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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

05
Mai16

Está feito

alex

É uma sensação que não consigo explicar muito bem por palavras... Pensar que o meu primeiro ano de universidade já está feito.

Exame feito, trabalhos todos feitos e entregues a tempo... agora é só esperar pela palavra dos professores e ver as notas. É estranho. Agora tenho até Outubro para, simplesmente, me concentrar no trabalho e em mim e na minha vida.

O meu primeiro ano não foi nada como eu estava à espera, vou-vos confessar. Não fiz uma mão cheia de amigos, não conheci assim tantas pessoas quanto isso, não me envolvi em nada daquilo que me queria envolver e não fui uma aluna assídua. Muito disto por causa do trabalho. Ser trabalhadora estudante aqui não é fácil, ao contrário do que eu pensava.

É certo que é mais fácil do que sê-lo em Portugal, mas aqui também não é pêra doce, especialmente se trabalharem onde eu trabalho. Especialmente se forem como eu, que quer ser boa em tudo o que faz e não aceita menos do que isso. Tenho de ser boa no meu trabalho, seja esse o meu trabalho de sonho ou o meu ganha-pão. Não interessa. Tenho de ser boa senão não vale a pena fazê-lo. E isso muitas vezes chocou com o meu "eu" estudante. Foram várias as vezes em que o meu "eu" estudante e o meu "eu" trabalhadora chocaram. E tenho a dizer que o último ganhou a maior parte das vezes.

Ouvi dizer muitas vezes que não é a falta de tempo, é a falta de vontade. Mas para essas almas que me atiravam essa frase feita à cara só tenho a dizer: Vocês não sabem.

É difícil ter de ir trabalhar, por exemplo, das 13h às 22h, muitas vezes sair meia hora ou uma hora mais tarde, chegar a casa já a passar das 23h da noite e ainda ter de ir fazer coisas da universidade, quando no dia seguinte temos de nos levantar às 7h ou às 8h para ir trabalhar outra vez mais umas oito horas.

É difícil ir às aulas quando essas são no teu único dia de folga e tu estiveste a trabalhar sete ou oito dias de seguida sem descanso. 

É complicado quando tens dezanove anos e não te consegues fazer levantar da cama por causa das dores de costa que tens, de tantas caixas cheias de roupa e outras coisas que andaste a carregar no dia anterior ou pelas oito horas que passaste em pé nas caixas.

Não é fácil. E mesmo assim eu fi-lo. Acabei o meu primeiro ano de universidade apesar disto tudo. É verdade, não fui todas as semanas às aulas. É verdade que houve trabalhos que fiz à despacha e em cima do joelho. É verdade que não participei em muitas das coisas que queria participar na universidade, como por exemplo, a sociedade de jornalistas. 

Mas fi-lo. Acabei o meu primeiro ano. Não no topo, mas acabei. E agora que tenho finalmente tempo para mim, quero gozar os últimos dias dos meus dezanove anos e depois de completar os vinte daqui a 19 dias, quero aproveitar ainda mais. Quero ser jovem. Quero explorar a cidade onde vivo já lá vão 9 meses. Quero conhecer o que ainda não conheço e quem ainda não conheço.

E agora tenho tempo para começar a aprender uma lingua nova, que bem que vou precisar de sabe-la, para a aventura que vou viver em Setembro...

30
Mai15

Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye!

alex

E assim chegam ao fim 5 meses e 11 dias de trabalho na loja que me viu crescer *limpa lágrima no canto do olho*.

Pausa para riso sarcástico.

Mas sim, a realidade é esta - a minha pessoa já não está empregada a partir de hoje. A loja vai "fechar", segundo os meus patrões mas, e isto dito só aqui entre nós, eu não acredito muito nisso.

Mas, seja verdade ou não, tenho a agradecer aos meus patrões por me terem empregado, eu uma jovem de 18 anos (na altura) sem experiência de loja nenhuma e apenas com um mês de call center no currículo.

Graças a eles pude pagar a minha candidatura à faculdade e não vou de bolsos vazios para Londres. Verdade seja dita que não fiz muito por aqui, porque a função em si também não o pedia. Bastou-me saber organizar ficheiros, marcar visitas do técnico, passar umas facturas, sorrir de boca cheia aos clientes, ouvir os velhotes que por cá passavam ao sábado de manhã para dizer um olá e fazer a limpeza ao estaminé.

Também é verdade que sofri muito aqui sozinha. Passei, ao início, 40 horas por semana na loja, a querer bater com a cabeça nas paredes. Depois, quando o meu horário foi reduzido, fiquei ambos feliz e aborrecida porque começou a entrar menos dinheiro - mas as paredes já não me chamavam tanto como antes.

Quando me perguntavam se eu gostava do trabalho, eu não podia mentir e dizer que sim, mas também não podia mentir e dizer que não. Apenas dizia que havia muito pior e que me dava o que eu precisava - dinheiro.

Dava-me jeito mais um mês aqui para eu ficar mais confortável, mas de qualquer das formas, nunca iria ficar aqui depois do mês de Julho. A despedida chegou mais cedo e de certa forma, até estou aliviada.

É certo que ao olhar para trás, não são muitos os momentos em que possa dizer - epá, vou ter saudades! Mas como já disse, há trabalhos muito, mas mesmo muito piores que este e estou agradecida por me ter sido dada a oportunidade de cá estar, a fazer o meu melhor e a ser tratada sempre da melhor forma.

Nisso não me posso queixar - acho que patrões como estes dois, nunca eu vou ter novamente na vida. Principalmente o meu patrão, que podia muito bem ser uma personagem saída dos Malucos do Riso!

E pronto, assim se encerra mais um capítulo na vida da Alexandra, para, espero eu, poder começar a trabalhar para um novo e melhor capítulo da minha jornada.

