Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

18
Out14

Continuar (como, não sei ao certo)


alex

Ontem passei o dia todo com o coração na boca. Ao final do dia só queria desatar a chorar mas engoli as lágrimas todas que queriam brotar dos meus olhos.

Como eu disse a vida não é justa. E eu que o diga. Ao fim de um mês de espera por uma oportunidade que poderia muito bem vir a ser óptima, foi tudo por água abaixo por causa...de dinheiro.

Vai sempre tudo dar à porcaria do dinheiro. Se formos a ver, são só números numa conta bancária; folhas de papel numa mão; moedas frias na outra.

Dizem que o dinheiro não compra felicidade e eu concordo - até uma certa extensão. Porque tudo o que eu quero fazer acabo por não poder por causa do dinheiro. Não pude inscrever-me no programa da Ok Estudante por causa do dinheiro; não pude ir para a faculdade aqui no nosso país por causa de dinheiro; e agora não pude começar a formação para Assistente de Terra por causa do dinheiro.

650 euros pediram-me eles que eu desse pela formação. 

E querem saber o mais engraçado nisto tudo?

É a primeira vez que estão a cobrar seja o que for por uma formação. 

Digam-me lá se isto não faz com que uma pessoa pense que o Universo está a gozar com a cara dela? É porque foi o que eu fiquei a fazer ontem a noite toda - a pensar que o Universo adora gozar com a minha cara.

Quando eu vou para fazer a formação, é quando ela se paga, quando nunca antes tinham pedido nem um cêntimo! Dá vontade de bater em alguma coisa não dá?

Ou sou eu que estou a deixar o meu velho eu vir ao de cima e estou a ser dramática e negativa? Ou tenho razões para isso?

Porque fogo, nunca nada corre bem por aqui! Disseram-me: não importa quantas vezes és deitada abaixo, tens de te levantar e continuar a lutar.

Mas eu passo a vida toda a limpar a poeira das minhas calças! Passo a vida toda a passar água oxigenada nas feridas que se abrem quando caio! Passo a vida a cair e a levantar e não me aguento em pé durante muito tempo! Eu não me importo de cair e de me voltar a levantar - só gostava de conseguir permanecer em pé durante mais tempo do que aquele que permaneço!

E agora? - perguntei-me eu e perguntaram-me outros quando ontem isto foi tudo pelo cano abaixo.

Olha agora que remédio tenho eu senão o de levantar o rabo do chão, sacudir as calças, limpar as feridas e voltar à carga?

Mas sou sincera: a força de vontade vai-se perdendo a cada queda que dou.

Qualquer dia não haverá força que me faça levantar.

Mas esse dia ainda não chegou, por incrível que pareça...

22
Set14

Indignada é pouco!


alex

Ontem acabei por ficar grande parte da tarde deitada na cama a ver a Fox Life. Estava a dar um filme com o Mark Ruffalo e com a Gwyneth Paltrow, cujo titulo é "View From the Top" (em português "Altos Voos"). Parei no canal para ver o filme porque primeiro: o Mark Ruffalo é um dos actores principais e porque segundo: o filme é sobre esta jovem rapariga que quer, a todo o custo, ser hospedeira de bordo.

O seu mantra é: Paris, primeira classe, internacional. Ela é determinada e lutadora e é a melhor da sua classe de estagiários da companhia de voos. 

Eu já tinha visto o filme, há muitos anos atrás, e decidi ver outra vez já que estava a dar na Fox Life, para poder ver com outros olhos. Estava a gostar muito, até porque eu tenho uma pequena paixão secreta (que agora já não é assim tão secreta) pelo Mark Ruffalo (desde que o vi, há alguns anos, no filme "13 going on 30" com a Jennifer Garner, que foi amor à primeira vista). Mas como estava a dizer, eu estava a gostar do filme até porque me estava a ver naquela personagem - o sonho, a determinação, a luta. Até que chegou a meio do filme e eu percebi logo onde é que aquilo ia dar.

Agora vêm ai spoilers, por isso, para quem não viu o filme ainda (é de 2003 mas enfim...) e não quer ler spoilers, faz favor de não continuar...

 

 

10
Mar14

A felicidade de uns, é a infelicidade de outros


alex

Ela olhou-os de lado e viu-o sorrir.

O sorriso que antes Ele lhe dirigia a si e só a si. O sorriso dele, para Ela. Agora dirigido a Outra. 

Viu-o abraçá-la e essa Outra, a Ele.

Os abraços dele eram a única coisa que a tranquilizaram, em tempos que já lá iam... Agora os mesmos traziam tranquilidade e segurança a outra.

Viu-o roubar um beijo e a Outra roubou-lhe outro.

Tantos beijos que ele tinha roubado a si, em tempos que Ela agora lembrava com dor.

Viu que Ele tinha encontrado com outra pessoa aquilo que Ela pensava ter tido apenas consigo. Viu que havia carinho entre os dois, amizade, amor... viu Ela e viram os outros todos. Era isso que diferenciava o amor daqueles dois, do seu próprio. Quando estava com Ele, não podiam mostrar o quanto se amavam. Não podiam fazer o mundo ver o quão perfeitos eram um para o outro.

