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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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18
Dez17

Ainda sobre o assédio...

alex

Como não visito o blog com tanta frequência como dantes, não me apercebi que o post que fiz sobre assédio e sobre o programa da SIC foi destacado pelo Sapo Blogs. Mais do que qualquer outro post meu que já esteve destacado na página inicial do site, este é que estou mais feliz e orgulhosa por ter aparecido por lá. 
É essencial envolver todo o tipo de pessoas neste tipo de discussão e falar sobre este tema. Nunca foi tão importante como agora falar sobre este assunto, porque quanto mais falamos sobre ele, mais dificilmente ele fica esquecido numa gaveta e mais dificilmente continua a acontecer sem ninguém fazer nada.

Eu vou continuar a fazer a minha parte, a falar sobre o assunto, tanto aqui nesta plataforma, como noutras que possuo e na minha vida pessoal também. Façam o mesmo, não custa muito!

29
Nov17

E se fosse contigo?

alex

Há uma semana atrás estava na paragem de autocarro, como se de outro dia qualquer se tratasse, quando um grupo de homens, visivelmente bem mais velhos do que eu, sai do centro de emprego ao pé da paragem e se vem sentar ao meu lado.

Estava 1 grau naquele momento. Eu estava coberta da cabeça aos pés, apenas com os olhos e o nariz de fora. Como sempre, de phones nos ouvidos a ouvir música, andava pelo Instagram a gastar dados móveis, quando sinto o senhor a tocar-me no ombro. Perguntou-me o meu nome. Não lhe o disse. Perguntou-me se eu estava com frio. Eu disse que não e virei-lhe a cara. Voltou a tocar-me, desta vez no braço. Cheguei-me para mais longe dele. Ele desliza para perto de mim. Eu pergunto-lhe qual é o problema dele. Ele, com cara de gozo responde-me:

"Para que é usas essa maquilhagem toda se depois não queres ser abordada por homens? Não queres falar comigo porquê? Achas-te boa demais para mim, é?"

E nesse instante, a mão dele tenta tocar na minha perna mas os meus reflexos permitem-me ser mais rápida. Levanto-me de um ápice e respondo-lhe da forma mais contida que consigo:

"Eu maquilho-me porque gosto. Eu estou a usar maquilhagem, não estou a usar uma fita na testa que diz "por favor estranhos, venham ter comigo e assediem-me."

"Deixe-me em paz."

Ele ri-se e os amigos acompanham. Eu afasto-me o máximo que posso deles, porque preciso de ficar na paragem para apanhar o autocarro para ir trabalhar. Há quem tenha vida e mais que fazer do que assediar pessoas na rua. Mas mesmo assim, não desistiram. Vieram ter comigo e continuaram a dizer coisas, que sinceramente, não valem a pena serem repetidas. O autocarro chegou, entrei e rezei para que eles não entrassem atrás de mim. Não vieram.

Esta é só uma das muitas situações às quais, enquanto ser humano e mulher, já fui sujeita ao longo da minha vida. Já falei de assédio sexual aqui muitas vezes. Mas nunca é demais falar sobre este assunto, porque acontece a toda a hora, todos os dias, enquanto eu escrevo este texto e enquanto vocês o lêem. Está sempre a acontecer e não há muito que nós possamos fazer, enquanto vítimas. É nojento, degradante e tem, de alguma forma, de ser parado. Ontem vi o episódio mais recente do "E Se Fosse Consigo" da Sic, um programa apresentado pela Conceição Lino, que pega em temas da actualidade e os apresenta à sociedade de uma forma que ainda não tinha visto nenhum programa em Portugal fazer.

