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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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13
Abr15

Há coisas que me ultrapassam #18

alex

Já não faço uma destas há algum tempo! Então cá vai!

Há cerca de duas semanas testemunhei um acidente de carro. Não foi nada de grave, ninguém saiu severamente ferido mas foi assustador.

Eu que estava de frente para os carros vi tudo a acontecer, enquanto que a minha mãe e a minha irmã que estavam comigo já só viram os carros parados e a senhora de joelhos no chão.

A senhora em questão devia de estar na casa dos cinquentas e muitos e ela não sabia muito bem em que paragem é que devia esperar pelo autocarro - se na que nós estávamos ou se na do outro lado da rua. Lá lhe dissemos que ela tinha de ir apanhar o autocarro do outro lado da rua para poder chegar onde queria. A senhora entretanto, viu o autocarro a vir do outro lado e não foi de modas - desatou a correr para ir apanhá-lo. Os sinais ali ao pé das paragens nesse dia estavam avariados, o que é muito perigoso visto que aquilo é uma estrada nacional onde passam imenso carros.

Mas eu penso que, como peões, temos de ter extra cuidado quando nos apercebemos de que os sinais não estão a funcionar. Aquela senhora não se preocupou em olhar para lado nenhum. Resultado: foi atropelada. Mas o que mais me surpreendeu não foi isso. O que me surpreendeu foi o facto de ela ter levado uma pancada forte na anca, de ter caído de joelhos no chão e de se ter levantado de imediato, olhado para o condutor do carro como se a culpa tivesse sido dele e retomou a sua jornada. Entrou para o autocarro, pagou o bilhete e foi-se embora.

O senhor que bateu nela com o carro era um senhor já idoso, talvez com os seus setenta anos, e para além de ter batido na mulher, houve um segundo carro que bateu no dele e ainda um terceiro.

Foi daqueles momentos em que só pensamos: "Isto é para os apanhados" ou então "Isto é um filme". Porque acidentes acontecem todos os dias, verdade, mas o que me chocou foi o facto de a senhora ter levado a pancada que levou e ter ido a correr para o autocarro quando se criou aquele circo todo por causa dela.

Eu não sei se a senhora se aleijou a sério ou não porque ela levantou-se e andou, mas tal feito pode ter sido por causa da adrenalina. Aposto que ela sentiu a pancada quando o corpo arrefeceu. Eu sinceramente às vezes, não sei o que é feito deste mundo. Não digo que a culpa tenha sido inteiramente da senhora, porque se calhar se o senhor que ia a conduzir fosse a uma velocidade diferente, a mulher até se podia ter escapado. Mas eu vi - o velhote não ia a abrir como se estivesse numa pista de corrida. 

Resumindo: apanhei um susto do caneco com o estrondo e o impacto visual da cena. Mas não consegui ficar quieta e fui a correr ter com o velhote para ver se ele estava bem. Ele estava nervosissímo, como é óbvio, mas ele estava preocupado com a senhora, que meteu o rabo por entre as pernas e abandonou o local. O meu coração apertou quando vi as lágrimas nos olhos do senhor que só dizia:

"Mas será que ela está bem?"

Assim se vê a diferença de um ser humano para o outro.

Eu não entendo. Há coisas que me ultrapassam, sem dúvida alguma.

02
Jan15

Há coisas que me ultrapassam #17

alex

Hoje, fui eu depositar o meu dinheirinho no banco, quando dou por mim a olhar para uma rapariga deveras familiar que estava, digamos que, um pouco inchada.

Pronto, a moça estava (e ainda está com certeza) grávida. A mesma andou comigo no 2º e 3º ciclos, sendo apenas um ano mais velha do que eu (19, portanto).

Eu não era amiga da moça - nem sequer era daquelas pessoas por quem eu passasse e dissesse olá. Mas a nossa escola não era assim tão grande quanto isso e difícil era não conhecer todas as caras ao fim de algum tempo.

Esta não é a única - como ela, muitas outras que andaram comigo naquela escola, da minha idade e mais novas, sofreram o mesmo destino.

E hoje pus-me a pensar: e se fosse eu?

Com 18 anos, de pão no forno como dizem os americanos. Quase que desfaleci só de pensar. Deixa-me admirada a facilidade com que a vida de uma adolescente pode mudar, de um momento para o outro. Um simples preservativo que rompe, ou simplesmente o facto de não usarem um (nem tomarem a pílula, etc) pode virar a vida de uma jovem rapariga (e do jovem rapaz também, mas na minha opinião não tanto e já lá vou a isso) de pernas para o ar - literalmente.

É que já é, contado assim por alto, a sétima rapariga com que eu frequentei o ensino básico que me aparece de barriguinha redonda pelas ruas aqui da minha residência. E eu não consigo deixar de pensar:

E se fosse eu?

Primeiro, sou ainda demasiado egoísta para ter um filho. Sou e admito-o - ainda penso muito só em mim, nos meus desejos e sonhos, nos meus objectivos de vida. Não conseguiria dedicar a minha vida a outrem, mesmo que esse outrem fosse o filho do meu ventre.

