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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

11
Abr20

Cá estamos

alex

Continuamos.

Terça-feira fará um mês desde a última vez que sai de casa. Como tantos outros, há muito que me preocupa. Há muito que me aflige e há muito que me pesa no peito.

Tenho saudades de tudo e de todos. Até daqueles que não conheço tenho saudades, até dos sítios no meu país aonde nunca fui, tenho saudade. A semana agora até passa relativamente depressa, visto que me encontro a trabalhar por casa. Mas não é a mesma coisa. 

Como muitos outros, não vejo os meus amigos à 1 mês. Não vou poder celebrar o aniversário da minha avó com ela. Quem sabe se vou poder celebrar o meu, em Maio. Sinto um aperto cada vez maior no peito e, como muitos outros, tento de tudo para o aligeirar. Umas vezes funciona, outras nem por isso.

Mas continuamos. Porque não temos outra escolha. Não podemos baixar os braços agora. Não podemos atirar a toalha ao chão. A verdade é que a esperança de que chegue o dia em que abro o blogue e em vez de escrever "Cá estamos" e "Continuamos", escreverei "Conseguimos", é o único alento que tenho. Porque cada vez mais me custa ouvir todo um mundo lá fora e eu, fechada no meu, aqui dentro.

O meu mundo era reconfortante, um escape quando o mundo lá fora se tornava demasiado. Mas agora, o meu mundo é um lugar que, se eu não tiver cuidado, me puxará para baixo de tal forma, que não sei como me voltarei a erguer.

E no fim de tudo isto, e de forma egoísta, tenho adormecido a pensar nas saudades que tenho de quem me deixou. E de quem eu deixei ir. Porque sei que quando tudo isto terminar, e eu voltar ao mundo lá fora, tu não vais lá estar. E depois pergunto-me, num momento de total insanidade:

Será que quero voltar ao mundo lá fora?

Querer quero. Mas se calhar não irá ser o mesmo sem ti.

Mas cá estamos.

Continuo.

07
Mar20

O que querem de mim

alex

Toda a gente espera algo de mim.

Que eu seja este tipo de amiga, ou este tipo de filha, ou este tipo de profissional. Querem que eu seja feliz, querem que eu seja social, querem que eu me expresse mais e me esconda menos.

Querem que eu ande bem, querem que eu ande mal, querem que eu ajude com o inglês e ás vezes até com o português. Querem que eu me ria, que faça rir, que tenha conversas profundas e conte os meus segredos e que partilhe as minhas histórias e os meus fados.

Querem que eu seja a pessoa que era quando me fui embora, ou até mesmo a pessoa que era quando estive fora. Querem que eu me adapte bem, de regresso agora, mas querem que eu o faça rápido, que não sinta saudade, que não sinta falta. Querem também que eu encontre o meu lugar assim, num abrir e fechar de olhos, só porque não consegui encontrar a felicidade lá fora.

A felicidade não é algo que se encontra, é algo que se procura, que não vem, que demora. Não estou infeliz, estou muito melhor agora, já não choro todos os dias a pensar "vou-me embora". Já não choro, mas isso não significa que não tenha lágrimas, assim como também tenho sorrisos e gargalhadas. Querem tanto uma pessoa que não existe, uma pessoa sem inseguranças, sem medos, sem ansiedades. Uma pessoa que se deixa ir, que não pensa em desistir. E quem me ler pensa que eu sou só isso, mas não, tenho é mais facilidade em escrever sobre isso. Porque não consigo falar disso. Porque querem todos que eu seja a imagem que têm de mim na cabeça deles.

E eu sou assim. E já quase me esqueci do que é ter alguém que me gosta assim. Por mim. E que não me julga por ser assim. Por ser tudo e por ser nada. Por ainda me estar a descobrir e por talvez nunca me vir a encontrar. Já esqueci o que é ter alguém que olha para mim e diz:

"És como és, somos todos diferentes, temos todos percursos diferentes e eu gosto de ti assim. Por ti."

27
Jun19

Imploro

alex

O meu coração aperta cada vez mais dentro do meu peito a cada dia que passa. Sou incapaz de pensar seja no for. Não tenho foco. Só penso em regressar, estar perto dos meus que precisam de mim.

Não quero aproveitar nada. Só quero ir embora. Agora, já. A verdade é que a cada dia que passa não ganho nada e só perco. Estou a perder tempo com aqueles que correm contra o tempo. A idade já não perdoa e a cada dia que passa tenho pessoas que amo a piorar em termos de saúde, e eu aqui à espera do final do mês de Agosto para poder finalmente abraça-las e dizer-lhes o quanto as amo.

Detesto esta aflição em que estou a viver. Detesto não conseguir aproveitar os últimos meses que aqui tenho. Mas detesto ainda mais saber que os que mais amo escondem de mim o quão mal realmente eles estão porque querem que eu aproveite os últimos meses aqui.

Não há tempo para distracções. Não há espaço para novas relações. Não há tempo para me preocupar com coisas que não têm qualquer importância. Tudo o que importa agora é o dia 29 de Agosto chegar e eu poder ver, tocar, cheirar quem mais amo antes que seja tarde demais.

Por favor, só mais dois meses. Não me os levem de mim antes disso. Imploro. Não sei a quem, não interessa.

Mas imploro.

06
Ago16

1 ano depois...

alex

Há exactamente um ano atrás, a minha vida deu uma volta de 360º.

Faz hoje um ano que me mudei para o Reino Unido.

