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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

16
Mar15

Quem cala

alex

Acho que tanto quanto as palavras, também o silêncio pode magoar. Por vezes até mais.

Porque podemos dizer coisas que não sentimos; podemos dizer coisas que ferem o coração e o ego dos outros; podemos dizer a maior barbaridade do planeta. Com as palavras temos este poder enorme de magoar os que nos rodeiam.

Mas penso que nos esquecemos de que o silêncio - cortante, gélido - consegue magoar tanto ou mais. No silêncio há espaço para pensar, para duvidarmos de nós mesmos, dos outros, para questionarmos o porquê de tal silêncio. No silêncio há espaço para desprezar - tanto quem cala como quem consente - há espaço para ficar a matutar naquilo que não foi dito.

Eu sou daquelas pessoas que sofreu muito às palavras dos outros quando era mais nova. Também às acções, mas creio que as palavras marcaram mais. Como tal, ao crescer, aprendi a usar as palavras como a minha armadura. Porque vivi alguns anos calada, as palavras dos outros a desferirem golpe atrás de golpe na criança que não pude ser.

Nestes últimos anos já falei muito eu própria. Já disse coisas que não devia - as minhas palavras já magoaram.

Agora, acho que estou na fase do silêncio outra vez. Engulo em seco, limpo as lágrimas antes de me virar na cama e respirar fundo.

Digo para comigo que calada é que estou bem.

Também já há poucos - talvez até mesmo ninguém - dispostos a ouvir.

09
Fev15

Ninguém sabe

alex

Acho que as pessoas à minha volta não se apercebem do quão difícil vai ser, realmente, para mim deixar tudo para trás. 

E eu não me acho melhor que aqueles que querem ficar - não sou mais que ninguém por querer ir. Cada um faz as escolhas que melhor lhe assentam e há pessoas que gostam das suas Vidas aqui. Não julgo, não condeno, não digo mal porque eu própria acho que este país é um sítio maravilhoso para se viver - para quem tem poses para isso.

Eu para estudar cá teria de estudar à noite e trabalhar de dia para pagar as minhas propinas e não esqueçamos que na educação, não é só as propinas que se pagam. Eu aguento muita coisa, mas também conheço os meus limites. Acho que é importante, enquanto pessoas minimamente adultas, sabermos os nossos limites e sei que não ia conseguir estudar à noite e trabalhar de dia.

Eu para estudar cá tinha de ir para um curso que roça um bocadinho aquilo que eu gosto, mas que não é exactamente aquilo que eu quero - porque cá não existe nenhum curso especificamente para aquilo que eu gosto.

Eu não sou a Maria, nem a Joana, nem a Joaquina. Eu sou a Alexandra e sempre sonhei diferente. Sempre quis mais do que ficar a morar em casa dos meus pais até aos vinte e cinco ou trinta, a tirar um curso na faculdade que não me enche as medidas, encontrar a minha cara metade, casar-me, ter filhos (...).

Eu sempre quis algo diferente. O que não implica que o que acabei de descrever em cima seja mau ou menor ou inferior aquilo que eu quero para mim. O que é importante para mim não o é para os outros e vice-versa porque nós somos todos diferentes.

Eu respeito e admiro quem opta por ficar e fazer a sua Vida cá - em momento algum eu desdenho de quem o faz. Mas acho que as pessoas não entendem que eu ao dizer que eles "ficam para trás" não é no sentido de "vocês ficam pior que eu por ficarem cá". Longe de mim.

É no sentido de: "vocês vão ficar aqui e eu não". No sentido de: "vocês também podiam vir se quisessem". Mas não querem e eu respeito isso porque todos nós temos sonhos e objectivos diferentes.

Mas acho que o que ninguém tem noção é a quantidade de vezes que eu já chorei à noite, sozinha, com a cabeça na almofada porque sinto que sim, estou a deixar os meus para trás.

A minha irmã vem ter comigo ao quarto, de vez em quando, e do nada diz-me: "Mana, vou ter tantas saudades tuas".

E eu acho que ninguém percebe o quanto isso me quebra. O quanto isso me faz querer ficar. Apesar de ainda não ser um dado adquirido, tudo se move nessa direcção - na de ir.

Eu sei que me faço de forte. Eu sei que guardo tudo para mim. Eu sei que finjo muitos sorrisos e muitas gargalhadas, eu sei que encolho muitos os ombros ou digo muitas piadas para dispensar o assunto. Mas a verdade é que ninguém sabe o quanto me custa e o quanto me irá custar deixar para trás aqueles que amo.

Porque não é uma questão de eles serem menos do que eu por ficarem - é uma questão de eu ir ser menos sem eles, por ir. Porque vou deixar aqui pessoas que me são tudo, mesmo que por vezes me desiludam.

A desilusão faz parte de amar uma pessoa, seja de que maneira for. Se nos permitimos a amar, permitimos muitas outras coisas, incluído desiludirmos-nos com essas pessoas.

Acho que ninguém sabe o aperto enorme com que tenho vivido estes últimos dois meses e o quão maior vai ficar nos meses que se seguem, à medida que o grande momento se irá aproximando. Ainda faltam longos meses, mas eles vão acabar por passar e com eles vão trazer tudo aquilo que as pessoas à minha volta pensam que eu sou imune.

Eu tenho sentimentos. Não sou feita de pedra. É claro que choro baba e ranho só de pensar em me ir embora. Mas também sou sincera - não tenho o suficiente aqui para ficar.

Nunca foi, não é, nem nunca será minha intenção desdenhar dos que ficam e não me acho maior por ir. Até tenho uma certa inveja daqueles que encontram o que precisam aqui, sem precisarem de ir à procura para lugares distantes.

