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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

21
Mai15

Nem sempre

alex

Os ânimos na loja não andam lá muito bem. Aqui a vossa amiga plantou uma semente que deu um fruto muito grande e agora estou com receio de levar com ele na cabeça.

Sempre ouvi dizer que o cliente tem sempre razão. E eu aprendi isso no único mês que estive no call center. Bastou-me uns dias a atender telefones numa das linhas mais atarefadas do país para perceber que lidar com clientes não é fácil e não é, de todo, para todos.

A diferença entre o call center e a loja é que aqui dou a cara, enquanto no call center só dava o nome e a voz. E bem dito aquele botão chamado mute que me permitia bufar e dizer umas quantas asneiras quando o cliente estava do outro lado da linha a reclamar que estava sem gás. Aqui não tenho botão de mute. Aqui tenho de pôr um sorriso nos lábios e não deixar que os meus olhos demonstrem o que realmente sinto.

Os meus olhos traem-me sempre e para quem for atento, vê logo. 

O cliente tem sempre razão - na teoria até pode ser assim, mas na prática as coisas são diferentes. 

Hoje perdi a compostura. Deixei as minhas emoções levarem a melhor durante uns segundos e foi o suficiente para se instalar aqui mau ambiente quando cá estou eu e a minha patroa juntas (que, digamos não é mais do que uns cinco minutos, visto que assim que eu chego ela começa a arrumar para ir embora), mas é desconfortável.

Hoje estive mesmo para mandar um cliente à merda. A chamar-me mentirosa e a fazer com que eu ficasse mal vista perante os meus patrões. Estive no limite e não sei bem como, consegui recuar a tempo. Não caí.

Mas desequilibrei-me. Essa merda do cliente ter sempre razão às vezes é só mesmo isso - uma bela de uma grande merda.

Há que saber lidar com as pessoas, certo. Mas há pessoas que simplesmente não querem ser lidadas a bem. Uma pessoa que berra à outra, que lhe chama mentirosa e aldrabona e que ofende não tem razão. A partir do momento em que se ofende a pessoa que está deste lado, a admitir o seu erro mas a tentar fazer ver que parte da culpa também caí nos ombros de outrem, perde-se a razão.

Por isso é que me virei para a minha patroa e lhe disse que os clientes não têm sempre razão - mas que têm sempre a mania que têm o rei na barriga, ai isso têm.

Ela não gostou muito.

E eu? É para o lado que durmo melhor, porque hoje fui enxovalhada o suficiente para me durar uma vida inteira.

Há dias em que só apetece mesmo gritar ao mundo - deixem-me ser pequena outra vez que esta merda de ser adulto não presta nem um bocadinho.

09
Jul14

Explosão

alex

Ás vezes questiono se serei má pessoa. Ou melhor, se naquele determinado momento fui má pessoa. Quando cometi aqueles tremendos erros que ainda hoje, por vezes, me atormentam.

Costumasse dizer que se cometemos erros, isso não faz de nós más pessoas, faz de nós humanos. Mas há erros e erros não é verdade?

Ora não estou a falar daqueles erros que muitos cometem em que alguém perde uma vida; às vezes nem sei ao certo se isso são erros ou não, mas isso é conversa para outro dia.

O que eu quero dizer é... será que os erros que cometemos no passado fizeram de nós pessoas menos boas? Menos...nós? Porque só eu sei como andava completamente fora de mim naquela altura. E podia culpar as circunstâncias ou as pessoas pelas quais me rodeava, mas a verdade com a qual hoje tenho de viver (em conjunto com o peso dos erros que ainda hoje carrego aos ombros) é que a culpa foi só minha.

E por vezes essa culpa volta para me assombrar. E aí questiono-me.

Serei má pessoa? Ou menos boa pessoa?

Serei menos humana por ter praticado acções que tiveram, muito provavelmente, consequências na vida de outros? O pior é isso. É eu já não ser essa pessoa mas ainda ter de viver com as memórias dela; com os sentimentos de culpa dela; com as suas acções e com as consequências dela.

Porque por muito que eu queira, há coisas que não se esquecem e não me digam que o tempo ajuda a esquecer e que se quisermos conseguimos esquecer; isto não é sobre um namorado ou sobre um coração partido (pelo menos nenhum dos meus). Isto é daqueles fantasmas que nós não conseguimos simplesmente fazer com que passem para o outro lado; com que atravessem a luz branca sabem?

E eu sou boa a viver com as memórias e com os erros da rapariga que outrara fui...mas há momentos em que não sou tão boa assim.

E a questão é mesmo essa: serei mesmo boa? Boa pessoa, boa humana, boa no sentido verdadeiro da palavra? 

Talvez a pessoa menos boa seja a rapariga que cometeu os erros e não aquela que hoje ainda tem de viver com o peso deles às costas. Mas não são elas as duas a mesma pessoa?

Terei eu mudado verdadeiramente ou será que se eu hoje, fosse posta perante as mesma situações, faria exactamente o mesmo?

E se sim, isso já faria de mim a pessoa má ou menos boa que eu tenho tanto receio de ser?

Meu Deus, a minha cabeça vai explodir. E as vossas também, provavelmente.

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