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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

18
Jul18

Mais e melhor


alex

Uma das coisas que prometi a mim mesma fazer este ano foi tentar mudar a minha forma de pensar e olhar para o mundo. Adoptar uma nova perspectiva e tentar trabalhar um dos meus maiores defeitos que é o ser negativa. Não sei de onde veio e como ou onde começou, mas desde que me lembro que sou uma pessoa muito negativa. Sempre a lamentar-me disto e daquilo, a queixar-me da vida que eu própria escolhi, a fazer-me de vítima como se todas as desgraças do mundo me acontecessem só a mim. Talvez porque sempre fui uma criança complexada, uma adolescente com muitos problemas mentais, inevitavelmente deixei-me consumir pelo negativismo. Costumava pensar que era algo que não conseguia mudar em mim, que não era defeito mas sim feitio. E claro que é algo muito difícil de se fazer. Uma pessoa quando está doente fisicamente, há várias coisas que pode fazer para melhorar o seu estado. Mas quando a doença é mental, a coisa é muito mais complicada. É preciso todo um percurso com muitos altos e muitos baixos e temos de estar preparados para haverem pessoas que queiram destruir ou atrasar o nosso progresso.

Até porque é normal as pessoas estranharem. De um momento para o outro, aos olhos delas, passei de Miss Negatividade para Miss Possitividade. Mas claro, as pessoas só vêm aquilo que querem ver. É como o teatro: o publico só vê o resultado final e julga todo um projecto que demorou imenso tempo a ser montado e trabalhado, baseado apenas no produto final. Houve muitos ensaios, muitas reuniões, muitas lágrimas e dores, muitas corridas pelos bastidores no dia de abertura para tentar que tudo estivesse a postos para a abertura da cortina. E é claro não podemos culpar o público por isso, pois eles vão ao teatro é para ver o produto final. No meu caso, se não conviveram comigo, diariamente, ao longo do último ano e meio, é muito difícil para a pessoa perceber como e o porquê da minha mudança, e a mesma aparenta repentina para essas pessoas.

A verdade é que não foi nada repentino e ainda é algo no qual estou a trabalhar e a aperfeiçoar. Como ser humano que sou, tenho os meus momentos de fraqueza. Vou-me abaixo e os pensamentos negativos assomem-me de repente. Às vezes fico assustada com o que vai dentro da minha própria cabeça. Mas é todo um processo, como já disse. E não é nada fácil, mudar a nossa forma de pensar, de mudar a nossa perspectiva. Não é fácil ser-se feliz e é isso que tenho aprendido nos últimos tempos. Que a felicidade não é algo que nos cai no colo. Todos nós perseguimos este conceito vazio de felicidade, no entanto, andamos sempre descontentes com tudo. Pelo menos eu era assim que andava. Quero ser feliz, quero ser feliz, contudo não fazia nada por isso. Queixava-me disto e daquilo, daquele e daquela, mandava o mundo às espigas e amaldiçoava quem me amaldiçoava a mim. E este ano tenho vindo a descobrir que não é fácil ser-se feliz, mas que é muito menos complicado do que aquilo que eu pensava. Basta começar com pequenas coisas como encarar as pequenas coisas da vida com um sorriso na cara em vez de um franzir de testa.

Por exemplo, acontece-me algumas vezes perder o autocarro para o trabalho de manhã. Ás vezes, estou a sair de casa, que fica a dois minutos da minha paragem, e vejo não um, mas dois autocarros a passar de seguida. Isso deixava-me completamente frustrada. Meu deus, amaldiçoava o mundo por ser tão cruel. Porquê eu? Agora, quando me acontece, encolho os ombros e penso: mais tempo para ouvir a minha música. 

Ou por exemplo, no outro dia, por acaso sexta-feira 13, estava a trabalhar até às 20h30 e por volta das 19h, ouve-se um estrondo enorme. Dois segundos depois vejo malta a correr para dentro do centro comercial toda encharcada. Estava a cair uma carga de água como já há muito não caia. Mas o calor e a humidade continuavam. Bom, a chuva não parou de cair durante mais de uma hora e quando chegou a hora de sairmos da loja, continuava a chover de uma maneira que eu juro nunca ter visto antes. Tínhamos apenas um chapéu de chuva pequenino, que partilhámos as duas até à paragem de autocarro. Depois, tivemos de decidir quem levava o chapéu para casa. Ora eu disse à minha colega para ela ficar com ele, visto que a minha casa é literalmente a dois minutos da paragem de autocarro onde eu saio. Ela protestou mas no fim, lá levou. A chuva abrandou bastante enquanto estávamos debaixo da paragem de autocarro e quando o mesmo chegou, dava sinais de parar por completo. Contudo, assim que me comecei a aproximar da minha paragem, a intensidade com que a chuva caia voltou a aumentar e eu, sem casaco, sem chapéu de chuva, de t-shirt e jeans, apanhei a maior molha da minha vida. Se isto tivesse sido à uns meses atrás? Meu deus! Tinha chegado a casa a chorar baba e ranho, a perguntar-me porquê eu, porque é que isto só me acontece a mim, agora vou ficar doente, e isto e aquilo e....ARGH! Só de descrever esta pessoa está-me a enervar! Cheguei a casa encharcada da cabeça aos pés. E ri-me. Desatei a rir-me porque qual é o objectivo de ficar chateada com coisas deste género? Para quê ficar irritada ou enervada? Foi inconveniente? Claro que sim, ninguém gosta de ficar encharcada ao ponto de poder apanhar uma pneumonia (penso eu). Mas em vez de ficar chateada com o Universo por me mandar esta carga de água logo quando eu tinha de vir para casa, olhei-me ao espelho e ri-me porque parecia um panda autêntico com rímel a escorrer-me pela cara abaixo. 

