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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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27
Mar17

Dois lados da mesma moeda


alex

Deparei-me há pouco com este post no meu feed do facebook. Foi partilhado por uma amiga minha que, como eu, veio de Portugal para o UK estudar e trabalhar e li e reli o texto mais do que uma vez. 

Senti-me inspirada a escrever, também eu, sobre o assunto. Provavelmente, vou acabar a dizer o mesmo que a autora disse e se calhar vou chegar à mesma conclusão que ela chegou. E já são alguns os textos que escrevi onde toquei neste assunto bastante complexo, para mim. Contudo, acho que nunca é demais.

É verdade, sim, há de facto um lado triste de emigrar que nunca ninguém nos diz. Aliás, há vários. Um dos mais tristes para mim, e mencionados no texto em que me baseio para escrever o meu, é o facto de passarmos a ser como órfãos e ninguém conseguir perceber isso. A partir do momento em pisamos solo estrangeiro, não há volta a dar. Não somos de Portugal, mas também não somos do UK. O nosso coração, antes inteiro e sólido, parte-se em dois e torna-se fraco. Um bocado fica em Portugal, a nossa terra, a nossa casa eterna. O outro fica connosco e acompanha-nos para onde que seja que nos tenhamos mudado. No meu caso, Inglaterra. Nunca sei se hei-de dizer, quando vou de férias para Portugal ou se diga, quando volto a casa. Tudo se torna muito confuso e os termos misturam-se todos. Passar férias num sítio onde nasci e cresci e vivi durante 19 anos? Parece ridículo. Contudo, a minha casa é aquela cuja renda eu pago, aquela que eu limpo, aquela em que eu durmo, aqui em Inglaterra. É muito complicado de sentir, quanto mais de explicar.

Um dos lados muito, mas mesmo muito tristes, é o facto de não estarmos presentes. Ocasiões que, se lá estivéssemos, nos pareceriam insignificantes ou mundanas, passam a ser vistas por nós como ocasiões especiais nas quais nós não marcamos presença. Aniversários, natais, Páscoa, o primeiro namorado da irmã mais nova, o ajuntamento do primo com a namorada de longa data, jantares e saídas de amigos. Não estamos lá. Vemos as fotos das ditas cujas partilhadas pelas redes sociais fora e sorrimos amargamente. Sorrimos porque os nossos estão felizes. Sorrimos amargamente porque eles estão felizes sem nós. Mas... foi uma escolha nossa. Minha. Eu decidi vir para cá e deixar os meus para trás. Acho que é isso que eles pensam. Afinal de contas, é mais ou menos a verdade...Tirado directamente do texto "Tu continuas num País que não é o teu. O teu coração mantém-se em Lisboa e em Lisboa, a vida continua sem ti." Tal e qual. A vida continua sem mim. 

Ir a casa com frequência nem sempre é possível. É verdade que só tenho aulas de Outubro a Abril, com reading weeks pelo meio e férias de natal e da Páscoa incluídas. O problema não é a universidade. Não é faltar a aulas para poder dar uma escapadinha a Portugal. O problema é o trabalho. Eu acho que por muito que tentemos explicar, por muito que desabafemos com os amigos de Portugal, eles nunca vão compreender a 100%, a dor que é não poder ir a casa passar o Natal porque a companhia para a qual trabalhamos não nos deixa tirar férias durante o período natalício. Por muito que tentemos explicar, acho que é complicado perceber que, infelizmente, só temos direito a 5 semanas de férias por ano fiscal, que vai de Abril do ano presente ao mês de Março do ano seguinte. E ainda mais complicado é quando assumimos um cargo de maior importância na companhia e temos de marcar férias de acordo com as férias de outras pessoas. Isto são tudo coisas nas quais eles não têm de pensar. Para eles, aqueles três ou quatro meses de férias são garantidos. Porque só estudam. E não estou de modo algum a criticar. Apenas digo que por vezes, sinto que eles me ressentem. Os amigos e a família. Porque não vou a casa tempo suficiente, com a frequência que devia. Se calhar sinto mal, mas é o que eu sinto. E depois, claro, tentar equilibrar o tempo que passamos com a família e com os amigos durante aqueles 10 dias em que lá estamos ou aquelas duas semanas, é das coisas mais terríveis que temos de fazer. Acho que por muito que tente, eles não percebem. E isso parte-me o coração. Não porque não sou percebida, mas porque estou a partir o coração deles. 

