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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

27
Out18

Dizia-lhe...

alex

"E é por isso que eu já fiz as pazes com o facto de não ter podido ir para Londres. Porque eu sei, eu acredito com todo o meu coração que daqui a um ou dois anos, eu vou lá estar. Eu vou conseguir lá chegar. Pode não ser hoje ou amanhã ou daqui a 3 meses, mas se há coisa em que acredito é que vou conseguir cumprir este meu sonho de ir a Londres, de estudar lá, de viver lá durante uns tempos."

 

Este excerto é de um post meu de há quatro anos atrás. Por norma, não leio os meus textos antigos, pelo simples facto de que este blog já existe desde 2012 e é-me penoso ler o que a Alexandra de 16, 17 anos escrevia por aqui nessa altura. Contudo, alguém comentou recentemente neste meu post, que é sobre as viagens de finalista, e eu já não me lembrando do conteúdo do texto, fui lê-lo para poder responder ao comentário.

Deparei-me com a menina que sonhava vir viver e estudar para Londres. Não sei se tenho a capacidade de conseguir descrever o tipo de gargalhada que soltei ao ler o excerto acima. Uma gargalhada de descrença, acima de tudo, porque já não me lembrava desta vontade enorme que outrora tive de vir para cá. Uma gargalhada de desilusão, porque não acredito que alguma vez fui assim tão ingénua. Uma gargalhada de tristeza, pela menina que viu o seu sonho realizado e quatro anos depois se apercebeu que os sonhos não passam disso e que a realidade é muito mais cruel.

Não voltaria atrás para dizer a esta criança para mudar de sonho e objectivo. Não lhe dizia que ela iria chorar mais do que rir se fosse para Londres. Não lhe dizia que ela ia passar muitas noites a não conseguir adormecer por causa do roncar do seu próprio estômago vazio. Não lhe ia dizer que ia ser usada pelas pessoas, abusada, rebaixada, mal tratada. Não lhe dizia que a iam mandar calar quando falasse na sua língua e que lhe iriam chamar todos os nomes xenófobos que ela poderia imaginar. Não lhe dizia que ia ter de dormir durante dois meses no chão de um quarto do tamanho de um armário com mais outras duas pessoas, ou que iria ter de morar 1 ano e meio numa casa cheia de bolor que lhe iria trazer complicações de saúde no futuro. Não lhe dizia que ia sentir tanta saudade do seu país, aquele que ela tanto esperava deixar para trás, que ao fim de quatro anos iria decidir voltar para ele.

Não lhe diria nada disto. Dizia-lhe que ia crescer, muito. Que iria conhecer pessoas maravilhosas que a iam ensinar muito ao longo do tempo. Dizia-lhe que nos primeiros dois Invernos ela ia odiar o frio, a chuva e o frio outra vez, mas que pelo terceiro já seria amiga do Inverno e até ansiaria pela sua chegada. Ia dizer-lhe que ia ter experiências que mais ninguém ia ter. Que ia rir muito com os amigos, poucos, mas amigos que iria fazer e com quem ia viver. Em como iriam passar muitos momentos difíceis mas que todos eles suportáveis porque se tinham uns aos outros. Que ia poder viajar de carro, de janelas baixas, música aos altos berros e sorriso nos lábios. Que iria ver muitos dos seus artistas favoritos ao vivo. Que iria viver muitos desgostos mas também muitas paixões. Dizia-lhe que iria conseguir ir de férias para um país muito longe e do qual gosta muito, não uma mas duas vezes! Dizia-lhe que apesar de hoje o sonho estar mais do que morto e enterrado, ficou algo muito mais valioso e melhor. Dizia-lhe que ela iria chegar a Londres apenas com um sonho e uns quantos euros no bolso e iria sair com muita experiência de vida, coração cheio e sentimento de missão cumprida. Dizia-lhe para vir.