Muita coisa aconteceu durante este ano. Não parece que só passou ainda um ano; parece que já passaram mais. Talvez porque já estou tão habituada à minha vida aqui, que parece que a vivo há mais tempo; talvez porque não foi uma adaptação díficil e longa, muito pelo contrário. 

A verdade é que já lá vai um ano e durante esse ano, muita coisa aconteceu, muita coisa foi vivida. 

Tive sorte. A verdade também é essa. Tive muita sorte de ter sido recebida pelas pessoas que me receberam. Se não fossem elas, sem dúvida alguma que tudo tinha corrido 100 vezes pior ao ínicio. Obrigada aos rommies do Flat 1. Batem forte cá dentro.

Um obrigada grande também à família - mãe, pai, irmã, tios, primos, avós, cães, piriquitos, etc - sem o apoio deles não tinha permanecido aqui durante muito tempo.

Há quem ache que os que deixam o seu país são corajosos. Há quem discorde e ache que os corajosos são os que ficam no seu país, independentemente de. Eu acho que não é o facto de se ficar ou de se deixar o seu país que faz seja quem for corajoso. Acho que é o facto de irmos atrás dos nossos sonhos e objectivos que faz de nós corajosos.

O meu sonho nunca foi vir para outro país pagar impostos. Para isso tinha ficado em Portugal a descontar para a segurança social. Também nunca foi vir trabalhar para uma loja de roupa em "part-time" e ser explorada. Para isso, ficava DEFINITIVAMENTE em Portugal.

Contudo, o meu sonho era poder estudar num país diferente. Descobrir um sítio novo, explorar, conhecer novas pessoas e conhecer um mundo diferente. O meu sonho era poder pagar as minhas contas sem ter de pedir dinheiro aos papás. Poder ir jantar fora ou ir sair com os amigos e não ter de pedir aqueles 20 euros ao senhor meu pai. Ter a minha liberdade, a minha independência, a minha vida.

Com 20 anos, não tenho certas coisas que os outros jovens de 20 anos têm, como por exemplo um carro e a carta de condução, uma vida académica super entusiasmante ou uma vida entusiasmante por si só. No entanto, tenho estabilidade suficiente para poder, finalmente, ir fazer uma das coisas que sempre quis fazer na minha vida:

Viajar. Tenho a possibilidade de, com o meu suor, esforço e trabalho, poder ir passar duas semanas de férias a um país que já há algum tempo quero visitar - a Coreia do Sul.

E tenho outras coisas muito boas também. Uns quantos amigos que considero família - again, shout out prós mates do flat 1 - tenho uma vida da qual me orgulho muito porque foi conseguida com muito esforço meu.

E isso, ninguém me tira. Um ano se passou e durante esse ano, não vou mentir...foram várias as vezes em que questionei a minha escolha e foram várias as vezes em que, de lágrimas nos olhos, procurei voos baratos só de ida para Portugal.

No entanto, cá estou. E cá ficarei, pelo menos mais dois anos, porque é aqui que devo estar neste momento da minha vida. Quem sabe o que o futuro me reserva - talvez daqui a dois anos quando acabar o curso vá parar a outro país qualquer. Quem sabe se não volto para casa durante uma temporada ou quem sabe se não permaneço aqui.

O certo e sabido é que nada que vale a pena na vida é fácil de se conseguir. E é por isso que passado um ano, ainda é difícil para mim; para nós que aqui estamos.

Mas também não deixa de ser divertido, uma experiência de vida que nem todos podem ter, não deixa de ser um motivo de orgulho.

Um ano que dava pano para muitas mangas...mas isso fica para quando eu publicar a minha autobiografia.

 

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09
Fev16

Novo inquilino

alex

Quem me conhece sabe bem que eu sempre tive uma pancada por gatos. Desde pequena que adoro os bichos, mas infelizmente, o meu pai nunca me permitiu ter nenhum devido ao seu desgosto por tudo o que tenha quatro patas.

Enquanto crescia sempre disse que assim que tivesse a minha casa e possibilidades de ter um gato, que arranjava logo um. 

Pois bem... 6 meses depois de chegar a Londres, aconteceu! Temos um gatinho! Claro que isto não foi uma decisão tomada de repente. A H. também é doida por gatos e já teve uns 20 durante a sua vida toda. O namorado dela também gosta, a C. também e o namorado dela idem, idem, aspas, aspas. Andámos à procura durante umas três semanas. Percorremos tudo o que era site aqui no UK e finalmente encontrámos este bichinho fofo.

 

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O nome dele é Wang Jackson e ele tem à volta de 1 ano. Como não gostávamos do nome que ele tinha antes (Baileys, que original!) decidimos baptiza-lo de Wang Jackson - ou melhor, a H. decidiu baptiza-lo assim porque é o nome de um gajo de um grupo de k-pop, e nós até achámos piada.

Mais tarde fui ao google pesquisar o significado de Wang e descobri que significa rei em chinês e pénis em inglês. Portanto o nome ficou mais que aprovado depois da minha curta pesquisa.

O coitado ainda se está a tentar adaptar e ainda se esconde quando há muito alvoroço ou quando houve as sirenes das ambulâncias que passam aqui à nossa porta de casa todos os dias (visto que vivemos em frente a uma free way). Mas comparado com o primeiro dia, o nosso Wang já está muito mais à vontade connosco e com a casa. Agora só precisa de mais um tempo para se habituar totalmente aos seus novos donos e à sua nova casa.

Segunda-feira vamos com ele ao veterinário para ver se ele é saudável e se tem as vacinas em dia, como nos disseram.

Bem vindo à família Wang Jackson!

 

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