Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

03
Ago14

Ponto de erupção

alex

Há sempre um ponto de erupção. Aquele momento em que o mundo pára e só estamos nós. Aquele preciso momento em que nos apercebemos daquilo que já devíamos saber: há que seguir em frente.

A minha vida vai mudar muito. Disso não tenho dúvidas. Reserve-me o futuro o que me reservar, vai ser completamente diferente de tudo o que já vivi até agora. Não vou para a escola em Setembro, isso sei com certeza.

E ontem apercebi-me de que se já segui em frente no que toca a esta parte da minha vida, tenho que seguir em frente no que toca a outra parte.

Ontem deu-se o ponto de erupção, aquele ponto em que me explodiu tudo à frente e eu consegui enxergar tudo pela primeira vez. Já chega de ficar agarrada a uma parte de mim que já não é minha. Já chega de ficar à espera de poder recuperar o que já não é meu. Já chega de deixar andar as coisas porque não há coisas para andar.

Já chega.

Já explodiu o vulcão e agora a lava ardente vai levar as ruínas que restaram da nossa cidade. Aquela cidade que construímos com as nossas mãos, com amor e carinho e que num ápice, com um grande tremor de terra, se desmoronou como se de palha fosse feita e não de cimento. Agora, cabe à lava destruir as ruínas dessa nossa cidade, para eu poder parar de lhe chamar "nossa"; para eu parar de esperar que voltes e me ajudes a reconstruir o que deixámos em cacos.

Ontem foi o ponto de erupção. Explodiu. E agora, é seguir em frente e construir uma nova cidade, com novas pessoas, novas energias e novos sentimentos.

Já chega.

É tempo de seguir em frente - sem olhar para as ruínas que ficam para trás, a serem consumidas pela lava quente e borbulhante.

21
Jul14

As cartas que não envio #3

alex

Estava um caco. Tinha chovido a potes nesse dia e eu não tinha levado o chapéu de chuva. Eu, sem chapéu de chuva em pleno Dezembro, consegues imaginar?

Estavas doente em casa, com febre, e o plano original era ir ter contigo depois das aulas para te fazer companhia e cuidar de ti. Mas os planos mudam. Quando cheguei à porta de tua casa (e só eu sei o que me custou a lá chegar, com aquela chuva toda!), já eu não sabia onde começavam as minhas lágrimas e onde acabavam as gotas de chuva que ainda escorriam pela minha cara.

Tinha sido um daqueles dias de cão sabes? Onde deixei os meus fantasmas levarem a melhor de mim. Quando abriste a porta, envergando umas calças de pijama azuis e uma t-shirt branca que trouxeste de uma das tuas visitas ao Brasil, as tuas bochechas rosadas da febre e o teu cabelo castanho claro um desalinho, foi como se me tivessem finalmente lançado a bóia que me iria ajudar a manter à tona quando as minhas forças para continuar a nadar cessassem.

Olhaste-me de alto a baixo e deves ter achado aquilo que todos acharam quando passei por eles a caminho da tua casa: Esta gaja é maluca. E vai apanhar uma pneumonia daquelas...

Só hoje, ao recordar aquele momento, é que me apercebo que me olhavas com nada mais do que amor estampado nos olhos.

Não me bombardeaste com perguntas. Agarras-te na minha mão fria e molhada e o teu toque quente quase que fez desaparecer o frio que se apoderara do meu corpo. Quase...

Não disseste nada enquanto me levaste para o teu quarto, enquanto me estendeste uma toalha para eu me secar, enquanto me deste umas calças de treino pretas tuas que faziam parecer que eu tinha uma fralda e me deste a tua sweatshirt favorita. Fechaste a porta do quarto depois de saíres, ainda sem uma palavra, para eu me poder trocar à vontade. Nesse aspecto, sempre foste um cavalheiro.

Quando fui ter contigo à sala, o meu cabelo curto, húmido e frisado apanhado no alto da cabeça, estavas a ver Friends. Quando me sentei, sorris-te.

Encostei a cabeça ao teu ombro e chorei. Chorei tanto que me doía a cara, a certo ponto. Chorei tanto que acho que os teus vizinhos acharam que me estavas a fazer mal. Chorei tanto que, a certa altura, tomaste a minha cara nas tua mãos, olhaste-me nos olhos e, por fim, falas-te:

-Pára. - A tua voz saiu rouca, por estares doente. A minha saiu fraca, por estar a chorar.

-Não consigo. - Mais lágrimas.

-Consegues sim. Estás esquecida de quem és?

-Acho que é por isso que n ão consigo parar de chorar. Acho que já não sei quem sou.

Agarraste nas minhas mãos e aqueceste-as nas tuas enquanto me dizias aquilo que eu precisava de ouvir e não necessariamente o que eu queria ouvir.

-Eu não sei o que desencadeou isto - Mais uma vez, olhaste-me de alto a baixo - mas eu sei quem tu és. TU és a rapariga que goza com as raparigas que vão ter com os namorados a chorar. És a rapariga que em vez de andar sem chapéu-de-chuva em pleno Dezembro, até no verão anda com ele, só para o caso. És a rapariga que dá saltinhos de alegria de cada vez que vê a série Friends a dar na TV. És a rapariga que não chora até deixar uma marca do tamanha da sua cara na minha t-shirt favorita.

Funguei. "Que atractivo", pensei eu depois do barulho esquisito que fiz.

-Talvez eu já não seja essa rapariga. Ou talvez eu nunca tenha sido e tenho andado este tempo todo a fingir. Eu já não sei. Não sei nada... - As lágrimas teimavam em não desaparecer.

-Bom, então ainda bem que eu sei. Pára de chorar, acalma-te e conta-me o que aconteceu.

