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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

11
Mai14

Let it go now so you don't have to let it go tomorrow

alex

O ser humano tem dificuldade em deixar para trás o que tanto o fez feliz durante um determinado período de tempo. A Vida dá-nos mais do que provas de que nada dura para sempre. A certa altura, aquilo que nos convencemos tanto de que iria ser "para sempre" (apesar de para mim isso não existir) deixa de ser sequer o nosso presente. Por isso agarramo-nos a isso, de tal forma, que nos impedimos de viver.

Ficamos agarrados a um presente que se transformou em passado. Está-nos no sangue. Somos teimosos, doidos, amamos demasiado e não sabemos quando largar, como o Jack do Titanic soube fazer. Ele soube quando largar; se calhar até nem tinha de o fazer porque era provável que coubessem os dois deitados naquela porta de madeira flutuante. Mas mesmo assim, ele largou (para quem ainda não viu o Titanic, a esta altura do campeonato acho que isto não é spoiler nenhum, porque todos nós sabemos o que acontece, mesmo aqueles que nunca viram o filme.)

Há que saber quando largar. Quando deixar para trás. Porque quer queiramos ou não, a Vida é isto mesmo. É feita de passados, presentes e futuros, uns não existem sem os outros, e um não pode ocupar o lugar do outro.

Se é fácil? Não. Não é suposto sê-lo. Se é justo? Claro que não. Porque é que temos de deixar para trás algo ou alguém que nos fez tão feliz?

Pela simples razão de que já não faz. Essa pessoa já não está connosco, já não nos proporciona felicidade. As memórias que guardamos da pessoa, dos momentos que passamos com ela...tudo isso nos dá uma sensação de felicidade, que depressa desvanece quando somos trazidos de volta à realidade e nos vemos sozinhos, sem a pessoa ao nosso lado. É por isso que é importante trabalhar, todos os dias, para deixar para trás aquilo que já não faz parte do nosso presente. Porque nos agarramos facilmente à ilusão de felicidade, embrulhamo-nos em pensamentos, memórias, começamos a criar nós próprios um mundo de "ses", um mundo de fantasia onde o que realmente aconteceu e o que nós gostávamos que tivesse acontecido se misturam e nos engolem.

Há que saber reconhecer quando algo que, em tempos nos fazia verdadeiramente feliz, já só nos prejudica. Há que ter a noção de que o ser humano é daquela espécie que consegue amar mais do que uma vez na vida, pura e verdadeiramente. Não somos como alguns pinguins que acasalam para toda a vida. Temos a capacidade de amar mais do que uma vez, mais do que uma pessoa, mesmo quando pensamos que esta é a tal, esta pessoa é aquela que me vai fazer feliz para o resto da vida. O ser humano engana-se muitas vezes ao longo da vida.

Por isso, podemos perder a felicidade que nos é proporcionada por aquela pessoa, mas com tempo, vamos encontrar alguém que nos faça sentir igualmente felizes ou talvez até mais. Vamos encontrar a nossa felicidade duradoura, e não aquela que só nos é proporcionada durante um determinado período de tempo. Porque quando encontramos a pessoa certa.... a felicidade é como as pilhas Duracel: dura e dura e dura.

Mas há que saber deixar ir aquela que não durou e não fazer força para que esta se prolongue. Não podemos estar numa relação connosco próprios, ou seja, não podemos continuar a viver dentro da nossa própria cabeça onde estão guardadas as memórias e os momentos de uma felicidade que já só não passa disso: memórias, momentos.

Temos de abrir os olhos, sair de dentro da nossa própria cabeça e ver que há algo bom e melhor à nossa espera cá fora. No mundo real. Pode demorar, e vai demorar muito provavelmente. Mas um dia, essa espera vai valer a pena. Eu não costumava acreditar nisto.

Hoje acredito. Nada dura para sempre, mas há coisas que duram até ao dia em que deixamos de existir.

A isso chamamos de Amor e quando se encontrar o certo... não vamos ter de aprender a deixá-lo para trás.