Claro que, no que toca à família, os laços mantém-se sempre e inalteráveis. Contudo, as amizades são mais complicadas. É óbvio que já não convivemos com a pessoa como convivíamos antes. Passávamos os dias todos juntos, riamos, chorávamos e lutávamos juntos. Agora, as coisas são diferentes. Dantes, se havia algo do qual não sabíamos, algo que estava a incomodar a pessoa, conseguíamos facilmente descobrir, estando com ela. Agora, se perguntamos "Como estás? Como está a correr isto, ou aquilo?" e a resposta é "Estou sempre bem, já sabes como sou! Está tudo porreiro, sempre em altas!", não há maneira de sabermos se é verdade ou não. As tecnologias permitem muita coisa hoje em dia, mas ainda não permitem isso. E vice-versa. Eles perguntam-nos e nós dizemos que está tudo altamente, a vida é bela e cor-de-rosa, enquanto os nossos olhos ardem com as lágrimas que caem com mais frequência do que aquela que nós gostávamos.

É tudo tão complicado. E fica tanto por dizer. E fica tanto por fazer. Mas acho que, algo em que aqueles que ficam não pensam muito é...por muitas saudades que eles tenham de nós, nós temos não só saudades deles, mas também saudades nossas. Nossas, no sentido das pessoas que éramos quando estávamos em Portugal. Perdemos os jovens alegres e despreocupados e ingénuos que éramos. Perdemos a pessoa que não tinha de pensar em pagar renda, contas, contar tostões ao final do mês. A pessoa que não tinha de pensar em deixar um ou dois ou até três artigos de supermercado para trás porque não tem dinheiro suficiente na conta. A pessoa que não tinha de ser maltratada e espezinha por clientes que só gostam de ir às lojas estragarem-nos o dia. A pessoa que não tinha de ir para a cama sem jantar. A pessoa que não pode ir jantar fora com os amigos ou ir ao cinema. Temos saudades não só deles, não só de nós mas das coisas, dos sítios, dos cheiros, da comida, das cores. A praia em Sintra, o Bacalhau à Brás da avó, a canja da mãe, o boa-noite acompanhado de um beijo do pai, a piada da irmã que nos faz doer o estômago de tanto rir. O sol radiante da capital, o cheiro pouco agradável, mas característico do Rio Tejo. As ruas apertadas da Baixa.

Mas nós escolhemos deixar isso tudo para trás, não é assim? Só que não é bem assim, na verdade... 

Há sempre dois lados da mesma moeda. Contudo, esta moeda é triste, e ambos os lados, mais tristes ainda são. E secalhar, para um dia deixar de haver tanta tristeza, uma decisão vai ter, de facto, de ser feita. Devia de ser fácil, certo? Já abdicámos de tanto até agora. Abdicar de mais um bocadinho não é nada que não se consiga, verdade? Mentira.

Mentira. Porque por muita tristeza que haja, por muita saudade que se sinta, por muito que não seja compreendida, por muito que fique muito por dizer e outro tanto por fazer.... os meus são sempre os meus. E o meu coração, apesar de divido, sabe bem quem ama. 

 

17
Out16

Saudade


alex

A última vez vos escrevi foi no dia 6 de Agosto. O texto foi sobre o meu primeiro ano aqui em Londres. 

Desde aí, aconteceu muita coisa.

Parei de vos escrever porque aconteceu tudo ao mesmo tempo. O mês de Agosto foi uma correria. O de Setembro nem o vi passar. E já estamos a duas semanas de acabar Outubro.

