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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

22
Out19

O problema sou eu


alex

Sinto vergonha. Vergonha das palavras que vos escrevo. Vergonha dos meus sentimentos. Vergonha dos meus pensamentos. Escrevo por entre lágrimas que não derramei há dois meses atrás, quando provavelmente deveria ter derramado. Escrevo com as mãos a tremer e o coração, não no peito, mas entalado na garganta. Escrevo e mesmo assim, não me sinto aliviada.

Mas continuo a escrever porque é das poucas coisas que sei fazer; que ainda consigo fazer. 

O problema sou eu. Não estava bem em Inglaterra e por isso regressei. Agora que aqui estou, não estou bem também. Todos os dias acordo sem vontade de acordar. Todos os dias me levanto quando só quero é ficar deitada. Todos os dias quero chorar, mas só hoje, depois de quase dois meses, é que chorei.

Chorei e ainda não parei. Não sei se vou ser capaz de parar. Choro e limpo as lágrimas, para logo de seguida mais umas me escorrerem pela cara abaixo. Nunca senti tanto o meu coração como sinto agora. Ele bate muito, de forma sonora, rápido, incessante.

Do que é que precisas? Pergunta-me uma das minhas muitas vozes. Não sei, responde a outra. 

Continuo perdida. Estou sempre perdida. Nunca me vou encontrar. Do que preciso eu, afinal?

O problema sou eu.

A verdade é que não sabia. Não sabia que eu fui embora, fiz vida fora durante 4 anos, e que ao voltar não iria mais encontrar a minha vida, que uma vez, foi minha, outrora. Não sabia que a vida continuou, comigo fora, e que agora não tenho vida minha, cá. Sinto-me perdida. Desolada. Sem nexo, sem chão, sem caminho. Mas estou perto dos meus, como queria. Mas os meus têm as suas vidas. E a minha?

Não sei, não sei, não sei. E doí. Doí não saber. Doí não ter. Doí porque sim, tenho saudades. Doí porque merda, falo sempre de peito cheio e depois, sou isto que se vê. Nada. Nada. Nada.

Não sou nada. 

O problema sou eu.

 

(Eu sei, eu sei...demora tempo. A ambientar-nos, a encontrarmos de novo o nosso lugar, eu sei...mas ontem não conseguia dormir e foi isto que saiu.)

12
Out19

Vou saber


alex

A última vez que votei foi antes de ter ido para Londres, há quatro anos atrás. Este ano, pude voltar a votar novamente, porque regressei.

Já lá vão quase dois meses desde que vim e não vou mentir...não está a ser fácil. Há quem diga que partir é o que custa mais, mas regressar, deixem-me que vos diga, custa tanto ou se calhar até mais. É o termos 23 anos e sentirmos-nos com 18 de novo. É não termos uma vida que é nossa, enquanto todos os que nos rodeiam a têm. Uma vida. Vidas. Empregos. Hobbies. Tempo ocupado. É sentir que voltámos à estaca zero, que toda a gente já se encontra no andar mais alto da penthouse e nós ainda nem sequer entrámos dentro do elevador. É o ter de largar o inglês. É o ter de praticar o português bonito e formal. É o ter de ir para as aulas de código com miúdos do secundário. É o ter de mandar currículos para a nossa área e não haver nem uma resposta. É a ânsia de não saber bem o que ando aqui a fazer. É o olhar à volta e ver toda a gente a fazer algo.

Mas votei. Pude votar. Pela primeira vez em quatro anos pude ir às urnas votar e exercer o meu direito. É o acordar com o sol em vez de acordar com a chuva. É o ir ao médico e dizerem-me bom dia quando entro na sala de espera. É o agarrar em mim e ir a casa dos meus avós porque sim, porque posso, porque estou perto, porque estou cá. É o chegar ao fim da noite e dar um beijo de boa noite à minha irmã, aos meus pais. É o acordar e saber, que mesmo sem saber, vou saber. Para o mês que vem, para o ano que vem.

Vou saber o que ando por aqui a fazer.

11
Set19

Cá estamos (Ou o regresso)


alex

Escrevo-vos de casa. Portugal. Lisboa. Já quase duas semanas depois de ter chegado. Não tinha computador para vos escrever, pois assim que cheguei tive de o pôr a arranjar. Mas acho que mesmo se tivesse, não vos teria escrito, por várias razões. Ainda não sei se consigo acabar de vos escrever agora, enquanto vos escrevo, ainda sem ter escrito muito ou mesmo até nada.

É complicado de explicar. Porque toda eu sou uma complicação. Queria muito vir. E aqui estou. E aqui vou ficar. A verdade é que acho que a ficha ainda não caiu, porque ainda tenho de voltar a Londres por dois dias, para a semana que vem. Então acho que a minha mente ainda não aceitou por completo que vim para ficar. O facto de ter estado estes quatro anos fora já começa a pesar em várias situações. Quando me reúno com alguns amigos e eles falam de assuntos sobre o qual eu não estou informada, quando revejo familiares (mais afastados) e não há muito para dizer, para além do básico e normal (então, voltaste para ficar? e agora, que vais fazer cá? ah, não arranjaste namorado por lá vens à procura dele aqui é?).

A última é sempre a que me faz rir na cara das pessoas. Enfim. Passando à frente...

