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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

28
Jun15

O amor fez-me assim


alex

Pergunto-me quando é que vai parar de me incomodar.

É por estas e por outras que preferimos permanecer na ignorância. A ignorância não faz doer. O que os olhos não vêm, o coração não sente. O meu não sente, há muito tempo...mas basta uma fotografia, basta um encontro entre amigos para eu dar por mim a desejar ser cega.

É de loucos. É de loucos depois de tantos anos, depois de tanta coisa ter mudado e de tanta coisa que ainda vai mudar, haver esta única coisa que não muda.

A forma como tudo deixa de fazer sentido ao vê-lo sorrir sem mim. É nesta alturas que me apercebo que não são tão boa pessoa quanto me acho. Dou por mim a desejar que o sorriso dele não seja tão verdadeiro - que seja mais fingido e forçado, como o meu.

Dou por mim a desejar que os papéis tivessem sido revertidos - que tivesse sido eu a encontrar quem me fizesse sorrir daquele maneira depois dele, e que fosse eu a mostrá-lo ao mundo sem medo de me chamarem gabarolas.

Sou má e vivo bem com isso. Não vivo bem é a roubarem-me a minha ignorância. Deixem-me ser ignorante no que toca a ele, à vida dele, à relação dele.

Deixem-me ser cega. Talvez quando já estiver longe, demasiado ocupada a construir a minha nova vida, já não me incomode.

Mas até hoje, incomoda. Não consigo negar. É como uma comichão que não conseguimos coçar. Como uma constipação que não conseguimos curar. Como uma dor no músculo que não se cura com massagens ou cremes.

Ainda bem que me vou embora, dei por mim a pensar quando vi o que não queria.

Um dia, hei-de ser eu a mostrar o meu sorriso maior que a minha cara e ele a desejar ser cego. Ou pelo menos a desejar não ter feito o que me fez. O que nos fez.

Ou pelo menos a desejar que eu possa ser feliz, por fim. 

Sou má. Sou egoísta. Tenho inveja. Eu sei. Mas o (este) amor fez-me assim.

27
Abr15

The first


alex

Acabei ontem de ver uma série cujo tema principal era os primeiros amores. A história acontecia à volta de um grupo de amigos que se conheciam desde sempre, e mais objectivamente à volta das duas personagens principais, rapaz e rapariga, que cresceram juntos.

Foram criados juntos porque os pais de ambos eram amigos de há muitos anos e eles cresceram habituados um ao outro. Foram os melhores amigos, depois foram o primeiro amor um do outro, depois estiveram separados cerca de seis anos e depois reencontraram-se e os sentimentos ainda lá estavam, um por um, sem tirar nem pôr.

Dizer que a série me fez pensar muito sobre a minha própria experiência é dizer pouco. 

Tal como as personagens principais, eu e ele crescemos juntos. Tal como as personagens principais, os nossos pais são amigos há imensos anos. Tal e qual como as personagens principais, estamos agora muito tempo sem nos ver.

Mas a verdade que eu evito admitir, tanto aos outros como a mim mesma, é que passe o tempo que passar, aconteça o que acontecer, basta estar na presença dele mais uma vez para o meu coração disparar. Para o meu estômago se contorcer, para as palmas das minhas mãos suarem.

Não há nada nem ninguém como o nosso primeiro amor. Já lá vão quase dois anos desde que o meu me fugiu por entre os dedos, mas quem diz que o tempo cura e sara tudo, mente.

Porque não há tempo ou espaço que cure a tristeza de um primeiro amor falhado. Podem vir outros, mas a verdade é que nenhum vai ser como aquele que nos fez sorrir pela primeira vez, chorar pela primeira vez, amar pela primeira vez.

A série em questão, fez-me acreditar durante uns momentos que de facto, os primeiros amores acabam por ganhar - não importa se os indivíduos em questão estão dois, três, seis anos sem se falarem ou verem, porque no fim, o coração não sabe contar.

