Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

22
Nov17

Muito honestamente...


alex

Ponderei bastante antes de começar a escrever este texto, pela simples razão de que o que vou falar aqui hoje não é algo sobre o qual queira gritar ao mundo que aconteceu. Mas aconteceu e sinto que preciso de exteriorizar o tumulto que vai dentro de mim, causado pelos acontecimentos deste fim-de-semana.

Este sábado passado alguém entrou em nossa casa e roubou-nos alguns pertences, com pessoas cá em casa. Entraram pela janela de um dos quartos, como não sabemos bem mas as janelas desta casa são velhas e pelos vistos fáceis de arrombar. Levaram dois computadores, uns quantos colares que deviam de achar que eram de valor, e algum dinheiro. O pior disto tudo não é terem levado coisas materiais. O pior foi que duas das minhas companheiras de casa e amigas estavam aqui, simplesmente a fazer a vida delas quando isto aconteceu. Uma delas estava na cozinha a lavar loiça e a outra estava na casa-de-banho a tomar banho, daí não terem ouvido barulho nenhum. Também duvido que a pessoa que cá entrou tenha feito assim tanto barulho quanto isso. O nosso chão é todo de carpete, excepto na cozinha, o que faz com que a detecção de alguém a andar pela casa seja mais complicada. A minha amiga que estava na cozinha sentiu uma presença atrás dela a certa altura e jura que viu uma sombra passar pela cozinha, mas julgou que era a minha outra amiga que tinha acabado de tomar banho e passado para o quarto dela. Entrarem pela janela de um dos quartos e depois saíram pela porta do quarto que dá para o jardim e levaram a chave. Se levaram a chave é porque tinham intenção de voltar. E isso deixou-nos ainda mais assustadas. 

A casa onde estamos é num condomínio fechado, com câmaras de vigilância e seguranças. E mesmo assim fomos roubadas. Provavelmente, estas pessoas têm como alvo este tipo de condomínios por serem mesmo isso: fechados e com segurança significa que tem pessoas ricas a morar lá. Somos ricas pessoas mas não temos nada de muito valor a não ser aquilo que levaram, que foi os aparelhos electrónicos e umas quantas libras. Não tendo contacto directo com o senhorio, contactámos a agência a quem alugamos a casa. Eles demoraram dois dias a virem substituir a fechadura da porta para a qual eles tinham a chave. Só hoje é que veio cá um senhor arranjar a janela. Andamos pela casa de faca na mão e evitamos ficar em casa sozinhas. Eu tenho dormido uma média de quatro horas por noite. Cada vez que os meus olhos se fecham, a mesma imagem surge diante de mim: uma figura alta, toda de preto, a cara tapada por uma máscara, a avançar na minha direcção como se me fosse fazer mal.

Violaram o nosso espaço. Eu podia dizer que nunca me senti tão violada como agora, mas outras experiências da vida não me o permitem. Contudo, no que toca a isto, é a primeira vez que me sinto tão...assaltada. Literalmente. Não há outra palavra. Esta casa é mais do que uma casa. É o sítio onde passamos grande parte do nosso tempo. É o lugar para o qual voltamos depois das batalhas que travamos com o mundo cruel todos os dias. O sítio onde podemos ser nós mesmas a 100%, sem medos, sem restrições. O sítio onde podemos ter um bocadinho de sossego e onde podemos relaxar, ser felizes durante um bocado nesta vida que pode trazer muita infelicidade com ela.

Não há nada que não me tenha acontecido este ano. 2017 para mim podia acabar já aqui. Foi, sem dúvida, um dos piores anos da minha vida. Não quero continuar a acordar todos os dias neste ano que me causou tanta dor e mágoa. Estou cansada, exausta deste ano. Foi uma sorte que não aconteceu nada a ninguém - estamos todas sãs e salvas. A parte sã não tenho tanta certeza, mas enfim. Contudo isso não chega. Nunca mais vai ser a mesma coisa. Esta casa da qual gostávamos tanto nunca mais vai ser a mesma. Nós também já não vamos ser os mesmos. Pensamos sempre que nunca nos acontecerá a nós, até que acontece. Eu sou daquele tipo de pessoa que não liga as luzes de casa sem precisar. Não ligo a luz do corredor se for só ali à casa-de-banho. A luz do meu quarto raramente está acessa. Agora parece que todos os interruptores de luz da nossa casa se avariaram e as luzes têm de estar sempre acessas. Se ouvimos o vento lá fora a arrastar as folhas caídas do outono ou se ouvimos os vizinhos de cima a andar pela casa deles, a nossa mão estica para tocar no cabo da faca que temos debaixo dos nossos colchões.

Assaltaram-nos a casa, mas fizeram muito mais do que isso. Mudaram-nos. Mudaram-me.

Filhos da puta. Onde quer que estejam, quem quer que sejam, espero que o pouco de valor que levaram vos tenha ao menos dado uns trocos suficientes para não repetirem o acto assim tão cedo. Uma parte de mim é isso que deseja. A outra só deseja que morram, muito honestamente.

