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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

03
Set14

Coração cego

alex

Ás vezes não era preciso mais do que um olhar para saber o que estavas a pensar. Ás vezes não era precisa mais do que uma palavra para eu te amar. Ás vezes não era preciso muito mais do que um suave toque teu para me fazer sentir tudo  - mil vezes mais.

Há vezes em que ainda não é preciso mais do que tudo isto para eu voltar ao início - de repente, é como se alguém pressionasse o botão "reset" e lá estou eu: de pé, à tua frente, de sorriso nos lábios, cabelo comprido ao vento a contemplar as tuas feições.

Sinto tudo como se estivesse ainda a acontecer mas sei, no fundo do meu ser, que o poder que as nossas memórias têm são grandes o suficiente para me enganarem a esse ponto. 

"É de doidos", penso enquanto olho pela janela do meu apartamento e observo os londrinos a passearem-se com chapéus de chuva a cobrirem-lhes os rostos. Todo este tempo depois e ainda sou capaz de te sentir, mesmo estando tão longe de ti.

Sempre ouvi dizer: Olhos que não vêm, coração que não sente.

Dava-me jeito o meu coração ser cego - porque ele ainda só te vê a ti.

10
Ago14

Os Inevitáveis

alex

Há coisas que não se conseguem evitar. 

Naquele dia, quando me ligaram do hospital, pensei que o mundo tinha ruido. E a verdade é que o meu mundo ruiu. Aprender a viver num mundo sem ti foi a coisa mais difícil que fiz em toda a minha vida. Lembro-me de sair de casa de pijama - uma t-shirt cinzenta velha, tua, e umas calças de pijama pretas com gatos espalhados por todo o lado. Pantufas nos pés, cabelo no ar e lágrimas nos olhos. Coração apertado, ar a menos, desespero a mais. Empurrei as portas do hospital com as poucas forças que tinha naquele momento e corri para o balcão de atendimento. Dei cotoveladas em tudo o que se mexia e quando cheguei à frente da senhora do balcão, quase esmaguei a minha cara contra o vidro que a separava de mim. Perguntei por ti com a voz rouca - as lágrimas já nem as sentia, de tão parte do meu rosto que já eram. A senhora olhou para mim com um olhar repleto de pena mas eu pouco ou nada me importei - a mulher não me soube dizer nada sobre ti. Se estavas vivo, morto, a dormir, acordado...e eu passei-me. Bati no vidro com a mão fechada em punho e gritei-lhe o teu nome e ela, sobressaltada, lá procurou de novo no computador e finalmente, disse-me que estavas a ser operado naquele preciso momento. Pediu-me também para eu a seguir.

Levantou-se e saiu da sala de atendimento e eu, passando uma mão pelo meu cabelo já por si desgrenhado, segui-a em direcção a uma pequena sala onde havia uma secretária com um monte de papéis espalhados nela, duas cadeiras e um senhor com ar muito cansado, o cabelo grisalho e a habitual bata branca de médico.

Não me sentei como ela me mandou. Só queria ver-te, saber como estavas e eles queriam que eu me sentasse. Vão gozar com outra, lembro-me de ter pensado isso. O médico pediu para eu me acalmar - trouxeram-me um copo de àgua e eu recusei. Só queria saber de ti, não parava de perguntar por ti. Disse o teu nome naquela noite mais vezes do que as que já disse desde o dia em que nos conhecemos até agora.

Eu não conseguia estar quieta. Andei para trás e para a frente naquele escritório até o doutro me expulsar de lá - acho que lhe gastei o chão e ele não gostou. Depois foram os corredores. Acho que naquela noite perdi uns vinte quilos só a andar de um lado para o outro naqueles longos e desertos corredores. Passaram-se horas e eu julguei estar a morrer aos bocados, minuto após minuto, sem saber de uma única notícia do teu estado. Por mim passavam enfermeiras e médicos sem uma única palavra me dizerem e eu só queria matá-los a todos com as minhas próprias mãos. Contudo, ao fim de oito horas, já eu estava sentada no corredor, encostada à parede de olhos fixos na cadeira à minha frente, senti uma mão tocar-me ao de leve no ombro e desviei o meu olhar vazio para encontrar o olhar de uma bonita jovem de bata azul agachada ao pé de mim.

"É a Millie Foster?"

