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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

27
Dez14

Uma década!

alex

Hoje a minha peste faz 10 anos. E eu só a vou ver lá para as 19h da noite.

MELHOR DIA DE SEMPRE!

Estou a brincar, como é óbvio. Apesar de ela ser dez vezes pior no dia de anos dela do que em qualquer outro dia do ano (Natal incluído, a criatura não se cala um bocadinho e anda pela casa literalmente aos saltos, a cantar e a falar que nem uma peixeira, nossa senhora!)

Ontem vira-se para a minha mãe e diz sem rodeios:

"Amanhã quero o meu quarto a brilhar! É os meus anos, por isso, vais levantar-te às seis da manhã para começares a arrumar o quarto mãe!"

Nós desatámos às gargalhadas. Só para vocês verem com o que é que nós temos de viver...e ainda dizem que ela é fofinha e carinhosa....pois.

A criatura completa hoje 10 anos e já tem esta personalidade que herdou não sei de quem. Mas a peste também sabe ser querida e carinhosa, quando quer. Se estiver para aí virada, aparece no meu quarto de surra e vem-se abraçar a mim, a dizer:

"Ai maninha, gosto tanto de ti!" - A minha reposta é sempre: "andaste a bater com a cabeça nas paredes ou algo do género?"

Se me vê a chorar, vem logo fazer-me festas e dizer na sua vozinha, com sotaque de sopa de massas (como eu lhe chamo na brincadeira, porque eu sei que ser sopinha de massas não é ter sotaque): "não chores mana, vai ficar tudo bem".

Também é uma grande melga e eu passo-me com ela mais vezes do que aquelas que consigo contar. Ora é porque ela chega a casa e quer comer mas recusa-se a lavar as mãos, ora é porque eu estou no computador e a criatura vai lá cuscar as minhas coisas, ora é porque apanha o meu telémovel em cima da cama e mete-se a brincar com ele, ora é porque leva coisas minhas "emprestadas" e depois nunca mais lhes ponho a vista em cima...enfim, podia escrever um livro com a lista de coisas que ela faz que me fazem saltar a tampa.

Agora deu para querer ser amiga dos meus amigos. Já pediu em amizade a uns quantos deles no facebook e fala com eles no chat como se nada fosse. Confesso que a isto, eu até acho piada!

Aliás, se há coisa que a minha peste faz para além de me pôr vermelha de raiva, é pôr-me vermelha de tanto rir. Ela é uma comédia. Porque é uma trapalhona, porque sai-se sempre com comentários dos quais nunca ninguém se lembraria de dizer e porque apesar de fazer hoje 10 anos, ainda é uma menina.

Se há crianças com 10 anos que já são um pouco mais maduras, a minha irmã não é uma delas. Mas ainda bem - quero que ela preserve durante o tempo que conseguir a essência de criança, porque ser adulta neste mundo é uma coisa muito cruel.

Outra coisa muito importante e curiosa que também passo a partilhar com vocês: para além de criatura, peste, chata e mana, um nome carinhoso que lhe chamo assim de vez em quando é....preparem-se porque vai doer...."amor".

É. Eu que odeio esse termo, eu que quase que vomito quando oiço outras pessoas (casais na sua maioria) a tratarem-se por "amor" e não pelos nomes, chamo "amor" à minha irmã.

Exemplo: Ela agora anda a chatear-me para eu lhe tirar umas 20 músicas da Violetta, da internet. E eu ontem disse-lhe: "epá tens de esperar amor, que a mana está sem computador" (é verdade, estou-vos a escrever de um computador que não é o meu...)

Mas sim. Eu que sou um bloco de gelo, que não sou conhecida por ser carinhosa, de vez em quando, sou uma querida para a minha peste e trato-a por "amor".

Eu culpo as bochechas fofinhas dela.

Parabéns então à minha peste chata que é a razão do meu sorriso e a razão do meu mau-humor, tudo num só dia, todos os dias desde 2004.

26
Out14

Ser irmã mais velha

alex

Pode ter vários significados para várias pessoas. Depende tudo da situação familiar, dos anos que separam um irmão do outro, da relação que estabelecem por causa disso.

Eu e a minha irmã temos nove anos de diferença. E somos diferentes em muitos aspectos e noutros, parecidas demais. Um dos problemas é esse. A juntar-se a esse, vêm outros tantos.