Comecei com pequenas coisas. Comecei por não me deixar convencer que o Universo me odeia e faz tudo para me lixar a vida. Tento ver o outro lado da moeda. Eu estava tão presa e fechada dentro de mim mesma que me recusava a ver o outro lado das coisas. Claro que ainda fico chateada e aborrecida se alguma coisa corre mal ou não de acordo com aquilo que tinha pensado ao início. Mas se é algo que não consigo controlar, depressa mudo o meu pensamento. Se é algo que foi o um erro da minha parte, não me martirizo como martirizava antes. Procuro aprender através desse erro e tento não repeti-lo. Quase tudo na vida é corrigível. Quase. Mas tentar mudar uma grande parte de nós não é nada fácil. Especialmente se estamos rodeados de pessoas que são negativas e que tentam destruir o progresso que já fizemos.

E para mim, esse tem sido o maior desafio. Continuar na minha, tentar ser uma pessoa melhor e mais positiva quando vivo rodeada de negativismo e pessoas que me questionam a toda a hora. Dizem-me vezes e vezes sem conta:

"Ai Alexandra, pareces o Buddha, até enervas."

"Mas estás feliz? Tens de estar nesta loja cinco dias por semana, oito horas por dia e estás feliz?"

"Porque é que estás tão sorridente? Ai dá-me o que andas a tomar porque também quero!"

Eu também me irritava as pessoas que pareciam andar sempre contentes e de bem com a vida. Pensava, caraças, como é que é possível? Têm montes de dinheiro, só pode. Não tem preocupações na vida, com certeza. Não têm dificuldades! Eu era essa pessoa, portanto eu até posso perceber de onde é que estas pessoas e os seus comentários estão a vir. Mas eu acho que comecei a perceber algo que estas pessoas ainda não perceberam.

A vida é muito mais fácil se não a levarmos tão a sério. A sério! E isto é muito cliché de se dizer, mas é a verdade. O peso que eu antes sentia nos meus ombros? Fui eu que o pus lá. O buraco onde me enfiei? Fui eu que o cavei. A felicidade que não conseguia sentir? Era eu que estava a dificultar a minha própria vida. Claro que não ando sempre feliz, ou a sorrir, ou com energia ou com vontade de fazer coisas. Mas ando a esforçar-me para ser uma pessoa melhor para mim própria. Ando a trabalhar para atenuar os meus demónios, uma vez que sei que nunca me vou conseguir ver livre deles por completo. Eu sou abençoada. Tenho problemas como todos os outros, mas sou abençoada. Tenho um trabalho que me permite ter uma vida semi-confortável, tenho uma família que me apoia incondicionalmente e tenho amigos do meu lado que me fazem sorrir. Não tenho um carro, ou dez mil libras na minha conta, não estou apaixonada por alguém ou numa relação amorosa, não tenho a minha família perto de mim e às vezes não tenho vontade de ir trabalhar. Eu ria-me quando me diziam isto mas caraças, é verdade... é tudo uma questão de perspectiva. E aos poucos eu vou mudando a minha.

Quero ser melhor, quero ser feliz. Mas aprendi que isso tudo começa em mim e acaba em mim. E como já disse, é difícil, muito difícil mesmo, especialmente quando tens pessoas que duvidam de ti diariamente e que são completamente o oposto daquilo que tu estás a tentar ser. Mas vale a pena. Porque a pessoa que sou hoje é muito mais feliz que a pessoa que eu era à um ano atrás, sem dúvida.

E espero que a pessoa que vou ser daqui a um ano seja ainda mais; melhor.

 

23
Set14

Ser feliz é uma escolha (?)


alex

Há quem diga que sim. Eu já acreditei mais que não é.

Há dois anos - ou talvez nem tanto, talvez à cerca de um ano e meio atrás - eu era a minha pior inimiga. A minha mente convenceu-me de que eu não merecia ser feliz - e por isso mesmo, não o era. Sorria, fazia palhaçadas e piadas e ria-me mas por detrás de uma máscara elaborada está sempre um coração partido, despedaçado. Eu era assim.

Olhando para trás vejo a bola de negativismo que eu era e peço desculpa a todos aqueles que na altura levavam comigo. É verdade que ainda hoje tenho os meus momentos - de dúvida, de incerteza, de negativismo. Mas depressa empurro esses sentimentos e pensamentos para fora da mente e os substituo por outros mais agradáveis e positivos.

