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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

15
Ago15

As diferenças

alex

Toda a gente aqui fica admirada quando eu lhes digo que tenho 19 anos. Talvez porque pareço mais velha ou talvez porque, na cabeça deles, não faz sentido uma rapariga de 19 anos andar de porta a porta à procura de trabalho.

Na cabeça deles eu devia era de estar agora no parque em frente aqui à casa a apanhar sol com os meus amigos. Ou a conhecer o centro de Londres, a passear por Camden Town ou a visitar o mercado de Portobello em Nothing Hill.

Em vez disso ando a distribuir currículos e a ir a entrevistas. Em vez disso ando a contar o dinheiro que trouxe para cá, todos os dias, para ter a certeza que não ando a gastar muito. Em vez disso ando a falar de depósitos e rendas e de doar os meus óvulos (para pagar depósitos e renda da suposta casa para a qual nos vamos mudar.)

São estas as diferenças entre uma rapariga de 19 anos "normal" e eu. 

P.S: Não se preocupem que eu não vou dar os meus óvulos a ninguém. São só coisas que a malta anda aqui por casa a dizer, na brincadeira, que é para nos rirmos todos um bocadinho desta nossa situação que dá vontade de chorar.

27
Fev15

Não se deixem encolher

alex

Porque é que eu só posso ser uma coisa?

Porque é que eu não posso ser extrovertida e tímida também?

Porque é que eu não posso ser teimosa e compreensiva?

Porque é que eu não posso usar um laço no cabelo e dados como brincos?

Porque é que não posso ter o meu cabelo curto, sendo mulher, e gostar dele assim? Ou tê-lo comprido e gostar também? Ou rapá-lo, ou pintá-lo das cores do arco-íris?

Porque é que eu não posso usar vestidos e maquilhagem e ao mesmo tempo ouvir bandas de rock e de punk rock?

Porque é que eu não posso gostar de ficar em casa numa sexta-feira à noite a ler, mas gostar de sair no sábado à noite com os meus amigos, para dançar e descontrair?

Porque é que eu tenho de ser uma só coisa, uma só pessoa, como se o que eu sou pudesse ser enfiado dentro desta caixa que a sociedade constroí para cada um de nós?

Nós só somos postos nessas caixas porque nos deixamos encolher o suficiente para caber dentro delas.

Não se deixem encolher. Não vivam para agradar; vivam. 

Porque no final, a única pessoa que afectam verdadeiramente com o quanto se deixam encolher pela sociedade, é só uma - vocês mesmos.

Eu cá tenho 1,68 de muita coisa e sou muito mais para além daquilo que as pessoas dizem que eu sou.

E eu não me deixo encolher - não se deixem encolher.

29
Jan15

Tu és tu e eu...

alex

Há coisas que, por mais que tente, não consigo compreender. Consigo simpatizar com a pessoa e com o assunto em questão, mas é daquelas coisas que só passando por elas é que eu poderia compreender totalmente e falar de boca cheia.

Eu sou daquele tipo de pessoa que senão fizer as coisas, não descanso só porque os outro as fazem e me contam as experiências deles.

Eu tinha uma professora no 11º ano que chegou a discutir isto comigo em plena aula de História A. Porque estávamos a dar já não sei bem que matéria e a mesma podia ser relacionada com a situação actual do nosso país.

E eu disse algo do género:

"A História pelos vistos, repete-se. As pessoas não aprendem com os erros dos outros, não verdadeiramente. Têm de errar elas próprias, bater elas com a cabeça para saber o quanto dói."

A mulher quase que me comeu viva e eu, não querendo discutir com uma Alexandra (o nome da professora) porque só eu sei o quão teimosas e obstinadas elas são (não estou a falar de mim, não....ahah) dei a conversa por terminada ali.

Para ela, as pessoas conseguem saber exactamente o que fazer e como agir consoante as experiências dos outros; para ela, os erros dos outros são lições para nós.

Até podem ser - mas para mim serão sempre lições vazias. Porque eu não consigo saber exactamente o que a pessoa em questão sentiu ao fazer determinado erro.

Ou neste caso, eu não consigo sentir a aflição que a pessoa minha amiga sente ao pensar em ir também ela para o Reino Unido (ela vai para outra universidade, noutra cidade) e deixar cá a família, mais precisamente um dos membros dessa.

Consigo perceber o sentimento de tristeza em ter de deixar cá pessoas que ela ama acima de tudo - eu vou deixar pais, irmã e avós. Só de pensar vêm-me as lágrimas aos olhos. Mas consigo viver com isso. Consigo viver com o facto de me ir embora, enquanto eles cá ficam. Consigo viver com isso, se calhar, porque tenho um pouco de egoísta em mim.

