais aberta, mais comunicativa. Não porque me senti na obrigação de tal, mas porque...não sei. Não é o que se faz pelas pessoas de quem gostamos verdadeiramente? Tentamos moldar-nos a elas de forma a podermos coexistir de uma forma melhor e mais harmoniosa? Contudo, não sei quando é que passou de não ser uma obrigação, a ser a maior e mais penosa tarefa (não contado com a escrita) que eu podia fazer. Ou se calhar até sei. Se calhar foi quando essa pessoa começou a ver apenas a parte moldada de mim e não o meu eu verdadeiro. Se calhar foi quando essa pessoa começou a esperar demais de mim. E agora, de quem é a culpa? A pergunta que ressoa na minha cabeça vezes e vezes sem conta.

A culpa não é de ninguém. A pessoa não me pediu nada. Eu nunca escondi quem sou, apesar de me ter moldado.

A culpa é minha. Fingi ser alguém que na realidade não sou. Fiz e disse coisas só para fazer a outra pessoa feliz, porque tenho uma noção errada do que é o amor e a amizade. 

A culpa é dela. Conhece-me há tantos anos e no entanto...não conseguiu perceber que eu estava a ser mais, a fazer mais do que aquilo que podia? A ser mais do que aquilo que eu sou? 

Atribuir culpas não nos leva a lado nenhum, foi a conclusão a que cheguei passado este tempo todo. Não me deixa mais ou menos feliz se eu disser que a culpa é da outra pessoa. Não durmo melhor à noite. Definitivamente não durmo bem de noite se me culpar a mim própria. E atribuir culpa não apaga o que foi feito, o que foi dito e o que ficou por dizer. Porque sim, houve muito que ficou por dizer. Tanto... Muito do que ficou por dizer, digo-o agora neste texto. Talvez esteja a ser cobarde de novo. Devia era deixar-me de merdas e entrar em contacto com a pessoa directamente. O que é que me impede? O que impede o ser humano de fazer seja o que for, sempre:

Medo.

O medo paralisa, deixa-nos ineptos, sem poder de agir. O medo de rejeição, o medo de confirmar os nosso piores medos - que apesar da história, dos momentos vividos e partilhados com a pessoa, já não haja volta a dar na relação. O receio de que a pessoa nos odeie e nos diga isso na cara. O receio de que essa pessoa ainda esteja magoada ou a sofrer. O medo. O filho da puta do medo.

Por ter medo não te mando mensagem. Por ter medo não gosto das tuas fotos no instagram. Por ter medo não te disse quando fui a Portugal. Por ter medo não te dirijo a palavra. Por ter medo, trato-te como se fosses uma pessoa estranha para mim, com quem nunca partilhei uma amizade, uma relação de tantos anos. Por ter medo não te pedi desculpa. Não acho que esteja agora no direito de o fazer. Que direito tenho eu, agora, passado tanto tempo, de voltar a entrar na tua vida e pedir desculpa? E por outro lado, estou a pedir desculpa pelo quê, exactamente? Pela forma como agi? Foi a minha forma estúpida e ignorante de tentar amar. Pela forma como não me despedi de ti? As despedidas doem-me tanto.... Pedir desculpa por ser egoísta, cobarde? Pedir desculpa por não ter pedido desculpa...?

Meu Deus...não sou religiosa. Mas acredito na força do Universo, na lei da atracção. 2017 foi um ano tão merda na minha vida, mas tão merda, que eu não me posso deixar pensar nele, com medo de atrair as más energias e o azar dele. 2018 tem sido diferente...mas que diferença! É como a noite e o dia. Em 2017 sofri muito, chorei muito, e andei triste durante muito tempo...contudo, tinha-te a ti com quem partilhar tal tristeza. Só que agora não te tenho para partilhar a felicidade que 2018 me tem trazido. A única coisa que me deixa triste em 2018 é o facto de não poder partilha-lo contigo. E minto. Minto às pessoas à minha volta e digo que não me importo. Não quero saber. O que aconteceu, aconteceu e já não me afecta. Que grandessíssima mentirosa que eu sai...

Não sei bem onde quero chegar com este texto... Acho que no fundo, connosco, vai ser sempre assim. Uma história mal acabada, um percurso não percorrido até o fim, uma relação cheia de altos e baixos. Sempre pensei que não seria capaz de viver sem ti. Acho que te cheguei a dizer isso e penso que me disseste isso também. Que não conseguias imaginar a tua vida sem mim. A tua vida sem mim, eu acredito, é melhor. Vejo-te feliz, oiço-te feliz, contam-me que andas feliz. Cansada, atarefada, mas feliz. E eu por ti feliz devia andar, mas a verdade é que no fundo, a pessoa que nunca vai ser 100% feliz sem a outra na sua vida, sou eu. Tu estás a voar sem mim e eu estou aqui, em baixo, a olhar para cima com um sorriso triste nos lábios. Estou feliz por ti mas não sou feliz sem ti. Ando feliz, a vida tem-me corrido bem, se estiveres a ler isto e se estiveres curiosa. Mas nos meus dias, em todos eles, há aquele momento de infelicidade, de dor, de tristeza, de culpa, de confusão, de medo, de receio...sei lá, de tudo que é mau, por tu não fazeres mais parte dele. 