O que eu tirei deste episódio foi que, a maioria das pessoas que vieram em defesa da rapariga foram, de facto, outros homens. Porquê? Porque as mulheres têm medo. Nós vivemos em constante medo e em constante impotência. Algumas até acharam piada e disseram que a rapariga devia ter entrada na brincadeira. Nenhuma das testemunhas sabia de ante mão que aquilo era falso, uma cena representada por actores para o programa. É muito triste ver que a realidade é esta, não só no meu país, mas aqui em Inglaterra também e em tantos outros espalhados pelo mundo. Não podendo fazer muito, fico contente por haver algo a passar na televisão que expõe este problema na nossa sociedade, e que divulga este mal que tem de ser cortado pela raiz.

Se ainda não viram e tiverem um tempinho, dêem uma olhada no episódio completo e divulguem. O assédio é crime, ao contrário do que a lei diz. Não há como negar. É crime e tem de ser parado. Apelo que, se alguma vez forem testemunhas de assédio, não fiquem parados a assistir, não virem a cara, não ignorem. Chamem a polícia, vão lá vocês, não sei, façam algo. Tudo menos ignorar. Podia ser a vossa filha, a vossa prima, a vossa irmã, a vossa tia, a vossa melhor amiga. Se ainda há pessoas que se perguntam se isto é realmente um problema ou não, façam antes esta pergunta a vocês próprios e aos outros:

E se fosse contigo?

 

 (Eu vejo os episódios no website oficial da sic mas não estava a conseguir adicionar o video do site deles mas, pelos vistos, também dá para ver no Youtube)

12
Abr17

Sou mulher

alex

Eu acho que já toquei neste assunto aqui no blog. Contudo, já lá vão quase 5 anos desde que o criei, portanto é mais do que certo que os assuntos se vão repetindo de vez em quando. No entanto, este é um daqueles assuntos sobre o qual nunca é demais escrever, sobre o qual nunca é demais falar ou discutir.

Assédio sexual.

Um tema que gera muita polémica, sempre gerou e que vai continuar a gerar. Este domingo passado, estava a vir para casa depois de um turno bastante cansativo na loja. O dia tinha corrido mal, e a única coisa que me alegrou foi sair do trabalho às 18h30 e ver o tempo espectacular que estava. Ultimamente tem sido assim por aqui, temos tido um tempo espectacular. Vinha eu para casa com a A., visto que tínhamos estado a fechar a loja juntas, e quando saímos do autocarro damos por nós a ser seguidas por um individuo alto, que estava a tentar abordar-nos. Eu só reparei quando já estávamos para atravessar a estrada, porque vinha na conversa com a A. e simplesmente pensei que o individuo vinha a falar ao telemóvel ou algo do género. Mas não. Ele tentou abordar-nos à força toda e eu disse para a A.: Ignora, continua a falar para mim e nem olhes para ele.

Ele não desistia. Às tantas, deve ter ficado envergonhado o suficiente para se virar para nós, nos ofender e virar costas. Sim, ofendeu-nos. Porque não lhe demos conversa. Porque não pactuamos com o assédio dele. Porque sim, o que ele estava a fazer era assédio. E já não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que algo deste género ou pior nos acontece neste país. Não quero ser injusta e dizer que os homens aqui são mais assim ou mais assado, porque assédio sexual existe em todos os país e recantos do mundo. Contudo, desde que me mudei para cá que já foram mais as vezes em que fui assediada do que as não fui. No meu país também o era, mas não da forma que sou aqui e não tão gravemente. Em Portugal o máximo a que chegou foi ser assobiada por um velho coitado sentado à porta de um café. Aqui já tive homens a agarrem-me e a não me quererem largar.

Mas tenho mais histórias. No outro dia estava a falar com uma outra amiga e ela estava-me a contar que, nesse dia, às 8h e tal da manhã quando saiu de casa para ir para a uni, um carro com dois homens seguiu-a até à paragem de autocarro dela, sempre a fazerem-lhe perguntas inoportunas e a tentarem com que ela fosse com eles sabe-se lá para onde. Outra - a mesma amiga que vinha comigo para casa no domingo passado já foi abordada mais do que uma vez na rua pelo mesmo individuo. Quando ainda vivíamos na outra casa e tínhamos de caminhar uns 10 minutos a pé da paragem até casa, ele aparecia-lhe sempre à frente e tentava "engata-la".Tentou muitas vezes segui-la até casa, mas ela conseguia sempre esquivar-se ao ligar para uma de nós ou a ir para a uni. 