A pessoa que mais me ajudou a tornar-me em alguém mais positivo, foi a minha grande amiga D. Ela ensinou-me que aquilo que nós damos ao Universo, recebemos de volta e há muita gente que não acredita nisto - mas eu cada vez mais tenho a certeza de que isto é verdade.

O meu antigo eu alimentava-se de dor, de pena, de lágrimas, de negativismo. Deixava-me enterrar por tudo isto e não fazia nada para me livrar de toda esta má energia - conformei-me e aceitei que se era assim, era porque tinha de ser.

Hoje já não sou bem assim. Hoje já não deixo que uma pequena coisa me deixe de mau humor durante o resto do dia, como acontecia antes. Por exemplo, se me esquecia do relógio ou do telemóvel ou algo parecido, deixava que isso me afectasse mais do que o devia e passava o dia a queixar-me. Se não estava satisfeita com alguma situação em particular, não procurava mudá-la ou pelo menos saber se havia algo que eu pudesse fazer para a mudar. Antigamente eu ia para as coisas a pensar que elas iam ser um desastre e que tudo me ia correr mal. Agora ainda tenho esses meus momentos, mas depressa encontro forma de me ver livre deles.

Dantes deixava-me afectar por coisas que hoje não me afectam de todo. Costumava olhar para o mundo e pensar que ele me odiava mas a verdade é que eu estava errada - era eu que odiava o mundo simplesmente porque estava cega demais para ver para além daquilo que tinha em frente a mim.

Comecei a abrir a pestana e a perceber que existe muito mais do que aquilo que o nosso olho capta à primeira. Há sempre uma maneira de dar volta a uma determinada situação. Há sempre escolhas que podemos fazer que vão determinar o quanto algo nos afectará.

Claro que há coisas inevitáveis e incontroláveis. No entanto, algo que conseguimos sempre controlar é a forma como reagíamos a elas. Escolhemos ficar sentados no sofá a ter pena de nós prórpios, zangados com tudo e todos, ou escolhemos pôr-nos de pé, olhar mais além e tentar descobrir uma forma de tornar uma situação má numa situação menos má ou até mesmo, numa boa situação?

Escolhemos ser infelizes ou felizes? Deixamos que uma molha nos estrague o humor ou fazemos um esforço para rir da situação e encarar a chuva como parte da vida? Deixamos que um mau dia de escola ou de trabalho defina o resto da nossa semana ou levantamos-nos no dia a seguir, com uma atitude nova e determinação, prontos para não deixar o dia de ontem se repetir hoje? 

Algo que a D. me ensinou e que vai ficar para a vida, foi a não assumir o pior logo à partida. Só eu sei a tendência que tenho para fazer isso...no entanto, porque devo eu fazê-lo se isso só me traz sofrimento antecipado, dor e mal-estar? Porque fazer isto a mim mesma - pôr-me debaixo de uma nuvem negra e esperar que um raio me atinja e acreditar que vou ser realmente atingida, quando posso muito bem pensar " Não vai atingir-me ".

E até pode atingir, mesmo que eu pense que não vai, mas e depois, vou ficar amuda e revoltada com a Vida? Ou vou respirar fundo e arranjar maneira de que o raio não me atinja outra vez?

Se consigo colocar, dentro da minha cabeça, pensamentos negativos, consigo também colocar pensamentos positivos.

É tudo uma questão de perspectiva, de vontade e de determinação. Se consigo pensar que amanhã não vou receber aquele telefonema que tanto quero receber, também consigo pensar que pode muito bem ser amanhã que o vou receber.

São escolhas. E somos nós que temos, nas nossas mãos, o poder de escolher ser um desgraçadinho ou o poder de ser alguém que, apesar de não viver num mundo cor-de-rosa, tem coisas que o fazem feliz, coisas que nem todos podem ter o luxo de deter. Alguém que caminha a sorrir porque quer sentir-se bem e quer, através do seu sorriso, fazer outros sentirem-se igualmente bem. Alguém que não desiste ao primeiro "Fraco"; alguém que não se deixa consumir por pensamentos negros, onde o negativismo reina.

Alguém que opta por fazer a sua própria felicidade em vez de ficar à espera que ela lhe caia do céu.

É uma luta, todos os dias, uma aprendizagem constante e continua. Não aprendi tudo o que há para aprender sobre isto e nunca vou deixar de aprender a ser alguém melhor, menos negativo e mais positivo. Mas se eu, que era a rainha do negativismo, cheguei onde estou hoje, todos nós conseguimos. E é claro que às vezes me vou abaixo e venho aqui escrever textos mais depressivos e tristes - mas isso é a Vida. No entanto, não me apego a esses sentimentos e não me alimento deles como fazia antes. Deixo-os entrar, sinto, descarrego-os seja aqui, no papel ou outra coisa qualquer e depois liberto-os - deixo-os ir e agarro-me antes àqueles pensamentos que todos os dias, hoje, são mais frequentes na minha vida.

Ser feliz pode não ser uma escolha para toda as pessoas, porque existem milhares de factores que afectam a nossa Vida - no entanto, somos nós que escolhemos se queremos ser felizes ou não e somos nós que temos o poder de dar oportunidade a nós mesmos de o sermos.

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