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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

15
Set14

Regressar

alex

Como boa irmã mais velha que sou, hoje fiz questão de me levantar de manhã bem cedo para ir à apresentação da minha irmã. A criatura começa amanhã uma nova etapa da sua vida e eu estou mais preocupada que ela.

Aliás, nós somos os únicos que estamos preocupados - a criatura quer é que chegue o dia 22 de Setembro porque já não consegue esperar pela segunda temporada da Violetta...

Só assim vêm o porquê de eu estar preocupada. 

A minha irmã tem nove anos. É uma autêntica criança que vai ser empurrada para o mundo real como se de um penhasco se tratasse - e eu aqui com medo que ela caia e se magoe forte e feio. Quando fui eu, há oito anos atrás, não conhecia ninguém -literalmente. Vim de uma outra cidade, para uma outra mais perto da minha casa, enquanto que todos os que estavam a entrar para o 5º ano naquela altura, já se conheciam todos porque aquela escola era do 1º ao 9º - e todos eles já se conheciam porque já lá andavam.

Para mim foi um choque autêntico mas como era uma criança diferente daquela que a minha irmã é - eu sempre fui ligeiramente matura para a minha idade - lá consegui desenrascar-me. Só que por muito desenrascada que uma pessoa seja, há sempre quem esteja pronto para se aproveitar das nossas fraquezas - naquela altura, as minhas eram a ingenuidade e a falta de tomates para falar de minha justiça (por outras palavras, deixava que me espezinhassem).

Daí o nervoso miudinho que sinto na barriga - pela criatura a que tenho o prazer de chamar irmã e que vai amanhã para o 5º ano, qual menina crescida. Tenho medo que ela passe pelo inferno que eu passei durante dois anos. Tenho medo que se aproveitem do facto de ela ainda ser muito infantil e de viver no seu mundinho Violleta. Medo que façam à minha irmã pequenina aquilo que me fizeram a mim - que a impeçam de ser uma criança, feliz e saudável. Tenho medo que a obriguem a construir muros e mais muros à sua volta para que ela se consiga proteger - o que depois faz com que ela se torne numa pessoa desconfiada e amargurada, negativa e fria (como a irmã mais velha).

Eu sei que somos todos diferentes e que há oito anos atrás as coisas não eram bem como são hoje - mas é isso que me assusta ainda mais. É que eu não sei se era mau antes ou se é mau agora - ou se é ainda pior agora do que era antes!

Claro que isto é um passo inevitável que haveria ter de ser dado a certa altura da vida dela, mas mesmo assim, não torna tudo menos assustador.... Para mim, lá está, porque ela está agora confortavelmente na sua cama a ver o Disney Channel sem uma única preocupação no mundo.

Mas por um lado, ainda bem que está. Deixem que os nervos sejam todos meus e que ela amanhã comece esta nova etapa com o coração livre de palpitações e um sorriso acriançado nos lábios.

Porque apesar de ela ser uma peste autêntica e de eu ser, mais vezes do que aquelas que gosto de admitir, dura para com ela dizendo que "Tens de crescer, tens de deixar de ser tão criancinha, já vais ter outro tipo de responsabilidades, blá blá blá" - apesar disto, continuo a querer, bem cá no fundo do meu coração, que ela seja só e apenas uma criancinha.

A minha pequenina criatura; o meu bichinho do mato.

Custa vê-la crescer e tenho mais medo por ela do que tive na altura por mim.

E a minha mãe já nem sequer tem estas preocupações porque já passou por isto comigo - mas para mim é tudo novo. Este sentimento de querer que eles cresçam porque, sinceramente, há que pensar em outras coisas para além do Leon e do Tomas (personagens da Violetta), mas ao mesmo tempo querer que eles parem de avançar na vida e que permaneçam os nossos bebés para todo o sempre.

É esquisito.

E é por isto que ter filhos não está, de forma alguma, na minha lista de prioridades na vida.

08
Jun14

Um novo livro

alex

Estes últimos dois dias foram uma correria.

Sexta foi, oficialmente, o último dia de aulas do secundário (para mim). Não me soube a despedida porque ainda não o é. Para a semana devo de lá passar para ir a uma das aulas de apoio aos exames, para esclarecer umas quantas dúvidas que de certeza vão surgir esta semana, quando me agarrar aos livros (até tremo só de pensar) e depois ainda lá vou fazer os exames (ai!).