Mas eu passei a minha Vida a viver para os outros - para a minha irmã, para os meus pais, para os meus amigos. Estive sempre lá quando a sirene deles tocava. Dei-lhes a mão quando eles precisavam. Dei-lhes o meu ombro para as suas lágrimas e as minhas palavras assertivas para as suas incertezas.

Agora é a minha vez. E gostava que os que me rodeiam fizessem por mim o que eu fiz por eles durante toda a minha Vida. 

Porque acho que ninguém sabe o quanto realmente me custa ter de ir. Acho que ninguém sabe.

 

21
Dez14

Perco-me, por vezes.

alex

Por vezes perco-me. Durante umas horas, vagueio, meia cega pelas lágrimas que ameaçam despoletar dos meus olhos.

Por vezes, perco-me. Por entre as dúvidas e incertezas; os medos e as ansiedades; as memórias e os fantasmas do passado.

Perdida, deambulo. Só. Nunca sozinha, mas sempre só.

Por vezes...perco as forças. Tenho vontade de baixar os braços e perder-me, não só às vezes, mas sempre e para sempre. Por vezes não são apenas os meus olhos que choram - é a alma também.

E quando a alma chora, sentimos que não vamos conseguir parar. Recuperar.

Encontrar-nos.

Por vezes desejamos perder-nos, às vezes. Sempre. Para sempre.

 

02
Dez14

A última a morrer

alex

Aquele aperto no peito que nos dá, a meio da noite quando acordamos de um sonho ao qual na manhã seguinte apelidamos de pesadelo?

Aquela falta de ar que nos impede de continuar deitados de forma a conseguirmos voltar a dormir?

Aquela rebaldaria à qual chamamos de pensamentos e que nos deixam doidos no escuro do nosso quarto?

É tudo saudade. Uma saudade que nos apanha de surpresa, mesmo quando julgamos que a mesma já não existe. 

É tudo saudade, e se há quem diga que a esperança é a última a morrer, eu cá digo algo diferente...

A saudade é que é a última a morrer.

12
Mai14

Liberdade de expressão

alex

A liberdade de expressão é de facto um bem adquirido. Algo pelo qual se lutou durante muito e muito tempo para se ter. Algo que hoje usamos sem sequer pensar nisso, sem pensar que, apesar de ser algo que nos traz muitas vantagens e coisas boas, também traz o contrário.

O problema com a quantidade de liberdade que temos hoje, é que podemos utilizá-la de forma errada. É dado adquirido e conhecido de toda a gente que, hoje em dia, com as redes sociais, os meios de comunicação e etc, a liberdade de nos exprimir-mos é bem maior e, por vezes, desmesurada.

Por exemplo, o que se faz aqui neste blog e o que estou a fazer agora, é uma forma de liberdade de expressão. É aqui que me expresso, livremente, acerca dos mais variados assuntos. E ainda bem que o posso fazer.

Agora, há que saber utilizar este tesouro que nos foi concedido da forma correcta. Só porque hoje temos uma certa liberdade em dizer aquilo que pensamos/achamos, não significa que o devemos fazer de forma a magoar as outras pessoas. Até porque, e caso ainda hajam pessoas que não tenham reparado, o poder que a palavra tem tanto pode ser bom como mau. É bom que tenhamos esta capacidade esplêndida de comunicar uns com os outros, hoje com mais facilidade até como já disse em cima, pois a comunicação é essencial na nossa sociedade. Somos aquele tipo de espécie que necessita, a toda a hora, de se expressar, seja de que forma for. Para a maioria, essa forma é através da palavra.

No entanto, e como diz a cantora Sara Bareilles numa das suas músicas: "Nothing is going to hurt you the way that words do". Ou seja, "Nada te vai magoar tanto como as palavras magoam" e eu juro por isto.

Se pensarmos no assunto, é incrível o poder imenso que as palavras têm sobre nós. E por sabermos isso, às vezes, usamos a nossa liberdade de expressão da forma errada e usamos o poder da palavra para infligir dor a outros. Se calhar até o fazemos sem a intenção de, no entanto, como seres racionais que somos, temos de ter a noção daquilo que dizemos, de como o dizemos, a quem o dizemos e em que circunstâncias o estamos a dizer.

Ás vezes, até nem é só aquilo que se diz, mas sim a forma como se diz e em que circunstância estamos a dizê-lo. Há que ter a consciência de que, há coisas que se devem dizer em privado, outras em público e outras que não se devem dizer de todo porque são simplesmente maldosas.

E na nossa sociedade, cada vez mais, as pessoas não têm noção disto. Como têm a tão boa liberdade de expressão, como é algo que já sabem que têm sem sequer terem de pensar nisso, esquecem-se de que liberdade de expressão não é sinónimo de dar a nossa opinião de forma inconveniente ou de forma a magoar a pessoa que nos ouve.

Isto tudo só para dizer que hoje, umas simples palavras dirigidas à minha pessoa, me lixou logo o dia todo. E eu não sou pessoa de deixar que certos actos de liberdade de expressão me afectem. Mas a forma como me foi dito o que foi dito, rodeada por outras pessoas que nada têm a haver com o que se passa, deixou-me em baixo. Uma pessoa sente-se humilhada e triste. Porque afinal de contas, somos livres de dizer o que pensamos. Mas há que ter um filtro minha gente.

E há pessoas que não o têm. Vomitam palavras sem sequer pensar no poder que essas palavras têm e exercem sobre a pessoa a quem as dirigem. Por isso digo: a liberdade de expressão é muito bonita, se usada correctamente. Se não, é apenas mais uma arma que gostamos muito de usar uns contra os outros. E acho que dessas, no mundo, já temos em demasia não?

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