Uma rapariga que estudava comigo o ano passado foi às compras e o segurança do supermercado passou o tempo todo atrás dela a mandar-lhe bocas e a dizer-lhe o quão "gostoso" era o rabo dela.

Uma pessoa está na paragem de autocarro e o homem do centro de emprego está à porta a fumar e começa a fazer olhinhos e a lamber os lábios de forma "sedutora" para nós. 

Isto é RIDÍCULO. E quem quer que ache o contrário é igualmente ridículo/a. Não quero ser aquela pessoa que diz que só as mulheres é que sofrem assédio sexual, porque tenho plena noção de que também há homens que passam por isso. Contudo, sou mulher e a maioria dos meus amigos são mulheres que, como eu, já foram assediadas de todas as formas e feitios que existem. Eu tenho o direito de andar na rua sem querer que um estranho venha pôr conversa comigo e me pressione a dar-lhe o meu número e outras informações pessoais. Tenho direito a andar na rua sem ter que olhar constantemente por cima do ombro, com receio de estar a ser seguida. Tenho o direito a não ser agarrada no meio da rua por pessoas que não conheço, tenho o direito a não ser ofendida por um individuo com o ego magoado porque eu nem me dignei a responder à sua tentativa de engate. Tenho o direito a ser mulher sem ter medo de o ser.

E os homens não entendem isto. Os homens andam na rua sem medo. Nunca, mas nunca, eu vi uma mulher chegar-se ao pé de um homem no meio da rua e fazer uma das coisas que eu mencionei neste texto ou outra qualquer que possa ser classificada como assédio. Nunca. Pode já ter acontecido, mas não é comum. Enquanto que, no que toca a nós, é o pão nosso de cada dia. Devíamos ficar felizes, dizem eles. Devíamos considerar-nos sortudas e ficar lisonjeadas! Um homem quer o nosso nome, número e código postal , devíamos lançar foguetes e fazer uma festa meninas! Então? Que tontas que nós somos por nos sentirmos ameaçadas ou incomodadas com tal coisa! Desde que eles não nos toquem não é assédio!

Errado. Completamente errado. É assédio a partir do momento em que eu claramente recuso os avanços de alguém e essa pessoa se continua a insinuar. É assédio se fazes a outra parte sentir-se desconfortável ou ameaçada ou amedrontada ou enojada. É assédio e ponto final. E sinceramente, eu gostava que todos os homens sentissem na pele, por uma só vez que fosse, aquilo que nós mulheres sentimos quando somos tratadas como se fossemos objectos; troféus.

Porque sim, eu sou capaz de andar no meio da rua, seja sozinha ou acompanhada, ver uma pessoa que me desperta interesse, que eu acho atraente, mas não me dirijo a ela e começo a fazer perguntas inoportunas, ou não a agarro, nem a tento seguir até casa. E é isto que eu não entendo. Será que há mesmo mulheres que gostam deste tipo de situações, que se dão assim a estes homens e é por isso que eles continuam a agir como agem? Será que eles são bem sucedidos ou será que, são apenas estúpidos? A minha dúvida é esta. Será que, pelo amor de Deus e eu nem sou católica, a única cabeça com que os homens pensam é com a que têm no meio das pernas?

E será que, pelo amor de Deus, outra vez, posso alguma vez andar na rua sem ter de ser assediada? O que é que uma mulher tem de fazer para andar na rua sem ser alvo de assédio? Andar com saco do lixo vestido? Uma caixa de cartão na cabeça? Tenho direito a andar na rua como bem quiser e me apetecer, seja de calças de ganga, t-shirt, vestido, tapada da cabeça aos pés, sem ter de me sujeitar às merdas a que estes tristes nos sujeitam!

