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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

07
Fev20

O meu silêncio

alex

A brincar, a brincar, já lá vão quase 6 meses desde o meu regresso a Portugal. Meio ano. O que é isso, na grande escala da vida? Nada, de facto.

Mas na minha, já é algo. Sinto que estou a falhar redondamente. Não só comigo, mas para com os meus. Voltar a Portugal era para ser uma coisa boa, para estar mais perto dos meus, para me reencontrar talvez, para encontrar um lugar para mim neste vasto mundo, que não consegui encontrar em Londres. Em Londres fazia o que queria, como queria e bem entendia. Aqui, tenho mil e uma vozes a gritarem-me ao ouvido: devias fazer assim, porque é que não fazes assado, eu teria feito ao contrário.

Em Londres ninguém sabia o que eu fazia. E também não se importavam muito. Mas agora aqui, parece que toda a gente tem uma opinião a dar sobre a minha vida, sobre aquilo que eu faço e não me agrada. Acho que aos poucos estou a ser relembrada de, pelo menos, uma das razões pela qual eu decidi partir há 5 anos atrás. Porque longe, eu podia escolher o que mostrar, o que dizer, o que partilhar. Aqui, não há como esconder, não há como fugir. E querendo justificar-me, sempre, tento dar razões pelas quais faço as coisas que faço, da forma que as faço. Ou que não as faço. Mas não me ouvem. E insistem. E pressionam. E depois eu sinto-me mal, porque sei que não fazem por mal. Mas eu também não. Então, aos poucos, estou a desistir. Reduzo-me para não ter de me justificar. Não gosto de me justificar. Cansa-me profudamente. Então calo-me. Mas depois a A. diz-me o quão díficil está também a ser para ela. O regresso, a adaptação e o quão díficil é não fazermos a nossa vida juntas, como faziamos. E apesar de ambas sabermos que estava na altura, que a nossa vida em Londres já não estava a fazer sentido, a nossa vida cá também não está a fazer. Ainda. Eu quero acreditar que vai. Quero mesmo.

Mas ninguém ajuda. Nada ajuda. Então eu calo-me. Fecho-me. Escrevo. Pouco aqui, mais para mim, só. E espero. E no fim, já dizia a Capicua:

"Pior do que o meu canto, há-de ser o meu silêncio."

 

25
Nov19

Eu não me esqueço das letras

alex

Hoje trago uma música para partilhar com vocês. A Capicua é das poucas artistas portuguesas que eu escuto com atenção e frequência. Porque a sua arte fala comigo de uma forma que muitas outras não conseguem. Sendo eu tão das letras, e as letras tão minhas, tendo eu a relação que tenho com a escrita - extensa, complicada, de uma paixão que por vezes conduz ao ódio e de volta ao amor - não podia deixar de escrever um pouco sobre a música e sobre a frase que despertou em mim muitas emoções. Tristeza, revolta...mas acima de tudo esperança. 

Na escola, nunca gostei de matemática. As línguas e as letras foram sempre o meu refúgio, desde que tenho memória de ser gente. Tanto que, saí do meu país para ir estudar com mais cuidado esse mundo. Outra história essa... Mas a verdade é que, foi também durante essa altura que, não por querer mas por necessidade, me envolvi mais com o mundo dos números. O mundo dos negócios, o mundo do comércio. O mundo do trabalho. E devagar me fui apercebendo de que o mundo, apesar de não controlado por números, gira muito à volta deles.

E eu, de Escrita Criativa e Jornalismo, e eu com a minha colecção sempre crescente de livros a olhar-me de lado, deixei-me afundar nesse mundo dos números. Escrevia relatórios diários, semanais, mensais, onde tinha de justificar número X e número Y. Quantas pessoas gostaram disto, quantas compraram aquilo...Quantidade, quantidade, quantidade.

A qualidade não existe no mundo dos que jogam com números. E o amor à arte também não. Há claro que ser realista, os números precisam de nós tanto como nós precisamos deles. Mas...é um problema (não matemático) quando as coisas nas quais começamos a colocar valores, são aquelas cujo valor deveria ser indeterminável - aliás, não existir. Pior, quando a qualidade é baseada apenas em números, que ao final do dia, se eu fosse a fazer um dos meus relatórios que costumava fazer, não valem nada.

A era das tecnologias, dos Youtubers, dos influencers, dos likes...Tudo é liked. Menos o que não é. E o ser humano, no meio de tanto número, passa a ser tratado como um (número). Mas afinal, que valor tem um milhão de likes contra 100, quando o milhão é vazio de razão, paixão, amor por aquilo que se faz, respeito pelo próximo e tudo o de mais? Afinal, somos nós que atribuímos valor aos números, ou são os números que atribuem valor a nós? Ao que criamos? Ao que dizemos, ao que pensamos, ao que somos?

