Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

11
Jan14

Ver com olhos de gente


alex

Há tanta coisa que ignoramos. Coisas às quais viramos a cara apenas porque temos essa opção. Temos a opção de ir a passear na rua e ver um sem-abrigo e nem sequer prender o nosso olhar naquela visão triste. Temos a opção de continuar a andar em frente. De continuar com a nossa vida normal. Nós temos essa opção. A de ignorar. A de ver sem realmente Ver. Eles não.

Aquilo é a vida deles. É o mundo deles. É a sua realidade, por mais decadente que a mesma possa ser para nós. Uns escolheram viver naquela realidade, é verdade. Mas devem ter as suas razões. Outros...foram empurrados.

Ontem não vi nada que já não tenha visto antes. Pessoas a dormir na rua, pessoas com os cabelos por cortar e as roupas por lavar. Pessoas cuja barriga já não sente fome, mas si um vazio enorme. Pessoas sem nada ou com muito pouco. É uma realidade da qual todos nós temos conhecimento mas que poucos reconhecem. Durante o dia já passei por aquelas ruas e vi o que vi ontem à noite.

Mas é de noite que tudo ganha uma cor diferente. Não fiz nada de especial. Andei apenas a caminhar e a acompanhar o grupo que distribuía a comida. Mas eu não queria sentir-me especial. Queria ver as pessoas que precisam a sentirem-se assim.

É lindo. É lindo a forma como os olhos de algumas daquelas pessoas se iluminavam quando viam os "seus amigos", como eles diziam, chegar. O sorriso que lhes surgia nos rostos cansados quando sentiam o quente da tigela de plástico recheada de uma refeição, aquecer-lhes as mãos e a alma.

Mas é acima de tudo triste. Ver, com olhos de gente, a situação de certas pessoas da rua. Porque sempre as vi, mas nunca as Vi, por assim dizer.

Ainda bem que há pessoas que se preocupam.

Ainda bem que há pessoas que Vêem.

Ainda bem que ontem pude ser uma delas, mesmo não tendo feito nada de especial.

Ontem foi especial. Não para mim, mas para todas aquelas pessoas que não têm um tecto, comida, roupa e as necessidades básicas.

Ontem foi especial. Todas as sextas-feiras é um dia especial para aquelas pessoas.

Obrigada por me teres levado m.

27
Ago13

Vida de gaja é difícil...


alex

Isto de ser gaja às vezes é muito complicado...anda uma pessoa aqui durante 1 mês a comer de forma saudável (tenho o meu dia da batota), a correr 7 a 8 quilómetros três vezes por semana, para depois chegar aquela altura do mês e ficar incapacitada de ir correr (de tão más que são as dores) e com vontade de comer tudo o que vê à frente.

É nestas alturas que condeno os espermatozóides do meu pai e os óvulos da minha mãe por terem-se fundido e criado uma menina invés de um menino, que não teria de passar por isto todos os meses.

Vida de gaja é difícil...

 

Only girls can get this ;)

18
Fev13

We never know what's behind a person's smile


alex

Hoje a minha aula de português parecia um diluvio. Foi horrível. Uma cambada de adolescentes com demasiadas cicatrizes do passado, a chorarem baba e ranho depois de uma apresentação oral sobre bullying. 

Já falei sobre o assunto aqui. Quem viu esse texto, sabe que eu mesma passei por uma fase menos boa da minha vida, em que sofri de bullying. Daí ter feito parte da cambada de adolescentes chorosos e ranhosos.

Fiquei a saber coisas sobre colegas de turma, pessoas a quem chamo até amigas, que nunca julguei que lhes tivesse acontecido. É aí que entra o título deste post.

Por vezes, não conhecemos tão bem as pessoas como julgamos. Por vezes, há segredos que nunca são revelados. Há muita coisa que as pessoas guardam para si, porque são dolorosas demais para serem partilhadas, independentemente do tempo que tenha passado, desde que aconteceram.