Segundo, acho que apesar de ser bastante matura para a minha idade, ter um filho está num outro nível de maturidade completamente diferente. É um filho caramba; um ser humano que vem ao mundo e que pelo menos durante 18 anos necessita de todo um apoio e orientação que eu tenho a certeza não ser capaz de dar a ninguém.

Terceiro, ainda não vivi nada. Se eu ainda não vivi nada, como é que posso partilhar com o meu filho todas as aventuras da minha vida? Todas as lições que aprendi com o tempo, com os erros, com os falhanços e com as vitórias?

Quarto, nunca eu conseguiria sustentar um filho sozinha.

E aqui entra o suposto pai que, sejamos sinceros e deixemos-nos de ser hipócritas, normalmente foge sempre com o rabinho entre as pernas ou então, pouco ou nada contribui para com a criação e educação do rebento. A verdade é esta e há estudos e estatísticas que o comprovam: a maioria dos pais adolescentes abandonam as mães e os bebés. E depois quem é que sustenta esta criança que não pediu para vir ao mundo e ser um peso nos ombros de quem não os tem? Normalmente os avós da dita criança, que se for preciso ainda eles próprios têm filhos que nem para o 5º ano entraram.

Acho que nunca se está preparado para se ser mãe ou pai, é verdade. No entanto, acho que ainda menos preparados estamos aos 15,16,17,18... Aos 18 anos trememos só de pensar na faculdade para a qual queremos ir. Aos 18 rimos que nem perdidos se nos mostrarem vídeos no Youtube de pessoas a cair ou de gatos a tocar piano. Aos 18 queremos é dormir até ao meio dia porque no dia anterior tivemos a acabar um trabalho importantíssimo ou a beber com os amigos.

E claro que a realidade de cada um é como cada qual - mas no geral, somos todos ainda meras crianças a tentar ser adultos. A verdade é esta.

E por isso, quando vejo estas moças, que tal e qual como eu brincavam à apanhada e aos morangos com açúcar e sei lá eu mais o quê, grávidas ponho-me a pensar, que no meio disto tudo, uma criança vai ser responsável por outra.

E se a mim me assusta pensar em como assustador isso deve ser para as moças em questão, nem quero pensar nelas.

Mas depois a parte má de mim diz: tivessem sido mais inteligentes. Tivessem sido mais fortes e dito não ao namorado swagger que lhes diz o quão bonitas e maravilhosas elas são. Tivessem tido cabecinha e não estariam prestes a ter uma bem mais pequenina a sair-lhes por entre as pernas (peço desculpa pela imagem que posso ter suscitado nos vossos cérebros.)

Não digo que ter filhos seja mau e não digo que todos os filhos de mães e pais adolescentes sejam mal criados ou mal amados ou que tenham menos do que eu, por exemplo, que nasci já a minha mãe tinha os seus 29 anos. Mas digo, sim, que uma criança é uma enorme responsabilidade - muito maior do que escolher o curso que queremos seguir, o bar que queremos visitar na sexta-feira à noite ou o rapaz com quem queremos namorar durante uns tempos.

Ter um filho é dar mais de metade de nós a um outro ser. É dar a nossa Vida a ele, completamente. O filho passa a ser o nosso mundo e nós passamos a girar em volta dele. Temos de trabalhar para ele, viver para ele.

Não sei se sou só eu, mas só a ideia faz-me logo torcer o nariz. Não seria capaz, com esta idade, de pôr a minha vida de parte para tomar em mãos a vida de outrem. Não seria capaz de abdicar dos meus sonhos - sou portanto assim, egoísta. Mas que o seja.

Ao menos sou uma egoísta não-grávida.

 

20
Nov14

Há coisas que me ultrapassam #16

alex

Hoje venho-vos falar de cabelo. Não, não é do meu. É o do rapaz que vi ontem no metro.

Ora não me interpretem mal - não fiquei apaixonada pelo moço nem nada que se pareça. Agora pelo cabelo dele...isso já é outra história. Quando o vi de costas pensei que era uma menina - muito escanzelada, mas uma menina. Quando lhe vi a cara e o bigodinho loiro (alguém lhe devia dizer para usar a gilete com mais frequência...) fiquei vermelha - de raiva.

Como é que um rapaz tem um cabelo daqueles? Um cabelo comprido, loiro mel, cachos perfeitos a caírem-lhe sobre os ombros, brilhante e com um aspecto simplesmente DIVINAL?

Aposto que se lhe passasse os dedos seria como tocar em seda.

E fiquei com inveja do moço. Ainda ponderei perguntar-lhe que tipo de champô ele usa, mas depois achei melhor não visto estarmos no metro com outras pessoas e ele pôr-se a gritar ali no meio "TARADA MALUCA" ou algo do género.

Por isso fiquei sentadinha no meu lugar a contemplar o cabelo do rapaz e a desejar que o meu fosse assim tão brilhante, com cachos tão perfeitinhos e naturais como os dele.

