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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

27
Jul15

Será complicado, mas não impossível


alex

Perguntaram-me se eu não tenho receio de perder os (poucos) amigos que tenho por ir mudar de país. Sinceramente, e não querendo parecer fria ou que não adore os meus amigos do fundo do meu coração, esse é o menor dos meus males.

Mas a questão não é essa. A questão é que, a meu ver, as amizades não se perdem só porque mudamos de país. Às vezes estamos a dez minutos do nosso amigo, vemo-lo todos os dias e ainda assim, a amizade perde-se.

Tem tudo a haver com o tipo de amizades que temos e com o tipo de pessoas que somos. Antigamente, perdi muitas amizades simplesmente porque, gradualmente, nos fomos afastando. Pessoas que na altura, eu julgava serem imprescindíveis na minha vida e que agora, ao olhar para trás com uma mente mais crescida, vejo que tal não era o caso.

Uma pessoa não tem de se falar todos os dias para ser amiga de outra. Não temos de combinar cafés todos os dias ou almoços todos os fins-de-semana. Os amigos são aqueles que guardamos sempre no nosso coração, não na nossa agenda.

É claro que vai ser estranho não puder mandar mensagem ao P. e perguntar se ele quer ir almoçar ou ir dar uma volta. É claro que vai estranho não puder ir passear a Lisboa com a D. É claro que vai, mas a realidade é que nós não podemos andar todos atrelados uns aos outros para o resto das nossas vidas.

As pessoas crescem e cada uma começa a construir o seu caminho individual - é o curso natural da vida. Mas eu acredito piamente que, se temos as pessoas certas no nosso coração, de lá elas não saem assim tão facilmente.

A distância pode ser um grande obstáculo, mas não é por isso que vou esquecer as pessoas que tenho aqui e que sempre me apoiaram, especialmente neste último ano que foi tão difícil para mim. 

Não tenho receio de perder os meus amigos não - primeiro porque eles não são muitos e depois porque eles são bons. Muito bons, aliás. Já passamos por tanto juntos, durante tantos anos, que não há-de ser este factor que vai quebrar isso.

Tudo se consegue com vontade, e eu se hoje estou aqui a dias de partir para começar uma nova vida, é porque tenho vontade para dar e vender - e tal aplica-se também às amizades.

Naturalmente, o tempo vai ser menos, vou estar a acostumar-me a uma nova rotina, vou estar a trabalhar e depois a trabalhar e a estudar.

Mas conseguimos sempre fazer tempo para os que nos são importantes. E se não fazemos... é porque no fundo, essa pessoa não é assim tão importante quanto pensávamos (e isto dá para os dois lados...)

24
Mar15

Sem volta


alex

Ás vezes custa aceitar que as coisas estão diferentes. Que tudo mudou. Que o que dantes era regra, hoje é excepção. Que o que dantes era familiar, hoje é quase como um estranho. É difícil aceitar que as coisas não voltam nunca a ser o que eram, por muito que nos esforcemos.

No entanto, tais tarefas para mim, já não são penosas. Já não custam. 

Acho que deixei para trás, em conjunto com tantas outras coisas e pessoas, a parte de mim que lamentava as perdas que se vai sofrendo pelo caminho da Vida. 

A ausência do que era, no que agora é, já não me traz dor, saudade ou mágoa. Estou tranquila comigo própria e talvez seja por isso que já não me cause transtorno tanta falta de familiaridade. Talvez seja por isso que já não estou de luto pela vida que tive, pelas pessoas que tive, pela pessoa que era.

Porque estou tranquila em relação ao esforço que fiz no passado para tentar manter um presente que, na realidade, nunca teve um futuro. Porque me apercebi que por vezes, a vida é mesmo isto - caminharmos sozinhos até encontrarmos a pessoa certa com quem caminhar de mão dada.