18
Jan17

É mudar e pronto


alex

Mudar de casa não é fácil. Ainda me lembro quando nos mudamos para o Flat 1, já lá vai 1 ano e 4 meses, o stress e a confusão que foi. Fizemos a mudança em menos de um dia, mas foi tudo super apressado e estava tudo ao molho e fé em deus, como se costuma dizer. Contudo, há 1 ano atrás ainda não tínhamos acumulado metade das coisas que agora temos acumuladas nesta casa.

Nunca vi pessoas com tantas canecas, pratos, talheres, roupa, sapatos e coisinhas pequenas insignificantes. Isto já para não falar dos sacos cheios de roupa com bolor que levamos para pôr a lavar e a secar na casa nova. E os pequenos electrodomésticos? Ela é uma tostadeira, um micro ondas, uma chaleira, uma torradeira, uma máquina de fazer arroz, uma máquina de fazer batidos...e eu mando as mãos à cabeça sem saber como raio vamos conseguir transportar isto tudo no próximo domingo dia 29.

É certo que temos carro e a nova casa fica a cerca de 10 minutos de distância, a pé, desta, contudo, é sempre a subir. Ninguém está disposta a carregar malas e caixas super pesadas estrada acima, muito menos com o frio que tem estado. Ontem sai do trabalho e batia o dente, com 2 graus negativos que se faziam sentir e bem. Para piorar ainda mais a situação, ainda tenho um trabalho de 2,000 palavras para começar, a entregar no dia 27. Isto tudo mais o facto de que, vamos ter de limpar esta casa de cima abaixo, incluindo o maldito do bolor nas paredes, a razão maior pela qual decidimos mudar de casa. Ah! E todas nós temos de ir trabalhar e ir para a uni.

Escolhemos uma má altura. Mas se não for agora, se calhar só daqui a mais 1 ano. Esta nova casa foi um completo achado dos deuses. Apesar de os quartos não serem tão grandes como os que temos agora, a casa em si é muito maior, com um corredor amplo que facilmente podemos transformar num espaço comum para podermos conviver todas, tem duas casas-de-banho, o que é óptimo quando se vive com outras 5 pessoas, e, mais importante de tudo, tem uma máquina de secar roupa. Acreditem, nunca eu dei tanto valor a um electrodoméstico como uma máquina de secar roupa, até ter vindo para este país. Mas sobre isso falo num outro post futuro. 

Para além do mais, esta nova casa é num prédio dentro de um condomínio privado, com câmaras de segurança e portões. Fica a 2 minutos das paragens de autocarro que todas nós precisamos para ir para os respectivos empregos e fica a 5 minutos a pé da universidade. E a renda mensal é só mais cara 73 libras do que aquela que estamos a pagar agora para morar numa casa super velha, cheia de bolor, em frente à auto-estrada e completamente desprotegida.

Portanto, conclusão: é uma má altura para mudarmos de casa e virarmos a nossa vida do avesso, contudo, no que toca a mudanças, nunca há uma altura certa.

É mudar e pronto.

17
Out16

Saudade


alex

A última vez vos escrevi foi no dia 6 de Agosto. O texto foi sobre o meu primeiro ano aqui em Londres. 

Desde aí, aconteceu muita coisa.

Parei de vos escrever porque aconteceu tudo ao mesmo tempo. O mês de Agosto foi uma correria. O de Setembro nem o vi passar. E já estamos a duas semanas de acabar Outubro.

Acho que nada me assusta tanto nesta vida como o passar do tempo. O quão rápido ele passa e o quão por garantido nós o temos. Dois meses passaram-se desde que vos escrevi. Não sei se ainda existe um vocês, ou se já sou só eu. De qualquer das formas, escrevo de coração aberto para quem quer que queira ler e para quem quer que seja que ainda esteja por esse lado.

Em Setembro fui fazer uma viagem para a qual andei a poupar durante 1 ano. No dia 11 de Setembro de 2016, aterrei na Coreia do Sul, cansada, expectante e entusiasmada. Já há algum tempo que queria visitar este país, não só por nutrir uma imensa curiosidade pela cultura Asiática, mas também por gostar bastante do mundo de entretenimento da Coreia do Sul. Fui com a minha colega de casa, que partilha este gosto comigo e foram duas das semanas mais inesquecíveis da minha vida. Foi uma viagem com os seus altos e baixos mas dava tudo para poder voltar e explorar ainda mais daquele país.

É um país que me fez lembrar bastante de Portugal, em alguns aspectos. Enquanto que Londres pode parecer uma cidade fria, demasiado "posh" e grande, Seoul fez-me muitas vezes lembrar de Lisboa. Muitos espaços abertos, a vida nocturna semelhante à de Portugal, onde as luzes nunca se apagam, os restaurantes ainda estão cheios às 22h da noite e não a fechar portas como aqui em Londres, onde se vê pessoas na rua a comer, a beber uns copos em grupos e a rir e a falar aos altos berros, onde existem mercados com meias, cuecas, pijamas, sweaters, tudo a menos de 5 euros, onde existe comida de rua e pessoas a tentar fazer negócio.

