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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

28
Abr19

Regressar


alex

A vida realmente ainda não tem parado de me surpreender. Toda a gente que me acompanha aqui no blog sabe que a minha jornada por estes lados nunca foi fácil e porque é que havia de começar a ser agora?

Desde o último post que o barco foi novamente abanado e eu quase cai borda fora. É difícil de escrever sobre a situação sem a explicar do principio ao fim e com todos os pormenores, mas isso é algo que não quero fazer. Quero apenas escrever este texto como forma de exteriorizar tudo o que tenho vindo a sentir nesta última semana. 

Tudo aconteceu na segunda-feira. Uma nuvem cinzenta e carregada chegou e fez das suas. O meu barco foi completamente abanado e eu quase cai à água. Chorei muito. Fiquei muito revoltada. Indignada. Senti-me traída e queria poder culpar alguém, mas não havia ninguém para culpar. A minha mente não descansou nos dias que se seguiram. Imensos pensamentos ocuparam a minha cabeça e o sono que tive foi pouco. A vontade de aqui continuar, ainda que por apenas mais 4 meses, caiu a pique. Fiquei bastante desamparada e sem saber o que fazer. Hoje, mais tranquila e já tendo aceitado a situação, escrevo este texto para não me esquecer que, mais uma vez, fui posta à prova pela vida e quase perdi. 

Mas depois de muita lágrima, muita frustração, raiva e medo da incerteza do passo seguinte a dar, peguei em mim mesma e comecei a pensar de uma forma mais positiva. Tudo acontece por uma razão e talvez isto tenha sido um mal que veio por bem. De facto, mudou um pouco os meus planos, deixou-me abalada porque envolve outras pessoas e envolve traição, falta de escrúpulos e muitas emoções negativas, mas não me posso deixar consumir por elas.

Tenho um objectivo, que é voltar para Portugal no final do mês de Agosto com algum dinheiro amealhado. E não há-de haver nada nem ninguém que me vai conseguir distrair tempo suficiente desse meu objectivo. Este há-de ser só mais um obstáculo no meu percurso e tenho de me continuar a lembrar de que, o mais importante, ainda tenho. 

De cabeça erguida, de consciência tranquila, contudo de coração pesado, vou ter de continuar este percurso, com alguns planos mudados, mas ainda com o mesmo objectivo bem claro na minha cabeça.

Regressar a casa.

21
Abr19

Devagar...


alex

As insónias continuam. Mais textos surgiram delas. Muitos deles sobre fugir, outros cheios de rancor, mágoas, até um pouco de ódio. Todos eles sentimentos muito negativos, os quais não sei se me atrevo a partilhar aqui como partilhei da última vez.

Queria muito que os meus últimos meses aqui fossem pacíficos, sem energias negativas a assombrarem-me, sem ressentimentos... mas como já estamos fartos de saber, a vida nunca toma o curso que nós queremos/planeamos. Acho que estou demasiado ansiosa para partir. Sou assim, sempre fui. Quando finalmente tomo uma decisão, quero poder pôr-la em prática na altura, já. Mas não me é possível, porque este tipo de mudanças não podem acontecer do dia para o noite. Continuo, dia após dia, a tentar manter-me positiva, calma, a tentar aproveitar o tempo que me resta por aqui...Mas trabalhar full-time num sítio onde nem sempre te tratam como deviam, consegue por vezes baixar-nos muito a moral. A semana passada fui de férias a Portugal, foi uma viagem curta de apenas 5 dias, mas foi exactamente o remédio de que estava a precisar. Ironicamente, esta semana apanhei uma valente constipação que me deixou de cama nos últimos dois dias. Hoje, já me sentindo melhor, resolvi ligar o computador e exercitar os dedos; dar uso a este teclado que tem andado coberto de pó. Como disse, fui a Portugal e foi uma surpresa...não disse a ninguém que ia e surpreendi pais e irmã e família extensa. As reacções foram de morrer a rir e ficaram gravadas. Não as partilho por razões óbvias, mas acreditem em mim quando vos digo que foram reacções muito divertidas (com lágrimas incluídas!)

