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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

08
Nov15

Vim só aqui dizer-vos isto


alex

Nada nesta vida é fácil. Absolutamente nada.

Nunca ninguém me preparou para esta vida que levo hoje. Nunca ninguém me sentou numa sala de aula durante 90 minutos e me ensinou a ser adulta.

Por isso eu ainda estou a aprender. Tenho 19 anos. Apenas 19 anos. E penso que por não parecer tão nova assim e por fazer o que faço, as pessoas à minha volta se esquecem. Ou então não querem saber.

De qualquer das formas não é justo. Não é justo eu matar-me a trabalhar e não ter tempo nenhum para mim e para a universidade e depois ainda me virem com merdas.

Eu dou o meu melhor. Eu faço o meu melhor. Mas no mundo dos adultos o nosso melhor não é suficiente.

Não vos escrevo há semanas e isso tem uma razão de ser: não tenho nada para dizer. A minha vida tem sido literalmente trabalho, trabalho, trabalho, universidade, trabalho, trabalho. Ando a trabalhar tanto que nem comer tenho comido. Nem dormir tenho dormido. Nem respirar quase que consigo.

Pedi os domingos de folga porque estou a chegar ao extremo. Consigo senti-lo e eu tenho 19 anos. Não posso cair para o lado já. Quase que me crucificaram. Se o olhar mata-se eu já estava enterrada. Eu nunca digo que não aquela gente. Eu faço o meu trabalho melhor do que muitos que já lá estão há mais de um ano. Eu sou uma pessoa que anda a estudar e mesmo assim, trabalhou 32 horas numa semana, para eles, sem deixar de sorrir fosse para quem fosse.

E eu pedi-lhes uma única coisa: os meus domingos. E juro que quase estive para as mandar à merda quando elas olharam para mim como se eu fosse louca. 

A loja não é a minha vida. Não é o meu futuro. Aquela loja é o meu ganha-pão. Não é o que eu quero fazer da minha vida, para sempre. 

Mas nunca ninguém me ensinou que neste mundo, ou se espezinha ou se é espezinhado. Principalmente em retail.

Principalmente em retail. Amigos, um conselho... só se metam nisto se estiverem mesmo desesperados. Porque de outra forma? 

Não vale a pena. É que não vale mesmo.

21
Mai15

Nem sempre


alex

Os ânimos na loja não andam lá muito bem. Aqui a vossa amiga plantou uma semente que deu um fruto muito grande e agora estou com receio de levar com ele na cabeça.

Sempre ouvi dizer que o cliente tem sempre razão. E eu aprendi isso no único mês que estive no call center. Bastou-me uns dias a atender telefones numa das linhas mais atarefadas do país para perceber que lidar com clientes não é fácil e não é, de todo, para todos.

A diferença entre o call center e a loja é que aqui dou a cara, enquanto no call center só dava o nome e a voz. E bem dito aquele botão chamado mute que me permitia bufar e dizer umas quantas asneiras quando o cliente estava do outro lado da linha a reclamar que estava sem gás. Aqui não tenho botão de mute. Aqui tenho de pôr um sorriso nos lábios e não deixar que os meus olhos demonstrem o que realmente sinto.

Os meus olhos traem-me sempre e para quem for atento, vê logo. 

O cliente tem sempre razão - na teoria até pode ser assim, mas na prática as coisas são diferentes. 

Hoje perdi a compostura. Deixei as minhas emoções levarem a melhor durante uns segundos e foi o suficiente para se instalar aqui mau ambiente quando cá estou eu e a minha patroa juntas (que, digamos não é mais do que uns cinco minutos, visto que assim que eu chego ela começa a arrumar para ir embora), mas é desconfortável.

Hoje estive mesmo para mandar um cliente à merda. A chamar-me mentirosa e a fazer com que eu ficasse mal vista perante os meus patrões. Estive no limite e não sei bem como, consegui recuar a tempo. Não caí.

Mas desequilibrei-me. Essa merda do cliente ter sempre razão às vezes é só mesmo isso - uma bela de uma grande merda.

Há que saber lidar com as pessoas, certo. Mas há pessoas que simplesmente não querem ser lidadas a bem. Uma pessoa que berra à outra, que lhe chama mentirosa e aldrabona e que ofende não tem razão. A partir do momento em que se ofende a pessoa que está deste lado, a admitir o seu erro mas a tentar fazer ver que parte da culpa também caí nos ombros de outrem, perde-se a razão.

Por isso é que me virei para a minha patroa e lhe disse que os clientes não têm sempre razão - mas que têm sempre a mania que têm o rei na barriga, ai isso têm.

Ela não gostou muito.

E eu? É para o lado que durmo melhor, porque hoje fui enxovalhada o suficiente para me durar uma vida inteira.

Há dias em que só apetece mesmo gritar ao mundo - deixem-me ser pequena outra vez que esta merda de ser adulto não presta nem um bocadinho.

19
Mai15

Boo


alex

Um dia, num futuro distante, quando eu for desta para melhor e virar fantasma, vou atormentar tanta gente.

Vocês não têm ideia... Vão ser os melhores anos da minha vida - pós-morte.

19
Abr15

Doida


alex

Este fim-de-semana soube-me a pouco. Tive um sábado atribulado, a trabalhar de manhã, almoçar com a avó que fez anos e a família de tarde, andar de transportes para lá e para cá porque não temos carro, carregada e deserta para chegar a casa e cair na cama. Hoje não fiz nada - li, vi séries, comi e quase não me levantei da cama.

A vontade de o fazer por vezes é muito pouca, a cada dia, cada vez mais. 

Ás vezes pergunto-me porque é que sou tão teimosa, tão casmurra. Porque é que gosto de complicar o que já é complicado por si só, porque é que pareço enveredar sempre pelo caminho mais longo e difícil.

Pergunto-me porque é que não posso ser mais como eles - não ter tanta sede de tanto e ser feliz com menos. Porque é que não posso ter o mesmo passe livre que os outros - porque é que tenho de andar aqui às voltas, aos murros e pontapés ao ar, a perseguir a minha própria sombra como se fosse um cãozinho a correr atrás da sua própria cauda.

Porque é que quero voar tão alto quando há tantos que são felizes a voar baixo ou simplesmente a planar. Porque é que eu gosto de me pôr nestas situações em que passo mais dias a chorar do que a sorrir, na esperança desesperada de chegar onde quero.

Porque é que sou teimosa ao ponto de não desistir mesmo quando quero desistir. Porque é que bato com a cabeça todos os dias, magoando-me e mesmo assim, me levanto no dia seguinte só para bater com a cabeça mais um pouco.

Porquê?

Sou doida. É a única resposta que encontro. Sou completamente doida. 

E nesta doidice, ainda acredito que vou conseguir. O tempo está a correr à minha frente, a olhar por cima do ombro e a deitar-me a língua de fora. E eu sorrio-lhe de forma maliciosa; doida.

Porque mesmo na incerteza, mesmo na vontade de desistir, mesmo por entre lágrimas de frustração e desespero, a doidice prevalece.

Sou doida. Mas sendo algo que não isso, não tinha chegado até aqui e sei que não chegarei onde quero - a verdade que por vezes me custa a engolir é esta.

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