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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

06
Ago16

1 ano depois...


alex

Há exactamente um ano atrás, a minha vida deu uma volta de 360º.

Faz hoje um ano que me mudei para o Reino Unido.

Muita coisa aconteceu durante este ano. Não parece que só passou ainda um ano; parece que já passaram mais. Talvez porque já estou tão habituada à minha vida aqui, que parece que a vivo há mais tempo; talvez porque não foi uma adaptação díficil e longa, muito pelo contrário. 

A verdade é que já lá vai um ano e durante esse ano, muita coisa aconteceu, muita coisa foi vivida. 

Tive sorte. A verdade também é essa. Tive muita sorte de ter sido recebida pelas pessoas que me receberam. Se não fossem elas, sem dúvida alguma que tudo tinha corrido 100 vezes pior ao ínicio. Obrigada aos rommies do Flat 1. Batem forte cá dentro.

Um obrigada grande também à família - mãe, pai, irmã, tios, primos, avós, cães, piriquitos, etc - sem o apoio deles não tinha permanecido aqui durante muito tempo.

Há quem ache que os que deixam o seu país são corajosos. Há quem discorde e ache que os corajosos são os que ficam no seu país, independentemente de. Eu acho que não é o facto de se ficar ou de se deixar o seu país que faz seja quem for corajoso. Acho que é o facto de irmos atrás dos nossos sonhos e objectivos que faz de nós corajosos.

O meu sonho nunca foi vir para outro país pagar impostos. Para isso tinha ficado em Portugal a descontar para a segurança social. Também nunca foi vir trabalhar para uma loja de roupa em "part-time" e ser explorada. Para isso, ficava DEFINITIVAMENTE em Portugal.

Contudo, o meu sonho era poder estudar num país diferente. Descobrir um sítio novo, explorar, conhecer novas pessoas e conhecer um mundo diferente. O meu sonho era poder pagar as minhas contas sem ter de pedir dinheiro aos papás. Poder ir jantar fora ou ir sair com os amigos e não ter de pedir aqueles 20 euros ao senhor meu pai. Ter a minha liberdade, a minha independência, a minha vida.

Com 20 anos, não tenho certas coisas que os outros jovens de 20 anos têm, como por exemplo um carro e a carta de condução, uma vida académica super entusiasmante ou uma vida entusiasmante por si só. No entanto, tenho estabilidade suficiente para poder, finalmente, ir fazer uma das coisas que sempre quis fazer na minha vida:

Viajar. Tenho a possibilidade de, com o meu suor, esforço e trabalho, poder ir passar duas semanas de férias a um país que já há algum tempo quero visitar - a Coreia do Sul.

E tenho outras coisas muito boas também. Uns quantos amigos que considero família - again, shout out prós mates do flat 1 - tenho uma vida da qual me orgulho muito porque foi conseguida com muito esforço meu.

E isso, ninguém me tira. Um ano se passou e durante esse ano, não vou mentir...foram várias as vezes em que questionei a minha escolha e foram várias as vezes em que, de lágrimas nos olhos, procurei voos baratos só de ida para Portugal.

No entanto, cá estou. E cá ficarei, pelo menos mais dois anos, porque é aqui que devo estar neste momento da minha vida. Quem sabe o que o futuro me reserva - talvez daqui a dois anos quando acabar o curso vá parar a outro país qualquer. Quem sabe se não volto para casa durante uma temporada ou quem sabe se não permaneço aqui.

O certo e sabido é que nada que vale a pena na vida é fácil de se conseguir. E é por isso que passado um ano, ainda é difícil para mim; para nós que aqui estamos.

Mas também não deixa de ser divertido, uma experiência de vida que nem todos podem ter, não deixa de ser um motivo de orgulho.

Um ano que dava pano para muitas mangas...mas isso fica para quando eu publicar a minha autobiografia.

