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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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13
Fev15

Te(nho)r Fé

alex

Eu não acredito em Deus.

Não acredito que haja alguém ou algo lá em cima a olhar por todos nós, a puxar os cordelinhos nas mais diversas direcções. Não acredito em nenhum tipo de Deus e não sou católica, embora tenha sido baptizada pela igreja.

Os meus pais estão casados pela igreja. As minhas avós são ambas católicas praticantes - ainda me lembro de quando íamos de férias e a minha avó paterna dizia a sua reza todas as noites antes de ir dormir. Até hoje ela reza, eu sei disso porque ainda no Natal tive de dormir com ela e ouvi. Ela reza por todos, até pelo seu marido que já não está connosco, menos por ela.

Ela acredita. A minha outra avó não pode ouvir dizer que eu não sou católica. Para ela eu sou católica, independentemente do facto de as únicas vezes que tenha entrado numa igreja não tenha sido por vontade própria.

Não fui educada para acreditar num Deus poderoso que escreve direito por linhas tortas. Fui ensinada a não acreditar - em Deus, em mim, nos outros, no mundo...

Até à uns anos atrás, eu acreditava que não existia nada de bom neste mundo. Que o mesmo era só mau e que eu, só iria ter direito a isso na minha Vida. É uma crença estúpida de se ter, agora passados os anos, vejo isso.

Mas na altura eu justificava a minha falta de fé (em tudo) com um simples argumento (que agora sei ser mais do que inválido): nunca tive razões para isso.

Nunca me foram dadas razões para ter fé. Para acreditar, fosse no que fosse - num Deus, num bem maior, em mim, nas pessoas à minha volta...

Com o tempo e com as pessoas certas, fui aprendendo que a fé verdadeira só o é quando não nos são dadas razões para acreditar.

A fé verdadeira só é fé quando tudo à nossa volta se desmorona; quando tudo parece um buraco escuro sem fim nem começo e mesmo assim, nós continuamos a acreditar. No quê? Não sei. Mas temos fé; esperança.

Fui descobrindo também, ao longo dos anos, que existem muita teorias acerca deste nosso mundo que habitamos - uma delas é aquela pela qual hoje me tento reger.

Continuo a não acreditar em Deus, continuo a não ser católica e continuo até a desprezar a religião (ou pelo menos aquilo que o ser humano fez dela ao longo destes anos). 

Mas não posso dizer que continuo a não acreditar; a não ter fé. Porque se hoje vos escrevo, é porque a fé que tenho dentro de mim é muita. É porque hoje acredito em algo - que o Mundo é uma balança. De um lado o bom, do outro o mau. Por vezes um dos pratos da balança oscila com o peso - é muito. Por vezes pode até chegar a tombar. Mas depressa o outro prato tenta equilibrar a balança, equilibrando assim as nossas Vidas.

Acredito, hoje, que tudo o que damos de mau ao Universo, ele retribui. Sejam pensamentos negativos, raiva para com os outros, mentiras, desonestidade, má língua, más acções. Acredito também que mesmo quando só damos pensamentos positivos, esperança, palavras amigas, fidelidade, amor...que por vezes não chega para equilibrar a balança e por isso, o mal continua a pesar mais.

Mas também aprendi que a balança nunca fica a pesar mais para um lado. Pode parecer assim - e eu que o diga que passei quase três anos com a balança a pesar para o lado do mal - mas a realidade é que o equilíbrio acaba por ser restaurado.

Não podemos esperar de ninguém, seja esse alguém Deus ou outro qualquer, do Universo ou da Vida que estes tenham peso sempre só num dos pratos da balança. Uma balança tem dois pratos por alguma razão é.

E eu aprendi isto, a custo e depois de bater muitas vezes com a cabeça na parede. E continuo a aprender porque não vou mentir - por vezes, a minha balança parece estar mais torta que a Torre de Pisa. Mas a verdade é que se há uma lição que carrego comigo todos os dias, desde há uns anos para cá, é que ter fé não tem de ser necessariamente sinónimo de ter uma religião.

Ter fé é acreditar naquilo que nos dá força para continuar em frente, quando tudo à nossa volta nos puxa para trás.

Quando nada na nossa Vida nos dá razões para acreditar seja no que for.

Porque para mim, hoje, a verdadeira fé é quando não temos razão alguma para a ter e mesmo assim... a temos.

08
Jun14

Um novo livro

alex

Estes últimos dois dias foram uma correria.