Houve um rapaz em particular na minha turma, que a certa altura, começa a chorar ao contar a sua história. Um rapaz que eu já vi gozar com outras pessoas, quando reunido com os amiguinhos dele. Um rapaz que, apesar de ser sempre simpático e divertido para comigo, sempre me deixou de pé atrás, devido ao referido acima. No entanto, e ao partilhar a sua opinião (que a professora pede sempre a dois ou três alunos no final das apresentações), ele deixa escapar que no 9º ano sofreu bullying. Começa a contar a sua história, com a voz a começar a falhar. A certa altura, dei por mim a partilhar as lágrimas dele, em conjunto com metade da turma. Durante toda a apresentação fiz um esforço enorme para não derramar as destáveis lágrimas. Mesmo depois do visionamento do video da Amanda Todd (alguns talvez conheçam, ou não, mas se quiserem ver, basta procurarem o nome no youtube) eu não derramei uma única lágrima, com muito orgulho meu. E foi durante a sua partilha que eu desatei a chorar que nem uma madalena arrependida. Chorei porque me relacionei com tudo o que ele contou. Falou-nos do porquê de ter sido gozado, espancado, ofendido. Disse-nos que mudou, que já não confia nas pessoas como confiava, que se fechou mais às pessoas e que hoje, se alguém o tentasse calcar como no passado, ele calcaria primeiro.

Chorei porque as palavras dele, eram as mesmas que eu não consegui proferir durante todo este tempo, a alto e bom som. As palavras dele são as minhas, aquelas que eu tantas vezes digo a mim mesma. O porquê de ter mudado, o porquê de não confiar, o não deixar que me derrubem...as suas palavras eram as minhas, tal e qual como as suas lágrimas eram também um espelho das minhas.

Depois, outra pessoa falou. Uma rapariga. Uma colega. Uma pessoa com quem falo todos os dias, com quem partilho piadas e com quem falo sobre coisas da vida...mas acima de tudo, uma pessoa que me era completamente estranha, até hoje. Contou a sua história, por entre lágrimas, e partilhou a sua opinião sobre o assunto.

Depois, como num acesso repentino de coragem, abir a boca, molhada pelas lágrimas salgadas que brotavam dos meus olhos e que não tinham fim. Falei e dei a minha opinião. Com a voz rouca mas audível; toda a tremer, mas confiante de que tinha de falar. E falei.

Ficaram todos a saber. Até ele, o meu melhor amigo, não fazia ideia. Naquele momento soube. Bem como as outras 20 pessoas presentes naquela sala, incluindo a professora. 

Chorei baba e ranho, porque quer queiramos ou não, estas cicatrizes nunca ficarão completamente saradas. É algo com o qual teremos de lidar toda a nossa vida, algo que está e estará para sempre marcado em nós; algo do qual não podemos fugir, do qual não nos podemos esconder. Faz parte da nossa história, faz parte do que fomos. No entanto, não é algo que nos deve impedir de ser o que somos hoje. Se mudámos, foi porque assim tinha de ser. E se somos mais fortes hoje por causa disso? Somos, com toda a certeza.

E só quem passou por tal coisa, sabe e compreende aquilo de que estou a falar. Há coisas que nunca se esquecem e, infelizmente, esta é uma delas.

O passado nem sempre está enterrado...pelo menos não tão fundo quanto nós pensávamos que estava.

Só espero que mais ninguém se lembre de abordar um assunto como este (ou mesmo este) em mais nenhuma aula. Senão, não sei o que vai ser daquela escola...não haveria barcos suficientes para pôr toda aquela gente a navegar no mar de lágrimas que se formaria!

31
Dez12

2012, going with the wind


alex

Este ano não foi necessariamente um ano marcante para mim. É triste eu dizer isto, mas é verdade. Não aconteceu nada de especial, que me lembre, e as coisas que eu considero "marcantes" para mim este ano, são muito poucas. A nivel pessoal, creio que foi um ano em que me redescobri. Lembro-me de que achava o 10º ano muito díficil e que achava que não ia sobreviver. Mal sabia eu como seria o 11º ano...

Lembro-me também de que passei por vários altos e baixos no que toca à minha irmagem, ao meu corpo, à minha situação familiar e em relação ao meu coração, que finalmente foi conquistado.

Lembro-me do momento em que decidi "acabar" com uma grande parte da minha vida: o meu blog, que tinha há mais de dois anos. Fi-lo porque muitas pessoas que conhecia pessoalmente, liam-no e eu deixei de sentir que aquele era o meu porto seguro, o meu abrigo, o sítio onde podia ser eu e apenas eu. Porque as pessoas que eu conhecia iam lá, liam o que eu escrevia e depois atormentavam-me na escola. Não queria ter de dar explicações ou satisfações a ninguém sobre o que escrevia ou sobre o que postava no blog. Como tal, apaguei-o e construi este.

Foi sem dúvida uma das melhores escolhas que fiz este ano. Conheci aqui pessoas muito queridas, simpáticas, engraçadas, descobri blogs com os quais me identifico na perfeição e é aqui, neste cantinho, que me sinto eu própria, 24h por dia. É bom, é óptimo e foi um dos plus no meu ano de 2012.

