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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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01
Fev16

Uma pontade de inveja

alex

Tinha três semanas de férias para gozar até ao final do mês de Março. Tirei a primeira esta semana que passou, vou tirar outra em Fevereiro e outra em Março para poder ir passar a Páscoa a casa.

No entanto, não sei se lhe posso chamar férias, o que tive esta semana. Mas foi uma semana que eu precisava de ter para organizar a minha vida. Tinha de ir ao banco tratar de uns assuntos, tinha de ir inscrever-me no sistema de saúde nacional e de ir a uma consulta. Tinha de organizar os meus trabalhos da uni.

Fiz tudo. Até parece mentira. Tive tempo de ir às aulas, tive tempo de ir ao banco, tive tempo de ir ao médico...tive tempo para organizar a minha vida.

Amanhã já vou trabalhar. Esta semana estou a trabalhar até às 22h três dias de seguida. O meu coração quase que me caiu aos pés. Depois de uma semana sem ter de me preocupar com aquela loja, voltar esta semana e ainda por cima com o horário que tenho...deitou-me abaixo.

Para piorar a situação, a minha querida mãe completou no sábado 50 anos de vida. Fiz skype com ela e vi a família e os amigos todos reunidos lá em casa. Disse olá a todos. Sentei-me, aqui nesta mesma secretária, depois de ter cantado os parabéns, a ouvir, a ver. Simplesmente a ouvir e a ver as minhas pessoas a fazerem aquilo que sempre fizemos todos os anos. A conviverem, a falarem alto e uns por cima dos outros, a rirem, a gozarem uns com os outros...

Sentada nesta secretária, a ver a minha família e os meus amigos todos reunidos em minha casa, a pensar na imensidade de merda que tenho para fazer esta semana e as horas que vou passar naquela loja... senti pela primeira vez vontade de regressar. Só por um bocadinho, Só por uns dias. Só por umas horas. Só por uns segundos.

Senti pela primeira vez vontade de regressar ao passado e ficar por lá, só durante um bocado. Senti aquela pontada de inveja pela jovem que podia ter ficado em casa com os pais e a família e os amigos. Senti inveja daquela jovem que podia ter ficado em casa a estudar e não tinha de se preocupar em ir trabalhar até às 22h da noite.

Senti inveja de uma pessoa que não existe. Que nunca existiu e que nunca poderia ter existido devido às circunstâncias da vida.

No entanto, sentada nesta cadeira a engolir as lágrimas, enquanto fingia rir de uma piada que o meu primo contava à malta toda....senti inveja dela. 

Da jovem que eu nunca poderia ter vindo a ser.

20
Nov14

Há coisas que me ultrapassam #16

alex

Hoje venho-vos falar de cabelo. Não, não é do meu. É o do rapaz que vi ontem no metro.

Ora não me interpretem mal - não fiquei apaixonada pelo moço nem nada que se pareça. Agora pelo cabelo dele...isso já é outra história. Quando o vi de costas pensei que era uma menina - muito escanzelada, mas uma menina. Quando lhe vi a cara e o bigodinho loiro (alguém lhe devia dizer para usar a gilete com mais frequência...) fiquei vermelha - de raiva.

Como é que um rapaz tem um cabelo daqueles? Um cabelo comprido, loiro mel, cachos perfeitos a caírem-lhe sobre os ombros, brilhante e com um aspecto simplesmente DIVINAL?

Aposto que se lhe passasse os dedos seria como tocar em seda.

E fiquei com inveja do moço. Ainda ponderei perguntar-lhe que tipo de champô ele usa, mas depois achei melhor não visto estarmos no metro com outras pessoas e ele pôr-se a gritar ali no meio "TARADA MALUCA" ou algo do género.

Por isso fiquei sentadinha no meu lugar a contemplar o cabelo do rapaz e a desejar que o meu fosse assim tão brilhante, com cachos tão perfeitinhos e naturais como os dele.