Acho que nada me assusta tanto nesta vida como o passar do tempo. O quão rápido ele passa e o quão por garantido nós o temos. Dois meses passaram-se desde que vos escrevi. Não sei se ainda existe um vocês, ou se já sou só eu. De qualquer das formas, escrevo de coração aberto para quem quer que queira ler e para quem quer que seja que ainda esteja por esse lado.

Em Setembro fui fazer uma viagem para a qual andei a poupar durante 1 ano. No dia 11 de Setembro de 2016, aterrei na Coreia do Sul, cansada, expectante e entusiasmada. Já há algum tempo que queria visitar este país, não só por nutrir uma imensa curiosidade pela cultura Asiática, mas também por gostar bastante do mundo de entretenimento da Coreia do Sul. Fui com a minha colega de casa, que partilha este gosto comigo e foram duas das semanas mais inesquecíveis da minha vida. Foi uma viagem com os seus altos e baixos mas dava tudo para poder voltar e explorar ainda mais daquele país.

É um país que me fez lembrar bastante de Portugal, em alguns aspectos. Enquanto que Londres pode parecer uma cidade fria, demasiado "posh" e grande, Seoul fez-me muitas vezes lembrar de Lisboa. Muitos espaços abertos, a vida nocturna semelhante à de Portugal, onde as luzes nunca se apagam, os restaurantes ainda estão cheios às 22h da noite e não a fechar portas como aqui em Londres, onde se vê pessoas na rua a comer, a beber uns copos em grupos e a rir e a falar aos altos berros, onde existem mercados com meias, cuecas, pijamas, sweaters, tudo a menos de 5 euros, onde existe comida de rua e pessoas a tentar fazer negócio.

Com certeza que vou escrever e contar mais sobre esta viagem num outro post, mas o ponto ao qual eu quero chegar é... depois de ter voltado da Coreia do Sul, a saudade de casa apertou e bastante. Já lá vão 4 meses desde que estive em Portugal, com a minha família. E é verdade que já fiquei 8 meses sem ver ninguém, sem poder abraçar os meus pais e dar um beijinho de boa noite à minha irmã. Comparado, 4 meses não é nada. No entanto, ter viajado para outro pais, do outro lado do mundo, onde consegui encontrar algumas semelhanças com Portugal, fez-me sentir uma saudade que há muito já não sentia.

Possivelmente, o facto de a Uni ter começado este mês e de estar mais atarefada e cansada do que nunca, pode ter contribuído também para esse sentimento de saudade que aperta a cada dia que passa. Talvez o facto de para o ano ser o meu último ano como estudante me está finalmente a deixar preocupada com o meu futuro.

Acho que todos esperam que eu regresse depois de terminar o curso. E uma parte de mim, a parte que sente esta saudade grande a cada dia que passa, também quer regressar. Mas a parte de mim que sempre quis uma vida dela, independente dos pais, quer ficar. Porque a verdade é que existem duas de mim.

A Alexandra de Londres e a Alexandra de Portugal.

A Alexandra de Londres é independente, paga as suas contas, se está doente vai ao médico sozinha ou com a companheira de quarto, se se sente sozinha engole as lágrimas e vê uma série ou lê um livro para ver se passa, trabalha o maior numero de horas que consegue e mesmo assim não é suficiente, sai quando quer, com quem quer, sem ter de dizer nada a ninguém.

E depois existe a Alexandra de Portugal. Que chega a casa e tem o jantar feito. Que come três refeições completas ao dia porque a mãe as faz para ela. Que nunca fica sem cuecas e meias lavadas porque a mãe lava-lhe a roupa e estende-a. Que quando tem um problema vai ter com os pais e eles ajudam a resolver. Que quando está doente, o pai lhe diz: queres ir ao hospital que o pai leva-te? Do que precisas que o pai vai-te comprar? E ele vai e ele compra as tais pastilhas para a garganta ou o xarope. A Alexandra que depende dos outros, que se apoia nos outros.