Como se encaixavam-se na perfeição, como duas peças de um puzzle que procuramos completar durante toda as nossas vidas....

Via neles o que nunca tinha visto em si e nele. Via liberdade. Liberdade para serem felizes, para se amarem.

Agarrou nos pratos que ia levar para pôr na mesa. Ao fazê-lo, Ele olhou-a. Ela olhou-o. Os seus olhares cruzaram-se e Ela sentiu o coração a bater mais depressa, como se estivesse mortinho por sair do seu peito. Sorriu-lhe. Não lhe iria mostrar nada mais para além disso. Um sorriso.

Ele sorriu de volta e voltou a fixar os olhos na televisão, afrouxou o aperto em que envolvia o seu novo amor e a Outra depositou-lhe um terno beijo na bochecha.

Com os pratos na mão, utilizou todas as forças que tinha para manter aquele sorriso. Tentou não deixar cair os pratos.

Conseguiu fazer ambas as coisas.

No entanto, à medida que a noite ia passando, algo que não conseguiu fazer foi ficar feliz por Ele. Por eles.

Dizem que amar é querer ver a pessoa amada feliz, mesmo que essa felicidade não passe por nós...mesmo que essa felicidade não seja vivida connosco.

Mas Ela não se sentia feliz. Sentia-se miserável. Sorriu durante toda a noite, apenas para conseguir esconder as lágrimas que tanto queriam ser derramadas. Não era um sorriso feliz, sincero.

Ela não estava feliz por Ele ou pela Outra, que agora ocupava o seu lugar.

Não conseguia sentir-se feliz com a felicidade dele porque vê-lo nos braços de outra, era pior do que não o ter nos seus. 

28
Dez13

Isto sou eu


alex

Há quem seja inseguro. Há quem tenha inseguranças. Há quem duvide de si. Há quem seja pessimista. Há quem não acredite na sua força, nas suas capacidades. Há quem desespere facilmente. Há quem diga com um sorriso triste no rosto: "Eu tento e não deixo de tentar, mas no fundo sei que não me vale de nada. No entanto não consigo parar de tentar porque se há algo em mim que teima em não morrer é a esperança. Tudo me morre, menos isso. Inacreditável, eu sei."

E depois existo eu. Eu que sou tudo isto referido acima e muito mais. Eu que digo aquelas palavras escritas acima, umas vezes em voz alta para os outros, mas na maior parte, em voz silenciosa, para mim.

Lido com muitas inseguranças. Mais do que aquelas que possam imaginar. Não acredito quando me dizem que sou boa. Quando me dizem que consigo se quiser, basta querer, "Querer é poder Alexandra", fartou-se de me dizer a minha professora de história ao longo de dois anos.

"Oh." É a minha resposta, acompanhada de um encolher suave de ombros. Não acredito quando me dizem que tenho capacidade para fazer o que quero, para conseguir concretizar os meus sonhos. Não acredito quando me dizem que o meu futuro vai ser bom, brilhante, porque assim o sou. Brilhante. Sou tão brilhante que o meu brilho me impede de ver o quão brilhante sou. É o que digo a mim mesma num tom irónico, desfazendo-me depois em gargalhadas despojadas de alegria. Brilhante. Pois, deve ser.

Tenho fé, já o disse aqui. Tenho fé nos que amo, tenho fé no mundo que algum dia há-de endireitar-se (espero é que seja antes de ser destruido pelo nosso companheiro Sol), tenho fé; a sério que tenho. Falta-me é ter fé em mim. Em mim não tenho eu fé. E não me perguntem porquê, porque nem eu própria sei.

Eu finjo muito. Sou uma bela de uma boa mentirosa. Sou tão boa mentirosa que me minto a mim própria constantemente, convencendo-me de que tudo vai ficar bem, de que eu sou capaz se simplesmente continuar a lutar, continuar a insistir. Mas há dias, dias como o de hoje, em que me canso de mentir. Canso-me sabem? Canso-me, enfim, tenho dias assim e aposto que não sou a única.

Depois odeio-me por ser assim. Porque há outros tantos lá fora que estão em piores situações que a minha e que acreditam neles, que têm fé, que continuam e persistem e não tiram um dia para si, para se sentirem mal, para se vitimizarem como eu estou a fazer agora.

Porque é isso que estou a fazer. E odeio-me por estar a fazê-lo. Mas sinto necessidade de o fazer, porque senão rebento. Eu sou assim. Finjo muito, minto muito, sorrio muito, luto muito, encho-me de esperanças, faço filmes na minha cabeça, desenho objetivos, traço caminhos e depois...cai-me tudo por terra. E eu rebento. 

Não acredito. Nunca acreditei. E odeio-me por isso, porque se há luta que travo todos os dias e se há luta que mais me custa travar é esta: a que travo para acreditar em mim.

É uma luta sem fim, mas que no fim, perco sempre. 

Eu perco sempre e é por isso que não acredito percebem? Mas se há algo pior do que lutar, para mim, é desistir. E por isso continuo nisto, a lutar uma luta que jamais ganharei, sem ter força para a ganhar mas sem forças para desistir. 

Existem pessoas persistentes e depois existo eu. Isto não é persistência. Isto é casmurrice e burrice tudo junto. 

Isto sou eu.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D