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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

01
Abr15

Coisas deveras interessantes


alex

Vamos todos dar as mãos e lamentar a perda de 7,35€ que eu dei para ir fazer análises de rotina.

Ou sou eu que estou a ficar velha caquéctica ou eu há dois anos não paguei tanto para me tirarem sangue, mostrar as minhas mamas a uma mulher na casa dos cinquenta e fazer xixi para um tubo de ensaio (sim, esta foi um desafio.)

Achei piada a mulher ter-me perguntado, depois de me tirar sangue, se tinha doido muito.... oh filha (não disse o filha, obviamente), para quem já fez uma tatuagem e deu sangue, isso não é nada! Nem senti!

E pronto. Coisas interessantes dos meus dias aborrecidos.

27
Jan15

Vejo turvo


alex

Vejo turvo.

Desde os meus 10 anos que o mundo para mim não é um lugar nítido. Vejo tudo destorcido. Letras, caras, formas, cores...é tudo uma grande bola de confusão para os meus olhos.

Isto, claro, se eu não usar os meus óculos ou as minhas lentes. Desde os meus 10 anos que tenho miopia e que o mundo para mim não é nítido. Faz-me questionar como será ter olhos saudáveis. Olhos que sem óculos ou lentes de contacto são capazes de ir na estrada e ler as tabuletas sem terem de estar mesmo por debaixo delas.

Pergunto-me se será agradável não termos os nossos olhos escondidos por um par de óculos, ou a vista cansada e a incomodar-nos ao fim de oito horas de andarmos com as lentes de contacto.

Não me lembro de como era o mundo quando eu tinha olhos saudáveis. A verdade é esta. As memórias que tenho dos anos anteriores aos meus 10 são poucas e consistem de fragmentos de coisas que não ajudam a matar a minha curiosidade.

Eu sei que via bem antes de fazer 10 anos, mas não me lembro de como isso era. 

Na minha altura, entrei para uma nova escola, sem conhecer absolutamente ninguém, com um par de óculos novinhos em folha na cara. Julguei-me muito inteligente e sofisticada com aqueles óculos fininhos que me davam um ar de totó. Sofri a minha quota parte de insultos à pala da necessidade de usar óculos. Fui a Xana a caixa de óculos, Xana a quatro olhos, Xana Cegueta... e a lista desenrola-se por aí fora.

Claro que isto faz muito mais estragos ao íntimo de uma criança de 10 anos do que o que faria agora à jovem de 18 que sou. 

A verdade é só esta: ao fim de um ano, usar óculos já não me incomodava e deixou também de incomodar os outros. Era como se aquele objecto já fizesse parte da minha cara - tenho um nariz, dois olhos, lábios e óculos. Era mais uma característica minha. 

Á medida que fui crescendo, os óculos foram mudando. Tive uns cor-de-rosa da Dolce&Gabana naquela fase em que queria a todo o custo afirmar-me e espetar na cara das pessoas que sim, sou cegueta, sim uso óculos e tal não me incomoda nem um pouco. Depois tive uns azuis escuros, mais discretos e esses foi os que me duraram mais tempo e, sinceramente, os que me assentavam melhor.

Há coisa de quase dois anos atrás arranjei os que tenho hoje - aquele castanho vintage, semi redondos mas arqueados nas pontas. Enfim, difícil de descrever.

Há quatro meses atrás, quando andava a procura de emprego, decidi apostar nas lentes de contacto. Porque olhava para o espelho e via estes olhos amendoados, castanhos, com pestanas longas completamente escondidos por detrás de uns óculos.

Já para não falar do facto de que as minhas pestanas são como os limpa-vidros do carro - elas estão sempre a bater nas lentes dos óculos e é enervante (sim, isto acontece mesmo quando eu não tenho rímel posto, já todos sabem que eu nasci com pestanas anormalmente longas, passemos à frente).

Mas agora as lentes chegaram ao fim (eram as de três meses) e eu voltei aos óculos. Não que não tenha gostado de usar lentes porque adorei, mas porque as mesmas são caras.

As lentes, mais o líquido de manutenção, ao todo foi tudo à volta dos 60€ (auch). Neste momento não quero gastar esse dinheiro porque posso precisar dele (estou a meio do longo processo que é mudar-me para outro país para estudar) e não quero andar a gastar dinheiro assim, como se andasse cheia dele.

Tenho os meus óculos e para fazer a Vida que tenho feito ultimamente (casa, trabalho, trabalho casa) servem. Mas admito que prefiro mil vezes as lentes de contacto. Porque me dão um cheirinho do que seria se os meus olhos fossem saudáveis. 

Deixam os meus olhos turvos ver nítido por algumas horas sem ter uns óculos pendurados no nariz.

