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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

13
Abr14

Às vezes tenho inveja (e saudades)

alex

Às vezes tenho inveja. Olho para a criança que ajudo a criar e tenho inveja. Vejo nela a ingenuidade que por vezes desejava poder ter novamente. Vejo nela a liberdade que ela ainda tem e que eu desejava voltar a ter. Vejo nela a despreocupação que eu desejava conseguir ter. Vejo nela a criança que antes fui e que por vezes, só às vezes, quero voltar a ser.

Quando somos crianças o mundo é cor-de-rosa. Não temos preocupações e as obrigações que temos contam-se pelos dedos de uma mão. Quando somos crianças não batalhamos com inseguranças. Nem sequer sabemos o que isso é. Quando somos crianças chegamos a casa e ligamos a televisão no Disney Channel para ver as nossas séries favoritas. É-nos servido o jantar todos os dias. É-nos lavada a roupa, o quarto é arrumado por outro que não nós, os trabalhos de casa são contas de somar, dividir, multiplicar, cópias, pintar desenhos. 

As nossas conversas entre amigos são sobre a Violeta, a Sailor Moon, os Morangos com Açúcar, as Witch. Brincamos à apanhada, aos pais e às mães, ao polícia e ao ladrão, saltamos à corda e ao elástico. 

Num dia de chuva, num dia cinzento, somos capazes de sorrir à mesma, com vontade. Saltamos nas poças de água e sujamos as calças de ganga acabadas de comprar.

Num dia de calor, de luminosidade, andamos a apanhar flores no jardim que envolve a escola, corremos e suamos e não nos importamos em ficar a cheirar a suor, não nos importamos com nada.

Quando somos crianças não sabemos o quão cruel o mundo em que vivemos pode ser. Não sabemos o quanto as pessoas que habitam nele nos podem desiludir, ou apunhalar pelas costas, ou partir-nos o coração. Quando somos crianças não existe aquela preocupação em agradar a A, a B ou a C, em vestir isto ou aquilo, em controlar o que comemos para não engordar ou em escondermos quem somos realmente.

Quando somos crianças somos livres. Verdadeiramente livres.

Não podemos sair à noite com os amigos. Não podemos namorar a sério. Não podemos viajar sozinhos e explorar o mundo. Não podemos fazer uma série de coisas.

Mas somos livres. Porque não sabemos o que é isso de ser livre. Somo-lo sem o sabermos.

Às vezes a minha irmã olha para mim e diz-me: "Fogo, quem me dera ser crescida como tu!"

E eu respondo-lhe: "Fogo, quem me dera voltar a ser criança como tu!"

Digo-lhe para não ter pressa em crescer. Para aproveitar enquanto pode. Porque depois de ela ficar crescida, vai perder muita coisa. É verdade que também vai ganhar muitas outras, mas o que vai perder .... Nunca mais vai poder recuperar.

A ingenuidade de ser criança é a maior liberdade que um ser humano pode ter.

E às vezes, só às vezes, tenho inveja. Fico triste por já não a ter e por a mesma me ter sido tirada tão cedo. Por isso mesmo, farei de tudo para que a criança que ajudo a educar, a criar, não perca aquilo que é seu por direito antes do tempo.

Ser crescida é bom. Mas às vezes penso em como ser criança... é melhor.

11
Abr14

Ups... i won't do it again (i hope)

alex

Por momentos, perco-me. Perco-me por entre memórias, pensamentos, acções do passado, acções às quais hoje chamo de lições.

Perco-me e penso. Penso em como nos podemos perder tão facilmente e tornar-nos em algo que não somos. Penso e fico admirada em como eu o fiz. Perdi-me, tão facilmente...

Hoje digo aos outros, e a mim mesma, que essas fases já passaram. Mas por vezes ainda dou por mim a ser assombrada pelos fantasmas de antes. Aqueles que me sussurram ao ouvido, bem baixinho de forma a que só eu possa ouvir, dizendo que eu ainda sou a pessoa que era há um ano e meio atrás. Uma rapariga perdida, obcecada com coisas superficiais, que construía a sua vida à volta dessas obsessões, que se deixava limitar por elas. Uma rapariga fraca, de mente e de espírito, tentando convencer-se de que nada do que fazia estava errado ou era fora do normal. Uma rapariga que carregava um fardo maior do que aquele que conseguia suportar aos ombros, e que por isso, fez as escolhas erradas.

Perdida. Atormentada por si mesma, sem na altura o saber.

Eu era o meu pior inimigo. Hoje, por vezes, ainda o consigo ser. Mas já estou melhor. Bem melhor. Mas por vezes perco-me, ao pensar na altura em que me perdi.

Hoje sei que não consigo voltar a ser a rapariga que antes fui. No entanto, o medo está cá, sempre.

Um passo em falso e quem sabe se não voltarei a cair no abismo do qual tanto me custou a sair?

Por momentos...tenho medo de me perder. Outra vez.

23
Fev14

Período de aceitação

alex

Não posso; recuso-me a ficar presa a um passado onde fiz coisas das quais ainda hoje me envergonho.

Não posso; recuso-me a ficar parada neste presente em que vivo, sem saber que caminho escolher.

Não posso; recuso-me a ter medo do futuro que nos é desconhecido.

Não posso; recuso-me.