Depressa me desfiz de tais pensamentos, porque sei que a vida real é bastante diferente. Ás vezes, as pessoas que queremos ao nosso lado, não são as que merecem esse lugar. Demorei muito tempo a perceber que o meu primeiro amor errou comigo, connosco. Demorei muito tempo a aprender a viver bem sem o meu primeiro amor. Demorei algum tempo a ver a pessoa que eu mais amei com outra e a não sentir um acesso de raiva por isso. Demorei muito tempo a aceitar o facto de que o meu primeiro amor não vai ser o meu último.

Infelizmente, não temos isso em comum com as personagens principais da série. 

Ainda não amei mais ninguém depois dele. Ainda não consegui ter mais ninguém depois dele. Não porque ainda o ame, mas porque ainda não apareceu ninguém capaz de me fazer esquecer o quanto eu o amei.

Não sei se algum dia isso irá acontecer. Mas entretanto, a minha vida amorosa não passa de amores platónicos por actores e cantores - e por agora, estou de bem com isso, porque a minha prioridade neste momento é conseguir voltar a estudar e ir fazê-lo para Londres.

Os primeiros amores são os que marcam, dizem eles. E eu digo que eles não marcam, só - eles marcam, vincam-se em nós e deixam cicatrizes maiores que o amor que nutrimos pela pessoa em questão.

São essas que finalmente nos fazem ver com clareza.

15
Mar15

O vazio em mim


alex

Ontem senti-me livre; viva. Aos saltos, a suar por tudo o que era poro, o cabelo acabado de cortar e rodeada de pessoas que conheço desde que nasci, senti.

E já não sentia à imenso tempo. Sentir, algo, fosse o que fosse. Mas acima de tudo coisas boas. Dancei uma música com ele - ele convidou e até fiquei admirada, a outra estava lá a ver tudo com olhos de lince - e naquele momento, tive um vislumbre de como a minha vida poderia ter sido se as escolhas que os outros fizeram por mim tivessem sido outras.

Ao rodopiar de mão na dele, por aquela sala fora, em conjunto com outros mas tão embebida só em nós, foi como se de um filme se tratasse e eu pudesse ver uma outra versão da minha vida - talvez melhor, ou talvez não. Mas definitivamente diferente.

Uma versão em que não passo pela vida adormecida. Onde todos os meus sentidos estão ligados, onde sinto - amor, felicidade, dor, tristeza. 

Porque não tenho sentido nada ultimamente... é como se tivesse adormecida. Ontem tive um vislumbre de como a minha vida poderia ter sido se as escolhas dos outros não tivessem tido tantas consequências sobre a minha pessoa.

E é injusto. É injusto que aquela dança tenha sida a única que partilhámos. É injusto que só ontem, rodeada daquela gente, é que consegui, pela primeira ver em quase meio ano, sentir algo, verdadeiramente.

É injusto que eu me sinta assim - ou pior, que não sinta de todo.

Pulei, dancei, brinquei, cantei e fui feliz. Ontem, durante aquelas horas, suada e com a maquilhagem a esvanecer-se devido a tanta dança, fui feliz.

Hoje, ao voltar a casa, não consegui evitar chorar em plena estação de comboio. Porque estou cansada e acho que já toda a gente está cansada de saber do quão cansada estou. Mas acho que não percebem até que nível eu estou cansada - estou cansada de não sentir.

Estou cansada deste vazio em mim. 

11
Mar15

The Mistery Of


alex

Sempre que sei que o vou ver, a primeira pergunta que me vem à cabeça é sempre a mesma:

"Será que ele ainda namora com a outra?"

E o pensamento que se segue à pergunta é sempre igual:

"Não devia de me interrogar sobre isso."

Hoje, enquanto procurava inspiração para desenvolver a história que comecei há pouco tempo, encontrei um livro no Wattpad (muito bom site, boa app, bons livros para quem gosta de certas e determinadas leituras) que continha uma frase que me prendeu. Não sei ao certo porquê - ou talvez saiba e seja uma daquelas vezes em que o meu subconsicente sabe mais do que o meu consciente - mas a verdade é que a frase me deixou ali um bom tempo a olhar para o ecrã do computador, a pensar - algo que evito fazer ao máximo no que toca aos mais variados assuntos.

