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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

22
Abr15

O meu certo

alex

Desviando-me um bocado do pessimismo que tem andando a pairar por aqui (e pela minha vida no geral), quero apenas dizer que eu sei que não sou nenhuma desgraçadinha. Eu sei que existem pessoas em situações bem piores. Eu uso esse pensamento muitas vezes para sair da cama todos os dias. Acho que não o dizemos o suficiente, seja por escrito, em voz alta a nós mesmos ou a outros - eu sei que sou sortuda.

Tenho uma casa, uma família que me apoia, duas ou três pessoas a quem posso chamar de amigos, um pequeno part-time que me tem permitido pagar o processo de candidatura à faculdade num país que não o meu, comida, roupa, etc.

Eu sou grata pelo que tenho, não me interpretem mal. Mas ser grata pelo que se tem não significa que não se possa desejar por mais. Ansiar por mais. Desesperar por mais.

Um dos meus grandes defeitos é esse - querer sempre mais e sei que é algo com que muita gente se consegue relacionar. Mais é basicamente uma das palavras de ordem no nosso planeta. Querer mais também não significa ser ganancioso. Não significa não olhar a meios para atingir fins. Não significa passar por cima deste ou daquele para alcançar o degrau seguinte.

Querer mais, na minha opinião, não demonstra a minha ingratidão para com o que já tenho - demonstra a minha garra em querer ter algo que complete o tanto que já tenho. Porque podemos andar aqui às voltas, pôr floreados nas nossas palavras e falar de manso, mas a verdade é que há sempre um pedaço que nos falta, a certo ponto das nossas vidas.

De momento, a mim, falta-me um enorme e sim, por vezes vou abaixo e vejo-me caída naquela poça de negativismo que dantes era um mar que me afogava. Mas há que ler as entrelinhas - eu estou bem, no fundo, eu estou bem.

Posso não sorrir todos os dias, posso estar cansada vinte e quatro horas por dia, posso bufar cem vezes por minuto, posso queixar-me e chorar, posso gritar de frustração - mas ao final do dia, tenho uma almofada onde deitar a cabeça e adormeço aliviada por assim ser.

Eu sei. Não pensem que eu não sei que sou uma das sortudas e não o contrário. Mas isso não invalida o facto de eu ter esta fome insaciável por mais.

Querer mais não é errado - é apenas o meu certo.

19
Abr15

Doida

alex

Este fim-de-semana soube-me a pouco. Tive um sábado atribulado, a trabalhar de manhã, almoçar com a avó que fez anos e a família de tarde, andar de transportes para lá e para cá porque não temos carro, carregada e deserta para chegar a casa e cair na cama. Hoje não fiz nada - li, vi séries, comi e quase não me levantei da cama.

A vontade de o fazer por vezes é muito pouca, a cada dia, cada vez mais. 

Ás vezes pergunto-me porque é que sou tão teimosa, tão casmurra. Porque é que gosto de complicar o que já é complicado por si só, porque é que pareço enveredar sempre pelo caminho mais longo e difícil.

Pergunto-me porque é que não posso ser mais como eles - não ter tanta sede de tanto e ser feliz com menos. Porque é que não posso ter o mesmo passe livre que os outros - porque é que tenho de andar aqui às voltas, aos murros e pontapés ao ar, a perseguir a minha própria sombra como se fosse um cãozinho a correr atrás da sua própria cauda.

Porque é que quero voar tão alto quando há tantos que são felizes a voar baixo ou simplesmente a planar. Porque é que eu gosto de me pôr nestas situações em que passo mais dias a chorar do que a sorrir, na esperança desesperada de chegar onde quero.

Porque é que sou teimosa ao ponto de não desistir mesmo quando quero desistir. Porque é que bato com a cabeça todos os dias, magoando-me e mesmo assim, me levanto no dia seguinte só para bater com a cabeça mais um pouco.

Porquê?

Sou doida. É a única resposta que encontro. Sou completamente doida. 

