Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

12
Out19

Vou saber


alex

A última vez que votei foi antes de ter ido para Londres, há quatro anos atrás. Este ano, pude voltar a votar novamente, porque regressei.

Já lá vão quase dois meses desde que vim e não vou mentir...não está a ser fácil. Há quem diga que partir é o que custa mais, mas regressar, deixem-me que vos diga, custa tanto ou se calhar até mais. É o termos 23 anos e sentirmos-nos com 18 de novo. É não termos uma vida que é nossa, enquanto todos os que nos rodeiam a têm. Uma vida. Vidas. Empregos. Hobbies. Tempo ocupado. É sentir que voltámos à estaca zero, que toda a gente já se encontra no andar mais alto da penthouse e nós ainda nem sequer entrámos dentro do elevador. É o ter de largar o inglês. É o ter de praticar o português bonito e formal. É o ter de ir para as aulas de código com miúdos do secundário. É o ter de mandar currículos para a nossa área e não haver nem uma resposta. É a ânsia de não saber bem o que ando aqui a fazer. É o olhar à volta e ver toda a gente a fazer algo.

Mas votei. Pude votar. Pela primeira vez em quatro anos pude ir às urnas votar e exercer o meu direito. É o acordar com o sol em vez de acordar com a chuva. É o ir ao médico e dizerem-me bom dia quando entro na sala de espera. É o agarrar em mim e ir a casa dos meus avós porque sim, porque posso, porque estou perto, porque estou cá. É o chegar ao fim da noite e dar um beijo de boa noite à minha irmã, aos meus pais. É o acordar e saber, que mesmo sem saber, vou saber. Para o mês que vem, para o ano que vem.

Vou saber o que ando por aqui a fazer.

27
Out18

Dizia-lhe...


alex

"E é por isso que eu já fiz as pazes com o facto de não ter podido ir para Londres. Porque eu sei, eu acredito com todo o meu coração que daqui a um ou dois anos, eu vou lá estar. Eu vou conseguir lá chegar. Pode não ser hoje ou amanhã ou daqui a 3 meses, mas se há coisa em que acredito é que vou conseguir cumprir este meu sonho de ir a Londres, de estudar lá, de viver lá durante uns tempos."

 

Este excerto é de um post meu de há quatro anos atrás. Por norma, não leio os meus textos antigos, pelo simples facto de que este blog já existe desde 2012 e é-me penoso ler o que a Alexandra de 16, 17 anos escrevia por aqui nessa altura. Contudo, alguém comentou recentemente neste meu post, que é sobre as viagens de finalista, e eu já não me lembrando do conteúdo do texto, fui lê-lo para poder responder ao comentário.

Deparei-me com a menina que sonhava vir viver e estudar para Londres. Não sei se tenho a capacidade de conseguir descrever o tipo de gargalhada que soltei ao ler o excerto acima. Uma gargalhada de descrença, acima de tudo, porque já não me lembrava desta vontade enorme que outrora tive de vir para cá. Uma gargalhada de desilusão, porque não acredito que alguma vez fui assim tão ingénua. Uma gargalhada de tristeza, pela menina que viu o seu sonho realizado e quatro anos depois se apercebeu que os sonhos não passam disso e que a realidade é muito mais cruel.

Não voltaria atrás para dizer a esta criança para mudar de sonho e objectivo. Não lhe dizia que ela iria chorar mais do que rir se fosse para Londres. Não lhe dizia que ela ia passar muitas noites a não conseguir adormecer por causa do roncar do seu próprio estômago vazio. Não lhe ia dizer que ia ser usada pelas pessoas, abusada, rebaixada, mal tratada. Não lhe dizia que a iam mandar calar quando falasse na sua língua e que lhe iriam chamar todos os nomes xenófobos que ela poderia imaginar. Não lhe dizia que ia ter de dormir durante dois meses no chão de um quarto do tamanho de um armário com mais outras duas pessoas, ou que iria ter de morar 1 ano e meio numa casa cheia de bolor que lhe iria trazer complicações de saúde no futuro. Não lhe dizia que ia sentir tanta saudade do seu país, aquele que ela tanto esperava deixar para trás, que ao fim de quatro anos iria decidir voltar para ele.