Por muito que goste de pensar e dizer que não, a verdade é que só alguém um bocadinho egoísta é que é capaz de deixar a família num país e ir para outro, para ir em busca de uma educação melhor para si mesma.

Para ela, segundo me parece, é diferente. Mas ela tem razão - eu não consigo perceber o quão diferente é, porque não sou eu. E acho que por muito que nós queiramos, e por muito que simpatizemos com a situação de outrem, nunca vamos conseguir dar aquela palavra de conforto certa, aquele conselho que vai fazer com que a aflição alivie um pouco dentre deles.

Eu acho que há uma razão para o facto de, de tempo em tempo, nos sentirmos sós. Porque a verdade é que, ás vezes, o estamos - sós. Podem haver pessoas em situações semelhantes às nossas; pessoas em situações bem piores. Mas elas não são nós, não sentem o que nós sentimos, não pensam da mesma maneira que nós pensamos.

Voltamos aquela conversa que eu já tive aqui de sermos todos diferentes. Ultimamente tenho-me apercebido imenso disso. O quão diferente somos e o quanto, por vezes, essas diferenças podem tanto servir de barreiras como de elos de ligação entre nós.

Neste caso, é uma barreira. O facto de eu ser, talvez, mais de casca rija e racional (e lá está, egoísta ao ponto de ir para outro país em busca de algo melhor para mim, deixando cá família) e o facto de ela ser mais de casca mole, muito sentimental e demasiado apegada à família, faz com que eu não a consiga ajudar da maneira que gostaria.

É claro que eu vou sentir imensas saudades. É claro que vou perder uma parte do meu coração quando me for embora e vir a minha família parada, sem me seguir.

Mas não deixo que isso, por um segundo, seja a origem das minhas dúvidas, inseguranças e ansiedades. A origem dessas para mim são outras, muito mais difícil de controlar porque não depende bem de mim (mas sim do facto de eu conseguir manter este emprego para poder pagar tudo até ao fim).

Gostava de conseguir fazer mais - mas lá está. Só se eu fosse ela.

E eu...sou eu.

26
Jan15

Ser mais (fazer mais)

alex

No outro dia disseram-me:

"Gostava de ser mais como tu."

Isto por estarmos a falar sobre o meu nível de determinação (ou loucura, depende da perspectiva) e de estar disposta a tudo (bom, quase tudo não é, não sejamos radicais) para conseguir iniciar um novo capítulo da minha vida.

A pessoa dona da frase em questão é um amigo muito próximo, que como eu também optou por não ir para a faculdade no ano lectivo 2014/2015. As razões dele, apesar de diferentes das minhas, também são válidas.

Não se quis ir pôr num sítio sem estar mentalmente bem. E eu apoiei-o assim como o teria feito se ele tivesse optado por ir para a faculdade.

Agora, admito que fiquei um pouco sem jeito quando ele me disse aquilo assim, tão honestamente. Eu respondi-lhe da melhor forma que fui capaz no momento, mas agora pensando bem, acho que podia ter respondido de uma outra forma.

Podia ter-lhe dito que não se trata de ser mais ou menos como eu ou que outra pessoa qualquer. Trata-se de sermos nós próprios e de conseguirmos fazer uma auto-avaliação à nossa pessoa e aos nossos objectivos.

Há muito boa gente da minha idade que não tem objectivos definidos e isso também é aceitável. Porque somos todos diferentes e porque todos temos gostos diferentes, há quem se ache mais perdido do que eu alguma vez estive.

No entanto, acho também que uma grande parte dessa boa gente não se dá ao trabalho de pensar seriamente sobre a Vida fora daquele mundo no qual vivemos durante tantos anos - a escola. Não as aulas ou as disciplinas, mas a parte social da coisa. Para eles a Vida é rapazes, raparigas, curtes, namoros, festas e pouco mais. A Vida, infelizmente e felizmente, é muito mais para além disso.

Mas estou a divagar. O caso em questão não é este. O problema do meu amigo é que ele acha não ser capaz de fazer aquilo que eu estou a fazer - trabalhar 40 horas por semana, só com domingos de folga, a ganhar pouco para poder sair do país e ir estudar para longe de tudo aquilo que me é familiar.

Eu podia ter-lhe dito que não é o quanto nós queremos algo que vai fazer com que tal aconteça - é o quanto nós estamos dispostos a trabalhar para que isso se realize.

O quanto estamos dispostos a perder na incerteza de ganharmos algo mais; algo melhor.

O quanto estamos dispostos a dar o passo em frente e a cair de braços abertos, confiantes de que no fundo do buraco escuro vai estar algo para nos amparar a queda.

O quanto estamos dispostos a sofrer se por alguma eventualidade, o que nos esperar no fim desse buraco fundo for nada mais do que o chão frio e duro.