Digo adeus com um sorriso nos lábios, contente por dar este capítulo como encerrado.

Que venha outro!

26
Dez14

Ah pois é!

alex

Mais um Natal que se passou. E para a semana já estamos em 2015.

E eu hoje vim trabalhar seis horinhas enquanto os pais e a irmã ficaram em casa. E amanhã vou trabalhar das 9h às 19h, o que até não é mau de todo porque de tarde a minha casa vai virar um antro de miúdas irritantes de 10 anos. Mas que é mau porque amanhã é sábado e é um crime que os meus fins-de-semana agora estejam reduzidos a um dia. UM DIA.

Mas pronto...tento não me queixar porque a verdade é que prefiro assim a estar em casa a bater com a cabeça nas paredes, e sempre vou ganhando uns trocos.

E já para não falar que há quem esteja de férias...há um ano atrás era eu.

Até dói só de pensar, por isso vou antes ler para ver se as horas aqui na loja passam mais depressa....

Espero que o vosso Natal tenha sido tão bom ou ainda melhor que o meu (eu cá comi tanto que até me admira como é que não explodi durante a noite!)

08
Jun14

Um novo livro

alex

Estes últimos dois dias foram uma correria.

Sexta foi, oficialmente, o último dia de aulas do secundário (para mim). Não me soube a despedida porque ainda não o é. Para a semana devo de lá passar para ir a uma das aulas de apoio aos exames, para esclarecer umas quantas dúvidas que de certeza vão surgir esta semana, quando me agarrar aos livros (até tremo só de pensar) e depois ainda lá vou fazer os exames (ai!).

À noite foi a gala de finalistas, que na minha opinião, correu bem. Diverti-me, tirei fotos, estive com pessoas que me enchem o coração e houve um momento da noite que me causou um arrepio na espinha que à muito já não sentia. Depois do jantar, da valsa, da entrega de diplomas (fui a primeira a subir ao palco: benefícios de me chamar Alexandra), fomos todos para o jardim do recinto, com balões nas mãos. Os balões tinham umas luzes coloridas lá dentro e quando já estávamos todos reunidos no jardim, contámos até três e largámos os balões, enquanto pedíamos que os nossos desejos se realizassem. Foi um momento, ao qual eu chamaria cheesy, e que pôs grande parte das raparigas da turma a chorar. E eu, não incluída nessa percentagem de choronas (porque não é por qualquer coisa que choro) sorria, olhando para o céu.

E foi aí, a contemplar o céu meio negro, meio rosado, brevemente iluminado por um conjunto de cores vibrantes que me apercebi que aquele foi um dos momentos da nossa vida que nunca mais vamos poder viver ou recuperar. Um daqueles momentos únicos e exclusivos na vida de uma pessoa.

Foi aí que me caiu a ficha. A minha vida vai mudar completamente dentro de um mês. Durante o resto da noite, pus esse pensamento e essa sensação para trás de mim e dancei até já não me conseguir aguentar em cima dos saltos (mas nunca os tirei!). Eram quatro e meia da manhã quando me foram buscar e viemos todos embora, deixando para trás uma noite que todos nós (excluindo aqueles que beberam o seu peso em sangria/cerveja) se vão certamente lembrar daqui a uns anos.

E foi quando pousei a cabeça na almofada, já eram cinco e picos da madrugada, que aquele pensamento e aquela sensação voltaram e, durante uns segundos, não consegui respirar. O medo e os nervos apoderaram-se de mim ao aperceber-me de que não posso continuar a adiar nada. Não posso continuar a pensar: "Ah, penso nisso depois quando chegar a altura". A altura chegou. A altura de estudar para uma disciplina que não tenho à três anos para ver se consigo, pelo menos, mais de 95 pontos no exame. A altura de estudar para dois exames que, para mim, só vão servir para a média, visto que não vou precisar deles (ou de nenhum outro) para ingressar na faculdade.

A altura em que começo a pensar que já tenho 18 anos, já não vou frequentar o secundário (estou confiante que consigo passar no exame de francês), já não vou ser estudante. Não vou ver as pessoas que vejo todos os dias, não vou ter a rotina da qual já estava farta, mas que de certa forma, era minha. Não vou passar intervalos no bar da escola a rir e a conversar com os meus amigos de há tantos anos.

Muito provavelmente não vou ver a grande maioria deles. 

Daqui a um mês a minha vida vai mudar completamente.

E apesar de ter andado a desejar que esse dia chegasse, durante este 12º ano todo, agora que está tão perto que posso já senti-lo, não sei se estou preparada.

Aliás, tenho a certeza de que não estou. Mas, sendo como sou, vou erguer a cabeça, respirar e fundo e enfrentar o touro pelos cornos.

Porque a Vida é mesmo assim, feita de mudanças, transições que nos fazem perder noites de sono, que nos fazem sentir medo e receio como nenhuma outra coisa consegue.

A Vida é assim, assustadora, mas há que ter fé que no fim, vai tudo correr bem. E se há coisa que este ano aprendi, foi a ter fé. Não em Deus, mas em algo maior, talvez digamos, no Universo e em como tudo acontece por uma razão. Aprendi também a ter mais fé em mim e por isso digo que, daqui a um mês, o secundário vai mesmo ser, não um capítulo encerrado, mas como disse a minha cara metade no vídeo que fez para a gala, um livro fechado.

Só espero que o novo livro me traga tudo aquilo a que tenho direito: coisas boas, más, momentos bons e outros não tanto. Personagens maravilhosas e uma história que valha a pena ser escrita e contada.

Um daqueles livros que não queremos que acabe. Como este que estou prestes a acabar. Mas melhor.

Muito melhor.

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