E depois, os medos. As incertezas. A ansiedade. O não saber o que quero fazer. O não ter trabalho. O ter de voltar a fazer currículos. O ter de voltar a ir a entrevistas. O ter de ir tirar a carta de condução. O ter de recuperar o tempo perdido com os meus. O ter de me ambientar. O ter de falar 100% português todos os dias, a toda a hora. O ter pessoas que eu não conheço a dizerem-me "bom dia". O ter de comer três refeições por dia, à mesa da sala de jantar. O ter de viver com os pais novamente. Tudo, tudo, tudo. 

É uma avalanche de sentimentos, de ansiedades que não me deixam respirar. Quero permitir-me relaxar, aproveitar durante um tempo porque sei que mereço. Mas eu sou a minha pior inimiga. E não sei estar parada. Não sei estar sem nada para fazer. Não sei estar sem ser preocupada com o trabalho, ou com a universidade ou com ambos. Não sei estar sem estar preocupada em pagar a renda a tempo, ou em resolver um problema na casa, ou em pagar as contas. 

Não sei não depender de mim e só de mim. 

Já me disseram isto e eu começo a dar razão. O grande problema disto tudo é que, já cheguei à 13 dias e, ainda não pus os pés na puta da praia.

Mas cá estamos.

 

05
Ago19

Estou de férias (ou não)


alex

Estou de férias. Estou de férias como já não estava há muito tempo. O máximo tempo de férias que tive, seguidas, nos últimos cinco anos, foram duas semanas. Duas semanas aqui, depois uma semana ali, uns dias de folga pedidos com esforço para ir a um concerto ali ou tratar de umas coisas acolá, mas férias a sério, onde descanso, não faço absolutamente nada, onde não tenho de pensar no trabalho, na casa, na universidade...já não tinha há cinco anos, desde que acabei o secundário.

Como já mencionei em posts anteriores, muita coisa aconteceu este ano que não devia ter acontecido. Mas como sempre, eu não gosto de ser apanhada de surpresa pela vida (e no entanto, acontece muitas vezes) então, faço o meu melhor em tentar tomar as rédeas de uma situação ou situações que não estavam planeadas. Porque não gosto de não ter controlo sobre determinadas coisas, algo que tenho vindo a descobrir sobre mim. Gosto de conseguir controlar uma situação, mesmo quando esta se revela de forma inesperada. Sou o tipo de pessoa que não gosta necessariamente de saber o que vai acontecer, porque não gosto, mas que gosta de conseguir ter controlo sobre a situação. E com toda a merda que me aconteceu este ano, foi isso que tentei fazer. Tomar as rédeas e fazer as coisas à minha maneira, já que elas aconteceram da forma que aconteceram. Então poupei dinheiro e agora, o meu último mês em Londres vai ser para descansar, para aproveitar, para poder empacotar 4 anos de vida com calma e sem pressões, para poder ler mais, escrever mais, não sei se aqui para vocês ou se apenas para mim, mas fazer mais sem fazer nada.

Contudo, já se passaram cinco dias desde o meu último dia de trabalho e estou sem saber o que fazer de mim. A ansiedade da mudança começa a espreitar por entre as cortinas, durante a noite, e todo um mar de medos e incertezas quase me engole quando fecho os olhos à noite para dormir. Então não durmo. Fico acordada até às tantas da madrugada, a ver vídeos de remodelação de quartos, a escrever nas notas do meu telemóvel, a ouvir música. A fazer de tudo para tentar afastar a minha mente daquilo em que devia pensar mas não posso. Porque se penso, vou ser consumida por esses pensamentos. Se me deixo sentir medo, vou ser consumida por ele. Se me deixo vacilar e caio na dúvida, vou ser engolida por ela. Então tenho passado os dias a dormitar e as noites a evitar, a evitar tudo o que não devia.

Estou de férias, mas não me sinto de férias. Não sei estar de férias. Não sei o que é não ter de trabalhar, resolver um problema aqui ou concertar uma coisa ali. Não sei o que é não ter mais de vinte mensagens de vários grupos diferentes por dia, todos os dias, uns a pedir ajuda, outros a pedir justificações, outros a dar direcções. Já não sei o que é não ter de pôr despertador para acordar, porque até quando ia de férias, tinha sempre de o fazer. Ser eu é ser assim. É querer ser tudo e não ser nada. É querer fazer tudo e não fazer nada. É ter estes medos e incertezas que ninguém conhece e dar a conhecer os sorrisos e as piadas que todos conhecem de mim.

Ser eu é estar de férias mas só que não.

22
Jun19

Estática


alex

Eu tenho esta ânsia dentro de mim que não consigo apaziguar. Quero que o tempo corra mas parece que eu vou ficando parada. Como é que posso querer que o tempo passe se eu própria não me mexo?

Dou por mim a fixar o tecto do meu quarto, as insónias já sem poderem ser chamadas de tal, e passo a vida assim, desperta mas adormecida. Desperta para tudo aquilo que temo, tudo aquilo que me faz duvidar, vacilar e adormecida para a coragem, para a vontade, para a garra. 

Se houve algo que Londres me roubou foi sem dúvida a minha garra. Lembro-me de ser destemida, com medos sim, mas a vontade de os vencer era sempre maior. Costumava ser uma leoa selvagem, que se mandava às coisas de cabeça e pensava nas consequências depois. Agora, não dou dois passos para a direita sem pensar mil e uma vezes se deveria mesmo era dar um para a esquerda. Agora... sou como uma leoa domesticada, daquelas que vemos no zoo, olham para nós com desdém e regressam à sua sesta. Perdi muita coisa de mim que quero voltar a encontrar. Mas o tempo corre e eu fico parada.

Estática.

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