Estou feliz por todos aqueles que encontraram a quem dar as suas mãos. Certamente que eu também irei encontrar a quem dar a minha... longe daqui, num futuro que anseio mesmo que haja a probabilidade de vir a não gostar dele.

É por isso que não me assusta tanto a ideia de partir como deveria. É por isso que os meus medos são outros.

Porque hoje sou uma pessoa que lida perfeitamente bem com o curso natural da Vida. Ela é mesmo assim. As coisas são mesmo assim. O tempo passa, as cores mudam e a forma de pintar também.

Não há nada de mal nisso e não há culpados nem vitimas. É assim. 

Se dantes chorava sobre leite derramado e águas passadas, hoje sorrio por saber que, ao longo deste percurso que já fiz aqui, ganhei e aprendi muito. Todas as perdas foram um ganho no sentido em que me ensinaram a aceitar o curso natural das coisas.

Na minha Vida já não há espaço nem tempo para perseguir passados sem presente ou futuro. Já não existe espaço para chorar pelos cantos devido ao quanto tudo mudou e em como a minha Vida está completamente diferente.

Agora já só tenho espaço e tempo para pensar no que ainda tenho pela frente. Só tenho tempo e espaço para a minha família, para os poucos amigos a quem ainda posso chamar de tal e para as mudanças que ainda me esperam.

Aprendi a não lamentar as mudanças, mas a aceitá-las de braços abertos.

Ás vezes deixamos de ter espaço e tempo para certas pessoas. E isso não é pecado nenhum. É pecado quando nos obrigamos a agarrar a algo ou alguém que já não nos traz nada para além de memórias de um tempo que já não volta.

E também temos de aprender a aceitar isso. Que há tempos, pessoas - incluído as que nós já fomos - que já não voltam.

Há coisas que, por muitas voltas que dêem, já não têm volta a dar.

29
Jan15

Tu és tu e eu...


alex

Há coisas que, por mais que tente, não consigo compreender. Consigo simpatizar com a pessoa e com o assunto em questão, mas é daquelas coisas que só passando por elas é que eu poderia compreender totalmente e falar de boca cheia.

Eu sou daquele tipo de pessoa que senão fizer as coisas, não descanso só porque os outro as fazem e me contam as experiências deles.

Eu tinha uma professora no 11º ano que chegou a discutir isto comigo em plena aula de História A. Porque estávamos a dar já não sei bem que matéria e a mesma podia ser relacionada com a situação actual do nosso país.

E eu disse algo do género:

"A História pelos vistos, repete-se. As pessoas não aprendem com os erros dos outros, não verdadeiramente. Têm de errar elas próprias, bater elas com a cabeça para saber o quanto dói."

A mulher quase que me comeu viva e eu, não querendo discutir com uma Alexandra (o nome da professora) porque só eu sei o quão teimosas e obstinadas elas são (não estou a falar de mim, não....ahah) dei a conversa por terminada ali.

Para ela, as pessoas conseguem saber exactamente o que fazer e como agir consoante as experiências dos outros; para ela, os erros dos outros são lições para nós.

Até podem ser - mas para mim serão sempre lições vazias. Porque eu não consigo saber exactamente o que a pessoa em questão sentiu ao fazer determinado erro.

Ou neste caso, eu não consigo sentir a aflição que a pessoa minha amiga sente ao pensar em ir também ela para o Reino Unido (ela vai para outra universidade, noutra cidade) e deixar cá a família, mais precisamente um dos membros dessa.

Consigo perceber o sentimento de tristeza em ter de deixar cá pessoas que ela ama acima de tudo - eu vou deixar pais, irmã e avós. Só de pensar vêm-me as lágrimas aos olhos. Mas consigo viver com isso. Consigo viver com o facto de me ir embora, enquanto eles cá ficam. Consigo viver com isso, se calhar, porque tenho um pouco de egoísta em mim.

Por muito que goste de pensar e dizer que não, a verdade é que só alguém um bocadinho egoísta é que é capaz de deixar a família num país e ir para outro, para ir em busca de uma educação melhor para si mesma.