Foram cinco dias apenas mas estava mesmo a precisar. Já não ia de férias desde a primeira semana de Novembro e digamos que tirei um pouco a barriga da miséria. Mas não o suficiente. Talvez seja porque fiquei doente, num estado mesmo terrível em que não consegui dormir durante a noite porque acordava encharcada de suor e com falta de ar, mas depressa se instalou novamente aquele sentimento tão meu conhecido de ansiedade, quase depressivo, digamos. A minha cabeça anda sempre longe...estou no trabalho mas a maior parte das vezes a minha mente está noutro sítio. Faço planos para a minha vida daqui a 4 meses e não presto muito atenção à minha vida agora, nem ás pessoas que fazem parte dela. Penso nas pessoas que vão estar na minha vida daqui a 4 meses e não passo muito cartão às que estão agora. Sinto-me culpada por me sentir assim, mas ao mesmo tempo sinto-me no direito de me sentir assim. É complicado. É uma luta interna diária. E às vezes a vida não facilita, as pessoas também não.

O melhor que eu tenho a fazer é não pôr tanta pressão sobre mim mesma. Não me sentir tão culpada. Não me sentir tão ansiosa e desesperada. Levar as coisas com calma. Respirar fundo várias vezes antes de dizer coisas que não deva, mas também aproveitar que já que me vou embora, posso dizer uma ou outra coisa que me anda entalada. Saber balançar mais a balança.

Devagar se vai ao longe...afinal de contas, não foi a tartaruga que acabou por ganhar a corrida contra a lebre?

27
Mar19

Darkness (ou coisas que são escritas quando se sofre de insónias)


alex

Ás vezes gostava de poder fugir. Agarrar no meu casaco e sair. Fechar a porta e não olhar para trás. Gostava de poder correr livremente pela rua abaixo, não porque estou a correr na direcção de algo ou porque estou a fugir de algo, mas simplesmente porque quero poder sentir o ar frio deste Inverno sem fim na minha pele. 

Ás vezes quero gritar. Gostava de poder gritar. Correr durante muito tempo, cansar as minhas pernas de tal forma e negar ar aos meus pulmões ao ponto de não conseguir respirar. Correr durante tanto tempo e a tanta velocidade, que acabaria num lugar muito longe, sozinha. Sozinha, para que pudesse gritar, um grito que viria do lugar mais fundo e obscuro do meu corpo. Um grito que me deixaria muda, incapaz de falar.

Ás vezes gostava de não ter de falar. Ou ouvir. Ás vezes só quero existir. E outras vezes, apenas quero que toda a gente não exista.

Ás vezes quero estar sozinha. Tão só que possa sentir essa solidão em todos os ossos do meu corpo.

Estou cansada do barulho. Estou cansada das cores. Estou cansada do movimento.

Ás vezes desejo pelo escuro, pela completa escuridão. Preto. Não branco e preto, não a cores. Preto.

Escuridão. Ás vezes desejo por ela.

Outras vezes, torno-me nela. Afundo-me nela. Sou ela.

Escuridão.

01
Mar19

Neste post quero (apenas) dizer...


alex

Desde a última vez que vos escrevi, quatro pessoas novas subscreveram ao blog. Nesse dia, estava no trabalho e lembro-me de receber emails com as notificações e pensar para mim "Mas o que será que aconteceu que de repente tenho estas pessoas todas a subscreveram ao blog? Será que publiquei alguma coisa e não me lembro?"

Mas não, de facto a última vez que publiquei algo foi no inicio do mês de Janeiro. Fiquei confusa, mas fiquei mais agradecida. E contudo não abri o blog durante mais um mês depois disso. Porque aconteceu tudo. Tudo o que podia acontecer (de mau) nestes últimos meses, tem acontecido. Dias depois de ter postado o texto a desejar um bom ano, fui para o hospital de emergência com uma possível apendicite. Acabou por não ser apendicite mas sim um quisto no ovário que rebentou e me causou dores que eu nunca antes tinha experienciado. Dois dias no hospital, muitas horas a jejum, muitos testes depois, vim para casa com menos uns quilos e uma constipação forte, porque os hospitais são terríveis, com todo o tipo de bactérias e doenças possíveis. Fiquei uma semana em casa, não pude ir a um dos concertos para o qual já tinha comprado bilhete, deprimi muito, quis ir para Portugal e a coisa passou-se. Desde aí, pequenas coisas têm vindo a acontecer, especialmente no trabalho. Recentemente, algo aconteceu que deixou a loja de pernas para o ar, comigo a trabalhar 10 dias de seguida sem folgas. Não quero entrar em detalhes porque é algo pessoal mas a verdade é que, este ano ainda só tem dois meses, connosco a entrar no seu terceiro hoje, e eu já estou exausta. Completamente sugada de qualquer tipo de boa energia, como pouco, durmo pouco e sorrio cada vez menos. Não queria de todo que este ano começasse desta forma contudo, há coisas que acontecem que estão fora do nosso controlo. 