A saudade é uma palavra muito portuguesa e como tal, é um sentimento muito português também. A H. diz que eu estou a passar pela crise existencial dos 20, que basicamente é, duvidar de tudo e não saber o que quero fazer depois de acabar o meu curso. E é por isso que ando a sentir esta saudade. Porque a Alexandra de Portugal não tinha de saber o que queria. Tudo estava ditado para ela. E tinha duas bengalas chamadas Pai e Mãe. 

Aqui não há bengalas. A vida aqui é como caminhar numa corda bamba sem nada que nos equilibre a não ser nós mesmos. Sem rede de protecção por baixo, casa nos desequilibremos e caiamos. A vida aqui é a vida real. Não apaparicada. E por vezes demasiado dura.

Daí a saudade. A saudade da família, de Portugal que é um país muito mais quente do que Londres (e não só em termos do tempo!) e saudades dos tempos em que as coisas eram mais simples.

Mas este ano a sorte sorriu-me um bocadinho e vou conseguir ir a casa pelo Natal. As saudades não as vou conseguir matar todas, mas ao menos este ano vou poder sentar-me à mesa com a minha família e sorrir de orelha a orelha quando as vozes já vão tão altas que tudo o que oiço é ruído.

Mas ruído do bom. Ruído que apazigua a maldita saudade.

06
Abr15

Com o passar das estações


alex

Espero que tenham todos tido uma óptima Páscoa! Pessoalmente, a minha não foi nada de outro mundo.

Para mim, estes feriados religiosos só servem para eu estar com a minha família, para além dos meus pais e irmã. É como os aniversários e as outras celebrações - para mim só têm significado porque tenho oportunidade de estar com pessoas que eram o meu mundo.

Mas os tempos mudam, e as pessoas também. Cada vez mais me tenho convencida que a minha família do coração vai ser sempre - e somente - os meus pais, a minha irmã e os meus avós. Porque o resto já está tudo muito longe do meu coração para ser a família do coração. Agora são mais só a família de sangue do que outra coisa.

É incrível como os nossos sentimentos para com alguém podem mudar ao longo do tempo. Há uns anos atrás, a minha família era o meu mundo; a minha rocha; o meu suporte. Eu sabia que podia-me acontecer de tudo, mas que eles estariam lá para mim fosse pelo que fosse.

Hoje essa certeza já não o é. Não duvido que eles gostem menos de mim ou eu deles - mas agora estamos todos crescidos, todos têm as suas vidas, os seus horários, os seus compromissos e a fossa que se foi abrindo à uns anos, está maior do que nunca.

Primos com quem cresci, que foram como irmãos. Que me fizeram chorar mas que limparam as minhas lágrimas. Que me fizeram rir com anedotas parvas, truques de magia fascinantes (e que ainda hoje não sei como se fazem) e aventuras por demais.

Tios com quem ia de férias no Verão, com quem partilhava segredos, com quem ria e brincava. Padrinhos com quem fazia o mesmo e muito mais.

Estamos todos tão perto uns dos outros, e no entanto, nunca estivemos tão longe. Literalmente, os meus tios moram aqui, a dez minutos de minha casa e eu nunca lhes ponho a vista em cima. Não é por falta de tempo - é por falta de vontade.

Pronto, está dito. É mau de se dizer, não é? Que já não há vontade de estar com aqueles que são do nosso sangue? Que nos ajudaram a crescer e que, de certa forma, contribuíram para formar a pessoa que eu sou hoje - mas a verdade é esta. Quando estou com o lado da mãe da família - tios e primos - estou contente, é agradável e ainda rio aqui e ali. Mas as diferenças estão lá, palpáveis se eu apenas estender a mão na direcção errada. Quando estou com o lado do pai da família - padrinhos e primo - é como se já não houvesse razões para os apelidar de tal. Há meses que passam sem nos falarmos uns com os outros e quando nos vemos, não há aquele interesse em partilhar a nossa vida com eles. Não quero dizer-lhes que me estou a candidatar à faculdade em Londres. Não quero dizer-lhes que às vezes me sinto muito sozinha, desgastada, fraca. Não quero dizer-lhes que daqui a uns bons meses, sou bem capaz de me ir embora. Não quero partilhar a minha vida com eles. Já não há aquela abertura para partilhar com eles parte de mim.