Não lhe respondi. Já não sabia quem era. Millie Foster? Quem era essa gaja? Certamente que não era a jovem de olhar perdido sentada no corredor de um hospital cujos funcionários eram uns incompetentes do raio.

"É a namorada do Nate Baxter?"

"Nate!" - Foi tudo o que lhe respondi. Ela sorriu brevemente e agarrou a minha mão, tentado puxar-me para cima. Eu deixei e ela guiou-me até um quarto. Foi como se ela estivesse a guiar uma pessoa invisual - eu estava cega pelas lágrimas e pela ânsia de te ver. Ela abriu a porta do quarto e eu consegui distinguir uma cama, uma máquina, uma colectânea de fios e uma pessoa ligada a esses fios, deitada nessa cama, dependente dessa máquina.

Corri e quase cai - a distância entre nós era tão pequena mas naquele momento foi a maior que já percorri até hoje. Sentei-me à beira da cama, a tua mão na minha, e esperei.

Nunca fui boa a esperar e nesse dia tive de enfrentar a maior espera da minha vida. Naquele dia tive de aprender a viver num mundo sem ti, mesmo que tenha sido apenas por umas horas - pareceu-me uma vida inteira.

Finalmente, abriste os olhos e eu fechei os meus - chorei tanto que acho que as enfermeiras quando vieram ver de ti, pensaram que um de nós tinha feito xixi no chão do quarto..

Aquele foi o momento mais feliz da minha vida.

Até hoje.

Hoje, perante todas as pessoas que amamos, digo de coração cheio que este é o momento mais feliz da minha vida. Olhar para ti e sorrir, poder agarrar na tua mão e dizer-te o quanto te amo e ouvir-te dizê-lo também - não o quanto te amas, mas o quanto me amas a mim. Desde esse dia que acredito que há coisas que não se conseguem evitar. Os acidentes são uma parte dessas coisas e o teu quase te levou de mim. Mas acredito que a nossa união e o nosso felizes para sempre é muito mais inevitável do que aquele acidente o foi - e por isso hoje estás aqui perante mim e perante todos os nossos entes queridos.

Há coisas que não se conseguem evitar... E nós somos inevitáveis.

25
Jul14

Momentos eternos

alex

"-Já alguma vez desejas-te que o tempo parasse? Só durante um bocado? Num momento específico? - Deixei de contemplar o céu estrelado para olhar para ele.

-Não. - Ele responde simplesmente, sem nunca olhar para mim.

-Não? Porquê?

-Qual é o objectivo disso? - Sorrio e dou-lhe um empurrão no ombro. Finalmente, ele olha para mim.

-Então...preservar um momento. Ou fazê-lo durar mais tempo. Eternizá-lo.

-Nada é eterno.

-Eu sei.

-Então se sabes... - Ele não termina a frase, porque eu viro-me para ele e fulmino-o com o olhar.

-Não é isso! Nunca desejas-te prolongar um momento em que te tenhas sentido...feliz? Verdadeiramente feliz? Onde tenhas sentido que tudo estava perfeito? Não existia fome, guerra, doenças, dívidas, problemas familiares... Naquele momento em que sentias infinito? Intocável? Cheio de paz e amor dentro de ti? Nunca quiseste parar esse momento para te poderes sentir assim...para sempre?

-Para sempre? Isso é muito tempo. Provavelmente acabava por me cansar. - O seu sorriso matreiro ilumina-lhe o rosto e os nervos afloram-se-me à pele.

-És impossível! - Volto a virar-me de frente para o rio, os braços cruzados sobre o peito e um beicinho que faria inveja a qualquer criança de cinco anos. Ele solta uma gargalhada e isso só serve para me enervar ainda mais. 

-És tão parvinha! - Ele coloca o braço sob os meus ombros e puxa-me para si. Eu faço força contra o seu peito, numa tentativa vã de o afastar, mas como ele é mais forte e mais teimoso do que eu, falho redondamente e acabo por me deixar ficar envolvida pelo seu meio abraço.

-O que eu quis dizer foi... Se vivermos sempre no mesmo momento; se sentirmos para sempre os mesmos sentimentos... a Vida deixa de fazer sentido. A Vida é para ser repleta de momentos felizes e tristes; bons e maus; momentos banais e momentos marcantes; repleta de constante mudança, e é natural haverem momentos menos felizes, menos bons; momentos que não queres eternizar - e precisamos deles, como seres humanos, para aprender, para crescer, para construirmos uma base sólida e termos força para o que ainda está para vir. Mas se pudéssemos realmente parar o tempo nesses tais bons momentos e viver neles para sempre... Nunca teríamos a oportunidade de descobrir se existem outros melhores.