Não lhe diria nada disto. Dizia-lhe que ia crescer, muito. Que iria conhecer pessoas maravilhosas que a iam ensinar muito ao longo do tempo. Dizia-lhe que nos primeiros dois Invernos ela ia odiar o frio, a chuva e o frio outra vez, mas que pelo terceiro já seria amiga do Inverno e até ansiaria pela sua chegada. Ia dizer-lhe que ia ter experiências que mais ninguém ia ter. Que ia rir muito com os amigos, poucos, mas amigos que iria fazer e com quem ia viver. Em como iriam passar muitos momentos difíceis mas que todos eles suportáveis porque se tinham uns aos outros. Que ia poder viajar de carro, de janelas baixas, música aos altos berros e sorriso nos lábios. Que iria ver muitos dos seus artistas favoritos ao vivo. Que iria viver muitos desgostos mas também muitas paixões. Dizia-lhe que iria conseguir ir de férias para um país muito longe e do qual gosta muito, não uma mas duas vezes! Dizia-lhe que apesar de hoje o sonho estar mais do que morto e enterrado, ficou algo muito mais valioso e melhor. Dizia-lhe que ela iria chegar a Londres apenas com um sonho e uns quantos euros no bolso e iria sair com muita experiência de vida, coração cheio e sentimento de missão cumprida. Dizia-lhe para vir.

Porque estes quatro anos deram-me de tudo. E quem ler isto pode até pensar que me vou já embora amanhã. Não vou. Mas escrever sobre o assunto ajuda-me a interiorizar a ideia e o sentimento de que, vai acontecer. A separação vai ser inevitável e quem sabe, se daqui a mais quatro anos não voltarei a escrever à Alexandra do passado, num contexto e num sítio completamente diferentes.

Espero que sim.

05
Jun17

Juntos somos melhores


alex

Os acontecimentos dos últimos tempos têm deixado muita gente em alerta. Eu incluída. Tendo nascido e crescido em Portugal, sempre vivi muito estas coisas apenas através de uma televisão. É óbvio que uma pessoa fica afectada ao ver as notícias e pensa sempre que, qualquer dia pode vir a ser no nosso país. Mas por outro lado, acho que a mentalidade dos portugueses é muito aquela de "a nós não nos toca". Por sermos um país pequeno, isolado, na outra ponta da Europa, etc. Contudo, acho que com os tempos que correm, essa mentalidade tem vindo a alterar-se bastante. Mas agora que já vivo em Londres há quase dois anos, e com os acontecimentos dos últimos tempos, a minha forma de pensar tem vindo, também, a mudar.

Já não penso "não me tocará a mim". Porque agora já não vejo só os acontecimentos através da televisão. Passo pelos sítios onde estas coisas estão a acontecer. Não com frequência, porque a minha vida é muito limitada aqui ao sítio onde vivo, estudo e trabalho. Ainda estou relativamente longe do centro. Mas não muito. Uma simples viagem de underground de 20, 30 minutos e estou no centro. Na ponte onde morreram pessoas. No Market onde o caos se instalou. Estou aqui, tão perto, que as notícias já não parecem ser só notícias. Histórias. 

Tenho medo de ir para o trabalho hoje em dia. Porque faço parte da gerência de uma loja num dos maiores centros comerciais do Norte de Londres. Não estamos isentos de alguma coisa vir a acontecer. Aos fins-de-semana, milhares de pessoas deslocam-se até aquele centro comercial para fazerem as suas compras. E quando eu digo milhares, são milhares mesmo. Eu nem saio da loja na minha hora de almoço se estiver a trabalhar sábados e domingos, porque não se consegue andar naquele centro comercial.