Cada vez mais acredito que família não é somente partilhar o mesmo ADN; que a família verdadeira não tem de ser a de sangue.

A família pode, de facto, ser escolhida por nós - não à nascença, mas há medida que vamos crescendo e formando e quebrando laços. Porque se há coisa que eu posso provar é que há laços aparentemente inquebráveis que, apenas com um toque bem dado, podem quebrar.

Entristece-me que assim seja, que eu estando aqui agora, não haja mais aquela proximidade que antes havia. Tudo o que resta das nossas relações, desta família que eu costumava ter e adorar, são as memórias. E essas, até o tempo me as vai levando.

Mas eu gosto de pensar que tenho crescido um pouco neste último ano. Que aos poucos, vou aprendendo não a conformar-me, mas a aceitar que há coisas pelas quais valem a pena lutar e outras que são melhor deixadas para trás.

Eu estou hoje numa luta que me deixa ver com clareza aqueles que estão lá para mim e os que não estão. A vista diante de mim pode não ser a mais bonita ou preenchida, mas de certa forma, actualmente, é a vista que eu preciso de ver para me dar aquela extra força.

O resto, é tudo gotas de água que escorrem pela janela abaixo nos dias de chuva e que, inevitavelmente, vão desaparecendo com o passar das estações.

16
Dez14

É impressão minha ou....


alex

Já só faltam exactamente 15 dias para acabar o ano?!

Estou assustada. Por um lado quero muito iniciar um novo ano porque ele traz sempre aquela sensação de ano novo, vida nova (por muito falsa e momentânea que essa sensação seja). Mas por outro lado quero ficar em 2014 para sempre.

Porque para o ano já faço 19 anos. Porque para o ano a minha vida pode mudar completamente ou ficar exactamente na mesma, como a lesma.

Porque este ano foi, descrito em poucas palavras, de trazer lágrimas aos olhos. Foi um ano em cheio, sem dúvida.

O ano em que fiz exames e o ano em que me produzi toda para ir à minha gala de finalistas e o ano em que fui finalista. O ano em que disse adeus a uma grande parte da minha vida: a escola. O ano em que disse olá ao mundo real, o mundo do trabalho em que é tudo mil vezes mais difícil e complicado.

Foi um dos anos em que chorei mais, disso não tenho dúvidas. Chorei principalmente lágrimas de tristeza, de desgosto, ansiedade, raiva e frustração.

Foi o ano em que vacilei muito e pensei muitas vezes o quão injusta é a Vida. O ano em que andei verde de inveja porque enquanto os outros puderam seguir o seu caminho em direcção à faculdade, eu tive de ser atirada aos lobos e procurar trabalho.

Foi o ano em que tive experiências das quais não me esquecerei.

O ano em que tive o meu primeiro trabalho - com direito a ordenado e tudo, vejam só!

Foi também o ano em que ri muito; abracei muito; amei muito. O ano em que aprendi que os três seres cá de casa são os três seres humanos mais importantes e essenciais à minha existência. Aprendi e vi com os meus próprios olhos o quanto os meus pais me amam e em como eles irão ao fim do mundo por mim (e pela minha irmã também).

Foi o ano em que tive de lidar com muita crítica, muitas perguntas de curiosos intrometidos, muitos julgamentos, muitos olhares de desdém.

O ano em que aprendi a refacturar uma factura do gás, com a pessoa do outro lado do telefone aos berros a dizer-me: "despache-se menina!".

O ano em que conheci muitas pessoas e todas elas me ensinaram algo, contribuíram com alguma coisa para a minha vida e para a minha aprendizagem.

Foi o ano em que deixei uma escola e entrei noutra completamente diferente e muito mais assustadora. Eu não sabia o que era o mundo do trabalho até hoje.

Agora já sei.

2014 foi o ano em que me deu mais uma grande pancada e decidi cortar o cabelo como nunca antes o tinha cortado - a metade da orelha. Agora já me chega às clavículas. 

2014 foi o ano em completei dezoito anos e votei pela primeira vez.

