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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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02
Dez19

(Não) Está frio

alex

Ao meu redor, todos se queixam do frio. E eu, com um sorriso sabedor nos lábios, já não digo que não está frio. Aceito que o frio dos outros é diferente do meu. Do que foi o meu frio durante os últimos quatro anos.

Chega o Dezembro e a minha rua cheira a lareira. É um incómodo quando estou a vir para casa e percorro a minha rua, com o cabelo acabado de lavar, para depois o mesmo ficar a cheirar a fumo. Mas é um cheiro novo, esquecido na minha mente, agora recordado e vivido quase todos os dias.

Montam-se as árvores de Natal e os presépios. O ano passado planeava o jantar de Natal da loja, este ano vou desfrutar de um jantar de Natal com amigos. Folheamos os folhetos dos supermercados e lembramos-nos de que já ninguém brinca com nenucos. Aproveitamos os descontos da Black Friday (a primeira de cinco em que não trabalhei!) e compramos as prendas que achamos e esperamos que os outros irão gostar de receber. Os fins-de-semana têm direito a castanhas assadas, e o espírito natalício espalha-se pelas divisões da casa.

Chega o Dezembro e daqui a nada, o Janeiro. Uma nova década. 2020. Números pares, os meus favoritos. 

Ao meu redor, as pessoas dizem que está frio. E eu só penso no quão bom é viver com o frio dos outros, porque se este Dezembro estivesse a viver com o meu frio, do ano passado, e do ano anterior a esse, não andava quentinha por dentro. 

Dizem que está frio. E eu sorrio e penso...Está tanto calor.

25
Nov19

Eu não me esqueço das letras

alex

Hoje trago uma música para partilhar com vocês. A Capicua é das poucas artistas portuguesas que eu escuto com atenção e frequência. Porque a sua arte fala comigo de uma forma que muitas outras não conseguem. Sendo eu tão das letras, e as letras tão minhas, tendo eu a relação que tenho com a escrita - extensa, complicada, de uma paixão que por vezes conduz ao ódio e de volta ao amor - não podia deixar de escrever um pouco sobre a música e sobre a frase que despertou em mim muitas emoções. Tristeza, revolta...mas acima de tudo esperança. 

Na escola, nunca gostei de matemática. As línguas e as letras foram sempre o meu refúgio, desde que tenho memória de ser gente. Tanto que, saí do meu país para ir estudar com mais cuidado esse mundo. Outra história essa... Mas a verdade é que, foi também durante essa altura que, não por querer mas por necessidade, me envolvi mais com o mundo dos números. O mundo dos negócios, o mundo do comércio. O mundo do trabalho. E devagar me fui apercebendo de que o mundo, apesar de não controlado por números, gira muito à volta deles.

E eu, de Escrita Criativa e Jornalismo, e eu com a minha colecção sempre crescente de livros a olhar-me de lado, deixei-me afundar nesse mundo dos números. Escrevia relatórios diários, semanais, mensais, onde tinha de justificar número X e número Y. Quantas pessoas gostaram disto, quantas compraram aquilo...Quantidade, quantidade, quantidade.

A qualidade não existe no mundo dos que jogam com números. E o amor à arte também não. Há claro que ser realista, os números precisam de nós tanto como nós precisamos deles. Mas...é um problema (não matemático) quando as coisas nas quais começamos a colocar valores, são aquelas cujo valor deveria ser indeterminável - aliás, não existir. Pior, quando a qualidade é baseada apenas em números, que ao final do dia, se eu fosse a fazer um dos meus relatórios que costumava fazer, não valem nada.

A era das tecnologias, dos Youtubers, dos influencers, dos likes...Tudo é liked. Menos o que não é. E o ser humano, no meio de tanto número, passa a ser tratado como um (número). Mas afinal, que valor tem um milhão de likes contra 100, quando o milhão é vazio de razão, paixão, amor por aquilo que se faz, respeito pelo próximo e tudo o de mais? Afinal, somos nós que atribuímos valor aos números, ou são os números que atribuem valor a nós? Ao que criamos? Ao que dizemos, ao que pensamos, ao que somos?

Somos só números? Hoje em dia eu diria que sim. Mas depois ouço músicas como a da capicua e penso... se é para sermos um número, então vamos ser mais um dos que não se deixam reger por eles. E tal pode soar hipócrita da minha parte, mas se é para ser um número, quero ser dos que não se esquecem das letras. 

Por alguma razão, nunca gostei de matemática.

"É ano após ano e os feitos são inúmeros

E eles esquecem as letras e andam só atrás dos números... Solene como a cada último mergulho

Eu rasguei a dor e o medo como papel de embrulho." - Capicua, 2019

 

23
Nov19

In my dreams

alex

Este vai ser em inglês. Sorry.

In my dreams I don't sleep. In my dreams I'm always awake. Living, breathing, alive. There is color and movement and passion in the air and I'm the one who smiles.

In my dreams I don't cry. I laugh and laugh and laugh.

So I lay down at night, and during the daytime, to sleep for as long as I can, for as only as I am asleep, am I alive.

