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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

27
Mar19

Darkness (ou coisas que são escritas quando se sofre de insónias)


alex

Ás vezes gostava de poder fugir. Agarrar no meu casaco e sair. Fechar a porta e não olhar para trás. Gostava de poder correr livremente pela rua abaixo, não porque estou a correr na direcção de algo ou porque estou a fugir de algo, mas simplesmente porque quero poder sentir o ar frio deste Inverno sem fim na minha pele. 

Ás vezes quero gritar. Gostava de poder gritar. Correr durante muito tempo, cansar as minhas pernas de tal forma e negar ar aos meus pulmões ao ponto de não conseguir respirar. Correr durante tanto tempo e a tanta velocidade, que acabaria num lugar muito longe, sozinha. Sozinha, para que pudesse gritar, um grito que viria do lugar mais fundo e obscuro do meu corpo. Um grito que me deixaria muda, incapaz de falar.

Ás vezes gostava de não ter de falar. Ou ouvir. Ás vezes só quero existir. E outras vezes, apenas quero que toda a gente não exista.

Ás vezes quero estar sozinha. Tão só que possa sentir essa solidão em todos os ossos do meu corpo.

Estou cansada do barulho. Estou cansada das cores. Estou cansada do movimento.

Ás vezes desejo pelo escuro, pela completa escuridão. Preto. Não branco e preto, não a cores. Preto.

Escuridão. Ás vezes desejo por ela.

Outras vezes, torno-me nela. Afundo-me nela. Sou ela.

Escuridão.

25
Jan15

Em voz alta (é diferente)


alex

Hoje disse-o pela primeira vez em voz alta, em conversa com a prima do meu primo (que não é minha prima mas de quem eu gosto muito).

Disse-o e não sei se fiz bem ou mal porque a Vida é nada mais nada menos do que uma enorme incerteza - ninguém sabe o dia de amanhã.

Mas saiu-me. Ela estava a ver as fotos dela com o nosso primo em Londres e eu virei-me e disse:

"Eu este ano vou para Londres".

Só me apercebi do que me saiu da boca quando ela olhou para mim com um sorriso de orelha a orelha e perguntou:

"A sério, já te candidatas-te?"

Foi estranho, dizê-lo em voz alta com tanta certeza. Tenho andando a dizê-lo na minha cabeça desde o início do mês mas é diferente dizê-lo em voz alta, a outra pessoa. Claro que os meus pais sabem, mas não falamos muito sobre isso - prefiro assim porque já sei que se falarmos, eles vão começar a encher-me a cabeça de dúvidas (legitimas, admito) e eu dispenso.

A candidatura já foi, o curso é Escrita Criativa e Jornalismo e a universidade é a Middlesex. Agora, lá para o final de Fevereiro, inicio de Março chega a resposta por parte da Universidade, depois em meados de Abril é fazer o exame IELTS e ter uma classificação de 6.0 (no mínimo) e aí sim, as coisas vão começar a tornar-se muito mais reais.

Eu vou para Londres.

Este ano.

Em Agosto.

Espero eu.

14
Jan15

Fome


alex

Ás vezes tenho esta fome - a fome de escrever. Lanço-me num teclar desenfreado e chego a ter lágrimas nos olhos de estar tanto tempo a escrever e a olhar para o ecrã do computador.

Tenho esta fome que nunca vejo saciada; escrevo e escrevo e escrevo e por vezes, mais valia não escrever nada (como agora). Saem coisas que nem ao diabo lembra mas saem outras que eu mais tarde leio e penso:

"Fui eu que escrevi isto? Uau."

A maior parte do que escrevo não mostro a ninguém. Guardo para mim - porquê, não sei. Talvez porque não confio totalmente nas minhas capacidades enquanto escritora. Talvez porque acabei de soltar uma gargalhada ao denominar-me como "escritora". Escrevo, como tal sou escritora? Muitos diriam que não é bem assim (e eu concordaria).

Mas a fome persiste - talvez também por essa mesma razão. Porque procuro sempre escrever mais e melhor que antes; porque quero encontrar aquele texto, aquela frase, aquela palavra escrita, pensada por mim, que será capaz de acalmar esta fome selvagem.

No entanto, pensando melhor...este é daquele tipo de fome que não queremos ver saciada.

21
Dez14

Perco-me, por vezes.


alex

Por vezes perco-me. Durante umas horas, vagueio, meia cega pelas lágrimas que ameaçam despoletar dos meus olhos.

Por vezes, perco-me. Por entre as dúvidas e incertezas; os medos e as ansiedades; as memórias e os fantasmas do passado.

Perdida, deambulo. Só. Nunca sozinha, mas sempre só.

Por vezes...perco as forças. Tenho vontade de baixar os braços e perder-me, não só às vezes, mas sempre e para sempre. Por vezes não são apenas os meus olhos que choram - é a alma também.

E quando a alma chora, sentimos que não vamos conseguir parar. Recuperar.

Encontrar-nos.

Por vezes desejamos perder-nos, às vezes. Sempre. Para sempre.

 

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