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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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25
Jul14

Momentos eternos

alex

"-Já alguma vez desejas-te que o tempo parasse? Só durante um bocado? Num momento específico? - Deixei de contemplar o céu estrelado para olhar para ele.

-Não. - Ele responde simplesmente, sem nunca olhar para mim.

-Não? Porquê?

-Qual é o objectivo disso? - Sorrio e dou-lhe um empurrão no ombro. Finalmente, ele olha para mim.

-Então...preservar um momento. Ou fazê-lo durar mais tempo. Eternizá-lo.

-Nada é eterno.

-Eu sei.

-Então se sabes... - Ele não termina a frase, porque eu viro-me para ele e fulmino-o com o olhar.

-Não é isso! Nunca desejas-te prolongar um momento em que te tenhas sentido...feliz? Verdadeiramente feliz? Onde tenhas sentido que tudo estava perfeito? Não existia fome, guerra, doenças, dívidas, problemas familiares... Naquele momento em que sentias infinito? Intocável? Cheio de paz e amor dentro de ti? Nunca quiseste parar esse momento para te poderes sentir assim...para sempre?

-Para sempre? Isso é muito tempo. Provavelmente acabava por me cansar. - O seu sorriso matreiro ilumina-lhe o rosto e os nervos afloram-se-me à pele.

-És impossível! - Volto a virar-me de frente para o rio, os braços cruzados sobre o peito e um beicinho que faria inveja a qualquer criança de cinco anos. Ele solta uma gargalhada e isso só serve para me enervar ainda mais. 

-És tão parvinha! - Ele coloca o braço sob os meus ombros e puxa-me para si. Eu faço força contra o seu peito, numa tentativa vã de o afastar, mas como ele é mais forte e mais teimoso do que eu, falho redondamente e acabo por me deixar ficar envolvida pelo seu meio abraço.

-O que eu quis dizer foi... Se vivermos sempre no mesmo momento; se sentirmos para sempre os mesmos sentimentos... a Vida deixa de fazer sentido. A Vida é para ser repleta de momentos felizes e tristes; bons e maus; momentos banais e momentos marcantes; repleta de constante mudança, e é natural haverem momentos menos felizes, menos bons; momentos que não queres eternizar - e precisamos deles, como seres humanos, para aprender, para crescer, para construirmos uma base sólida e termos força para o que ainda está para vir. Mas se pudéssemos realmente parar o tempo nesses tais bons momentos e viver neles para sempre... Nunca teríamos a oportunidade de descobrir se existem outros melhores.

-E se não houver melhor?

-Há sempre mais e há sempre melhor, desde que estejas disposta a descobrir. Às vezes pensamos que nenhum momento pode superar o outro. Mas olha, queres saber um segredo? - Ele faz uma pausa no seu discurso e eu vejo-me obrigada a responder-lhe e abano a cabeça para cima e para baixo.

-Cada momento que eu passo contigo é melhor que o anterior. - Um sorriso muito matreiro surge nos seus lábios quando me vê torcer o nariz.

-Blhac!!! Que grande lamechice! - Ele solta uma outra gargalhada.

-Tu é que és impossível! - Diz com o riso ainda presente na voz.

-Por isso é que estamos bem um para o outro. - Corre uma leve brisa nocturna e eu aconchego-me mais nele, enterrando a cabeça no seu peito.

-Somos os dois impossíveis.

-E por isso é que esta relação é possível.

Sinto o toque dos seus lábios no topo da minha cabeça e um sorriso cresce-me nos lábios."

Queremos sempre eternizar os momentos em que nos sentimos plenamente felizes, porque vivemos em constante receio; medo de não virmos a sentir o mesmo outra vez.

Mas esquecemo-nos de que a vida é feita de momentos . E porque a Vida é feita deles, vai sempre haver mais depois daquele que queremos eternizar. E há-de ser melhor e há-de ser pior.

Mas isso é o que faz da Vida, a Vida.

No entanto, se guardarmos cada momento bom dentro de nós, eles serão sempre eternos, até nós o deixarmos de ser.

Não é preciso parar o tempo.

É preciso saber aproveitá-lo.

02
Abr14

Amor eterno

alex

Sou quem sou e como sou hoje, devido a umas quantas pessoas. Não teria conseguido ser assim se não fossem elas. As minhas bases, os meus portos de abrigo. Um deles, e talvez o maior, é a minha avó paterna. E hoje quero escrever um pouco sobre ela (e para ela, apesar de ela não ler o blog).

A minha avó é o ser mais fantástico que existe à face da terra. E eu sei que muitos de vós devem achar o mesmo das vossas (ou não). Mas eu digo isto sabendo que, no meu mundo, ela é de facto o ser mais fantástico que existe. Criou-me, e gosto de acreditar que fez de mim a pequena mulher que sou hoje. Sou e serei sempre a sua carochinha, tal como o era para o marido dela, meu avô. Vou ser sempre aquela menina a quem ela contava a história do capuchinho vermelho uma e outra vez, sem se cansar, até eu adormecer. Vou ser sempre a menina sossegada, calma, introvertida que ela viu crescer, apesar de hoje ser tudo menos isso. Vou ser sempre a primeira neta dela. Vou ser sempre como uma filha. E ela há-de ser sempre aquela avó que me contava histórias para eu adormecer, que me ensinou a fazer renda, que me ajudava com os trabalhos de casa, que me dava leite Ucal e torradas de pão bimbo para comer ao pequeno-almoço, que me levava às compras à mercearia do Sr. João, que se chateava com o neto mais velho porque ele era uma peste e era mau como as cobras para mim.

Vai ser sempre a avó que me dava batatas para eu brincar às casas com o meu primo. Enquanto eu fazia o jantar, ele estava a trabalhar na oficina, e a minha avó andava pelo terraço a regar os seus imensos vasos de flores e a estender a roupa. Vai ser sempre avó para quem eu corria quando algo não estava bem. Vai ser sempre aquela pessoa que, no dia em que tive o meu primeiro ataque de ansiedade, estava lá e cuidou de mim. Vai ser sempre a minha confidente, a minha amiga, a minha outra mãe.

A minha avó vai ser sempre a minha força, a minha inspiração. Vai ser sempre aquela mulher que venceu o cancro da mama. Duas vezes. Vai ser sempre a mulher a quem eu limpei as lágrimas de mágoa que chorou (e chora) pelo seu falecido marido. Vai ser sempre a pessoa mais especial da minha vida e que eu vou amar, mesmo depois de a minha existência cessar.

Eu acredito no amor eterno. A minha avó é o meu amor eterno. Faria qualquer coisa por ela. Mal posso esperar pela semana que vem para poder finalmente vê-la, passadas várias semanas desde a última vez que a vi, e poder abraçá-la, rir com as histórias mirabolantes dela e das vizinhas, ver filmes antigos com ela, eu sentada no sofá grande e ela na sua poltrona, as duas enroladas numa manta e a bebericar um chá. 

Esta mulher, que é isto e muito mais, dá-me vida. Dá-me força, dá-me alento, dá-me amor. Dá significado à palavra ser humano, porque ela é o mais bonito ser humano que eu conheço.

A minha avó paterna é o meu amor eterno. E esse ninguém me o pode tirar.

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