Lembro-me também de ter errado com a P., a minha melhor amiga, e de ela nunca ter descoberto. Ainda hoje não sabe o que aconteceu, o que eu sentia, mas espero sinceramente que nunca venha a saber, porque há coisas que não valem a pena serem descobertas, pois só iriam magoar as pessoas. Não foi nada de grave, mas sendo a pessoa que sou, sei que na altura estava cega e iludida pelas palavras de uma pessoa que, enquanto deixei, brincou comigo e também com ela. Foi um dos piores momentos deste ano.

Contudo, o verão chegou e foram 3 meses bem passados, rodeada pela família e pelos amigos. Foi um verão diferente, porque não fomos para a nossa casa na Ericeira, algo que fazíamos desde que nasci, mas tempos difíceis pedem decisões ainda mais difíceis e tivemos de abdicar da casa onde, basicamente, cresci. Mas foi um verão igualmente bom, porque tenho sempre a casa dos meus avós na Covilhã, que é uma das minhas melhores regalias.

Lembro-me de estar preparada para enfrentar o segundo ano no secundário e de ter uma atitude positiva nas primeiras semanas. Lembro-me também de todas as vezes que deixei escapar uma lágrima devido à pressão e ao stresse que foi durante este primeiro período. 

Ainda não fui ver as minhas notas, só irei ver no dia 3 quando voltar às aulas, mas sei que poderia ter feito melhor. Muito melhor. Neste aspecto, estou realmente desiludida comigo. Mas mais sobre isto depois.

Este ano fiz novas amizades, conheci novas pessoas, mudei a minha opinião em relação a certas pessoas com quem antes não simpatizava de todo, fortaleci certas amizades e conheci um lado diferente de uma pessoa que conheci toda a minha vida.

Sou uma rapariga difícil de conquistar. Mas ele fê-lo com toda a facilidade do mundo. Talvez por já nos conhecermos à 16 anos, talvez porque sempre passámos férias, aniversário e ocasiões especiais juntos, talvez porque sempre fez parte da minha vida, talvez porque sempre fomos amigos, acima de tudo. Mas a verdade é que há 3 meses atrás, tudo mudou. Não o vejo com os mesmos olhos, ele não me vê com os mesmos olhos e as coisas estão bem encaminhadas. Faz-me feliz, apesar de tudo, e foi definitivamente, uma das melhores coisas do meu ano de 2012.

Pela primeira vez, deixei de ter medo de tomar iniciativa e inscrevi-me no ténis. Passado duas semanas desisti. Aquilo não era desporto para mim.

Inscrevi-me num concurso de escrita e ando a sonhar com o prémio.

Mas, sem dúvida alguma, o meu melhor momento deste ano, foi no dia 1 de Julho de 2012, quando fui ao Rock in Rio. Isso tenho a agradecer ao P., o meu melhor amigo, que me comprou bilhete como prenda de anos e eu só tive de dar dinheiro para a comida. Foi a melhor prenda de anos da minha vida, porque, não sei se sabem, o dia 1 era o dia do concerto dos Maroon 5. Quem lê o blog já deve ter percebido que eu sou completamente apaixonada pelo Adam Levine e pela sua banda. Não tirando crédito aos Expensive Soul, à Ivete e ao Mister Lenny Krevitz, o concerto dos Maroon5 foi o melhor concerto da minha vida; foi o melhor dia de 2012 e é algo que me ficará para sempre na memória.

E basicamente, foi isto o meu ano de 2012. Chorei, ri, desesperei, zanguei-me, gritei, quis desistir de tudo, revoltei-me, ri mais um pouco, caí montes de vezes e levantei-me sempre. Só espero que o ano de 2013 seja melhor, principalmente para a minha família que é a única coisa que mais amo neste mundo, para mim e para todos vós que melhoraram o meu ano, sem dúvida alguma. Já me sinto parte deste pequeno grande mundo, que é a blogsfera e são vocês que me metem um sorriso na cara ou uma lágrima ao canto do olho, seja de maneira for.

Um feliz 2013 para todos vocês e que todos os vossos desejos e objetivos se concretizem! ♥

 

Tumblr_mfwcdnafbu1s0duuco1_500_large

E para quem tem memória curta (le me) acho que até escrevi um texto suficientemente grande

(não Alexandra, só escreveste o Testamento Novo II)

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D