E claro, não escondem os meus olhos que são das poucas coisas que eu gosto em mim.

Ora se algum de vocês for como eu, cegueta que nem uma porta, e por acaso costumam encomendar lentes de contacto mais baratas de algum site da Internet, agradecia a recomendação. Pode ser que para o final do próximo mês já consiga despender o dinheiro para comprar novas lentes de contacto.

Até lá, continuo a ver o mundo turvo - sem óculos, e a ser caixa de óculos para o conseguir ver nitidamente.

You lose some, you win some.

21
Ago14

Devagar se vai ao longe


alex

Ultimamente não tenho andado muito virada para a escrita. Ou para a leitura, a não ser que sejam anúncios no Sapo empregos. Tenho fases...todos temos, acho eu. E esta fase não tem sido muito...criativa para mim. Andei a semana toda de um lado para o outro, entrevista aqui, entregar currículo ali e no final, gasto dinheiro que não tenho. Esta semana decidi oferecer um pequeno mimo a mim mesma e deixei-me ir ao cinema com uns quantos amigos - mas agora não há mais mimos para ninguém. 

Eu já sabia que era difícil entrar neste mundo a que chamamos mundo do trabalho, com a pouca ou até mesmo nenhuma experiência que tenho. Sabia que ia receber olhares do género: "Coitada...volta mas é para a escolinha amor!". Sabia que ia ser difícil - vivi com um "difícil" durante um ano e meio aqui em casa, de quase 50 anos, à procura de um emprego. Mas lá está a diferença - ele precisava de um emprego, eu só preciso de um trabalho. E não me estou a queixar - porque sinceramente, não vale a pena fazê-lo e porque me parece que não tenho direito a isso, segundo certas pessoas - mas só quero dizer, a todos aqueles que como eu andam à caça de um trabalho ou de que como o meu pai, à caça de um emprego:

Não desistam, não vacilem e não se incomodem com os olhares que possam receber ou com os abanares de cabeça que vos dêem, ao olharem para vocês ou para o vosso (pequeno) currículo. Devagar se vai ao longe... E se passado um ano e meio o meu pai arranjou finalmente o emprego que procurava, eu também hei-de encontrar um trabalho - seja ele qual for, o que for.

É preciso é persistir e ter paciência (não sou muito boa na última, mas há sempre arestas nossas que precisamos de limar...)

 

13
Ago13

Eternal No


alex

Toda a minha vida fui perseguida pela palavra "não".

Não podes comer isso.

Não podes estar deitada ao sol durante muito tempo.

Não podes mexer nisso.

Não podes falar assim, não podes dizer isso.

Não te podes rir. Não podes chorar.

Não podes tirar uma nota inferior a Bom.

Não podes tirar uma nota inferior a 4.

Não podes tirar uma nota inferior a 15.

Não podes ser cantora.

Não podes ser tratadora de golfinhos.

Não podes ser psicóloga criminal.

Não podes ser escritora; jornalista.

Não podes trabalhar na rádio e muito menos na televisão.

Não podes tirar o curso que queres quando fores para a faculdade porque isso é o teu bilhete de entrada para o mundo do desemprego.

Não podes ser feliz.

Não podes sustentar-te, não podes pagar as tuas compras de supermercado ou as propinas da tua faculdade.

Não podes comprar aquele vestido pelo qual te apaixonaste.

Não podes trabalhar durante o verão.

Não, não, não, não, não.......

Toda a minha vida girou à volta do não.

Porque é que eu, ingénua como (ainda) sou, haveria de pensar que agora iria ser diferente?

Foi como receber um murro no estômago. Mais um.

Estar ali, ao lado da D. e ver a expressão de felicidade dela.

Continuar a caminhar, forçando o sorriso, com vontade apenas de parar, sentar-me no meio do passeio e desatar a chorar como uma criança de 3 anos.

Ouvir as palavras sair da boca dela e pensar: "O teu sim é o meu não."

Fico feliz por ela, não me interpretem mal.

Mas também gostava, por uma vez que fosse, de poder ficar feliz por mim.

De ouvir um "sim".

Porque apesar de não ter ouvido um "não" directo, eu sei que o recebi.

Porque o "sim" direto dela foi o meu eterno e repetitivo "não".

Porque às vezes, só às vezes, partilhar a felicidade dos meus, não me chega.

Quero não ter de beber da alegria dos outros; das histórias dos outros; das suas experiências; da sua felicidade; dos seus "sins".

Quero o meu "Sim". Porque tenho direito a um.

Nem que seja só a um.

Mas ainda não foi desta.

Não, não, não...lá esta a maldita palavra. Tão pequena, tão simples de pronunciar, tão...insignificante.

Tão poderosa, tão forte, tão destrutiva...e, infelizmente, tão minha.

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