Para já, a grande diferença de idades. 

Depois, a forma como eu fui educada e a forma como ela está a ser educada - eu tive uma educação muito mais rígida do que ela e tive de crescer muito cedo.

Depois há toda aquela questão de, sem me aperceber, o meu lado maternal vir ao de cima mesmo quando os meus pais estão connosco. Porquê?

Durante dois anos fui mais do que irmã - fui mãe. E ainda hoje não consigo deixar de agir como tal, apesar de as coisas já terem mudado (para melhor).

Não consigo evitar. Não gostava de ser minha filha, digo-vos já. Porque sei perfeitamente que sou muito rígida com a miúda, que sou uma chata de primeira, que estou sempre a atazanar-lhe o juízo. Mas isso é só porque eu quero o que é melhor para ela.

Ainda no outro dia fomos a uma festa de aniversário e a criança não parava de devorar a comida toda que lá estava. Não me interpretem mal, eu não tenho problemas em que ela coma guloseimas, chocolates ou coisas que não são saudáveis porque, sejamos honestos, ela está na idade para isso. Agora, ela andava a fazer umas misturas que não eram as melhores - era bolo de chocolate com tostas de atum por cima, mais bolachas oreo mais tostas de atum a seguir. E isso só resulta numa coisa:

Uma grande dor de barriga.

Só que a minha mãe estava nem aí. "Deixa a miúda comer!" Dizia-me ela. Eu deixo! Não quero que ela passe fome e festa é festa! Mas ou se come de uma espécie ou se come de outra senão já se sabe que ela, com o estômago que tem, mais cedo ou mais está a queixar-se de dores de barriga!

A minha mãe nada fez e eu fiz por ela. Ficaram todos admirados e a minha mãe encolheu os ombros e disse que era normal eu agir como se fosse a mãe.

Isto é só um exemplo para dar uma melhor imagem do tipo de relação que eu tenho com a minha irmã. Não temos aquela relação de irmãs que são amigas, que partilham gostos e interesses uma com a outra - ela passa a vida a ver a Violetta e eu acho aquilo uma grande parvoíce.

Para além do mais, o facto de ela ser ainda muito infantil, apesar de ir completar dez anos em Dezembro, só contribui ainda mais para que eu aja como mãe dela.

E esta sexta-feira que passou, foi a entrega oficial dos diplomas na minha escola e depois disso fomos todos ao novo McDonalds aqui do sítio. Levei a minha irmã comigo e ao final da noite acabamos todos num parque infantil, crianças de 18 a andar de baloiço com a criança de 9 que ria que nem uma perdida. Acabamos por falar sobre...isto mesmo. Ser irmã mais velha. E eles próprios me disseram que eu ajo como se fosse mãe dela.

Eu percebo que quem não tenha queira ter - eu durante nove anos chateei tanto os meus pais para ter uma irmã que eles, ao fim desse tempo todo, me deram uma.

Contudo, às vezes, ser irmã mais velha e principalmente ser irmã mais velha da minha irmã, é uma responsabilidade que eu gostava de às vezes não ter. Eu amo-a, do fundo do meu coração...mas às vezes gostava que ela fosse um bocado mais velha, com idade mais próxima da minha porque ser mãe aos dezoito anos nunca foi o meu plano.

Muitas vezes tenho de fazer a minha vida à volta dela. Tenho de deixar sítios onde me estou a divertir, com amigos, por causa dela. Muitas vezes tenho de mudar planos por causa dela. Muitas vezes vão todos a algum sítio e eu não por causa dela.

Sinto-me, muitas vezes, mais como mãe do que como irmã mais velha.

Talvez seja por isso que sou tão rígida para com ela, tão chata, tão protectora dela.

É como se fosse minha filha.

E às vezes, dou comigo a desejar que assim não fosse. Ás vezes gostava de ser só a irmã mais velha. Mas foi assim que as coisas aconteceram e não vão mudar. Porque ao fim de nove anos, a relação entre mim e a minha irmã está mais do que estabelecida. Talvez mude quando eu tiver trinta anos e ela vinte e um, mas cheira-me que não.

Ela será, para sempre, a minha pequena peste. Aquela com quem eu ralho por coisas mínimas, com quem eu me enervo todos os dias, com quem eu perco a cabeça por completo. Mas vou ter sempre esta maneira maternal de ser para com ela; vou sempre chatia-la para vestir o casaco mesmo que ela não queira com medo que ela se constipe; vou sempre ralhar com ela quando ela corre num pavimento não muito seguro, com medo que ela caia e parta alguma coisa. 