E nesta doidice, ainda acredito que vou conseguir. O tempo está a correr à minha frente, a olhar por cima do ombro e a deitar-me a língua de fora. E eu sorrio-lhe de forma maliciosa; doida.

Porque mesmo na incerteza, mesmo na vontade de desistir, mesmo por entre lágrimas de frustração e desespero, a doidice prevalece.

Sou doida. Mas sendo algo que não isso, não tinha chegado até aqui e sei que não chegarei onde quero - a verdade que por vezes me custa a engolir é esta.

31
Mar15

Não sei

alex

Não sei de onde vem esta minha capacidade - de amar tanto e, de no entanto, ter tanto medo de amar.

Não sei de onde vem esta minha capacidade de estender a mão, mesmo quando não me a pedem e de no entanto, recear dar o braço quando me pedem mais.

Não faço ideia de onde vem esta minha capacidade de chorar tanto e de no entanto, de rir ainda mais.

Não sei, sinceramente, de onde vem a minha força para continuar, quando sei que ela não provém de ninguém exterior, uma vez que cada vez que olho para o lado, não está lá ninguém.

Mas sei que sou assim. E sei que não pareço ser assim para aqueles que me não conhecem e por vezes, também para aqueles que conhecem. 

Não sei de onde vem esta minha capacidade de me esconder e, de no entanto, me mostrar para quem esteja realmente atento.

Não sei. Mas sei que há que continuar. Porquê? Não sei.

Só sei que tem de ser.

26
Mar15

Que ganhe o melhor

alex

O tempo hoje combinou perfeitamente com o meu estado de espírito. 

Há dias em que o vento é tão forte, que por momentos, a chama vacila. Para muitos, incluindo para os donos dessa mesma chama, pode até parecer que se apagou de vez.

Mas não sei quem é mais teimoso no final - se o vento por continuar a soprar, na tentativa de apagar a chama, ou se a chama por continuar a vacilar, rajada de vento após rajada, mas sem se apagar por completo.

Vamos ver quem acaba por ganhar.

06
Mar15

Compreendem?

alex

Só porque o meu trabalho não é a carregar caixas às costas, não significa que não chegue ao fim do dia cansada e sem cabeça para nada. Acho que ninguém entende o quão cansativo, a nível psicológico, é estar numa loja durante 40 horas por semana, sozinha grande parte do tempo.

É verdade que tenho a sorte de poder levar o meu portátil e fazer várias coisas nele quando não me aparece nenhum cliente por lá (o que agora até tem aparecido bastante, para minha admiração) mas deixem-me que vos diga que cansa. Cansa estar ali naquela loja, sozinha, dia após dia, hora após hora, a sentir-me cada vez mais a leste de tudo e todos.

Mas depois quando me convidam para ir beber café a uma sexta-feira à noite, a minha resposta é não. E porquê? Porque chego a casa ás 20h da noite, janto perto das 21h e depois, como não tenho carro e o meu pai não é o meu motorista privado não é, não tenho autocarros que me levem ao sítio e que me deixem tempo para sentar, quanto mais para beber café ou pôr a conversa em dia. Também porque, no dia a seguir (sábado) eu não me posso dar ao luxo de ficar na cama porque cheguei tarde a casa na sexta - às 8h já tenho de estar de pé para ir abrir a loja às 9h. 

Eu sei que tenho 18 anos. Eu sei que tenho de aproveitar enquanto posso; enquanto estou aqui e não a uma viagem de avião de distância. Mas só peço compreensão. Só peço para que percebam que eu estou a fazer tudo o que posso para alcançar os meus objectivos e que isto não está a ser nada fácil para mim.

Só tenho 18 anos. Sou só uma mente, um coração, um corpo. E não consigo ter força para tudo, todos os dias. Há dias em que digo sim, por muito cansada que esteja, porque sei que é importante manter-me minimamente social.

Mas há outros dias em que o não nem me custa a sair. E só peço que não me julguem por isso.

Eu estou a tentar.

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