No final, depende apenas da fé. Da fé que temos em nós mesmos e no trabalho que estamos a ter a plantar sementes que podem muito bem não dar frutos. Ou podem transformar-se em frutos fortes e deliciosos, prontos a ser colhidos no final.

Acho que a Vida é sempre 50/50. Ou caímos de pé como os gatos, ou tombamos com a força do impacto da nossa queda e somos obrigados a levantar-nos, por muito que nos doa; por muito que nos custe.

É sempre ingrato nunca sabermos ao certo se o trabalho que estamos a depositar em algo vai valer a pena ou não. Mas também acredito que ganhamos muito mais em arriscar e fazer pelas coisas acontecerem do que ficarmos presos no mesmo sítio, sem semear nada, demasiado assustados para percorrer um caminho desconhecido.

Não importa quais os caminhos que escolhemos percorrer na Vida, vamos sempre ter de perder algo ou abdicar de alguém. Deixar para trás certas coisas, certas pessoas.

Mas também há sempre algo a ganhar por cada novo caminho que tomamos.

Se é melhor ou pior do que aquilo de que abdicamos, isso não sabemos a não ser que arrisquemos. No entanto, acredito que sendo melhor ou pior, valerá sempre a pena. Senão para nos trazer felicidade, para nos trazer lições que são essenciais à nossa vivência.

Acho que o problema das pessoas que me rodeiam é que nunca tiveram de arriscar e trabalhar muito na Vida para terem o que têm; o que queriam.

E agora que é chegado o momento, vêm-se desamparadas e cheias de medo de arriscar.

Mas acho que é para isso que eu cá estou. Eu e os outros que os amam.

Para os fazer ver que a Vida é 50/50. Há 50% de probabilidade de correr bem e 50% de probabilidade de correr mal. No fim, se nos limitamos a ficar sentados na nossa própria poça de medos e inseguranças, sem dar um passo para a frente ou até mesmo para trás...aí sim, é que a probabilidade de algo bom acontecer é de 0%.

Acho que 50% é sempre melhor do que 0%.

Mas isto não é uma questão de números...antes fosse.

Devia ter-lhe dito que é mais uma questão de conhecer-mos as nossas opções; conhecermos-nos a nós mesmos e fazer uma escolha.

Certa ou errada, no fim, algo ela nos trará.

E acho que...no final...é uma questão de sabermos aproveitar o bom e o mau das nossas escolhas. Vai haver sempre dissabores, coisas sobre as quais nos queixarmos (eu que o diga)... mas acho preferível fazer algo, seja o certo ou o errado, do que não fazer nada apenas porque temos medo, ou estamos inseguros, ou porque vamos ter imensas saudades do que nos é familiar.

Podia ter-lhe dito que ele não precisa de ser mais como eu - apenas ser mais ele.

17
Jan15

Fico assim

alex

Agora mesmo, ao responder a um comentário (e já agora, agradeço a vocês que deixam as vossas palavras na secção dos comentários, eu fico sempre deliciada e admito que ao fim de quase quatro anos de blog ainda um pouco admirada que exista quem leia o que eu escrevo e se dê ao trabalho de comentar) escrevi algo que me saiu sem eu sequer ter de pensar nisso.

Quando li o que tinha escrito, foi como se uma luz se estivesse acesso na minha mente e finalmente, percebi.

Somos todos diferentes. Como tal, eu não posso esperar dos outros aquilo que eu mesma lhes dou. Não posso de forma alguma criar expectativas com base na pessoa que eu sou, com base na forma como eu trato e lido com os meus, na forma como eu ajo e vivo. Assim como não posso criar expectativas acerca de uma pessoa que não conheço, não posso criar expectativas em relação às pessoas que conheço.

Porque se as conheço sei que elas não são eu. Aliás, ninguém é eu. Eu sou eu. Por isso, e como somos todos diferentes, eu não posso esperar dos outros aquilo que eu lhes dou.

Porque eu sou eu e eles são eles. E apesar de muitas vezes desejar que me dessem a mim o que eu dou aos outros, isso não é possível porque ninguém é igual.

Então e perante isto, o que é eu faço? Deixo de ser eu? De ir ao salvamento de todos os que amo sem pensar uma vez em mim; de estender a mão quando a pessoa não merece nem a ponta do meu dedo; de me sacrificar e de aturar coisas que muita gente não aturaria; de depender tanto da felicidade dos outros para que eu própria possa sentir-me minimamente feliz?

Deixo de ser esta pessoa e passo a ser como eles? Se não os podes vencer, junta-te a eles, é assim?

Mas eu já tantas vezes que tentei e ainda mais foram as vezes que falhei.

Não consigo. Ficamos assim.

Somos todos diferentes, por isso, não posso esperar que os outros me dêem o que eu lhes dou de mim.

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