Só quero que saibas que, onde quer que seja que eu esteja na vida, espero que estejas imensamente melhor do que eu. Mais feliz, mais realizada, mais bonita, mais sorridente, mais sortuda, mais tudo. Porque mereces e disso, não há dúvidas. Espero que, ao contrário de mim, eu já não te passe pela cabeça. Que sejas livre de mim, de nós. Eu não sou, mas isso não interessa. O que interessa é que tu o sejas. 

E ao final do dia...as memórias são muitas, os anos também e todos eles valeram a pena. Até a viagem que mudou tudo para nós. Valeu a pena. Sabes porquê? Porque contigo, tudo o que deu origem a boas e a más memórias, a bons e a maus acontecimentos, valeu a pena. Porque tu não foste apenas uma lição que a vida me quis ensinar. Tu foste e és a única pessoa que todos os dias me ensina algo novo, que continua a ter impacto na minha vida e que continua a afectar o meu dia-a-dia apesar de já não fazeres parte dele.

A forma como vou terminar este texto só fará sentido para duas pessoas neste mundo. Para ti e para mim...Tu é que és aquela que vai sem nunca partir e que parte sem nunca ir...de mim. Sempre foi assim e acredito que nunca vai deixar de o ser. 

11
Dez17

Em 2017...


alex

O ano de 2017 foi um dos piores anos da minha vida até agora. Não estou a exagerar, de todo. A quantidade de coisas que me aconteceram este ano que me deitaram totalmente abaixo, foram mais do que muitas. Consigo contar pelos dedos de uma mão as boas memórias que este ano me proporcionou. 

É que foi tudo, no geral, que correu mal. No trabalho, na universidade, nas minhas relações pessoais. Não se safou muito ou mesmo até, quase nada. Até assaltadas fomos! Honestamente, não sei o que se passou este ano. 2016 foi um ano tão bom, com os seus momentos baixos também, mas no geral foi um ano muito positivo para mim e este ano...foi completamente o oposto. Contudo, este ano foi aquele que me fez perceber muita coisa. Aprendi muito com os meus erros e com os erros dos outros. Apercebi-me de que, de um momento para o outro, tudo pode mudar e não há nada que nós possamos fazer. Tive provas de que sou muito amada e muito sortuda no que toca às pessoas que tenho na minha vida. Dizem que é nos momentos mais merda da nossa vida que nos apercebemos de quem está mesmo lá para nós. Também mudei a minha forma de pensar e de ver muitas coisas. Continuo a crescer, a aprender, a errar e como tal, a mudar. Perdi-me, durante um bocado. Andei muito perdida este ano, isso não posso negar. Acho que, sinceramente, ainda não me encontrei a 100% mas estou no caminho certo para tal, ou assim espero que seja. 

Por muito mau que este ano tenha sido, eu sei que me vou lembrar muito dele nos anos que estão para vir, porque aconteceu muita coisa que não se esquece. E uma delas aconteceu ontem. Pela primeira vez desde que me mudei para Londres, vi neve, mas neve a sério. Nada daquela coisinha pequena que houve no ano passado e há dois anos atrás, nem pensar! Ontem nevou que se fartou aqui e por um dia, em 2017, fui completamente feliz. Acordei com uma mensagem da C. a dizer que estava a nevar. Abri as cortinas do meu quarto e contemplei um mar branco por debaixo da minha janela. Calcei luvas, enfiei um gorro, calcei as botas, vesti o casaco e fui a correr para a porta que dá para o nosso jardim. Foi lindo. Durante umas horas voltei a ser criança. Brincámos na neve, fizemos um boneco de neve ao qual demos o nome de Gervásio Jones, tivemos umas quantas lutas de bola de neve e senti o coração quente, apesar do frio terrível que fazia. 

O resto do dia foi passado a ver filmes com as flatmates, a comer porcaria e simplesmente, a descansar, algo que não faço com frequência. Não pensei em nada. Não pensei na uni nem no trabalho nem em todas as coisas más que me aconteceram este ano. Ontem, durante um dia inteiro, regredi. Voltei atrás no tempo e senti-me criança; fui criança. Não fiz nada daquilo que tinha planeado fazer. Tinha roupa para por a levar, as casas-de-banho por limpar, loiça por lavar, umas quantas coisas para escrever...não fiz nada. E fui feliz.