-E se não houver melhor?

-Há sempre mais e há sempre melhor, desde que estejas disposta a descobrir. Às vezes pensamos que nenhum momento pode superar o outro. Mas olha, queres saber um segredo? - Ele faz uma pausa no seu discurso e eu vejo-me obrigada a responder-lhe e abano a cabeça para cima e para baixo.

-Cada momento que eu passo contigo é melhor que o anterior. - Um sorriso muito matreiro surge nos seus lábios quando me vê torcer o nariz.

-Blhac!!! Que grande lamechice! - Ele solta uma outra gargalhada.

-Tu é que és impossível! - Diz com o riso ainda presente na voz.

-Por isso é que estamos bem um para o outro. - Corre uma leve brisa nocturna e eu aconchego-me mais nele, enterrando a cabeça no seu peito.

-Somos os dois impossíveis.

-E por isso é que esta relação é possível.

Sinto o toque dos seus lábios no topo da minha cabeça e um sorriso cresce-me nos lábios."

Queremos sempre eternizar os momentos em que nos sentimos plenamente felizes, porque vivemos em constante receio; medo de não virmos a sentir o mesmo outra vez.

Mas esquecemo-nos de que a vida é feita de momentos . E porque a Vida é feita deles, vai sempre haver mais depois daquele que queremos eternizar. E há-de ser melhor e há-de ser pior.

Mas isso é o que faz da Vida, a Vida.

No entanto, se guardarmos cada momento bom dentro de nós, eles serão sempre eternos, até nós o deixarmos de ser.

Não é preciso parar o tempo.

É preciso saber aproveitá-lo.

02
Jul14

Histórias inventadas por mim

alex

-Não sei o que vês em mim.

-Porquê? O que é que tu vês em ti?

Pondero na resposta; não é difícil.

-Vejo uma rapariga tagarela. De ideias fixas e bem definidas, que sabe defendê-las de unhas e dentes; que não arreda pé. Uma rapariga teimosa, por vezes irritante. Irónica, desbocada, de riso fácil, brincalhona às vezes até demais, por vezes maldosa; que gosta de provocar e mandar umas bocas. Que não sabe quando se calar e que não sabe não perdoar. Que não sabe dizer "não". Uma rapariga tímida quando se encontra com pessoas que não conhece; meia estranha e muito despassarada. Completamente maluca. Que não sabe o quê tu vês nela.

Ele sorri ligeiramente, as covas a surgirem nas suas bochechas. Ela pensou para consigo: Eu nem gosto de homens com covinhas; só no queixo. 

-Vejo exactamente a rapariga que tu me acabaste de descrever; e mais! Uma rapariga sorridente, brincalhona, bem-disposta e de convicções fortes. Uma rapariga que ilumina uma sala assim que entra, que faz notar a sua presença mas de uma maneira positiva e não de forma convencida, como se se achasse a dona do mundo. Uma rapariga com quem o tempo não tem tempo; com quem estás e nem dás por ele a passar. Uma rapariga que usa uma máscara para tentar esconder as suas peculiaridades, mas que brilha pelos buracos da mesma. Uma rapariga sincera, amiga, preocupada, carinhosa (quando quer)

Eu vejo-te a ti, assim. Estou a ver mal?

Ela solta uma gargalhada e rola os olhos. Que parvo.

-Tu precisas é de óculos...ofereço-te os meus!

-Não sou eu que preciso dos teus óculos; tu é que precisas dos meus olhos. 

Sem saber o que responder, nada disse. Permaneceram em silêncio e quando ela o olhou e viu aquele seu sorriso maroto nos lábios, com as malditas covinhas nas bochechas, teve uma vontade enorme de lhe dizer o quanto gostava dele. Mas a altura ainda não era a certa. Por isso, limitou-se a sorrir-lhe e a provar-lhe que estava certo em relação a ela, pelo menos numa das coisas. Espetou-lhe um murro num dos braços e ele retraiu-se de imediato, olhando para ela com cara de parvo.

-Para que foi isso?