Já tinha visto vários rapazes com cabelo comprido, inclusive mais comprido do que o meu (antes de eu o cortar há um ano atrás) mas o do metro ganhou-lhes a todos!

Assim como não percebo o porquê dos homens terem (quase) todos pestanas naturalmente longas e espessas (e agora falo mais pelas mulheres que se queixam disto e não por mim visto que até nem tenho razões de queixa no que toca às minhas pestanas) também não percebo como é que há homens que têm um cabelo tão bonito como o do rapaz do metro.

Se o voltar a ver hei-de perguntar-lhe qual é o segredo dele.

Há coisas que realmente me ultrapassam.... o cabelo esplêndido do rapaz do metro é uma delas!

20
Out14

Há coisas que me ultrapassam #15

alex

Como é que é suposto eu ter experiência de trabalho se NINGUÉM me dá trabalho?
É incrível como em 98% dos anúncios que se encontram por aqui pela internet, pedem pessoas com experiência - mas também têm de ser jovens!

No entanto, alguém que me explique se faz favor como é que me posso candidatar a um trabalho onde pedem experiência se nunca antes trabalhei porque... SÓ PEDEM PESSOAS COM EXPERIÊNCIA!

Temos todos de começar por algum lado, não é assim? Se pedem só e exclusivamente pessoal com experiência, nós que não a temos, nunca a vamos ter e como tal, não saímos da cepa torta!

Gostava de perceber a lógica deste pessoal que quer contratar malta jovem para atender telefones, MAS COM EXPERIÊNCIA! 

Acho que se houvesse um anúncio que estivesse a pedir pessoas para respirar, até aí pediam: COM EXPERIÊNCIA.

Ok, posso estar a exagerar, mas é só para fazer entender o meu ponto de vista e a minha indignação. Como é que é suposto eu ter experiência de trabalho se todos os anúncios que encontro me pedem essa experiência?

Eu primeiro tenho de a adquirir para a ter, não?

Então vejam lá, senhores que procuram malta jovem para escravizar, se começam a retirar dos anúncios a parte da experiência...é que se fosse para um trabalho que a requer, ainda compreendia...agora para atender telefones e ouvir as pessoas a mandarem-nos para não sei quantos sítios?

Peço desculpa mas para isso a única experiência de que preciso é a de Vida, que essa manda-me para tanto lado feio constantemente, que já tenho experiência suficiente para lidar com pessoas a fazerem (me) o mesmo.

07
Out14

Há coisas que me ultrapassam #14

alex

A espessura das paredes/tecto da minha casa, é uma delas. MEU DEUS. Tenho tanto a dizer sobre um assunto que, à partida, não deveria sequer ser assunto. No entanto, passa a ser a partir do momento em que perco horas preciosas de sono por causa disto!

Gostava de saber quem fez o meu prédio - que construtora é que é responsável por estas paredes de papel que deixam tudo ser ouvido! É que só me falta haverem buracos pelas paredes fora para eu poder ver, para além de ouvir, tudo aquilo que não quero!

É crianças a chorar, pais a berrar, mães a desesperar, filhos a tocarem músicas de Natal nos seus pianos de brincar (estamos em OUTUBRO gente!), é cães que mais parecem lobos a uivar, ou a correr, ou a ladrar, ou a escavar o chão a ver se aparece algum tesouro (NÃO VAI APARECER NADA e risca o chão todo à dona). Mas isto nem é o pior. Sabem qual é o pior?

É eu ter de ouvir os meus vizinhos, nomeadamente os de cima, a partirem a cama devido a actividades extra-curriculares. Eu não sou pudica, não sou santa, não sou ingénua, não sou burra - sei o que é fazer o amor e sou a favor disso - MAS NÃO QUANDO EU ESTOU A TENTAR DORMIR! É que é todas as santas noites, valha-me os santinhos todos que possam existir! Todas as noites, há meia noite e meia, precisamente quando eu estou prestes a ir dormir, os meus vizinhos decidem fazer um pouco de exercício antes do joão pestana (e não, eles não vão correr para a passadeira que, por acaso, até têm no escritório - como já disse, estas paredes são muito finas, daí saber isto). E eles não se acanham - tenho impressão que se fosse lá a casa deles e visse o quarto do amor, a parede onde eles têm a cama encostada estará toda esmurrada.

Eu até já considerei comprar daqueles tampões para os ouvidos!

É que até já cheguei a acordar com o despertador do meu vizinho do lado - e não, não estou a inventar nada disto, acreditem!

Eu não digo que nós cá em casa sejamos calados - provavelmente o prédio todo está convencido que isto aqui é um manicómio em vez de um apartamento familiar - mas eu tolero gritos, choros, música de natal irritante, cães a uivar e despertadores que não são meus, agora ouvir os meus vizinhos de cima no bem bom?

Já é demais! 

Estas paredes são finais demais, e se há coisa que me ultrapassa, é como é que alguém é capaz de construir umas paredes tão finas como as deste prédio!

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