Foi o ano em que fiz a minha amiga carochinha (tatuagem), em memória do meu avô paterno - e a cada dia que passa a amo mais.

2014 foi uma avalanche de acontecimentos aos quais não tenho acesso a todos, neste momento, uma vez que a minha memória falha-me sempre.

Mas sim....com apenas 15 dias a separar 2014 de 2015, tenho apenas a dizer que estou assustada com o ano novo que se aproxima.

Normalmente o novo ano nunca me assusta. Pelo contrário, deixa-me sempre empolgada. Contudo, este ano, sinto um peso maior sobre os meus ombros em como tenho de fazer com que 2015 não seja um completo desastre.

No que eu tiver mão, com certeza que não será. Terá os seus bons e maus momentos como em tudo na Vida...no entanto, quero apenas que daqui a um ano possa dizer de 2015 o mesmo que disse aqui neste post de 2014, que basicamente se resume a:

Foi um ano simpático, com altos e baixos, mas acima de tudo aprendi muito.

E o meu objectivo é sempre esse: aprender, aprender até morrer.

 

13
Out14

Quero mais


alex

Já há muito tempo que não me divertia tanto como me diverti ontem.

Já há muito tempo que não ria tanto, com todo o corpo, como fiz ontem.

Já há muito tempo que não me sentia como senti ontem - cheia. E não foi de ter comido muito, porque ontem com a correria toda de preparar as coisas para o aniversário do cinquentão cá da casa, quase não toquei em comida alguma.

Quando eu digo cheia é cheia de alegria, de amor, de felicidade, de gratidão por ter uma família como a minha - e quando digo família não me refiro só à de sangue. Somos uma família enorme, uns de sangue e outros que como já estão connosco desde a altura das fraldas que apesar de não serem de sangue, é como se fossem.

Ontem o meu pai fez 50 anos e a malta reuniu-se toda cá em casa. Acho que foi uma noite como a que já não tinha há muito tempo...

Este último mês tem sido bastante solitário para mim. Está tudo na faculdade, tudo nas suas vidas e eu há um mês que ando por aqui, demasiado absorvida nas minhas histórias e nas minhas personagens fictícias para socializar como deve ser. Conto os dias para o dia 20 e já só faltam oito - tenho saído de casa, não me interpretem mal, não virei bicho do mato! Mas saio um dia ou outro com o P. ou com a D. e vou falando com a C. , que está fora do país e com quem eu me tenho dado mais do que com pessoas amigas que estão aqui na nossa cidade, e com a M. e os dias vão-se passando. Vou às consultas por causa das lentes de contacto (acabou este sábado o período de experimentação e hoje vou finalmente adquirir as definitivas), vou ao supermercado fazer as compras básicas para que quando os meus pais cheguem a casa não tenham de o fazer eles, vou brincando um bocado à Gata Borralheira e assim se passou um mês - solitário.

E só ontem me dei conta disto. Falei tanto e ri tanto que a minha boca ficou seca. Bebi tanta água antes de ir dormir por causa disso que passei a noite a levantar-me para ir à casa-de-banho. Mas estava a precisar tanto de uma reunião como a de ontem...com os nossos amigos e familiares, tudo a rir, a brincar, a relembrar momentos e histórias que ainda hoje nos trazem alegrias, a pôr-nos a par das vidas de cada um...Tinha tantas saudades!

Ontem fui feliz como já há algum tempo não o era. E nem o facto de ele fazer parte desta minha família disfuncional estragou a noite de ontem - pelo contrário, até ajudou. Porque dizem que o tempo cura todas as feridas, mas acho que não foi o tempo que curou esta ferida tão minha - fui eu. Aceitei finalmente que estava na altura de o largar e ontem foi como se ele fosse outra vez só mais um de nós.

Ontem senti-me uma sortuda, apesar de não terem sido os meus anos. Senti-me amada, senti que há pessoas que se preocupam comigo e com a minha vida e bem-estar. Senti-me....cheia.

Cheia de tudo o que é bom.

Quero mais.

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