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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

14
Set15

Uma de muitas

alex

São várias as razões pelas quais eu vim para Londres estudar e trabalhar e, basicamente, fazer a minha vida.

Uma delas é o aliviar um pouco os meus pais no que toca ao dinheiro. Ao vir para aqui estudar, os meus pais não têm de dar um mortal atrás e duas cambalhotas à frente para me pagaram as propinas. Aqui há o student's loan que no final do curso será pago por mim - ou não, depende do trabalho que eu arranjar - enquanto que em Portugal eu não teria essa oportunidade.

Estando aqui, a ganhar o meu dinheiro, ninguém me compra a comida, o papel higiénico, o champô e amaciador, o gel de banho e todas essas coisas que, quando vivemos debaixo do tecto dos nossos pais, damos como um bem adquirido (entre muitas outras coisas).

Em Portugal, se eu me apetecesse salsichas grelhadas para o jantar, telefonava ao meu pai e pedia-lhe com muito jeitinho que passasse no Continente, antes de vir para casa do trabalho, e que trouxesse uma caixa de salsichas frescas. Ou se já não tivesse do meu pão rústico do Lidl, o processo era o mesmo. Por muito que me dissessem: "O que se compra para três, compra-se para quatro", eu sabia (e sei) que não é bem assim. Estando aqui, eles já não têm de gastar dinheiro em certas coisas que gastariam tivesse eu ficado em Portugal. 

Os meus pais estão fartos de me pedir o NIB da minha conta de cá. E eu estou farta de lhes dizer que só lhes dou o NIB quando estiver pele e osso. Porque se uma das razões pelas quais eu vim para cá foi para eles poderem desapertar um bocadinho o cinto, não lhes vou dar oportunidade de ficarem com ele tão apertado que não iam conseguir respirar.

Pedir dinheiro para mim, seja a quem for, é das coisas que mais me custa fazer nesta vida. Não tenho personalidade para que me paguem coisas, seja refeições, saídas ou outras coisas que tais. Não me considero uma pessoa orgulhosa, a não ser neste aspecto.

Porque só eu sei o quanto os meus pais lutam para conseguirem dar à sua família o básico da vida, que passa pela comida, pela casa, pelas coisas de higiene, e outras coisas.

É certo que eu sempre quis vir estudar para fora e que Londres sempre foi a cidade que eu elegia para fazer tal, mas a verdade é que o dinheiro também pesou na minha decisão em vir para cá.

E um dia, quando eu já estiver numa posição em que receba o suficiente para ter a minha vida estável por aqui e ainda me sobrar uns tostões, sou eu que vou pedir o NIB dos meus pais e dar-lhes aquilo que é deles por direito. Porque toda a minha vida eles me deram tudo, mesmo quando não tinham nada.

E vai chegar o dia em que eu vou retribuir com orgulho no peito e um sorriso largo nos lábios.

22
Abr15

O meu certo

alex

Desviando-me um bocado do pessimismo que tem andando a pairar por aqui (e pela minha vida no geral), quero apenas dizer que eu sei que não sou nenhuma desgraçadinha. Eu sei que existem pessoas em situações bem piores. Eu uso esse pensamento muitas vezes para sair da cama todos os dias. Acho que não o dizemos o suficiente, seja por escrito, em voz alta a nós mesmos ou a outros - eu sei que sou sortuda.

Tenho uma casa, uma família que me apoia, duas ou três pessoas a quem posso chamar de amigos, um pequeno part-time que me tem permitido pagar o processo de candidatura à faculdade num país que não o meu, comida, roupa, etc.

Eu sou grata pelo que tenho, não me interpretem mal. Mas ser grata pelo que se tem não significa que não se possa desejar por mais. Ansiar por mais. Desesperar por mais.

Um dos meus grandes defeitos é esse - querer sempre mais e sei que é algo com que muita gente se consegue relacionar. Mais é basicamente uma das palavras de ordem no nosso planeta. Querer mais também não significa ser ganancioso. Não significa não olhar a meios para atingir fins. Não significa passar por cima deste ou daquele para alcançar o degrau seguinte.

Querer mais, na minha opinião, não demonstra a minha ingratidão para com o que já tenho - demonstra a minha garra em querer ter algo que complete o tanto que já tenho. Porque podemos andar aqui às voltas, pôr floreados nas nossas palavras e falar de manso, mas a verdade é que há sempre um pedaço que nos falta, a certo ponto das nossas vidas.

De momento, a mim, falta-me um enorme e sim, por vezes vou abaixo e vejo-me caída naquela poça de negativismo que dantes era um mar que me afogava. Mas há que ler as entrelinhas - eu estou bem, no fundo, eu estou bem.

Posso não sorrir todos os dias, posso estar cansada vinte e quatro horas por dia, posso bufar cem vezes por minuto, posso queixar-me e chorar, posso gritar de frustração - mas ao final do dia, tenho uma almofada onde deitar a cabeça e adormeço aliviada por assim ser.

Eu sei. Não pensem que eu não sei que sou uma das sortudas e não o contrário. Mas isso não invalida o facto de eu ter esta fome insaciável por mais.

Querer mais não é errado - é apenas o meu certo.

19
Abr15

Doida

alex

Este fim-de-semana soube-me a pouco. Tive um sábado atribulado, a trabalhar de manhã, almoçar com a avó que fez anos e a família de tarde, andar de transportes para lá e para cá porque não temos carro, carregada e deserta para chegar a casa e cair na cama. Hoje não fiz nada - li, vi séries, comi e quase não me levantei da cama.

A vontade de o fazer por vezes é muito pouca, a cada dia, cada vez mais. 

Ás vezes pergunto-me porque é que sou tão teimosa, tão casmurra. Porque é que gosto de complicar o que já é complicado por si só, porque é que pareço enveredar sempre pelo caminho mais longo e difícil.

Pergunto-me porque é que não posso ser mais como eles - não ter tanta sede de tanto e ser feliz com menos. Porque é que não posso ter o mesmo passe livre que os outros - porque é que tenho de andar aqui às voltas, aos murros e pontapés ao ar, a perseguir a minha própria sombra como se fosse um cãozinho a correr atrás da sua própria cauda.

Porque é que quero voar tão alto quando há tantos que são felizes a voar baixo ou simplesmente a planar. Porque é que eu gosto de me pôr nestas situações em que passo mais dias a chorar do que a sorrir, na esperança desesperada de chegar onde quero.

Porque é que sou teimosa ao ponto de não desistir mesmo quando quero desistir. Porque é que bato com a cabeça todos os dias, magoando-me e mesmo assim, me levanto no dia seguinte só para bater com a cabeça mais um pouco.

Porquê?

Sou doida. É a única resposta que encontro. Sou completamente doida. 

E nesta doidice, ainda acredito que vou conseguir. O tempo está a correr à minha frente, a olhar por cima do ombro e a deitar-me a língua de fora. E eu sorrio-lhe de forma maliciosa; doida.

Porque mesmo na incerteza, mesmo na vontade de desistir, mesmo por entre lágrimas de frustração e desespero, a doidice prevalece.

Sou doida. Mas sendo algo que não isso, não tinha chegado até aqui e sei que não chegarei onde quero - a verdade que por vezes me custa a engolir é esta.

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