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Something New

porque sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela

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Something New

26
Abr20

Say something

alex

Muitas são as vezes em que encontro conforto no silêncio.

Mas este silêncio é sufocante. Extenuante. Doloroso até.

Eu sabia. Há quase um ano atrás, eu já sabia. Porque eu atraio este tipo de pessoas. É como se toda eu fosse feita de metal, e os ímanes colam-se a mim com uma força enorme. Eu sabia e por isso não abri a porta. Mas sem eu dar conta, sem eu me aperceber, foste abrindo a porta aos poucos. E quando dei por ti, já estavas para lá da porta aberta. A porta abriu-se, tu entraste, eu fechei-a e tranquei-te cá dentro. Tudo isto sem eu dar por isso.

E agora? O silêncio reina nesta casa. Neste quarto. Não saíste, porque eu não o permiti. Mas ficaste em silêncio, e isso é muito pior. Não fazes ideia. Nenhuma.

Quero gritar. Dizer algo. Quero que me oiças. Quero ouvir-te. Acima de tudo, quero algo mais do que este silêncio ensurdecedor que dura já há algum tempo.

Vagueio. Entre pensamentos de quem te ressente, mas ao mesmo tempo, te respeita. Entre pensamentos de quem tem saudades tuas, mas ao mesmo tempo, te culpa. Entre pensamentos de quem te percebe, mas ao mesmo tempo, não consegue perceber. Há dias em que a mais pequena coisa me faz pensar em ti. Outros, em que nada faz, mas mesmo assim, surges em pequenos momentos que são agora cada mais escassos mas cada vez mais penosos.

O silêncio que outrora me confortava, hoje assusta-me. Preocupa-me. E acima de tudo, magoa-me.

Porque no silêncio as incertezas crescem, o tempo afasta-nos e a porta...destranca-se. A chave? Não sei dela. Tal e qual como entraste, sem eu dar conta, vais agora também saindo. Mas agora vejo, cada passo teu, em direcção à porta. Atravessas para o outro lado. Não vou fechar a porta, ainda, só no caso...na possibilidade de...

Mas o tempo vai continuar a passar. E se não disseres nada entretanto, não me restará nada sem ser o silêncio que me faz querer fechar a porta e tranca-la a sete chaves. Para que nunca mais ninguém, e muito menos tu, volte a entrar.

E no silêncio em que me deixaste, só peço...não me faças fechar a porta.

 

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