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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

16
Mar15

Quem cala

alex

Acho que tanto quanto as palavras, também o silêncio pode magoar. Por vezes até mais.

Porque podemos dizer coisas que não sentimos; podemos dizer coisas que ferem o coração e o ego dos outros; podemos dizer a maior barbaridade do planeta. Com as palavras temos este poder enorme de magoar os que nos rodeiam.

Mas penso que nos esquecemos de que o silêncio - cortante, gélido - consegue magoar tanto ou mais. No silêncio há espaço para pensar, para duvidarmos de nós mesmos, dos outros, para questionarmos o porquê de tal silêncio. No silêncio há espaço para desprezar - tanto quem cala como quem consente - há espaço para ficar a matutar naquilo que não foi dito.

Eu sou daquelas pessoas que sofreu muito às palavras dos outros quando era mais nova. Também às acções, mas creio que as palavras marcaram mais. Como tal, ao crescer, aprendi a usar as palavras como a minha armadura. Porque vivi alguns anos calada, as palavras dos outros a desferirem golpe atrás de golpe na criança que não pude ser.

Nestes últimos anos já falei muito eu própria. Já disse coisas que não devia - as minhas palavras já magoaram.

Agora, acho que estou na fase do silêncio outra vez. Engulo em seco, limpo as lágrimas antes de me virar na cama e respirar fundo.

Digo para comigo que calada é que estou bem.

Também já há poucos - talvez até mesmo ninguém - dispostos a ouvir.

06
Fev15

It's a choice

alex

"They found this guy in Maine who had been living completely alone in the woods for thirty years. They called him "The Last True Hermit".

Thirty years without the warmth of human touch, without conversation. The Hermit felt more lonely when he was out in the world then he ever felt in the woods by himself.

Surrounded by people but drowning in solitude. That kind of loneliness can swallow you hole.

That last true Hermit was found and dragged out of hiding and into the world. Most might find his existence sad but the Hermit knew something we didn't. He knew when it come down to it, even when you're with someone, or in a noisy rush of people, it's just you.

The one you can count on and lean on and depend on. It has to be you.

And once you figure that out, that's when being alone becomes a choice." - Grey's Anatomy, season 11, episode 10

 

Hoje faço das palavras de outrém, as minhas - porque estou com uma dor de cabeça que parece que a mesma vai explodir e espalhar os bocados do meu cérebro pelas paredes do meu quarto; porque estou cansada e amanhã tenho dez horas de trabalho pela frente; porque este último episódio da Anatomia de Grey tocou exactamente no ponto.

(P.S: peço desculpa aos que não são capazes de ler e compreender inglês na sua perfeição)

24
Jan15

As (minhas) palavras tóxicas

alex

-Fala! Diz alguma coisa, pelo amor de Deus!

Permaneci calada, os olhos vidrados nas minhas botas gastas pelo uso. Sinto o olhar dele a cravar-se no meu crânio como se tentasse, de alguma forma, ler-me os pensamentos.

-Não vais dizer nada?

Abanei a cabeça em reposta. Já disse tudo o que tinha para dizer.

E mesmo que houvesse ainda algo atravessado na garganta, engolia as palavras e obrigava-me a permanecer no silêncio. Quando se diz a coisa errada, não há como voltar atrás. Não é como quando nos enganamos na rua e podemos sempre fazer marcha atrás com o carro e ir em busca da certa.

O que é dito fica escrito nas mentes e corações daqueles cujas nossas palavras magoam mais do que outra coisa qualquer - porque no fundo, as palavras só magoam quando proferidas pela pessoa que mais poder tem para nos infligir tamanha dor.

-Sabes uma coisa? Ás vezes o teu silêncio é pior que todas as tuas palavras juntas, ditas aos gritos e aos pontapés.

Fiz-me olhá-lo nos olhos, a custo. O meu coração sofre com tal ousadia.