Seria o sítio perfeito para se tentar algo. E com os acontecimentos dos últimos tempos, este pensamento vai assombrando-me cada vez mais. Contudo, a parte de mim que quer pensar positivo faz-me levantar da cama todos os dias e ir trabalhar. Porque, como eu já aqui disse, a vida não pode parar antes de parar mesmo. Não nos podemos deixar erradicar pelo medo. Porque é isso que esta gente tenta fazer. Eles não querem erradicar pela religião, por um Deus todo poderoso. Eles erradicam pelo medo que incutem às pessoas. E claro que é assustador. Mas como uma pessoa sábia me disse ontem, nós vivemos numa sociedade de risco e temos de aprender a lidar com o medo e esperar que nenhum de nós esteja no momento errado, no local errado, há hora errada. Isto não vai desaparecer. Não vai melhorar, pelo menos nos tempos que se avizinham. Mas temos de mostrar que somos o oposto deles.

Enquanto que eles mostram-se dispostos a morrer sozinhos por uma causa em que acreditam, nós temos de mostrar que juntos, conseguimos sobreviver pela nossa. Infelizmente não pude acompanhar o directo do concerto de Manchester ontem, visto que estive a trabalhar até tarde. Mas já vi videos, imagens, tweets. E eu acredito mesmo que juntos somos melhores.

Somos mais.

23
Mar17

Não escondam o medo


alex

"We are not afraid".

Circula pelas redes sociais em conjunto com a hashtag #PrayForLondon. Estava em casa ontem, perdida no meu próprio mundo, quando o meu telemóvel dá sinal de mensagem no chat do Facebook. Era a senhora dona minha mãe a perguntar se eu estava em casa e se estava bem. Achei estranho. Apesar de falarmos todos os dias pelo chat do Facebook e apesar de ela, todos os dias, me perguntar se eu estou bem, achei aquele "Estás bem?" diferente dos outros. Respondi imediatamente, pondo de lado o que estava a fazer no momento, porque senti a urgência da pergunta. Não me perguntem como. Respondi que sim, estava em casa e estava prestes a ir lavar a loiça do almoço. Perguntei porquê a pergunta feita daquela forma? E ela respondeu: "Ainda não viste as noticias? Houve um atentado no Parlamento aí."

Bom, fiquei alarmada. Pensei que alguém tinha tentado bombardear Westminster. Acedi logo ao site da BBC News, e assisti ao live que eles estavam a transmitir, em directo no local. Rapidamente me apercebi que não se tratava de uma bomba, mas sim de algo diferente, igualmente preocupante. Um individuo esfaqueou um polícia, atropelou quatro pedestres (um deles português pelo que consegui descobrir) e causou mais uns quantos feridos. Para além disto, causou o pânico, não só na zona de Westminster, mas por todo o país. Em questão de segundos, as redes sociais encheram-se de mensagens de boa fé, de revolta e de medo.

Medo. Medo esse que, por uma razão que eu entendo perfeitamente, toda a gente está a tentar esconder. Hoje, um dia depois do acontecimento, todos nós andamos pelas redes sociais a partilhar fotos e tweets a dizer "We are not afraid". Nos conhecidos "boards" do metro, onde todos os dias é escrita uma mensagem inspiradora, mensagens sobre o que aconteceu são escritas, acompanhadas pela referida frase. Mas eu acho que é tudo uma grande treta.

Eu estou com medo. Eu escolhi esta cidade para viver. Aqui vivo há já quase dois anos. Não faço tensões de me ir embora assim tão cedo quanto isso, apesar de todas as complicações que o Brexit possa vir a causar. Contudo, eu sei perfeitamente que isto é só o começo. O começo de uma jornada que, infelizmente, vai conter muitos mais destes acontecimentos e actos de terrorismo. Porque foi isso que aconteceu. Infelizmente, este país está a ficar mais fraco. O Reino Unido já não é Unido coisíssima nenhuma. Claro que o Brexit é um dos grandes culpados. Mas o pior são as pessoas. As pessoas estão, dia após dia, a esquecer-se que ao final do dia, nós somos todos seres humanos. 