A frase vem no contexto de os protagonistas estarem a falar sobre a última obra de Charles Dickens. A rapariga diz para o rapaz: "Não há um fim, ele não o acabou" - ao qual o rapaz responde: "Há sempre um fim."

Isto traduzido, visto que o livro em questão é em inglês. E por alguma razão aquela frase mexeu comigo.

O rapaz da história em questão tem razão. Há sempre um fim, mesmo quando assim não nos parece.

Talvez o facto de eu ainda me questionar acerca da vida amorosa de quem vida amorosa não me diz respeito, seja por isso mesmo. Porque apesar deste tempo todo que já passou, ainda sinto que não houve um fim; não um que deixasse os leitores da nossa história satisfeitos.

E depois questiono-me porque será - porque é que mesmo depois de tanto tempo, ambos já com vidas completamente diferentes e no entanto, que se vão interligando ao longo do percurso separado de ambos por partilharmos mais do que um passado (partilhamos também amigos e família em comum - um presente) ainda perco tempo do meu dia a pensar em tal coisa.

Ao ler aquela passagem do livro de uma pessoa que não é escritora profissional, bateu-me. Para mim, nunca vai parecer que houve um fim, porque ao relembrar-me do final, esse vai sempre parecer-me ter sido deixado em aberto; como se de uma promessa silenciosa se tratasse.

Não podemos estar juntos - mas não quer dizer que não queira.

Devemos ficar só amigos - mas não quer dizer que um dia não possamos voltar a ser mais do que isso outra vez.

Amo-te, mas agora não é o momento certo - o que não quer dizer que daqui a dois anos não o seja.

A nossa história vai ser sempre como o livro inacabado de Charles Dickens - The Mistery of Edwin Drood - e eu vou ser sempre aquela que diz: "Não há um fim, ele não o acabou" e os outros serão sempre a voz que oiço sem querer, a dizer: "Há sempre um fim."

31
Jan15

Conversas interessantes....


alex

Com o ex:

"Então o trabalho, está a correr bem?" - Ambos sentados, eu numa ponta e ele noutra.

"Sim, e o teu?" - Fiz contacto visual, sabendo bem que é esse o meu forte - a capacidade de falar com as pessoas encarando-as directamente.

"Também. Amanhã tenho folga, fim-de-semana de dois dias." 

"Ah, que sorte. Eu vou trabalhar." - Ele sorriu, mas não era um sorriso cheio. Era um sorriso pequeno, de simpatia.

"Então e é verdade que sempre vais para Londres este ano?" - Podia jurar que a pergunta foi feita com um pouco de tristeza a acompanhar.

"É esse o plano. Sempre foi e eu sou de ideais fixas. Mas tu sabes isso." - Deixei a última parte escapar sem pensar muito bem antes de o dizer.

Durante uns momentos, fez-se silêncio (entre nós, porque à nossa volta as vozes eram mais que muitas).

Ás tantas não resisti em ser má. E fiz a pergunta que me andava a fazer comichão na orelha.

"Então e a _______ (inseri nome da actual namorada), não veio?" - Era obvio que não, visto que ela não estava lá. Mas a verdadeira pergunta estava implícita na pergunta que fiz (porquê).

"Não... ela está doente, com febre e dores de cabeça." - Vi no olhar dele preocupação e fui atingida por um ligeiro e momentâneo picar de algo.

"Ah que pena." - Disse-lhe no meu tom sarcástico, tentando conter um sorriso maldoso.

Ele olhou para mim e eu sei que ele percebeu exactamente isso - que penas têm as galinhas e que é algo que eu não nutri nem nutro pela dita cuja, doente.

Há coisas que nunca mudam, e o facto de ele me conhecer melhor que ninguém, é uma delas.

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