-Eu sou carinhosa...quando quero. - Piscou-lhe o olho e caiu para trás, pousando a cabeça na areia fria, a rir qual maluca saída de um hospício, provando ao mesmo tempo a si mesma, que também ela estava certa em relação a si, pelo menos numa das coisas.

10
Jun14

Idiota

alex

"-Um dia, hei de estar ali. - Diz ela, apontado para o céu escuro, iluminado apenas por uma mão cheia de estrelas. É nestas alturas que desejava poder estar na sua terra, onde as estrelas no céu são tantas, que uma pessoa quase tem de usar óculos de sol só para as poder contemplar.

-Não me digas que também és daquelas pessoas que acredita que quando morrer, vai para o céu? - A voz dele saiu de forma brincalhona, o seu sorriso matreiro a acompanhá-la.

-Não é nada disso seu idiota! Ali. Um dia vou estar ali. - Diz, apontado de novo para o céu. Desta vez, o olhar dele segue o dedo dela e os seus olhos vêm para onde ela está a apontar. Um avião.

-Se quiseres, posso-te pôr num já agora. Talvez te mande para a Sibéria...ou talvez para o Pólo Norte, visto que és tão adepta de sítios frios. - Ela olha para ele, tentando conter uma gargalhada ao ver a sua expressão de menino matreiro. Idiota.

-Estou a falar a sério. Não tarde nada, estarei ali sentada, num avião, a deixar isto tudo para trás. A ti incluído.

Ele perde o sorriso nos lábios e ela olha para ele, esperando que ele diga algo. Qualquer coisa. O silêncio não era confortável e ela só queria quebrá-lo. Mas esse era o trabalho dele. Por fim, e mesmo antes de ela desviar o seu olhar do dele e se deitar na relva fria do parque, ele quebra esse silêncio.

-Talvez não. Talvez tenhas de deixar tudo isto para trás, menos a mim. Quem sabe...

-Eu sei. Não vou deixar que largues tudo para vir atrás de mim. És um idiota, mas não és burro. Não farias isso quando tens uma vida perfeitamente boa aqui.

Ele imita-a, e deita-se na relva ao lado dela, os seus braços roçando um no outro. Ele pousa as mãos em cima do seu estômago e as dela estão colocadas no chão, uma mão de cada lado, como se precisasse de sentir o chão nas suas mãos, de forma a garantir que este não a ia engolir a qualquer instante.

-Ela é boa, mas só é perfeitamente boa porque tu fazes parte dela. - Um sorriso surge nos lábios finos dela e antes de se poder conter, não consegue impedir o comentário trocista que lhe escapa dos lábios.

-O que é que tu vais fazer sem mim meu idiota? A tua vida não faz sentido! Coitadinho! - Não tentou disfarçar a ironia com que proferia estas palavras.

-Pois não. - Ele não conseguiu disfarçar a seriedade com que proferiu as suas.

-És um lamechas. Sabes que eu não gosto de lamechices... Vai acontecer. Um dia vou estar ali num avião daqueles; talvez até mesmo naquele. E tu não vais lá estar a meu lado, como agora. É melhor aceitares isso já, senão depois será mais difícil.

Ele suspirou e não lhe respondeu. O silêncio voltou a instalar-se entre eles, mas desta vez, ela não queria que ele o quebrasse, porque sabia que se o fizesse, não iria ser só difícil para ele...mas também para ela.

-Eu amo-te, por isso, há-de ser sempre díficil. Seja hoje, amanhã ou só para o ano...nunca vai ser fácil. Por isso, deixa-me estar. Deixa-me estar convencido de que vou contigo. Ou de que tu ficas comigo. 

-Nenhum dos dois vai acontecer.

-Eu sei. Mas por agora deixa-me acreditar que sim, pode ser?

Agora é a vez dela suspirar e sem pensar nisso, a sua mão direita estende-se e alcança a mão dele, entrelaçando-a na sua. 

-Está bem. Mas só porque também te amo. Só por isso.

Ela olha para ele e vê o sorriso matreiro dele surgir de novo no seu rosto, que contempla o céu pouco estrelado, já sem rastos do avião que deu origem à conversa.

-E agora, quem é a lamechas? - Ele ri-se e ela, com a mão que não está entrelaçada na dele, dá-lhe um pequeno murro no ombro.

-Idiota... "

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