Há seres humanos bons e seres humanos maus. Mas isso é em todo o lado. Só que as pessoas esquecem-se disso quando coisas destas acontecem, que geram o pânico e o medo e a aversão às pessoas que, para eles, são e serem sempre "outsiders". Emigrantes. Mesmo que esse não seja o caso, a verdade é que, isto assusta qualquer pessoa. Eu, que não estou no meu país, estou assustada. Sei lá se amanhã não se lembram de ir ali ao centro comercial onde eu trabalho, que é só o maior centro comercial de North West London, fazer algo do género ou pior?

Estas coisas fazem-nos pensar. E duvidar. E reconsiderar as nossas escolhas e o nosso futuro e o futuro do país e do mundo que habitamos. Faz-nos ter medo. Não escondam o medo que estes acontecimentos nos fazem sentir. Porque é natural termos medo. Somos apenas seres humanos. Dizer que não temos medo não vai fazer com que coisas destas não aconteçam de novo. Ter medo não é vergonha. Vergonha é não fazer nada quanto ao medo que sentimos. 

O telefone lá de casa, ontem, tocou mais vezes do que durante o ano todo quando as notícias chegaram às televisões portuguesas. Pessoas que nem sequer vejo quando vou a casa, a telefonar aos meus pais a perguntar se eu e os meus amigos estávamos bem. Felizmente, nós raramente andamos pelo centro de Londres. Mas podia ter-nos dado na cabeça lá ter ido. É só meia hora de viagem no metro. E nunca se sabe quando ou onde será o próximo.

Porque vai haver próximo, infelizmente. Não podemos mostrar medo, eles pensam. É a única forma de os vencermos. Eu cá também sou assim. Nunca mostro medo. Nunca mostro as minhas fraquezas. Porque se o inimigo sabe as nossas fraquezas, fica um passo mais perto de nos derrotar. Contudo, no que toca a estas coisas, acho impossível pedir às pessoas para se fazerem de fortes. O medo está instalado.

Agora é tentar fazer algo com ele. Não deixar que nos consuma ou impeça de continuar com as nossas vidas. Porque aí sim, caminharemos para a derrota.

24
Jun16

Depois disto, só falta o Trump chegar a presidente


alex

Com o resultado do referendo sabido e a vitória dada à Brexit, só tenho a dizer que todos os que votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia cavaram a sua própria cova.

Acha que as pessoas não votaram plenas das consequências que esta situação vai trazer, também para os países da Europa e imigrantes, mas especialmente para todos os Britânicos.

A banca vai sofrer, os negócios vão sofrer, as empresas, o comércio, tudo vai levar uma valente sacudidela e não sei quantos vão permanecer em pé depois desse abalanço. 

Esta decisão não vem só cavar as covas dos imigrantes, vem cavar covas para todos os habitantes do Reino Unido e da Grã-Bretanha e penso que ninguém pensou muito bem a fundo sobre isto. Só queriam que o Reino Unido saísse para deixar de ser tão fácil a entrada de imigrantes no país.

Pois agora vou gostar de ver o desenrolar desta situação e quiçá, ver um dos grandes países do mundo a sucumbir e a enterrar-se por completo, porque uma coisa é certa: o feitiço vai acabar por se vir contra o feiticeiro, sem dúvida.

Como imigrante no país da sua majestade, só tenho a dizer que estou relativamente tranquila. Ainda vai demorar uns dois anos, no mínimo, para que esta situação se resolva por completo e o país esteja de facto fora da união europeia. Até lá, acabo o meu curso, arranjo um visto ou então, parto para outro ninho porque o que não faltam aí são países pertencentes à União Europeia.

Agora que isto é muito triste, é, de facto e faz-me perder a fé na humanidade. Agora só falta o Trump chegar a presidente dos Estados Unidos... aí é que ficaria mesmo visto que o ser humano está perdido, por completo.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D