Com isto dito, hoje lembrei-me do dia em que recebi 4 notificações do blog a dizer que tinha novos subscritores. Não me perguntem porquê, simplesmente veio-me à cabeça. E resolvi por bem espreitar o sítio (ainda cá está, uau!) e dizer, do fundo do meu coração, obrigada a todos aqueles que descobrem o blog (sabe-se lá como), lêem e subscrevem. Não percebo porque é que alguém subscreveria a um blog cuja "autora" publica muito esporadicamente e quando o faz parece que é só para pedir desculpa por não publicar com mais frequência ou para se queixar. Mas agradeço na mesma, muito.

Não farei promessas de publicar com mais frequência, especialmente agora que estamos a atravessar uma altura complicada na loja e a minha carga de trabalho duplicou, mas com certeza que continuarei a pedir desculpa por escrever pouco e queixar-me demais. Mas neste post, essencialmente, quero apenas dizer...

Obrigada. 

01
Dez18

Este Dezembro...


alex

Vai passar a correr. Porque eu não quero que ele passe rápido e é quando nós queremos que o tempo pare, ou pelo menos abrande um bocadinho, que o mesmo não nos dá ouvidos e prega a fundo.

No mundo do retail, o mês de Dezembro é o maior mês do ano. A Black Friday é importante, sim, mas é o mês de Dezembro que dá frutos. No caso da minha loja, fizemos mais dinheiro no mês de Dezembro, do ano passado, do que em metade do ano inteiro. Como Manager, há muito para fazer por detrás da cortina e como tal, o cansaço vai pesar em mim. Mas se houve alturas em que ir trabalhar era um suplicio, este ano, com todas as (boas) mudanças que 2018 me trouxe, já não detesto ir trabalhar. Talvez porque agora recebo muito bem, para aquilo que faço. Nunca pensei chegar a ganhar o dinheiro que ganho aos 22 anos de idade. 

E no entanto, é neste mês de Dezembro que me apercebo de uma coisa muita simples: até o dinheiro que agora ganho vem com um preço. Nunca ganhei tanto dinheiro (quem ler isto assim ainda pensa que eu faço uma fortuna, não é esse o caso) como ganho presentemente, no entanto, nunca passei um Natal completamente sozinha. E no entanto, é neste mês de Dezembro que tal vai acontecer.

Em 2015 os meus pais e a minha irmã conseguiram voar até cá para passarem o Natal comigo. Em 2016, a contracto de part-time, consegui ir a casa uns dias. Em 2017, com um contracto de mais horas mas ainda a part-time, não fui passar o Natal mas fui passar uns dias de 26 a 31 e ainda passei o Natal cá, acompanhada pela família de uma das minhas colegas de casa. Este ano, com uma nova posição de trabalho, a contracto fixo de 40h, sem possibilidade de tirar férias porque Dezembro é o chamado período "blackout" em retail, onde ninguém pode tirar férias, ficarei aqui. Sozinha. 

Não tenho problemas em estar só comigo. Na maior parte das vezes, até prefiro porque os seres humanos conseguem ser cansativos. Não sou a pessoa mais natalícia que existe, verdade. Contudo...entristece-me, não posso mentir. Ver as minhas colegas de casa, umas a poderem ir a Portugal, outras a viajarem para o Sul de Inglaterra onde moram os pais, outras a voarem com o marido para a Madeira...e eu cá fico. Não é o fim do mundo...não. Mas é triste. 

Nunca pensei ganhar o que ganho aos 22 anos de idade...mas também nunca pensei ter de passar o Natal sozinha aos 22 anos de idade. Mas é com isto que quero voltar a afirmar que não se pode ter tudo. E é de consciência tranquila que, daqui a um ano se tudo correr bem, vou tomar a decisão de ganhar muito menos (provavelmente até mesmo nada) para ao menos poder passar um Natal de jeito com os meus, pela primeira vez em quatro anos. Sem preocupações, sem datas de partida, sem mensagens do outro lado da Europa a chatearem-me a cabeça e a estragarem-me o serão...

Tudo na vida tem um preço. Este ano, o meu Dezembro vai-me custar muito. Para o ano, vai-me custar de forma diferente. Mas vou poder sentar-me no sofá, de sorriso nos lábios, pobre em dinheiro mas rica noutras coisas. Porque este dinheiro todo que eu ganho hoje...amanhã já não existe. Mas por agora, vai-se ganhando e vai-se juntando. 

Este Dezembro vai passar a correr. E 2018 vai terminar. Vou ter de dizer adeus ao melhor ano que vivi neste país. 

Este Dezembro vai ser triste.

Este Dezembro é o último. 

Aqui.

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