Somos só números? Hoje em dia eu diria que sim. Mas depois ouço músicas como a da capicua e penso... se é para sermos um número, então vamos ser mais um dos que não se deixam reger por eles. E tal pode soar hipócrita da minha parte, mas se é para ser um número, quero ser dos que não se esquecem das letras. 

Por alguma razão, nunca gostei de matemática.

"É ano após ano e os feitos são inúmeros

E eles esquecem as letras e andam só atrás dos números... Solene como a cada último mergulho

Eu rasguei a dor e o medo como papel de embrulho." - Capicua, 2019

 

06
Nov19

Uma música favorita (Skeletons)

alex

Perdi um pouco o fio à meada com este desafio. De um dia para o outro o blog ficou às escuras e eu, que adoro o escuro, estou completamente rendida. Boa Sapo Blogs!

Adiante... O meu gosto musical é muito variado e como tal as minhas músicas favoritas variam com o meu estado de espírito, com a altura do dia, com o momento pelo qual estou a passar na minha vida. Não tenho uma música que possa dizer: esta é que é a minha favorita de todos os tempos. Mas tenho artistas, cantores que gosto e que oiço sempre, isso sim. Vou sempre descobrindo novos músicos e houve um dia, que não sei bem como, me deparei com um músico digamos que underground, pouco conhecido mas que tem uma música pela qual me apaixonei. Talvez porque poderia ter sido eu a escreve-la, do tanto que reflecte o meu estado de alma, talvez porque simplesmente gosto de me deitar na cama, com as luzes apagadas, quando as minhas queridas insónias estão no seu auge, a ouvi-la. E a mesma traz-me conforto. Paz. Serenidade. Sozinha no escuro, oiço esta música e penso, sinto, que não estou assim tão sozinha. 

É esse o poder imenso da música. Das letras. Junta-nos, dá-nos companhia, alarga um pouco aquele nó gigante, e bem apertado, que temos na garganta e no peito. Por vezes conseguimos isolar-nos tanto, sentirmos-nos tão sozinhos, até mesmo quando estamos bem acompanhados e temos pessoas que nos amam connosco...até nesses instantes, por vezes, não somos capazes de nos sentir inteiros. De nos sentirmos cheios. A música para mim, é isso. É a minha companheira no isolamento, é a minha luz no escuro, é o meu calor no frio, é a minha vontade de continuar na falta da mesma.

A minha música favorita é a música. Mas esta é uma das.

 

16
Mai15

Temos um problema...

alex

E dos grandes! Então não é que o álbum deste menino me apareceu no Youtube, nas recomendações, e eu agora estou mais do que um bocadinho obcecada?

É que o tipo de música até nem é muito o meu género, mas não sei explicar...as músicas dele falam comigo a um nível que já há muito tempo nenhuma música fazia!

AH! E já referi que o rapaz só tem 16 anos? E que o último nome dele é Mendes porque ele é metade português (o pai é de Lagos, aparentemente)?

Contudo, tenho a dizer que este fascínio é exclusivo à música dele. Quer dizer, o rapaz é engraçado e tal, mas lá está... tem aquele look de copinho de leite, como eu lhes costumo chamar...

Vou-lhe dar mais uns anos, talvez uns cinco vá, e depois talvez possa então ser fascinada pelo rapaz também.

Mas a música dele já me fascinou, por isso, é meio caminho andado!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

14
Mai15

(My) Sugar

alex

Aqui há coisa de dois meses pensei para comigo (peço desde já desculpa pelo palavreado mas eu no meu dia-a-dia sou muito asneirenta e como tal, para não tirar credibilidade à minha pessoa, escrevo exactamente o que pensei naquela altura):

Que se foda. Que se foda mesmo. Eu tenho 18 anos. Eu trabalho, ganho o meu dinheiro. Não tenho filhos para sustentar ou casa para pagar (ainda). Não saio à noite desde os meus dezasseis (para bares e coisas que tais) e não bebo nem fumo desde aí também. Raramente faço alguma coisa que não seja estar a trabalhar ou em casa a ver séries. Sou solteira. Sou senhora da minha vida. Que se foda.

Vai daí, e o que é eu faço? Compro um bilhete para ir ver o meu amado, o meu mais que tudo, a minha luz na escuridão - Adam Levine.

Eu sei que disse que não ia. Eu sei que disse que ia guardar esse dinheiro. Eu sei que digo muita coisa e que sou uma mentirosa.

Mas foda-se, ai de mim se eu não me deixasse aproveitar a puta da minha vida um bocadinho - só um bocadinho.

Eu mereço caramba. Eu mereço ter um dia pelo qual ansiar. Eu mereço ter um dia para desligar de tudo e todos e desfrutar de música que eu gosto. Sem me preocupar com quem esteja à minha volta.

Já abdico de muita merda e para quê? Disto não posso abdicar. Para muitos é só um concerto, para mim é uma oportunidade de ser feliz uma vez que seja nesta merda deste ano.

Já o tenho. Ninguém me o tira - o dia 17 de Junho ninguém me o tira. 

Vemos-nos lá meu amor.

 

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