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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

Something New

Quase, quase!

Faltam dois dias. As prendas já estão compradas. A mala quase feita. O check-in feito e o bilhete do autocarro comprado.

Tenho andado a sofrer bastante no trabalho. Ser Key Holder não é brincadeira. Mas ando a gostar do novo desafio, apesar de tudo. É uma loja com um ambiente muito melhor, sem dúvida, e ajuda o facto de eu ser amiga de quase toda a gente que lá trabalha. Quanto à carga de trabalho, é sempre assim antes de ir de férias. É quando trabalho mais e mais horas para ao final do mês não ressentir.

Mas a verdade é que, por muito que chore e berre e me queixe, no fim vale sempre a pena. Porque vou poder voltar a passar o Natal com a minha família, quase dois anos depois da última vez que passei o Natal com eles.

E não há recompensa melhor que essa.

E o melhor? Só os meus pais é que sabem. Mal posso esperar para ver a reacção do resto da família, especialmente dos avós...

Estou tão feliz! E como já não devo passar por aqui antes do dia, desejo a todos um feliz Natal, recheado de amor, carinho e alegria, boa comida, bons familiares e bons amigos!

Aproveitem porque eu cá vou aproveitar ao máximo!

Só faltam os progenitores!

A menos de um mês do Natal, as prendas já estão pensadas e no carrinho de compras prontas a serem compradas assim que o dinheiro cair na conta esta sexta-feira (acho que o dia mais feliz e infeliz da minha vida é sempre o pay day, pois sinto-me rica e pobre tudo num só dia, mas enfim.)

Contudo, falta-me sempre prendas para duas pessoas - a mãe e o pai. Sou só eu que me encontro perante esta dificuldade todos os santos anos? Não que eu não saiba o que os meus pais gostam, o problema é que já lhes dei prendas durante tantos anos, que quantos mais anos passam, menos opções vou tendo.

Claro que depois também não ajuda o facto de eles já estarem a ficar com aquela conversa de velhotes (como eu lhe chamo) em que me dizem: "Oh filha não precisamos de nada, não te preocupes!" Ora bolas, agora que tenho um trabalho semi-estável e sou capaz de oferecer presentes aos meus com o dinheiro resultado do meu suor, sangue e lágrimas, é que eles começam com esta cantiga?

Eu sei que só o facto de ir a casa este ano é mais do que um enorme presente para eles. Mas eu gosto de lhes dar um mimo, mesmo que seja pequeno ou insignificante, adoro embrulhar os presentes para eles e pensar que estou a oferecer algo que eu comprei com o meu dinheiro às duas pessoas que sempre fizeram de tudo para me poderem dar o que eu precisei para crescer bem ao longo da minha vida.

Já procurei no Youtube, no Google, em sites, no Instagram e no Pinterest. Nada. Nenhuma ideia que me encha as medidas e que esteja dentro de um preço razoável para a minha pessoa.

Já tenho prendas para todas as outras pessoas. Para a família do Flat 1, para as amigas da Uni, para a minha pequena e até para mim mesma!

São sempre o desafio, os dois progenitores...

Christmas is in town

Certo como o sol nascer, no dia 1 de Novembro já o centro comercial estava a ser decorado a rigor para a época natalícia.

O Starbucks em frente à minha loja mudou as cores para o vermelho e o Toffee Nut Latte reapareceu em conjunto com tantos outros. 

Recebemos na loja o CD novo com as músicas de Natal. Lá andamos nós a cantar "Santa Claus is coming to town" enquanto apanhamos roupa do chão, carregamos com caixas escada acima, escada abaixo e saltamos para dentro de provadores (essa é uma história para outro dia...)

Já não temos um segundo para respirar naquela loja, de tanta afluência que já estamos a ter. Os fechos já se prolongam para lá das 22h e a Black Friday é já para a semana.

Já ando pela Amazon à procura de prendas engraçadas e baratas para oferecer à malta cá de casa. 