 

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09
Fev16

Novo inquilino


alex

Quem me conhece sabe bem que eu sempre tive uma pancada por gatos. Desde pequena que adoro os bichos, mas infelizmente, o meu pai nunca me permitiu ter nenhum devido ao seu desgosto por tudo o que tenha quatro patas.

Enquanto crescia sempre disse que assim que tivesse a minha casa e possibilidades de ter um gato, que arranjava logo um. 

Pois bem... 6 meses depois de chegar a Londres, aconteceu! Temos um gatinho! Claro que isto não foi uma decisão tomada de repente. A H. também é doida por gatos e já teve uns 20 durante a sua vida toda. O namorado dela também gosta, a C. também e o namorado dela idem, idem, aspas, aspas. Andámos à procura durante umas três semanas. Percorremos tudo o que era site aqui no UK e finalmente encontrámos este bichinho fofo.

 

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O nome dele é Wang Jackson e ele tem à volta de 1 ano. Como não gostávamos do nome que ele tinha antes (Baileys, que original!) decidimos baptiza-lo de Wang Jackson - ou melhor, a H. decidiu baptiza-lo assim porque é o nome de um gajo de um grupo de k-pop, e nós até achámos piada.

Mais tarde fui ao google pesquisar o significado de Wang e descobri que significa rei em chinês e pénis em inglês. Portanto o nome ficou mais que aprovado depois da minha curta pesquisa.

O coitado ainda se está a tentar adaptar e ainda se esconde quando há muito alvoroço ou quando houve as sirenes das ambulâncias que passam aqui à nossa porta de casa todos os dias (visto que vivemos em frente a uma free way). Mas comparado com o primeiro dia, o nosso Wang já está muito mais à vontade connosco e com a casa. Agora só precisa de mais um tempo para se habituar totalmente aos seus novos donos e à sua nova casa.

Segunda-feira vamos com ele ao veterinário para ver se ele é saudável e se tem as vacinas em dia, como nos disseram.

Bem vindo à família Wang Jackson!

 

10
Jan16

Bela me*rda


alex

O novo ano trouxe consigo muitas dúvidas. Muitas incertezas. Muitos receios. 

Enquanto que eu estou numa das cidades mais apregoadas do mundo, a trabalhar e a estudar, os meus pais estão em Portugal a tentar arranjar emprego.

Nunca tinha acontecido antes, estarem os dois nessa situação. Mas 2016 parece ser o ano. Escusado será dizer que este ano não começou muito bem para os meus lados. Não consigo evitar sentir-me mal pelo facto de eles terem gasto imenso dinheiro para virem passar o Natal comigo a Londres e agora terem o computador estragado e estarem com dificuldades em o conseguir mandar arranjar.

Não consigo deixar de me sentir culpada de cada vez que chego a casa e me queixo do meu trabalho, ora porque um dos meus Managers foi um idiota, ora porque andei a carregar com cinco ou mais caixas cheia de roupa por escadas acima, escadas abaixo, ora porque simplesmente não suporto aquela loja em certos dias.

É complicado estar junto dos nossos e vê-los a passar por dificuldades. Mas é ainda pior estar aqui, longe deles e saber que não há mesmo nada que nós possamos fazer para os ajudar.

Nestas situações sentimos-nos impotentes. Incapazes. E eu pergunto-me a mim mesma todos os dias desde que este novo ano começou: será que vamos ter algum ano das nossas vidas em que nenhum de nós tenha de se preocupar em como vai pagar as contas da casa, pôr comida na mesa e pagar o passe de autocarro?

Será que vai haver algum ano em que nenhum dos meus pais tenha de passar dias em frente ao computador, em casa, a enviar currículos na esperança de serem chamados para algo? Será que vai haver algum ano em que este aperto no peito não vai cá estar?

Desconfio que não. A cada ano que passa isto só piora. E eu não consigo deixar de me sentir revoltada com tudo e todos.

É uma grande merda.

22
Dez15

Eu tenho dois amores


alex

É estranho. Estou cá há quase cinco meses e hoje estou bastante em baixo - passo a explicar porquê.