Já tinha visto vários rapazes com cabelo comprido, inclusive mais comprido do que o meu (antes de eu o cortar há um ano atrás) mas o do metro ganhou-lhes a todos!

Assim como não percebo o porquê dos homens terem (quase) todos pestanas naturalmente longas e espessas (e agora falo mais pelas mulheres que se queixam disto e não por mim visto que até nem tenho razões de queixa no que toca às minhas pestanas) também não percebo como é que há homens que têm um cabelo tão bonito como o do rapaz do metro.

Se o voltar a ver hei-de perguntar-lhe qual é o segredo dele.

Há coisas que realmente me ultrapassam.... o cabelo esplêndido do rapaz do metro é uma delas!

13
Abr14

Às vezes tenho inveja (e saudades)

alex

Às vezes tenho inveja. Olho para a criança que ajudo a criar e tenho inveja. Vejo nela a ingenuidade que por vezes desejava poder ter novamente. Vejo nela a liberdade que ela ainda tem e que eu desejava voltar a ter. Vejo nela a despreocupação que eu desejava conseguir ter. Vejo nela a criança que antes fui e que por vezes, só às vezes, quero voltar a ser.

Quando somos crianças o mundo é cor-de-rosa. Não temos preocupações e as obrigações que temos contam-se pelos dedos de uma mão. Quando somos crianças não batalhamos com inseguranças. Nem sequer sabemos o que isso é. Quando somos crianças chegamos a casa e ligamos a televisão no Disney Channel para ver as nossas séries favoritas. É-nos servido o jantar todos os dias. É-nos lavada a roupa, o quarto é arrumado por outro que não nós, os trabalhos de casa são contas de somar, dividir, multiplicar, cópias, pintar desenhos. 

As nossas conversas entre amigos são sobre a Violeta, a Sailor Moon, os Morangos com Açúcar, as Witch. Brincamos à apanhada, aos pais e às mães, ao polícia e ao ladrão, saltamos à corda e ao elástico. 

Num dia de chuva, num dia cinzento, somos capazes de sorrir à mesma, com vontade. Saltamos nas poças de água e sujamos as calças de ganga acabadas de comprar.

Num dia de calor, de luminosidade, andamos a apanhar flores no jardim que envolve a escola, corremos e suamos e não nos importamos em ficar a cheirar a suor, não nos importamos com nada.

Quando somos crianças não sabemos o quão cruel o mundo em que vivemos pode ser. Não sabemos o quanto as pessoas que habitam nele nos podem desiludir, ou apunhalar pelas costas, ou partir-nos o coração. Quando somos crianças não existe aquela preocupação em agradar a A, a B ou a C, em vestir isto ou aquilo, em controlar o que comemos para não engordar ou em escondermos quem somos realmente.

Quando somos crianças somos livres. Verdadeiramente livres.

Não podemos sair à noite com os amigos. Não podemos namorar a sério. Não podemos viajar sozinhos e explorar o mundo. Não podemos fazer uma série de coisas.

Mas somos livres. Porque não sabemos o que é isso de ser livre. Somo-lo sem o sabermos.

Às vezes a minha irmã olha para mim e diz-me: "Fogo, quem me dera ser crescida como tu!"

E eu respondo-lhe: "Fogo, quem me dera voltar a ser criança como tu!"

Digo-lhe para não ter pressa em crescer. Para aproveitar enquanto pode. Porque depois de ela ficar crescida, vai perder muita coisa. É verdade que também vai ganhar muitas outras, mas o que vai perder .... Nunca mais vai poder recuperar.

A ingenuidade de ser criança é a maior liberdade que um ser humano pode ter.

E às vezes, só às vezes, tenho inveja. Fico triste por já não a ter e por a mesma me ter sido tirada tão cedo. Por isso mesmo, farei de tudo para que a criança que ajudo a educar, a criar, não perca aquilo que é seu por direito antes do tempo.

Ser crescida é bom. Mas às vezes penso em como ser criança... é melhor.

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