Sexta foi, oficialmente, o último dia de aulas do secundário (para mim). Não me soube a despedida porque ainda não o é. Para a semana devo de lá passar para ir a uma das aulas de apoio aos exames, para esclarecer umas quantas dúvidas que de certeza vão surgir esta semana, quando me agarrar aos livros (até tremo só de pensar) e depois ainda lá vou fazer os exames (ai!).

À noite foi a gala de finalistas, que na minha opinião, correu bem. Diverti-me, tirei fotos, estive com pessoas que me enchem o coração e houve um momento da noite que me causou um arrepio na espinha que à muito já não sentia. Depois do jantar, da valsa, da entrega de diplomas (fui a primeira a subir ao palco: benefícios de me chamar Alexandra), fomos todos para o jardim do recinto, com balões nas mãos. Os balões tinham umas luzes coloridas lá dentro e quando já estávamos todos reunidos no jardim, contámos até três e largámos os balões, enquanto pedíamos que os nossos desejos se realizassem. Foi um momento, ao qual eu chamaria cheesy, e que pôs grande parte das raparigas da turma a chorar. E eu, não incluída nessa percentagem de choronas (porque não é por qualquer coisa que choro) sorria, olhando para o céu.

E foi aí, a contemplar o céu meio negro, meio rosado, brevemente iluminado por um conjunto de cores vibrantes que me apercebi que aquele foi um dos momentos da nossa vida que nunca mais vamos poder viver ou recuperar. Um daqueles momentos únicos e exclusivos na vida de uma pessoa.

Foi aí que me caiu a ficha. A minha vida vai mudar completamente dentro de um mês. Durante o resto da noite, pus esse pensamento e essa sensação para trás de mim e dancei até já não me conseguir aguentar em cima dos saltos (mas nunca os tirei!). Eram quatro e meia da manhã quando me foram buscar e viemos todos embora, deixando para trás uma noite que todos nós (excluindo aqueles que beberam o seu peso em sangria/cerveja) se vão certamente lembrar daqui a uns anos.

E foi quando pousei a cabeça na almofada, já eram cinco e picos da madrugada, que aquele pensamento e aquela sensação voltaram e, durante uns segundos, não consegui respirar. O medo e os nervos apoderaram-se de mim ao aperceber-me de que não posso continuar a adiar nada. Não posso continuar a pensar: "Ah, penso nisso depois quando chegar a altura". A altura chegou. A altura de estudar para uma disciplina que não tenho à três anos para ver se consigo, pelo menos, mais de 95 pontos no exame. A altura de estudar para dois exames que, para mim, só vão servir para a média, visto que não vou precisar deles (ou de nenhum outro) para ingressar na faculdade.

A altura em que começo a pensar que já tenho 18 anos, já não vou frequentar o secundário (estou confiante que consigo passar no exame de francês), já não vou ser estudante. Não vou ver as pessoas que vejo todos os dias, não vou ter a rotina da qual já estava farta, mas que de certa forma, era minha. Não vou passar intervalos no bar da escola a rir e a conversar com os meus amigos de há tantos anos.

Muito provavelmente não vou ver a grande maioria deles. 

Daqui a um mês a minha vida vai mudar completamente.

E apesar de ter andado a desejar que esse dia chegasse, durante este 12º ano todo, agora que está tão perto que posso já senti-lo, não sei se estou preparada.

Aliás, tenho a certeza de que não estou. Mas, sendo como sou, vou erguer a cabeça, respirar e fundo e enfrentar o touro pelos cornos.

Porque a Vida é mesmo assim, feita de mudanças, transições que nos fazem perder noites de sono, que nos fazem sentir medo e receio como nenhuma outra coisa consegue.

A Vida é assim, assustadora, mas há que ter fé que no fim, vai tudo correr bem. E se há coisa que este ano aprendi, foi a ter fé. Não em Deus, mas em algo maior, talvez digamos, no Universo e em como tudo acontece por uma razão. Aprendi também a ter mais fé em mim e por isso digo que, daqui a um mês, o secundário vai mesmo ser, não um capítulo encerrado, mas como disse a minha cara metade no vídeo que fez para a gala, um livro fechado.

Só espero que o novo livro me traga tudo aquilo a que tenho direito: coisas boas, más, momentos bons e outros não tanto. Personagens maravilhosas e uma história que valha a pena ser escrita e contada.

Um daqueles livros que não queremos que acabe. Como este que estou prestes a acabar. Mas melhor.

Muito melhor.

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