Hoje às 6h da manhã acordei e lá fui eu para um trabalho que desprezo, trabalhar com pessoas que mal tolero. Estou cansada outra vez. Dói-me as costas das caixas que andei a carregar. Tenho cortes nas mãos das mudanças que tive de andar a fazer na loja. Acho que me está a nascer um joanete. Os meus vizinhos de cima não param de fazer obras e estou neste momento a escrever este texto com uma dor de cabeça enorme por causa do barulho que eles estão a fazer.

2017 voltou a ser uma merda hoje. Mas ao menos ontem, 2017, já valeu alguma coisa. Ao menos, no dia 10 de Dezembro de 2017, fui feliz.

 

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06
Ago16

1 ano depois...


alex

Há exactamente um ano atrás, a minha vida deu uma volta de 360º.

Faz hoje um ano que me mudei para o Reino Unido.

Muita coisa aconteceu durante este ano. Não parece que só passou ainda um ano; parece que já passaram mais. Talvez porque já estou tão habituada à minha vida aqui, que parece que a vivo há mais tempo; talvez porque não foi uma adaptação díficil e longa, muito pelo contrário. 

A verdade é que já lá vai um ano e durante esse ano, muita coisa aconteceu, muita coisa foi vivida. 

Tive sorte. A verdade também é essa. Tive muita sorte de ter sido recebida pelas pessoas que me receberam. Se não fossem elas, sem dúvida alguma que tudo tinha corrido 100 vezes pior ao ínicio. Obrigada aos rommies do Flat 1. Batem forte cá dentro.

Um obrigada grande também à família - mãe, pai, irmã, tios, primos, avós, cães, piriquitos, etc - sem o apoio deles não tinha permanecido aqui durante muito tempo.

Há quem ache que os que deixam o seu país são corajosos. Há quem discorde e ache que os corajosos são os que ficam no seu país, independentemente de. Eu acho que não é o facto de se ficar ou de se deixar o seu país que faz seja quem for corajoso. Acho que é o facto de irmos atrás dos nossos sonhos e objectivos que faz de nós corajosos.

O meu sonho nunca foi vir para outro país pagar impostos. Para isso tinha ficado em Portugal a descontar para a segurança social. Também nunca foi vir trabalhar para uma loja de roupa em "part-time" e ser explorada. Para isso, ficava DEFINITIVAMENTE em Portugal.

Contudo, o meu sonho era poder estudar num país diferente. Descobrir um sítio novo, explorar, conhecer novas pessoas e conhecer um mundo diferente. O meu sonho era poder pagar as minhas contas sem ter de pedir dinheiro aos papás. Poder ir jantar fora ou ir sair com os amigos e não ter de pedir aqueles 20 euros ao senhor meu pai. Ter a minha liberdade, a minha independência, a minha vida.

Com 20 anos, não tenho certas coisas que os outros jovens de 20 anos têm, como por exemplo um carro e a carta de condução, uma vida académica super entusiasmante ou uma vida entusiasmante por si só. No entanto, tenho estabilidade suficiente para poder, finalmente, ir fazer uma das coisas que sempre quis fazer na minha vida:

Viajar. Tenho a possibilidade de, com o meu suor, esforço e trabalho, poder ir passar duas semanas de férias a um país que já há algum tempo quero visitar - a Coreia do Sul.

E tenho outras coisas muito boas também. Uns quantos amigos que considero família - again, shout out prós mates do flat 1 - tenho uma vida da qual me orgulho muito porque foi conseguida com muito esforço meu.

E isso, ninguém me tira. Um ano se passou e durante esse ano, não vou mentir...foram várias as vezes em que questionei a minha escolha e foram várias as vezes em que, de lágrimas nos olhos, procurei voos baratos só de ida para Portugal.

No entanto, cá estou. E cá ficarei, pelo menos mais dois anos, porque é aqui que devo estar neste momento da minha vida. Quem sabe o que o futuro me reserva - talvez daqui a dois anos quando acabar o curso vá parar a outro país qualquer. Quem sabe se não volto para casa durante uma temporada ou quem sabe se não permaneço aqui.

O certo e sabido é que nada que vale a pena na vida é fácil de se conseguir. E é por isso que passado um ano, ainda é difícil para mim; para nós que aqui estamos.

Mas também não deixa de ser divertido, uma experiência de vida que nem todos podem ter, não deixa de ser um motivo de orgulho.

Um ano que dava pano para muitas mangas...mas isso fica para quando eu publicar a minha autobiografia.

 

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