As minhas meninas não estão cá comigo. A H.C. voou para a ilha há duas semanas, para passar o Natal com a família, que já não via há 1 ano, e a C. voou hoje para Portugal para passar o Natal com a família dela também.

E é como se me tivesse separado da minha família outra vez. Não sei se consigo explicar como deve ser mas, a verdade é que estas pessoas se tornaram, no decorrer destes quase 5 meses, na minha segunda família.

É com elas que eu vou às compras à Tesco, é com elas que eu vou passear, é com elas que eu me sento à mesa a comer refeições, é com elas que eu vou para o trabalho (visto que a C. trabalha comigo), é com elas que eu fico até à 1 da manhã a falar e a rir de coisas inúteis.

Quer queira ou não, as pessoas com quem eu vivo aqui tornaram-se na minha pequena família longe da minha grande família. E ontem ao abraçar a C. antes de ela ir dormir, para hoje cedo ir embora, até um beijinho lhe dei - coisa que ela apontou como sendo um milagre, visto que eu não dou beijos a ninguém, nunca.

Mas elas fazem-me falta aqui. São a minha força, as pessoas com quem eu sei que posso contar incondicionalmente neste país. 

Sempre ouvi dizer que "Home is where the heart is". E se em Portugal a minha casa são os meus pais, os meus avós e os meus (poucos) amigos, aqui a minha casa são elas.

Quem me ler este post deve pensar que elas nunca mais voltam ou que morreram - a C. volta dia 28 e a H.C volta dia 30, ambas a tempo de festejarmos todos cá em casa a nossa passagem de ano.

Mas mesmo assim... é estranho, este sentimento. Muito estranho. Não é tão forte como quando me despedi da minha família no aeroporto em Lisboa no dia 6 de Agosto, mas é parecido.

E apesar de eu estar contente por os meus pais chegarem daqui a dois dias e de estar para lá de feliz de poder passar este Natal com eles na minha nova casa, ao mesmo tempo uma parte de mim quer que chegue o dia 30 rápido para ter a minha outra família cá comigo outra vez.

É estranho. Ter duas famílias, tão diferentes em todos os sentidos mas tão parecidas no sentido em que não seria nada sem elas.

19
Dez15

Diferente não significa mau


alex

Este natal vai ser diferente de todos os outros 18 natais que já gozei. 

Não me vou sentar à mesa dos meus avós e ter de gritar para o outro lado da mesa para me fazer ouvir. Não vou comer as farófias da minha avó nem jogar às cartas com os primos enquanto esperamos pela meia-noite.

Não vou sentar-me no sofá ao pé da minha avó e falar sobre as coisas mais rídiculas à face da terra.

Este natal vai ser muito diferente... mas não o vou passar sem as pessoas que são mais importantes na minha vida. É claro que os meus avós e os meus primos e tios também o são, mas a mãe, o pai e a irmã são a base da minha pessoa.

E eles chegam já dia 24. E muito atenciosamente, deram-me o dia 24 de folga. Vai ser tão bom. Passados quatro meses poder vê-los outra vez, em carne e osso.

Vai ser tão bom sentar-me à mesa para fazer uma refeição com eles e abrir os presentes com eles e mostrar-lhes a minha vida aqui. Mostrar-lhes como a filha deles está crescida, como ela paga as suas contas, lava a sua loiça, arruma a sua casa, como vou para a uni, como vou para o trabalho, mostrar-lhes um pouco da cidade onde vivo....vai ser tão bom minha gente.

Ando cansada como o raio, trabalhar 30 horas por semana com trabalhos da uni por fazer e aulas para frequentar não é fácil, especialmente trabalhando naquela loja ... mas vai valer tudo a pena quando na Quinta-feira chegar a famelga.

E este ano o meu único desejo é que todos possam ter um natal feliz e recheado de boas coisas como eu sei que o meu vai ser.

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