Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

10
Jan16

Bela me*rda

alex

O novo ano trouxe consigo muitas dúvidas. Muitas incertezas. Muitos receios. 

Enquanto que eu estou numa das cidades mais apregoadas do mundo, a trabalhar e a estudar, os meus pais estão em Portugal a tentar arranjar emprego.

Nunca tinha acontecido antes, estarem os dois nessa situação. Mas 2016 parece ser o ano. Escusado será dizer que este ano não começou muito bem para os meus lados. Não consigo evitar sentir-me mal pelo facto de eles terem gasto imenso dinheiro para virem passar o Natal comigo a Londres e agora terem o computador estragado e estarem com dificuldades em o conseguir mandar arranjar.

Não consigo deixar de me sentir culpada de cada vez que chego a casa e me queixo do meu trabalho, ora porque um dos meus Managers foi um idiota, ora porque andei a carregar com cinco ou mais caixas cheia de roupa por escadas acima, escadas abaixo, ora porque simplesmente não suporto aquela loja em certos dias.

É complicado estar junto dos nossos e vê-los a passar por dificuldades. Mas é ainda pior estar aqui, longe deles e saber que não há mesmo nada que nós possamos fazer para os ajudar.

Nestas situações sentimos-nos impotentes. Incapazes. E eu pergunto-me a mim mesma todos os dias desde que este novo ano começou: será que vamos ter algum ano das nossas vidas em que nenhum de nós tenha de se preocupar em como vai pagar as contas da casa, pôr comida na mesa e pagar o passe de autocarro?

Será que vai haver algum ano em que nenhum dos meus pais tenha de passar dias em frente ao computador, em casa, a enviar currículos na esperança de serem chamados para algo? Será que vai haver algum ano em que este aperto no peito não vai cá estar?

Desconfio que não. A cada ano que passa isto só piora. E eu não consigo deixar de me sentir revoltada com tudo e todos.

É uma grande merda.

22
Out14

Mais do mesmo

alex

Eu sei que já devem estar fartos de eu me queixar e prometo que este é o último post em que o faço, até porque isto prejudica muito a minha atitude positiva que tento a todo o custo manter...mas preciso só de dizer mais isto:

Eu até casas-de-banho não me importava de lavar, ou escadas, ou casas, ou o que fosse.

Mas até para isso preciso de experiência.

Metam a experiência num sítio que eu cá sei, para não dizer pior.

20
Out14

Há coisas que me ultrapassam #15

alex

Como é que é suposto eu ter experiência de trabalho se NINGUÉM me dá trabalho?
É incrível como em 98% dos anúncios que se encontram por aqui pela internet, pedem pessoas com experiência - mas também têm de ser jovens!

No entanto, alguém que me explique se faz favor como é que me posso candidatar a um trabalho onde pedem experiência se nunca antes trabalhei porque... SÓ PEDEM PESSOAS COM EXPERIÊNCIA!

Temos todos de começar por algum lado, não é assim? Se pedem só e exclusivamente pessoal com experiência, nós que não a temos, nunca a vamos ter e como tal, não saímos da cepa torta!

Gostava de perceber a lógica deste pessoal que quer contratar malta jovem para atender telefones, MAS COM EXPERIÊNCIA! 

Acho que se houvesse um anúncio que estivesse a pedir pessoas para respirar, até aí pediam: COM EXPERIÊNCIA.

Ok, posso estar a exagerar, mas é só para fazer entender o meu ponto de vista e a minha indignação. Como é que é suposto eu ter experiência de trabalho se todos os anúncios que encontro me pedem essa experiência?

Eu primeiro tenho de a adquirir para a ter, não?

Então vejam lá, senhores que procuram malta jovem para escravizar, se começam a retirar dos anúncios a parte da experiência...é que se fosse para um trabalho que a requer, ainda compreendia...agora para atender telefones e ouvir as pessoas a mandarem-nos para não sei quantos sítios?

Peço desculpa mas para isso a única experiência de que preciso é a de Vida, que essa manda-me para tanto lado feio constantemente, que já tenho experiência suficiente para lidar com pessoas a fazerem (me) o mesmo.

18
Out14

Continuar (como, não sei ao certo)

alex

Ontem passei o dia todo com o coração na boca. Ao final do dia só queria desatar a chorar mas engoli as lágrimas todas que queriam brotar dos meus olhos.

Como eu disse a vida não é justa. E eu que o diga. Ao fim de um mês de espera por uma oportunidade que poderia muito bem vir a ser óptima, foi tudo por água abaixo por causa...de dinheiro.

Vai sempre tudo dar à porcaria do dinheiro. Se formos a ver, são só números numa conta bancária; folhas de papel numa mão; moedas frias na outra.

Dizem que o dinheiro não compra felicidade e eu concordo - até uma certa extensão. Porque tudo o que eu quero fazer acabo por não poder por causa do dinheiro. Não pude inscrever-me no programa da Ok Estudante por causa do dinheiro; não pude ir para a faculdade aqui no nosso país por causa de dinheiro; e agora não pude começar a formação para Assistente de Terra por causa do dinheiro.

650 euros pediram-me eles que eu desse pela formação. 

E querem saber o mais engraçado nisto tudo?

É a primeira vez que estão a cobrar seja o que for por uma formação. 