Não é não. Acredita. Porque se calo e consinto é porque as palavras que poderiam jorrar de mim, iriam provavelmente destruir tudo.

As minhas palavras são tóxicas.

O silêncio é a minha única defesa - e por conseguinte, a tua também.

As palavras ecoam na minha mente mas os meus lábios não se movem para as reproduzir. Viro-lhe costas sem olhar para trás, dizendo a mim mesma mais do que uma vez que esta é a coisa certa a fazer.

As minhas palavras são tóxicas - se para alguém mais do que ninguém, esse alguém sou eu.

Porque o silêncio que dou aos outros, não o posso providenciar a mim mesma. As palavras ressoam na minha mente, sem terem por onde escapar e, aos poucos, corroem-me.

No entanto, se tiver de corroer alguém com as minhas palavras, que seja a mim mesma.

12
Mai14

Liberdade de expressão

alex

A liberdade de expressão é de facto um bem adquirido. Algo pelo qual se lutou durante muito e muito tempo para se ter. Algo que hoje usamos sem sequer pensar nisso, sem pensar que, apesar de ser algo que nos traz muitas vantagens e coisas boas, também traz o contrário.

O problema com a quantidade de liberdade que temos hoje, é que podemos utilizá-la de forma errada. É dado adquirido e conhecido de toda a gente que, hoje em dia, com as redes sociais, os meios de comunicação e etc, a liberdade de nos exprimir-mos é bem maior e, por vezes, desmesurada.

Por exemplo, o que se faz aqui neste blog e o que estou a fazer agora, é uma forma de liberdade de expressão. É aqui que me expresso, livremente, acerca dos mais variados assuntos. E ainda bem que o posso fazer.

Agora, há que saber utilizar este tesouro que nos foi concedido da forma correcta. Só porque hoje temos uma certa liberdade em dizer aquilo que pensamos/achamos, não significa que o devemos fazer de forma a magoar as outras pessoas. Até porque, e caso ainda hajam pessoas que não tenham reparado, o poder que a palavra tem tanto pode ser bom como mau. É bom que tenhamos esta capacidade esplêndida de comunicar uns com os outros, hoje com mais facilidade até como já disse em cima, pois a comunicação é essencial na nossa sociedade. Somos aquele tipo de espécie que necessita, a toda a hora, de se expressar, seja de que forma for. Para a maioria, essa forma é através da palavra.

No entanto, e como diz a cantora Sara Bareilles numa das suas músicas: "Nothing is going to hurt you the way that words do". Ou seja, "Nada te vai magoar tanto como as palavras magoam" e eu juro por isto.

Se pensarmos no assunto, é incrível o poder imenso que as palavras têm sobre nós. E por sabermos isso, às vezes, usamos a nossa liberdade de expressão da forma errada e usamos o poder da palavra para infligir dor a outros. Se calhar até o fazemos sem a intenção de, no entanto, como seres racionais que somos, temos de ter a noção daquilo que dizemos, de como o dizemos, a quem o dizemos e em que circunstâncias o estamos a dizer.

Ás vezes, até nem é só aquilo que se diz, mas sim a forma como se diz e em que circunstância estamos a dizê-lo. Há que ter a consciência de que, há coisas que se devem dizer em privado, outras em público e outras que não se devem dizer de todo porque são simplesmente maldosas.

E na nossa sociedade, cada vez mais, as pessoas não têm noção disto. Como têm a tão boa liberdade de expressão, como é algo que já sabem que têm sem sequer terem de pensar nisso, esquecem-se de que liberdade de expressão não é sinónimo de dar a nossa opinião de forma inconveniente ou de forma a magoar a pessoa que nos ouve.

Isto tudo só para dizer que hoje, umas simples palavras dirigidas à minha pessoa, me lixou logo o dia todo. E eu não sou pessoa de deixar que certos actos de liberdade de expressão me afectem. Mas a forma como me foi dito o que foi dito, rodeada por outras pessoas que nada têm a haver com o que se passa, deixou-me em baixo. Uma pessoa sente-se humilhada e triste. Porque afinal de contas, somos livres de dizer o que pensamos. Mas há que ter um filtro minha gente.