Vou ser sempre uma mãe galinha.

Ser irmã mais velha da minha irmã é ser, basicamente, uma mãe galinha.

Daí não fazer questão de ter filhos.

Já tenho uma que me vale por dez.

15
Set14

Regressar

alex

Como boa irmã mais velha que sou, hoje fiz questão de me levantar de manhã bem cedo para ir à apresentação da minha irmã. A criatura começa amanhã uma nova etapa da sua vida e eu estou mais preocupada que ela.

Aliás, nós somos os únicos que estamos preocupados - a criatura quer é que chegue o dia 22 de Setembro porque já não consegue esperar pela segunda temporada da Violetta...

Só assim vêm o porquê de eu estar preocupada. 

A minha irmã tem nove anos. É uma autêntica criança que vai ser empurrada para o mundo real como se de um penhasco se tratasse - e eu aqui com medo que ela caia e se magoe forte e feio. Quando fui eu, há oito anos atrás, não conhecia ninguém -literalmente. Vim de uma outra cidade, para uma outra mais perto da minha casa, enquanto que todos os que estavam a entrar para o 5º ano naquela altura, já se conheciam todos porque aquela escola era do 1º ao 9º - e todos eles já se conheciam porque já lá andavam.

Para mim foi um choque autêntico mas como era uma criança diferente daquela que a minha irmã é - eu sempre fui ligeiramente matura para a minha idade - lá consegui desenrascar-me. Só que por muito desenrascada que uma pessoa seja, há sempre quem esteja pronto para se aproveitar das nossas fraquezas - naquela altura, as minhas eram a ingenuidade e a falta de tomates para falar de minha justiça (por outras palavras, deixava que me espezinhassem).

Daí o nervoso miudinho que sinto na barriga - pela criatura a que tenho o prazer de chamar irmã e que vai amanhã para o 5º ano, qual menina crescida. Tenho medo que ela passe pelo inferno que eu passei durante dois anos. Tenho medo que se aproveitem do facto de ela ainda ser muito infantil e de viver no seu mundinho Violleta. Medo que façam à minha irmã pequenina aquilo que me fizeram a mim - que a impeçam de ser uma criança, feliz e saudável. Tenho medo que a obriguem a construir muros e mais muros à sua volta para que ela se consiga proteger - o que depois faz com que ela se torne numa pessoa desconfiada e amargurada, negativa e fria (como a irmã mais velha).

Eu sei que somos todos diferentes e que há oito anos atrás as coisas não eram bem como são hoje - mas é isso que me assusta ainda mais. É que eu não sei se era mau antes ou se é mau agora - ou se é ainda pior agora do que era antes!

Claro que isto é um passo inevitável que haveria ter de ser dado a certa altura da vida dela, mas mesmo assim, não torna tudo menos assustador.... Para mim, lá está, porque ela está agora confortavelmente na sua cama a ver o Disney Channel sem uma única preocupação no mundo.

Mas por um lado, ainda bem que está. Deixem que os nervos sejam todos meus e que ela amanhã comece esta nova etapa com o coração livre de palpitações e um sorriso acriançado nos lábios.

Porque apesar de ela ser uma peste autêntica e de eu ser, mais vezes do que aquelas que gosto de admitir, dura para com ela dizendo que "Tens de crescer, tens de deixar de ser tão criancinha, já vais ter outro tipo de responsabilidades, blá blá blá" - apesar disto, continuo a querer, bem cá no fundo do meu coração, que ela seja só e apenas uma criancinha.

A minha pequenina criatura; o meu bichinho do mato.

Custa vê-la crescer e tenho mais medo por ela do que tive na altura por mim.

E a minha mãe já nem sequer tem estas preocupações porque já passou por isto comigo - mas para mim é tudo novo. Este sentimento de querer que eles cresçam porque, sinceramente, há que pensar em outras coisas para além do Leon e do Tomas (personagens da Violetta), mas ao mesmo tempo querer que eles parem de avançar na vida e que permaneçam os nossos bebés para todo o sempre.

É esquisito.

E é por isto que ter filhos não está, de forma alguma, na minha lista de prioridades na vida.

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