Sou mulher. E tenho direito a sê-lo sem ter medo de o ser. Percebam isso gente! 

24
Abr15

Falando de coisas sérias

alex

Tenho este texto a marinar na minha mente já há algum tempo. Não vou pedir desculpa se com as minhas palavras ofender algum membro do sexo masculino mais susceptível a encarar uma crítica feita ao seu sexo, no geral, de forma pessoal.

Com isto, aqui vai: Como mulher que sou, odeio quando os homens assediam uma mulher na rua.

Há, infelizmente, bastantes exemplos que posso usar para desenvolver a frase acima. Mas basta usar o mais comum que eu aposto que acontece a muitas mulheres - vamos simplesmente a andar na rua e há homens que nos devoram com os olhos, que nos mandam aqueles piropos foleiros e que tentam manter conversa connosco. Depois há aqueles que ultrapassam os limites - seguem-nos sem se calarem e sempre a tentarem com que nós lhes digamos o nosso nome e número de telefone.

Não se admirem, e não pensem que isto é inventado, porque já me aconteceu. E não me venham dizer que muitas vezes é mania da perseguição por parte das mulheres ou que somos convencidas ao ponto de achar que aquele homem está a olhar para nós de forma imprópria, porque a verdade é que eu cá não preciso de um homem com idade para ser meu pai a comer-me com os olhos para me sentir bem comigo própria, nem tal é motivo de gabarito junto de seja quem for.

Isto acontece! Há muitos homens que assediam mulheres, jovens raparigas no meio das ruas e não é preciso elas estarem de top acima do umbigo e cachecóis-saias para isso acontecer! Um simples vestido pelos joelhos com collants e umas botas são motivo para alguns acharem que podem simplesmente abordar uma mulher no meio da rua ou mandar uma boca nojenta para o ar.

Acho que como sociedade desvalorizamos bastante este fenómeno, mas isto deixa-nos bastante desconfortáveis na nossa própria pele! Sentimos que não podemos sair à rua de calções quando está sol ou de vestido de alças quando está calor e como tal, sei de pessoas que nem se atrevem a vestir as roupas que por vezes gostam com receio de serem olhadas e abordadas. É uma falta de educação enorme e é, na minha opinião, algo completamente desnecessário! Se uma pessoa quer abordar outra no meio da rua, não o faça com frases do género: Gaja boa, anda cá! Elaaaah!

Mas nós somos o quê, um pedaço de carne pronto a ser trincado por um bando de cães rafeiros?

É daquelas coisas que me dá imensa comichão, esta falta de bom senso e de boa educação por parte de certos indivíduos do sexo masculino. Normalmente, os tais são sempre homens com idade já para terem juízo e saberem manter o amiguinho dentro das calças, mas no entanto são sempre esses que abusam.

Eu não vou deixar de usar vestidos ou calções ou seja o que for, porque eu não ando aí a mostrar as nádegas no meio da rua ou a mostrar o meu decote a quem quer e a quem não quer ver. Mas também não sou obrigada a ser um burrito humano quando estão 30º,35º! 

Nós não temos de nos sujeitar a este tipo de situações, muito menos evitar vestir isto ou aquilo com receio de tal nos acontecer quando vamos a caminho do trabalho ou da escola.

Olha para uma pessoa não é crime nem incomoda ninguém - mas há que entender que olhar um bocado e depois desviar o olhar é uma coisa, outra é olhar fixamente, sorrir de forma sugestiva e ainda fazer comentários - porcos, que não tenho outro adjectivo para lhes atribuir - e não é correcto!

Não sei se sou a única que pensa assim ou se estou a ser demasiado radical, mas acreditem quando digo que isto é um assunto sério do qual se fala pouco, porque tanto como de experiência própria como por experiências de amigas minhas, sei que isto é bastante desconfortável para nós, mulheres.

 

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