Conto as horas que faltam para o dia 22 de Dezembro, o dia em que voo para Portugal. Conto os minutos para poder abraçar os meus pais e a minha pequena, que de pequena já não tem nada e já me usa sutiãs!

A época natalicia e tudo o que ela implica já chegou. A árvore cá em casa já está de pé e já brilha. O Jackson é especialmente um grande fã dela... e só o facto de ainda não a ter mandado abaixo já é bom para nós!

Quem não gosta desta época?

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Depois disto, só falta o Trump chegar a presidente

Com o resultado do referendo sabido e a vitória dada à Brexit, só tenho a dizer que todos os que votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia cavaram a sua própria cova.

Acha que as pessoas não votaram plenas das consequências que esta situação vai trazer, também para os países da Europa e imigrantes, mas especialmente para todos os Britânicos.

A banca vai sofrer, os negócios vão sofrer, as empresas, o comércio, tudo vai levar uma valente sacudidela e não sei quantos vão permanecer em pé depois desse abalanço. 

Esta decisão não vem só cavar as covas dos imigrantes, vem cavar covas para todos os habitantes do Reino Unido e da Grã-Bretanha e penso que ninguém pensou muito bem a fundo sobre isto. Só queriam que o Reino Unido saísse para deixar de ser tão fácil a entrada de imigrantes no país.

Pois agora vou gostar de ver o desenrolar desta situação e quiçá, ver um dos grandes países do mundo a sucumbir e a enterrar-se por completo, porque uma coisa é certa: o feitiço vai acabar por se vir contra o feiticeiro, sem dúvida.

Como imigrante no país da sua majestade, só tenho a dizer que estou relativamente tranquila. Ainda vai demorar uns dois anos, no mínimo, para que esta situação se resolva por completo e o país esteja de facto fora da união europeia. Até lá, acabo o meu curso, arranjo um visto ou então, parto para outro ninho porque o que não faltam aí são países pertencentes à União Europeia.

Agora que isto é muito triste, é, de facto e faz-me perder a fé na humanidade. Agora só falta o Trump chegar a presidente dos Estados Unidos... aí é que ficaria mesmo visto que o ser humano está perdido, por completo.

Sobre o referendo

Toda a gente já está a par desta grande notícia que é o referendo que vai ter lugar aqui no Reino Unido no dia 23 de Junho.

Andei durante uns bons dias a remoer no assunto, a tentar perceber todos os lados da situação, incluindo o meu. O assunto andou aqui às voltas e às voltas, foi discutido com os colegas de casa, com os colegas da universidade, com os colegas do trabalho e a conclusão a que chego é só uma, e diria que bastante influenciada pelo facto de eu própria ser uma imigrante - é injusto.

Tentei ver e julgar a situação do lado dos britânicos. Tentei ver e julgar a situação do lado dos imigrantes. Até tentei ver e julgar a situação do lado dos refugiados. Mas no final, sou influenciada pela minha situação pessoal, porque afinal de contas, sou apenas humana (e se calhar é por isto que a cada dia que passa me apercebo mais que não fui feita para ser jornalista, mas isso é outra conversa para outro dia).

Não é justo por várias razões. Não é justo porque eu não vim para aqui ilegalmente. Não vim para aqui roubar nada a ninguém, seja dinheiro, emprego ou casa. Vim para aqui com uma missão muito simples (na teoria), a de construir uma vida melhor para mim. Assim como eu, milhares e milhares de outras pessoas o fizeram pela mesma razão.

É certo que outras nem tanto. E agora sim, vou tocar na ferida e falar dos refugiados e do terrorismo. A meu entender, esta situação gerou-se e chegou a este ponto por causa da situação dos refugiados e dos ataques de terrorismo recentes. Posso estar errada, ou não, mas a minha opinião é esta. A verdade é que o Reino Unido neste último ano foi inundado com refugiados a tentarem fugir do seu país e pouco tempo depois, foi atacado pela onda de terrorismo que foi levantada na Europa com os atentados em França. 