Com alguma dificuldade em fazer a 1ª coisa e com alguma relutância em fazer a 2ª, lá o fiz. Ias tossindo e assoando-te pelo meio e às tantas já estava tão enervada com a tua tosse seca e com o teu ranho constante, que te preguei um estalo no braço. Já não chorava; já não tinha vontade de o fazer.

Tu riste-te e esfregaste o braço.

-Tu és esta rapariga. A que chora que nem uma Maria Madalena arrependida num momento e que no outro me está a bater porque a minha constipação a está a incomodar. És complexa, dramática, bruta e irritadiça.

-Obrigada! - Respondi em tom de sarcasmo.

- Cala-te que ainda não acabei. - Cruzei os braços e sacudi os lenços de papel (meus e teus) de cima do sofá para o chão. Depois, mais tarde, iria deitá-los no lixo. Abanas-te a cabeça de um lado para o outro com, um sorriso nos lábios, e continuas-te.

-És a rapariga que faz com que um nó se forme no meu estômago quando me apareces à porta de casa encharcada e a chorar. És a rapariga que fica nua no meu quarto sem eu lá estar. - Ri-me - És tu que fazes com que 39º de febre sejam nada. És tu a rapariga que eu não me importo de ter a manchar a minha t-shirt favorita. Mas és tu também que fazes a malta rir; que abraça e apoia os chorões; que grita e se revolta por coisas pelas quais mais ninguém grita ou se revolta; que chora mas que rapidamente limpa as lágrimas, levanta a cabeça e sorri. Está bem? Sorri. Levanta a cabeça e sorri. Nunca te esqueças que por muita merda que te possa cair em cima num dia, tens sempre motivos para sorrir. Só precisas de parar de chorar tempo o suficiente para pensar neles.

-Tenho um dees aqui mesmo à minha frente. - Digo, com um sorriso a espreitar-me nos lábios.

-É, eu sou o motivo do sorriso de muita gente. - Um sorriso matreiro e um olhar convencido.

-Quem disse que eu estava a falar de ti? - Funguei pela última vez - Estava a falar da minha série favorita, que está agora a dar na TV. - Um sorriso matreiro, desta vez, meu.

-Ah-ah! - A gargalhada era falsa, mas o sorriso não. Puxaste-me para ti, o teu braço sob o meu ombro, e apertaste-me contra ti, como se quisesses fundir os nossos corpos.

-Vamos lá pôr-te a sorrir então. - Carregaste no play e de repente, oiço a voz do Chandler a sair das colunas da televisão.

-Já puseste. - Sorri e olhei para cima, para encontrar os teus olhos castanhos. Depositas-te um leve beijo nos meus lábios e o frio que sentia esvaneceu-se por completo.

Assim como as lágrimas, a dor e a incerteza.

Agora aqui, a escrever-te, vejo-me a cair de novo na mesma incerteza que me levou a procurar conforto em ti nesse dia. Já parei de chorar e agora penso nos motivos para sorrir.

Só tu me vens à mente.

As lágrimas regressam. Afinal o teu conselho tem um defeito.

Tu.

Naquele dia, foste tu que acabas-te a cuidar de mim e não eu de ti, como tinha planeado.

Os planos mudam.

E os motivos que nos fazem sorrir também.

Levanto a cabeça e sorrio. Não interessa se tu já não és o motivo desse sorriso.

Ainda tenho razões para sorrir.

19
Abr14

Falling in love at a coffee shop

alex

Hoje passados dois meses, voltei a ouvir uma das minhas músicas favoritas. Uma música que me fazia chorar à primeira nota que ouvia, que me trazia sentimentos aos quais queria fugir, pensamentos que queria evitar.

Hoje ouvia-a passado este tempo todo. Ouvi uma música calma e "lamechas" , e a seguir a essa vieram outras. Já não estava assim, sentada na cama, a olhar pela janela do quarto a ouvir música calma há muito tempo... Soube-me bem. 

Aos poucos liberto-me das restrições que me impus de forma a não sofrer ainda mais do que o que já sofro. E aos poucos vou deixando de ter restrições.... e de sofrer. Pelo menos pela razão pela qual tenho vindo a sofrer.

 

03
Mar14

Vai e vem; e pelo caminho...Sê tu.

alex

Ela caminhou por entre os finos pingos de chuva que naquele dia não tinham ainda cessado. De cabeça baixa, coração pesado, mente cheia, lá ia ela em direcção a casa. A partida estava para breve. O regresso ainda não. Mas ela regressaria. Mais completa, mais crescida, mais destemida, mais diferente, mais, mais e mais. Sempre mais. Nunca menos. Sentia a revolta no seu estômago, o aperto no seu peito, a dor de deixar, durante dois meses, quem e o que a fazia mais feliz. Mas caminhava com a certeza de que quando voltasse, a razão dessa felicidade estaria no mesmo sítio, pronta a recebê-la de braços abertos, com um sorriso na cara. Sabia que não estava a deixar nada nem ninguém para trás; antes pelo contrário. Estava a caminhar em frente, com quem amava do seu lado. Os dias de andar para trás já lá iam. Agora o único caminho era em frente. 

Então assim ela fez. Caminhou, em frente, e com um destino no seu horizonte. Destino esse que irá mudá-la e no entanto, fazê-la permanecer igual a si mesma. Lutadora, inteligente, trabalhadora, amiga e companheira, sábia. Irá ganhar e irá perder. Mas se há algo com o qual sempre poderá contar, vá para onde for, durante o tempo que for, é com as pessoas que ficam e que a amam e que sentem um enorme orgulho em terem alguém como ela nas suas vidas.

Vai e sê tu. Porque não há mais nada nem ninguém mais maravilhoso que tu. Sê tu e verás que estes dois meses valerão a pena.

Boa sorte M.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D