Para ela, segundo me parece, é diferente. Mas ela tem razão - eu não consigo perceber o quão diferente é, porque não sou eu. E acho que por muito que nós queiramos, e por muito que simpatizemos com a situação de outrem, nunca vamos conseguir dar aquela palavra de conforto certa, aquele conselho que vai fazer com que a aflição alivie um pouco dentre deles.

Eu acho que há uma razão para o facto de, de tempo em tempo, nos sentirmos sós. Porque a verdade é que, ás vezes, o estamos - sós. Podem haver pessoas em situações semelhantes às nossas; pessoas em situações bem piores. Mas elas não são nós, não sentem o que nós sentimos, não pensam da mesma maneira que nós pensamos.

Voltamos aquela conversa que eu já tive aqui de sermos todos diferentes. Ultimamente tenho-me apercebido imenso disso. O quão diferente somos e o quanto, por vezes, essas diferenças podem tanto servir de barreiras como de elos de ligação entre nós.

Neste caso, é uma barreira. O facto de eu ser, talvez, mais de casca rija e racional (e lá está, egoísta ao ponto de ir para outro país em busca de algo melhor para mim, deixando cá família) e o facto de ela ser mais de casca mole, muito sentimental e demasiado apegada à família, faz com que eu não a consiga ajudar da maneira que gostaria.

É claro que eu vou sentir imensas saudades. É claro que vou perder uma parte do meu coração quando me for embora e vir a minha família parada, sem me seguir.

Mas não deixo que isso, por um segundo, seja a origem das minhas dúvidas, inseguranças e ansiedades. A origem dessas para mim são outras, muito mais difícil de controlar porque não depende bem de mim (mas sim do facto de eu conseguir manter este emprego para poder pagar tudo até ao fim).

Gostava de conseguir fazer mais - mas lá está. Só se eu fosse ela.

E eu...sou eu.

17
Jan15

Fico assim


alex

Agora mesmo, ao responder a um comentário (e já agora, agradeço a vocês que deixam as vossas palavras na secção dos comentários, eu fico sempre deliciada e admito que ao fim de quase quatro anos de blog ainda um pouco admirada que exista quem leia o que eu escrevo e se dê ao trabalho de comentar) escrevi algo que me saiu sem eu sequer ter de pensar nisso.

Quando li o que tinha escrito, foi como se uma luz se estivesse acesso na minha mente e finalmente, percebi.

Somos todos diferentes. Como tal, eu não posso esperar dos outros aquilo que eu mesma lhes dou. Não posso de forma alguma criar expectativas com base na pessoa que eu sou, com base na forma como eu trato e lido com os meus, na forma como eu ajo e vivo. Assim como não posso criar expectativas acerca de uma pessoa que não conheço, não posso criar expectativas em relação às pessoas que conheço.

Porque se as conheço sei que elas não são eu. Aliás, ninguém é eu. Eu sou eu. Por isso, e como somos todos diferentes, eu não posso esperar dos outros aquilo que eu lhes dou.

Porque eu sou eu e eles são eles. E apesar de muitas vezes desejar que me dessem a mim o que eu dou aos outros, isso não é possível porque ninguém é igual.

Então e perante isto, o que é eu faço? Deixo de ser eu? De ir ao salvamento de todos os que amo sem pensar uma vez em mim; de estender a mão quando a pessoa não merece nem a ponta do meu dedo; de me sacrificar e de aturar coisas que muita gente não aturaria; de depender tanto da felicidade dos outros para que eu própria possa sentir-me minimamente feliz?

Deixo de ser esta pessoa e passo a ser como eles? Se não os podes vencer, junta-te a eles, é assim?

Mas eu já tantas vezes que tentei e ainda mais foram as vezes que falhei.

Não consigo. Ficamos assim.

Somos todos diferentes, por isso, não posso esperar que os outros me dêem o que eu lhes dou de mim.

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