E é aqui que eu até consigo perceber o facto de este referendo ter de se vir a realizar. O Reino Unido quer fechar as suas portas e proteger-se o melhor possível. É completamente compreensível. Mas como sempre, não é justo uns pagarem pelos erros dos outros. Eu não estou aqui a fazer mal nenhum a ninguém. Nem estão os outros milhares de estudantes e jovens que vieram para aqui na tentativa de construirem um futuro melhor para eles próprios.

Não só nós jovens como famílias inteiras que se instalaram aqui no Reino Unido e que já cá estão à muitos anos, já chamando a este país a sua casa. E agora pergunto: se os resultados do referendo forem a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, o que vai acontecer a estes milhões de jovens, famílias, HUMANOS que não têm forma de voltarem para os seus países e fazerem lá as suas vidas?

Ou, não apontando para o facto de termos de ser obrigados a deixar o país, quem é que vai ajudar estes milhões de pessoas a arranjarem vistos para poderem permanecer cá, uma vez que os mesmos são bastante dispendiosos e a maioria de nós (falando agora só dos jovens estudantes) já se vê apertado só para conseguir pagar a renda e as outras contas essenciais?

E durante o tempo que temos de estar à espera para que ditos vistos sejam aprovados (sim, porque demora tempo), muitos de nós podemos até perder os nossos empregos por nos encontrarmos numa situação meia ilegal.

Acho que é díficil para os não imigrantes verem as coisas desta forma, porque o povo de cá é bastante snobe e mimado. E não me interessa se ofendo A ou B ao escrever estas palavras, é a mais pura das verdades e eu estou no meu direito de o dizer após quase 7 meses de vivência e convivência neste país.

Porque lá está, os não imigrantes têm cá as suas famílias, os seus pais que lhes pagam tudo, que lhes dão tudo e que os ajudam em tudo. No nosso caso, ninguém nos ajuda com as nossas contas ou se oferece para pagar por nós. Nós somos os empregados mais trabalhadores que este país tem, e porquê? Porque nós precisamos de empregos para sobreviver. Um trabalho aqui para nós não é apenas um passatempo ou algo que nós encontramos para fazer durante 3 dias da semana para não termos tanto tempo livre, quando não estamos nas aulas. Nós não vimos para cá brincar ou andar aos tiros, apesar de haver sempre as ovelhas negras em todo o lado.

Mas lá está, as ervas daninhas existem em todos os jardins, mas há sua volta existem flores que só querem é crescer em paz, sem perturbar ninguém. E não é justo que essas flores inofensivas sejam arrancadas com as ervas daninhas só porque estas são prejudiciais.

E como é que se separa o gado, perguntam-me sempre quando eu digo isto. Pois, é aí que eu encravo e que volto a perceber o ponto de vista dos não imigrantes. Porque como ser humano, somos ensinados a generalizar. E se um fez mal, isso significa que a probabilidade de o outro ir fazer igual ou pior é grande porque a realidade é que vivemos num mundo de gente louca.

Mas neste mundo de gente louca existe gente não tão louca, como eu, que só quer é um sítio onde possa ganhar dinheiro e estudar sem ter de andar a dar o corpo nas ruas.

É triste, mas não sei de que outra maneira o dizer. 

Pessoalmente, estou assustada com o que vai resultar desta situação. Não quero ter de voltar para Portugal. Não quero ter de pagar 300 libras por um visto que me vai demorar um ano ou mais tempo a ser aprovado. Não quero, nem posso perder o meu emprego porque já chorei, sangrei e suei muito para chegar onde estou. 

Não é justo. E eu não lido bem com injustiças. Mas neste mundo é só com isso que lidamos, cada vez mais, a cada dia que passa.

Talvez os resultados até surpreendam. Talvez os não imigrantes até tenham dois dedos de testa e pensem nas pessoas que estão aqui, não para fazer mal a ninguém, mas simplesmente para viver.

Porque nós não somos todos terroristas. Ou refugiados. Ou pessoas de más intenções. Por muito que as pessoas não acreditem, esses são a minoria.

Nós somos a maioria. Por isso acho que as maiorias se deviam apoiar umas às outras e não o contrário. 

Espero não ser a única.