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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

09
Fev15

Ninguém sabe


alex

Acho que as pessoas à minha volta não se apercebem do quão difícil vai ser, realmente, para mim deixar tudo para trás. 

E eu não me acho melhor que aqueles que querem ficar - não sou mais que ninguém por querer ir. Cada um faz as escolhas que melhor lhe assentam e há pessoas que gostam das suas Vidas aqui. Não julgo, não condeno, não digo mal porque eu própria acho que este país é um sítio maravilhoso para se viver - para quem tem poses para isso.

Eu para estudar cá teria de estudar à noite e trabalhar de dia para pagar as minhas propinas e não esqueçamos que na educação, não é só as propinas que se pagam. Eu aguento muita coisa, mas também conheço os meus limites. Acho que é importante, enquanto pessoas minimamente adultas, sabermos os nossos limites e sei que não ia conseguir estudar à noite e trabalhar de dia.

Eu para estudar cá tinha de ir para um curso que roça um bocadinho aquilo que eu gosto, mas que não é exactamente aquilo que eu quero - porque cá não existe nenhum curso especificamente para aquilo que eu gosto.

Eu não sou a Maria, nem a Joana, nem a Joaquina. Eu sou a Alexandra e sempre sonhei diferente. Sempre quis mais do que ficar a morar em casa dos meus pais até aos vinte e cinco ou trinta, a tirar um curso na faculdade que não me enche as medidas, encontrar a minha cara metade, casar-me, ter filhos (...).

Eu sempre quis algo diferente. O que não implica que o que acabei de descrever em cima seja mau ou menor ou inferior aquilo que eu quero para mim. O que é importante para mim não o é para os outros e vice-versa porque nós somos todos diferentes.

Eu respeito e admiro quem opta por ficar e fazer a sua Vida cá - em momento algum eu desdenho de quem o faz. Mas acho que as pessoas não entendem que eu ao dizer que eles "ficam para trás" não é no sentido de "vocês ficam pior que eu por ficarem cá". Longe de mim.

É no sentido de: "vocês vão ficar aqui e eu não". No sentido de: "vocês também podiam vir se quisessem". Mas não querem e eu respeito isso porque todos nós temos sonhos e objectivos diferentes.

Mas acho que o que ninguém tem noção é a quantidade de vezes que eu já chorei à noite, sozinha, com a cabeça na almofada porque sinto que sim, estou a deixar os meus para trás.

A minha irmã vem ter comigo ao quarto, de vez em quando, e do nada diz-me: "Mana, vou ter tantas saudades tuas".

E eu acho que ninguém percebe o quanto isso me quebra. O quanto isso me faz querer ficar. Apesar de ainda não ser um dado adquirido, tudo se move nessa direcção - na de ir.

Eu sei que me faço de forte. Eu sei que guardo tudo para mim. Eu sei que finjo muitos sorrisos e muitas gargalhadas, eu sei que encolho muitos os ombros ou digo muitas piadas para dispensar o assunto. Mas a verdade é que ninguém sabe o quanto me custa e o quanto me irá custar deixar para trás aqueles que amo.

Porque não é uma questão de eles serem menos do que eu por ficarem - é uma questão de eu ir ser menos sem eles, por ir. Porque vou deixar aqui pessoas que me são tudo, mesmo que por vezes me desiludam.

A desilusão faz parte de amar uma pessoa, seja de que maneira for. Se nos permitimos a amar, permitimos muitas outras coisas, incluído desiludirmos-nos com essas pessoas.

Acho que ninguém sabe o aperto enorme com que tenho vivido estes últimos dois meses e o quão maior vai ficar nos meses que se seguem, à medida que o grande momento se irá aproximando. Ainda faltam longos meses, mas eles vão acabar por passar e com eles vão trazer tudo aquilo que as pessoas à minha volta pensam que eu sou imune.

Eu tenho sentimentos. Não sou feita de pedra. É claro que choro baba e ranho só de pensar em me ir embora. Mas também sou sincera - não tenho o suficiente aqui para ficar.

Nunca foi, não é, nem nunca será minha intenção desdenhar dos que ficam e não me acho maior por ir. Até tenho uma certa inveja daqueles que encontram o que precisam aqui, sem precisarem de ir à procura para lugares distantes.

Mas eu passei a minha Vida a viver para os outros - para a minha irmã, para os meus pais, para os meus amigos. Estive sempre lá quando a sirene deles tocava. Dei-lhes a mão quando eles precisavam. Dei-lhes o meu ombro para as suas lágrimas e as minhas palavras assertivas para as suas incertezas.

Agora é a minha vez. E gostava que os que me rodeiam fizessem por mim o que eu fiz por eles durante toda a minha Vida. 

Porque acho que ninguém sabe o quanto realmente me custa ter de ir. Acho que ninguém sabe.

 

08
Dez14

Sempre Inverno


alex

Por vezes, abraço o frio como se ele fosse meu. Deixo-me embalar pelo vento que sopra para se fazer ouvir. Sorrio quando um arrepio me percorre a espinha.

Penso nos dias em que o frio era o meu calor. Nos dias em que saia de casa de gorro na cabeça, cachecol no pescoço e calor no coração.

Por vezes, acredito que aquele Inverno ainda vai voltar - talvez no Verão, na Primavera ou no Outono... mas para mim, será sempre Inverno.

Para mim, o melhor abraço é sempre aquele que é dado ao frio.

O melhor beijo aquele que é partilhado à chuva.

O melhor sorriso aquele que esboçamos mesmo quando pensamos que tal é impossível por causa do gelo.

Para mim, será sempre Inverno - mesmo quando o calor vier tomar o lugar do frio, quando as flores ganharem cor para além do branco, quando o vento se tornar bafiento.

Mesmo aí...será sempre Inverno, para mim.

18
Nov14

O sussurro


alex

"Respira fundo" - sussurrou-me ele ao ouvido.

Olho à minha volta. Estou sozinha. Envolvo-me num embraço solitário e sorrio.

Ainda te oiço, mesmo agora que nada me dizes.

São os ouvidos que me traem ou o traiçoeiro é o coração?

"Respira fundo" - volto a escutar-te.

Desta vez o sussurro é maior, mais profundo.

O sussurro do coração é sempre maior que outro qualquer.

Respiro fundo.

Aconchego o cachecol à volta do pescoço; resguardo as minhas mãos do frio de Novembro e o sorriso não me abandona.

Cansada, com frio, com dúvidas a encher-me a mente e a corroerem-me o coração, oiço o seu sussurro.

Ele sabe sempre o que me dizer nestas alturas mais difíceis.

Respira fundo.

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