Assim não. Não posso deixar-me consumir pelo medo. A Vida acontece, coisas acontecem. Não porque alguém nos rogou uma praga, não porque o Universo está a tentar dar-nos uma lição, não porque somos odiados pelo Mundo. Acontecem.

E temos de saber viver com elas. Aconteceu, estou aqui, estou bem, podia ter sido pior, o que interessa é que não foi. Não vou passar noites em branco a pensar no passado, horas a fio a odiar o meu presente e dias seguidos a temer o meu futuro.

O que tiver de ser será. Estou, lentamente, a começar a aceitar isso.

Acho que quanto mais depressa o aceitar, mais depressa irei encontrar aquilo que procuro.

15
Fev14

Looking Back

alex

Hoje deu-me na cabeça. Fui ler alguns posts que escrevi neste blog há já quase 2 anos... Eu gosto de fazer isto porque é assim que mostro a mim mesma, o quanto mudei. Ás vezes preciso de ler o que a pessoa que fui escrevia. Só para me certificar de que ela existiu realmente e que essa pessoa não fazia as escolhas mais acertadas. Às vezes é bom vermos com os nossos próprios olhos o quanto crescemos. Porque nós podemos sempre puxar pela cabeça e tentar lembrar a altura em que éramos assim e assado e fazíamos isto ou aquilo, e batemos com a mão na testa ao mesmo tempo que dizemos: "Como é que eu era assim???"

Mas eu preciso mais do que memórias para saber, dentro de mim, que a rapariga que fui existiu. Preciso, de vez em quando, de algo que me diga a alto e bom som: "Nunca mais faças isto, nunca mais te tornes nesta pessoa. Não recues, avança ou deixa-te estar como estás e espera pela tua oportunidade de avançar. Mas nunca recues. Não voltes ao que eras."

Perdi muito nestes últimos quase dois anos... Pessoas, cabelo, paciência, oportunidades, a minha integridade. Perdi muita coisa. Mas ganhei tantas outras e tão, mas tão melhores, que as perdas que tive já não as encaro mais como perdas mas sim como lições.

Lições de vida que hoje agradeço por ter tido. Porque se perdi a pessoa que era e ganhei a pessoa que sou hoje, foi tudo graças aos erros que cometi, aos caminhos estreitos que percorri, às pedras que atirei e aquelas com que levei.

Ás vezes preciso de um incentivo. Algo que me diga "Não, mantém-te neste caminho." Porque apesar de não o ser o caminho mais estável, com o chão mais liso e perfeito que existe, eu sei com todo o meu coração que o caminho que percorro hoje é o mais acertado. Sei também que quem o percorre comigo não me puxa na direcção oposta, tentando atrasar-me, como acontecia há um ano e meio. Mantém-se do meu lado, sustêm-me quando estou prestes a cair. Não me puxam para trás, pelo contrário, por vezes quando necessito, dão-me um empurrão para eu ir em frente. 

Ás vezes preciso de ver com os meus olhos e não com a minha memória, que muitas vezes me engana, o quanto a minha vida mudou; o quanto eu mudei e como sou sortuda por ter conseguido mudar. 

Há pessoas, desses meus tempos, que continuam no mesmo caminho que eu percorria com elas. Isso deixa-me triste. Mas a vida é delas, a escolha é delas. Eu fiz a minha e não podia estar mais feliz com o que esta me trouxe. Trouxe-me coisas boas e más, como tudo na vida. Mas certamente que o que me trouxe de bom é cem vezes melhor do que aquilo que me trouxe de mau. 

Há quem não tenha a minha sorte. 

08
Jan14

Coisas do passado

alex

É sempre difícil esquecer o passado. Principalmente quando foi um passado longo, que se estendeu durante muitos presentes e que ainda hoje se faz sentir. É difícil não olhar para trás e sentir saudade de algo que em tempos nos proporcionou tanta alegria, tantos bons momentos, mesmo que fosse tudo uma ilusão do nosso presente, na altura. 

É sempre complicado esquecer alguém que nos marcou de forma tão vinculada, quer tenha sido pela positiva ou pela negativa. É complicado e difícil.

Mas eu fi-lo. Hoje ao olhar para trás não sinto saudade. Hoje ao olhar para o meu passado, nosso, sei que era tudo uma grande fachada; um circo. Onde eu era a palhaça de serviço e tu quem domava os leões. Era sempre eu abaixo de ti. 

Há passados que esquecemos num abrir e fechar de olhos, como por exemplo o que comi ao jantar há três dias atrás.

Há outros que demoram mais tempo. Arrastam-se e vagueiam pelo nosso presente, como fantasmas que de noite se revelam para nos assombrar.

E depois há outros, como tu, como nós, que não passam disso mesmo: de um passado. Vejo-te ainda no meu presente. Mas vejo-te fora dele e isso dá-me uma satisfação que tu nem fazes ideia.

Mas por respeito ao nosso passado, quer ele tenha sido verdadeiro ou não, hoje neste dia especial para ti, dei-te os parabéns.

Porque podes fazer parte do passado e estar hoje fora do meu presente, mas se há coisa que nunca farei foi o que já tantos me fizeram a mim. Ignorar alguém que um dia, num passado que nunca será presente ou futuro, significou o que tu significaste para mim. Mesmo que nunca tenha sido uma amizade equilibrada, na altura, era a única definição de amizade que existia no meu dicionário.

Ainda bem que hoje esse meu dicionário abrange mais e melhor.

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