08
Dez13

Let go

alex

Tem sido fácil. Bloquear-te da minha mente, dos meus pensamentos. Tem sido fácil evitar pensar em ti. Recordar todo um passado e concentrar-me no presente. Tem sido fácil, durante o dia.

Ocupo a minha mente com tudo o que possas imaginar. Mas é de noite que não tenho forma de escapar aos meus pensamentos, aos meus sonhos. E é aí que me apanhas, que me encurralas, que me deixas entre a espada e a parede. Acordo a meio da noite com uma sensação no peito que não consigo descrever. É pior do que quando se fica com falta de ar. É pior do que quando se é atropelado por um camião e o nosso peito é esmagado. É pior do que qualquer outra coisa que um ser humano possa alguma vez vir a sentir na vida.

A dor de amar é a pior dor delas todas. É de noite que dói. É no escuro que choro. É nele que me refugio e que me deixo pensar em ti, sonhar contigo. Porque não tenho controlo. Não tenho controlo sobre os meus sonhos, e como tal, tu apareces em quase todos. É como se nada tivesse mudado. Estás ao pé de mim e eu quase que consigo sentir o teu toque, uma vez mais. Estás tão perto; é tão real. Sinto o teu cheiro característico, sinto a tua voz junto ao meu ouvido, sinto o calor a dançar em mim; o calor do teu toque, da tua mão na minha. Sinto o doce dos teus lábios, oiço a tua gargalhada como se a mesma viesse de mim; bem de dentro de mim. Sinto-te e amo-te, uma e outra e outra vez. É tão real que dói. Estes sonhos que me perseguem, magoam porque neles, é como se o tempo não tivesse passado, como se nada tivesse acontecido, é como se nunca tivesses deixado de me amar, como se nunca tivesses desistido. Nos meus sonhos o tempo não existe. O mundo real não existe. Existe apenas o amor, aquele que na nossa realidade se perdeu e que foi encontrar o seu lugar no único sítio que desprezo mais do que o mundo real: os meus sonhos.

Porque esses eu não controlo. Quem me dera que fosse ao contrário. Quem me dera poder dormir todas as noites sem ser assaltada por um sonho onde a tua cara é tudo o que vejo. Quem me dera que ela surgisse antes à luz do dia, quando poderia enviá-la para os cantos mais reconditos da minha mente e sorrir, orgulhosa por te deixar onde pertences: no passado.

Quem me dera que surgisses durante o dia, porque durante a noite, quando tudo é escuro, não consigo controlar o quanto te amo, o quanto dói, o quanto ainda me dói. Não consigo ignorar, não consigo fingir. No mundo real nada é real. É tudo a fingir. Mas ao menos não dói tanto como quando estou emersa no mundo dos sonhos, onde tudo é tão real que dói. Dói tanto que não sou capaz de me obrigar a abrir os olhos. Não sou capaz de te deixar ir. Porque apesar de doer, só dói quando abro os olhos e me encontro sozinha no escuro. Porque quando estou nesse mundo, nada dói. Tudo é perfeito de tão irreal que é. Mas não quero viver nesse mundo. Muito menos quero que tu lá estejas. Por isso sai. Sai, porque por muito que ame que vivas nos meus sonhos, amaria ainda mais que vivesses comigo, aqui, na realidade. E se tal não é possível, não te quero em nenhum dos dois.

Saí e não voltes. Deixa-me ter noites descansadas, iguais aos dias que passo sem pensar em ti, sem derramar lágrimas por ti, sem aquela dor imensa no peito que me impede de funcionar. Deixa-me ir. Deixa-me ser. Deixa-me amar. Deixa-me ser feliz e livre de ti, não só durante o dia, mas também, e principalmente, durante a noite.

Deixa-me ir. Mas acima de tudo, deixa-te ir e não voltes, nunca mais, para mim. Porque se não te posso ter no nosso mundo, não te quero ter no meu, onde tudo é irreal, onde tudo não passa de um sonho, do qual desperto sempre apenas para verificar que a dor ainda lá está.

 

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