E há pessoas que não o têm. Vomitam palavras sem sequer pensar no poder que essas palavras têm e exercem sobre a pessoa a quem as dirigem. Por isso digo: a liberdade de expressão é muito bonita, se usada correctamente. Se não, é apenas mais uma arma que gostamos muito de usar uns contra os outros. E acho que dessas, no mundo, já temos em demasia não?

29
Mar14

Tu és...

alex

Uma vez disse-te que não sou boa com palavras. Riste-te. Mas eu não. Não te menti, não estava a brincar, não estava a dizer nenhuma piada. 

Eu não sou boa com palavras. Pelos menos não a dizê-las. A escrevê-las... é diferente. Dizer e escrever são duas coisas que, para mim, são completamente diferentes. Não sou boa a dizer como me sinto. O que penso, o que sinto...são tudo coisas que não consigo pôr em palavras ou frases com sentido. A escrita é a minha língua, e por isso escrevo tanto. Também falo muito, mas raramente sobre os meus sentimentos, problemas ou pensamentos mais profundos.

Escrever é a minha forma de dizer tudo o que tenha para dizer, mesmo que a pessoa a quem dirijo as minhas palavras não as veja. E por isso te escrevo hoje, mais uma vez.

Sinto que não te disse tudo o que devia ter dito. Talvez tenha sido por isso que arranjas-te quem o fizesse. A verdade é que ainda hoje, quando pouso a cabeça na almofada, me questiono vezes sem conta: "Onde foi que eu errei?". Recentemente encontrei resposta para a minha questão. Onde erro sempre. Na falta de jeito para dizer às pessoas o que elas significam para mim.

Tu és a pessoa que me conhece há tanto tempo quanto os meus pais. És a pessoa que sempre me fez corar, só de surgires nos meus pensamentos. És a pessoa que faz o meu coração doer, tanto de te amar como de te tentar odiar. És a pessoa com quem eu cantava músicas do Tony Carreira a plenos pulmões, com os vidros do carro descidos e o vento a sacudir-me os cabelos.

És a única pessoa que via filmes de terror comigo, apenas porque são os meus favoritos, mesmo que tu os odeies. És a pessoa com quem eu tinha discussões sobre com quem é que a Elena devia ficar, se com o Stefan ou com o Damon (Team Damon claro!). És a pessoa a quem eu dava na cabeça porque, ao contrário de mim, odeias ler tudo o que não seja A Bola ou o Correio da Manhã. És a pessoa para quem eu fiz, inúmeras vezes, pipocas salgadas embora eu só goste das doces. És a pessoa que me ofereceu uma das prendas mais bonitas que tenho aqui em casa. És a pessoa que, com um simples olhar, sabias o que eu estava a pensar. Com um simples toque, fazias todo o mal desaparecer.

És a pessoa que me ouvia, que me aconselhava, que me suportava, que me deixava ser Eu, com toda a essência da palavra, que me entendia mesmo sem eu ter de dizer nada. És a pessoa que eu sempre sonhei ter ao meu lado.

Fazias-me rir, fazes-me chorar, deste-me a conhecer um mundo que eu desconhecia. E o pior disto tudo é que nunca vais desaparecer da minha vida.

Vais continuar aqui. Vamos continuar a ir aos mesmos jantares de aniversário, vamos continuar a ir aos mesmos longos almoços quando o Benfica ou a Selecção jogarem, vamos continuar a ir à praia juntos, vou continuar a ajudar a tua irmã com o Inglês, vou continuar a ser como uma irmã para ela, vou, acima de tudo, continuar aqui, a amar-te eternamente, porque tu és A Pessoa.

És a minha Pessoa. E isso nunca vai mudar.

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