11
Nov19

Uma descoberta infantil

alex

Penso que todos nós temos aquele momento nas nossas vidas em que descobrimos que a magia do Natal é construída pelos adultos, pelo capitalismo e pela mentira. 

Lamento começar logo assim, de forma tão brusca, mas a verdade é esta. O Natal é, desde sempre, um feriado religioso, com história e significado para muitos. Contudo, não sei bem como, quando nem porquê, o Natal desenvolveu-se e tornou-se numa época em que nada parece importar mais do que os presentes que vamos dar - e mais ainda, os que vamos receber. É o pico do capitalismo e, admito que, nunca tinha pensado bem a fundo nisto - até trabalhar na área do retalho. 

Meu Deus. É tudo o que posso dizer, primeiramente, em relação à época do Natal no mundo do retalho, do capitalismo. Quando digo que já vi pessoas a lutarem por um bocado de tecido que custava 2 libras, não minto. Nunca ninguém acredita em mim, mas isso não faz com que não seja verdade. Claro que, para todos nós acredito eu, o Natal é muito mais do que isso. É o tempo passado em família, é os doces na mesa, os jogos de cartas e monopólio que perdemos para os nossos primos mais velhos e mais espertos ao jogo, é o calor da fogueira (se a tivermos) e o vapor das castanhas acabadas de descascar, no ar. Contudo, e não esquecendo, o Natal é muito o pico anual do capitalismo.

E acho que a maior descoberta infantil, que talvez alguns (talvez muitos) de vós partilhem comigo, é quando descobrimos que o Pai Natal não é real. MAS, e agora se calhar vou ser um pouco controversa, muitos dizem também não o ser o menino Jesus ou Deus (eu sendo uma delas). Portanto, a minha descoberta infantil não passa só por descobrir que, todos os anos, a minha avó levava os seus dois netos para um dos quartos, enquanto os nossos pais colocavam os presentes à volta da árvore, enquanto o meu pai fazia o seu "ho ho ho", o mesmo pelo qual hoje ainda é gozado (por mim) e que a mãe do meu primo tocava o sino enquanto a minha avó segurava em ambas as nossas pequenas e irrequietas mãos e dizia: Oiçam, oiçam! Chegou!!

A minha descoberta infantil passa também por descobrir que não existe um Deus. Pelo menos para mim. E cada um acredita naquilo que o valha. Religião não é algo sobre a qual eu escreva (ou fale) com frequência. Porque é um assunto muito delicado para muitos e as pessoas ofendem-se com facilidade. Eu sou da opinião que todos nós somos livres de acreditar naquilo que quisermos, em quem quisermos, incluindo sermos livres de não acreditar, ponto. Contudo, tendo crescido numa família semi-religiosa, nunca pus em causa a existência de um Deus ou de um Jesus. Até ao dia em que assim foi. Poucos dias depois do Natal em que descobri que o Pai Natal não existe. Aconteceu. E desde aí que não acredito. Não porque não quero, mas porque posso. Posso não acreditar. E posso escolher acreditar noutras coisas.

Que descoberta infantil mais adulta...

P.S. : Perdoem-me a irregularidade com que cumpro com este desafio. Mas, se há coisa na qual acredito ,é na dificuldade que eu tenho em me comprometer a sério e totalmente com algo que não os meus demónios. Os quais batalho ainda. Mas enfim, isto já são outros divagares...

06
Nov19

Uma música favorita (Skeletons)

alex

Perdi um pouco o fio à meada com este desafio. De um dia para o outro o blog ficou às escuras e eu, que adoro o escuro, estou completamente rendida. Boa Sapo Blogs!

Adiante... O meu gosto musical é muito variado e como tal as minhas músicas favoritas variam com o meu estado de espírito, com a altura do dia, com o momento pelo qual estou a passar na minha vida. Não tenho uma música que possa dizer: esta é que é a minha favorita de todos os tempos. Mas tenho artistas, cantores que gosto e que oiço sempre, isso sim. Vou sempre descobrindo novos músicos e houve um dia, que não sei bem como, me deparei com um músico digamos que underground, pouco conhecido mas que tem uma música pela qual me apaixonei. Talvez porque poderia ter sido eu a escreve-la, do tanto que reflecte o meu estado de alma, talvez porque simplesmente gosto de me deitar na cama, com as luzes apagadas, quando as minhas queridas insónias estão no seu auge, a ouvi-la. E a mesma traz-me conforto. Paz. Serenidade. Sozinha no escuro, oiço esta música e penso, sinto, que não estou assim tão sozinha. 

É esse o poder imenso da música. Das letras. Junta-nos, dá-nos companhia, alarga um pouco aquele nó gigante, e bem apertado, que temos na garganta e no peito. Por vezes conseguimos isolar-nos tanto, sentirmos-nos tão sozinhos, até mesmo quando estamos bem acompanhados e temos pessoas que nos amam connosco...até nesses instantes, por vezes, não somos capazes de nos sentir inteiros. De nos sentirmos cheios. A música para mim, é isso. É a minha companheira no isolamento, é a minha luz no escuro, é o meu calor no frio, é a minha vontade de continuar na falta da mesma.

A minha música favorita é a música. Mas esta é uma das.

 

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