Digam-me lá se isto não faz com que uma pessoa pense que o Universo está a gozar com a cara dela? É porque foi o que eu fiquei a fazer ontem a noite toda - a pensar que o Universo adora gozar com a minha cara.

Quando eu vou para fazer a formação, é quando ela se paga, quando nunca antes tinham pedido nem um cêntimo! Dá vontade de bater em alguma coisa não dá?

Ou sou eu que estou a deixar o meu velho eu vir ao de cima e estou a ser dramática e negativa? Ou tenho razões para isso?

Porque fogo, nunca nada corre bem por aqui! Disseram-me: não importa quantas vezes és deitada abaixo, tens de te levantar e continuar a lutar.

Mas eu passo a vida toda a limpar a poeira das minhas calças! Passo a vida toda a passar água oxigenada nas feridas que se abrem quando caio! Passo a vida a cair e a levantar e não me aguento em pé durante muito tempo! Eu não me importo de cair e de me voltar a levantar - só gostava de conseguir permanecer em pé durante mais tempo do que aquele que permaneço!

E agora? - perguntei-me eu e perguntaram-me outros quando ontem isto foi tudo pelo cano abaixo.

Olha agora que remédio tenho eu senão o de levantar o rabo do chão, sacudir as calças, limpar as feridas e voltar à carga?

Mas sou sincera: a força de vontade vai-se perdendo a cada queda que dou.

Qualquer dia não haverá força que me faça levantar.

Mas esse dia ainda não chegou, por incrível que pareça...

12
Fev14

Os que não têm emprego também trabalham

alex

Custa-me. Custa-me ouvir pessoas dizerem da boca para fora: "só não trabalham porque não querem". Que comentário mais ignorante! Vê-se perfeitamente que estas pessoas não sabem do que estão a falar. Pois deixam-me dizer-vos.

Há um ano que o meu pai está no desemprego, e já não é a primeira vez. Da primeira vez foram quase dois anos. Depois andou a saltar de empresa em empresa, visto que os contratos eram só de 6 meses. Foi enganado, tendo andando a trabalhar para um pelintra durante uns três meses, sem ter recebido um tostão. Depois dessa, lá arranjou mais 6 meses de trabalho e agora, passado um ano ainda aqui anda.

Todos os dias ele envia currículos. Todas as semanas ele faz questão de telefonar para aqui ou para acolá a pedir informações e a perguntar se estão a contratar. Já falou com todos os seus amigos, conhecidos, ex-colegas e amigos dos amigos na esperança vã de conseguir arranjar algo. Só o chamam para ir trabalhar sem ordenado fixo, sem uma garantia de que ao fim de uma temporada não o mandam embora sem ele ter ganho um tostão. Ou seja, se ao final do mês tiver vendido alguma coisa, ganha uns míseros 500 euros, se por acaso tiver azar e nesse mês não conseguir fazer nenhuma venda, não há dinheiro para ninguém. E ainda o obrigariam a pagar deslocação todos os dias (nós não temos carro), sem subsidio de almoço. O meu pai era vendedor de máquinas de construção. Agora é desempregado. Ele trabalha. Não me venham com merdas. Ele passa a maioria dos dias aqui em casa, mas ele não deixou de fazer a sua vida. É verdade que houve uma altura em que estava mais em baixo, mas é compreensível. Mas todos os dias ele se levanta às sete da manhã para preparar a minha irmã e levá-la à escola. Houve uma altura, a tal altura, em que não o fazia. Fazia-o eu. Vai às compras, vai caminhar, faz o almoço dele, arruma a cozinha, apanha a roupa, põe a máquina a lavar. Acima de tudo continua a tentar levar uma vida normal. Ele trabalha. Todos os dias. Para ele, para nós... Só eu sei o quanto me custou vê-lo afundar-se como se afundou há uns meses atrás. Tive de ser eu a arcar com tudo cá em casa, porque a minha mãe andava a trabalhar horas extra e ele... ele havia dias em que não se levantava da cama. Mas isso foi uma fase. Acho que qualquer um nesta situação, a dada altura, se iria abaixo.

Agora não me digam que quem está desempregado só não trabalha porque não quer. Que se dá ao luxo de recusar trabalhos. Pode ser o caso de alguns, mas garanto que não o é na maioria. Na maioria são como o meu pai. Tiram-lhes tudo, assim de repente. Imaginem o que é tirarem-vos o vosso objectivo de vida? Não vos deixarem ter um propósito e obrigarem-vos a ficar em casa, sem nada para fazer, durante meses, anos...

O meu pai bufa muito. Fala sozinho. Grita para a televisão quando o assunto é política, economia ou o estado do país. Há dias em que parece que lhe morreu alguém. Isso enerva-me. Mas não lhe digo nada, não o culpo.

É uma merda sabem? Negarem-vos o direito de fazerem aquilo que gostam. Ou de fazerem algo, seja o que for. É como se ele estivesse preso dentro destas quatro paredes, com uma sentença sem data de expiração. Sem um rumo, sem um objectivo, sem nada. 

E eu sei, eu sei que há pessoas que na mesma situação arranjam outras soluções. Iniciam negócios, fazem trabalhos por fora, etc. Mas o meu pai pouco sabe fazer para além daquilo que sempre fez, desde que era um menino de 15 anos. 

Não me digam que só não trabalha quem não quer. Porque mesmo aqueles que querem e não lhes deixam, o fazem.

Trabalham todos os dias para um dia poderem voltar a ter emprego.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D