Porque estes quatro anos deram-me de tudo. E quem ler isto pode até pensar que me vou já embora amanhã. Não vou. Mas escrever sobre o assunto ajuda-me a interiorizar a ideia e o sentimento de que, vai acontecer. A separação vai ser inevitável e quem sabe, se daqui a mais quatro anos não voltarei a escrever à Alexandra do passado, num contexto e num sítio completamente diferentes.

Espero que sim.

15
Abr14

O passado não mente

alex

É nestas alturas que o passado tem perna longa e me apanha. Alturas em que tenho todos os meus amigos longe de mim, uns de viagem, outros porque trabalham e outros porque têm a vida deles. Eu aprendi a estar sozinha. Comigo e só comigo e aprendi a gostar disso. Ter tempo para mim, para os meus livros, para a minha escrita, para as minhas séries, para simplesmente estar deitada na cama a ouvir música. Gosto desses momentos. Mas depois, e porque sou uma pessoa (muito) complexa, começo a não gostar tanto. Um dia, dois dias, ainda suporto. Mas eu sou daquele género de pessoa que precisa de estar rodeada pelos seus, a falar, a rir, a conviver. Preciso de estar com amigos e com a família para não me perder. Perder em pensamentos, em memórias, perder. 

É nestas alturas que sinto mais a tua falta. Prometi a mim mesma não escrever mais para ti ou sobre ti, mas sabia à partida, que era uma promessa vazia e impossível de cumprir. É nestas alturas que me fazes falta. Podia ser honesta contigo, falar-te abertamente de tudo. Não continha as minhas palavras, os meus pensamentos e sentimentos. Podia ser eu a 100% e partilhar tudo isto, que acabei agora aqui de escrever, contigo. Eras o meu grande amigo, o meu confidente. Disse-te coisas que não digo a ninguém, contigo eu não tinha medo de dizer a coisa errada porque isso não existia. Entre nós não havia coisas erradas para se dizerem e muito menos o medo de as dizer. Não consigo fazê-lo com mais ninguém sabes? Não consigo não ter medo de dizer a coisa errada com mais ninguém. 

Quando te perdi, perdi mais do que o meu primeiro amor. Perdi o meu primeiro amigo, o meu confidente, a minha pessoa. E é por isso que me custa tanto, mesmo que eu minta e diga que não, aos outros e principalmente a mim mesma.

É nestas alturas, em que fico sozinha muito tempo, que o passado me apanha.

E esse... esse não mente.

22
Fev14

A minha praia

alex

Ontem, antes de ter ido de cara ao chão, vinha na camioneta a ouvir música, quando me começam a surgir certas palavras na cabeça. Quando dou por mim, elas estão a rimar. Depois, começo a perceber o que elas significam e do que falavam. Depois juntei-as e formei uma espécie de poema. EU. A escrever poemas. Logo aí devia ter sabido que algo no dia de ontem não estava bem. Eu não escrevo poesia. Não é que não goste, simplesmente não acho que tenha jeito. Mas quando vi aquele sol a brilhar na minha direcção, lembrei-me da minha praia. E escrevi sobre ela. E rimei.

 

Tenho saudades

Saudades dos passeios que dava à tua beira

Da textura da tua areia

Do teu ar puro

Que eu queria apenas inspirar, inspirar, inspirar.

Tenho saudades do teu sol

coberto

Daqueles dias amanhecidos

desertos

Saudades do sorriso que me oferecias

E da alegria que sentia

Saudades de sentir o gelo dessas tuas águas

Os ossos gelados, o coração quente

Tenho saudades 

Saudades da minha praia

E do tempo em que tudo era

Simples.

Diferente.

 

Eu não sou poeta. Isto veio-me à mente enquanto estava sentada na camioneta, enquanto me encaminhava para a minha queda, sem o saber. Não tem uma estrutura nem muita coisa que rime. Mas fala de um sítio muito especial para mim, um sítio onde cresci, um sítio que fez e que ainda faz parte de mim. Um sítio onde eu espero poder, um dia, vir a viver. O meu sítio.

A minha praia.

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