Com certeza que vou escrever e contar mais sobre esta viagem num outro post, mas o ponto ao qual eu quero chegar é... depois de ter voltado da Coreia do Sul, a saudade de casa apertou e bastante. Já lá vão 4 meses desde que estive em Portugal, com a minha família. E é verdade que já fiquei 8 meses sem ver ninguém, sem poder abraçar os meus pais e dar um beijinho de boa noite à minha irmã. Comparado, 4 meses não é nada. No entanto, ter viajado para outro pais, do outro lado do mundo, onde consegui encontrar algumas semelhanças com Portugal, fez-me sentir uma saudade que há muito já não sentia.

Possivelmente, o facto de a Uni ter começado este mês e de estar mais atarefada e cansada do que nunca, pode ter contribuído também para esse sentimento de saudade que aperta a cada dia que passa. Talvez o facto de para o ano ser o meu último ano como estudante me está finalmente a deixar preocupada com o meu futuro.

Acho que todos esperam que eu regresse depois de terminar o curso. E uma parte de mim, a parte que sente esta saudade grande a cada dia que passa, também quer regressar. Mas a parte de mim que sempre quis uma vida dela, independente dos pais, quer ficar. Porque a verdade é que existem duas de mim.

A Alexandra de Londres e a Alexandra de Portugal.

A Alexandra de Londres é independente, paga as suas contas, se está doente vai ao médico sozinha ou com a companheira de quarto, se se sente sozinha engole as lágrimas e vê uma série ou lê um livro para ver se passa, trabalha o maior numero de horas que consegue e mesmo assim não é suficiente, sai quando quer, com quem quer, sem ter de dizer nada a ninguém.

E depois existe a Alexandra de Portugal. Que chega a casa e tem o jantar feito. Que come três refeições completas ao dia porque a mãe as faz para ela. Que nunca fica sem cuecas e meias lavadas porque a mãe lava-lhe a roupa e estende-a. Que quando tem um problema vai ter com os pais e eles ajudam a resolver. Que quando está doente, o pai lhe diz: queres ir ao hospital que o pai leva-te? Do que precisas que o pai vai-te comprar? E ele vai e ele compra as tais pastilhas para a garganta ou o xarope. A Alexandra que depende dos outros, que se apoia nos outros.

A saudade é uma palavra muito portuguesa e como tal, é um sentimento muito português também. A H. diz que eu estou a passar pela crise existencial dos 20, que basicamente é, duvidar de tudo e não saber o que quero fazer depois de acabar o meu curso. E é por isso que ando a sentir esta saudade. Porque a Alexandra de Portugal não tinha de saber o que queria. Tudo estava ditado para ela. E tinha duas bengalas chamadas Pai e Mãe. 

Aqui não há bengalas. A vida aqui é como caminhar numa corda bamba sem nada que nos equilibre a não ser nós mesmos. Sem rede de protecção por baixo, casa nos desequilibremos e caiamos. A vida aqui é a vida real. Não apaparicada. E por vezes demasiado dura.

Daí a saudade. A saudade da família, de Portugal que é um país muito mais quente do que Londres (e não só em termos do tempo!) e saudades dos tempos em que as coisas eram mais simples.

Mas este ano a sorte sorriu-me um bocadinho e vou conseguir ir a casa pelo Natal. As saudades não as vou conseguir matar todas, mas ao menos este ano vou poder sentar-me à mesa com a minha família e sorrir de orelha a orelha quando as vozes já vão tão altas que tudo o que oiço é ruído.

Mas ruído do bom. Ruído que apazigua a maldita saudade.

21
Set15

Preparada (?)


alex

Amanhã e Quarta vou fazer overnight shifts, ou seja, vou trabalhar das 22h da noite às 07h da manhã.

Quinta-feira estou de folga mas tenho o primeiro dia de orientação da Uni.

Daqui a nove dias vamos começar a mudar-nos para a outra casa.

Ainda não tenho o meu horário da Uni completo e preciso dele desesperadamente para poder fazer as alterações necessárias para poder trabalhar as 20h por semana que estão no meu contracto.

A Uni começa daqui a duas semanas.

Amigos, me desculpem se eu andar desaparecida durante uns tempos, mas paciência e tempo para escrever vão ser coisas escassas nas semanas que se avizinham.

Mas eu estou preparada! 

Acho que ... estou preparada (?)

11
Set15

O primeiro dia


alex

Hoje foi o primeiro dia, desde que cheguei, em que pensei para comigo mesma:

Se tivesse ficado no meu canto, em Portugal, tinha feito melhor.

Por uma única e simples razão - não tem a haver com o trabalho ou com o facto de estar longe da minha família.

Tem a haver com o facto de estar a disturbar a vida das pessoas que me deram um chão para dormir no último mês.

Sinto-me mal, tão mal que nem comer consegui. Sinto-me mal porque não sei o que fazer para demonstrar o quão mal me sinto e o quão agradecida a esta gente eu estou.

Hoje foi o primeiro dia, desde que cheguei, que desejei não ter vindo.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D