À noite foi a gala de finalistas, que na minha opinião, correu bem. Diverti-me, tirei fotos, estive com pessoas que me enchem o coração e houve um momento da noite que me causou um arrepio na espinha que à muito já não sentia. Depois do jantar, da valsa, da entrega de diplomas (fui a primeira a subir ao palco: benefícios de me chamar Alexandra), fomos todos para o jardim do recinto, com balões nas mãos. Os balões tinham umas luzes coloridas lá dentro e quando já estávamos todos reunidos no jardim, contámos até três e largámos os balões, enquanto pedíamos que os nossos desejos se realizassem. Foi um momento, ao qual eu chamaria cheesy, e que pôs grande parte das raparigas da turma a chorar. E eu, não incluída nessa percentagem de choronas (porque não é por qualquer coisa que choro) sorria, olhando para o céu.

E foi aí, a contemplar o céu meio negro, meio rosado, brevemente iluminado por um conjunto de cores vibrantes que me apercebi que aquele foi um dos momentos da nossa vida que nunca mais vamos poder viver ou recuperar. Um daqueles momentos únicos e exclusivos na vida de uma pessoa.

Foi aí que me caiu a ficha. A minha vida vai mudar completamente dentro de um mês. Durante o resto da noite, pus esse pensamento e essa sensação para trás de mim e dancei até já não me conseguir aguentar em cima dos saltos (mas nunca os tirei!). Eram quatro e meia da manhã quando me foram buscar e viemos todos embora, deixando para trás uma noite que todos nós (excluindo aqueles que beberam o seu peso em sangria/cerveja) se vão certamente lembrar daqui a uns anos.

E foi quando pousei a cabeça na almofada, já eram cinco e picos da madrugada, que aquele pensamento e aquela sensação voltaram e, durante uns segundos, não consegui respirar. O medo e os nervos apoderaram-se de mim ao aperceber-me de que não posso continuar a adiar nada. Não posso continuar a pensar: "Ah, penso nisso depois quando chegar a altura". A altura chegou. A altura de estudar para uma disciplina que não tenho à três anos para ver se consigo, pelo menos, mais de 95 pontos no exame. A altura de estudar para dois exames que, para mim, só vão servir para a média, visto que não vou precisar deles (ou de nenhum outro) para ingressar na faculdade.

A altura em que começo a pensar que já tenho 18 anos, já não vou frequentar o secundário (estou confiante que consigo passar no exame de francês), já não vou ser estudante. Não vou ver as pessoas que vejo todos os dias, não vou ter a rotina da qual já estava farta, mas que de certa forma, era minha. Não vou passar intervalos no bar da escola a rir e a conversar com os meus amigos de há tantos anos.

Muito provavelmente não vou ver a grande maioria deles. 

Daqui a um mês a minha vida vai mudar completamente.

E apesar de ter andado a desejar que esse dia chegasse, durante este 12º ano todo, agora que está tão perto que posso já senti-lo, não sei se estou preparada.

Aliás, tenho a certeza de que não estou. Mas, sendo como sou, vou erguer a cabeça, respirar e fundo e enfrentar o touro pelos cornos.

Porque a Vida é mesmo assim, feita de mudanças, transições que nos fazem perder noites de sono, que nos fazem sentir medo e receio como nenhuma outra coisa consegue.

A Vida é assim, assustadora, mas há que ter fé que no fim, vai tudo correr bem. E se há coisa que este ano aprendi, foi a ter fé. Não em Deus, mas em algo maior, talvez digamos, no Universo e em como tudo acontece por uma razão. Aprendi também a ter mais fé em mim e por isso digo que, daqui a um mês, o secundário vai mesmo ser, não um capítulo encerrado, mas como disse a minha cara metade no vídeo que fez para a gala, um livro fechado.

Só espero que o novo livro me traga tudo aquilo a que tenho direito: coisas boas, más, momentos bons e outros não tanto. Personagens maravilhosas e uma história que valha a pena ser escrita e contada.

Um daqueles livros que não queremos que acabe. Como este que estou prestes a acabar. Mas melhor.

Muito melhor.

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